Saga: Herança de Ódio Livro 2: O Acorde Rebelde
11 Capítulo 11: 0,0001% de Chance
O relógio no topo do edifício Vancamp-Moretti parecia bater como um martelo contra o crânio de Lorenzo. O prazo de D’Avilla era final: a assinatura da fusão ocorreria às 20h, durante um jantar privado. A assinatura não era apenas um contrato comercial; era a sentença de prisão perpétua de Lorenzo num casamento sem amor e a destruição da liberdade de Maya se algo falhasse.
Enquanto Lorenzo vestia o smoking para o jantar, as suas mãos tremiam levemente. Ele carregava um pequeno dispositivo de escuta escondido na abotoadura da manga, ligado diretamente ao computador de Julian Jr., onde Maya estava infiltrada.
— Lorenzo, estás a ouvir-me? — A voz de Maya soou clara no seu ouvido interno. — Estamos dentro do servidor principal do D’Avilla, mas ele tem uma criptografia de camada tripla. Preciso que ganhes tempo. Não assines nada até eu dar o sinal.
— Vou fazer o meu melhor, mas o velho D’Avilla cheira hesitação a quilómetros — sussurrou Lorenzo, saindo do quarto.
O Jantar de Gala e de Veneno
A mesa estava posta para quatro: Lorenzo, Bianca, o Sr. D’Avilla e Dante Vancamp, que observava o filho com um olhar profundo, suspeitando que Lorenzo tinha um ás na manga.
— Vamos aos negócios, Lorenzo? — disse o Sr. D’Avilla, deslizando uma caneta de ouro e um calhamaço de documentos sobre a mesa. — Assim que assinares, a pasta com as "irregularidades" do Edward Thorne será triturada. E a Bianca será a nova rainha de Chicago.
Bianca sorriu, possessiva, cobrindo a mão de Lorenzo com a sua.
— É um novo império, querido.
Lorenzo olhou para o relógio. 19h50.
— Antes de assinarmos, Sr. D’Avilla, gostaria de discutir a cláusula de rescisão sobre os ativos brasileiros. Acho que os termos de liquidação não protegem a herança da minha mãe.
D’Avilla franziu o cenho.
— Lorenzo, não comeces com burocracias agora. Assina.
A Invasão Digital
No esconderijo de Julian, o suor escorria pela testa de Maya. As linhas de código passavam pelos seus olhos como estrelas cadentes.
— O firewall dele é agressivo, Julian! Se ele detetar a intrusão, apaga tudo antes de conseguirmos copiar!
— Faltam dois minutos para as oito, Maya! — Julian Jr. gritou, os dedos voando pelo teclado. — Precisamos que o Lorenzo insira o token de segurança da empresa no tablet dele. Isso vai abrir uma porta traseira para nós!
Maya acionou o comunicador.
— Lorenzo! Preciso que conectes o teu tablet à rede interna do jantar agora!
O Momento da Decisão
No jantar, Lorenzo pegou na caneta. A ponta de ouro tocou o papel.
— Sr. D’Avilla, preciso de confirmar os dados da holding no meu tablet uma última vez. Segurança em primeiro lugar, certo?
Ele ligou o aparelho e, num movimento rápido, conectou-o à rede da sala.
— Consegui! — gritou Maya no seu ouvido. — A baixar os ficheiros... 40%... 60%...
— Lorenzo! — D’Avilla bateu com a mão na mesa, perdendo a paciência. — Assina esse papel agora ou eu ligo para a Interpol neste exato momento!
Lorenzo olhou para o pai. Dante assentiu levemente, como se dissesse: "Eu protejo-te".
Lorenzo posicionou a caneta. O silêncio na sala era absoluto.
— 85%... 90%... Lorenzo, o sistema detetou-nos! Ele está a apagar os dados! ASSINA DEVAGAR! GANHA DEZ SEGUNDOS!
— Sabe, Sr. D’Avilla — Lorenzo começou, a voz arrastada e calma, enquanto fingia ler a última página — eu sempre achei que o senhor era mais inteligente que o meu pai. Mas o senhor cometeu um erro.
— Que erro? — rosnou o velho.
— O senhor achou que eu era apenas um rebelde. Mas eu sou um Moretti por sangue e um Vancamp por criação. E nós nunca perdemos.
— DONE! — gritou Maya. — Temos tudo! As provas contra o teu pai e as provas de corrupção do D'Avilla! SAI DAÍ!
Lorenzo largou a caneta e levantou-se. Ele pegou no contrato e, com um movimento lento e deliberado, rasgou-o ao meio diante dos olhos chocados de Bianca e do seu pai.
— O noivado acabou — declarou Lorenzo. — E se eu fosse o senhor, Sr. D’Avilla, usaria os próximos dez minutos para contratar o melhor advogado criminalista do mundo. A Dra. Thorne acabou de enviar o seu histórico financeiro para o FBI.
A Fuga
Lorenzo não esperou pela reação. Ele saiu do restaurante, ignorando os gritos de Bianca. Cá fora, a Ducati preta estava à espera, roncando. Mas, desta vez, ele não estava sozinho.
Uma carrinha preta travou bruscamente ao lado dele. A porta deslizou e Maya saltou para fora, atirando-se aos braços dele.
— Conseguimos! — ela exclamou, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Estamos livres, Lorenzo!
Ele beijou-a ali mesmo, no meio da rua, sob as luzes de Chicago.
— Agora... para onde vamos, Dra. Thorne?
— Para qualquer lugar onde a matemática não seja sobre contratos, mas sobre a distância entre mim e ti — respondeu ela.
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