Saga: Herança de Ódio Livro 2: O Acorde Rebelde
6 Capítulo 6: O Eclipse do Coração
O destino, que parecia ter dado uma trégua ao novo casal, resolveu cobrar o seu preço. A tragédia atingiu Maya da forma mais brutal, transformando o "Acorde Rebelde" numa melodia de despedida.
O mundo de Maya desabou numa terça-feira chuvosa. Um carro desgovernado, uma rua escura e, em segundos, Sarah Thorne estava num leito de hospital, ligada a máquinas, num coma profundo que os médicos não sabiam se teria fim.
Lorenzo não saiu do lado de Maya no corredor do hospital. Ele segurou a mão dela quando o "fantasma" apareceu: Edward Thorne, o pai que abandonara Maya e Sarah há doze anos para construir uma fortuna em Londres. Ele não veio por amor; veio para limpar a imagem e levar a "herdeira" que agora precisava de um tutor legal.
— Tu vens comigo para Inglaterra, Maya — sentenciou Edward, no corredor frio. — Já assinei a transferência da tua mãe para uma clínica em Londres. Não há nada para ti nesta cidade, exceto este rapaz que cheira a problemas.
Maya olhou para Lorenzo. Ela queria gritar, lutar, mas o peso do coma da mãe e a autoridade legal do pai a esmagavam.
A Última Noite: O Refúgio nas Árvores
Na véspera da viagem, a mansão Thorne estava cercada por caixas. Mas Maya escapou pela janela, seguindo o caminho que conhecia desde criança até a velha casa na árvore, escondida no carvalho centenário entre as duas propriedades.
Lorenzo já a esperava lá. Ele tinha espalhado algumas lanternas de luz quente e o som da chuva no telhado de madeira criava uma bolha de isolamento do mundo cruel lá fora.
— Eu não quero ir, Lorenzo — sussurrou ela, caindo nos braços dele.
— Então não vás. Eu escondo-te na minha casa, eu... — Lorenzo parou. Ele sabia que, desta vez, o dinheiro dos Vancamp não podia comprar a liberdade dela.
Maya afastou-se e olhou para ele. O brilho das lanternas refletia-se nas lágrimas.
— Se eu tiver de ir, quero que a minha última memória aqui seja tu. Não o Lorenzo herdeiro, nem o rebelde. Apenas o rapaz que me ensinou que a música tem matemática e que o meu coração tem dono.
Entre Estrelas e Promessas
Ali, no refúgio de madeira, longe da pressão dos nomes e das heranças, o tempo parou. Lorenzo despiu o casaco de couro, e Maya tirou os óculos, deixando que ele visse a sua alma nua.
O amor deles não foi o jogo de sedução dos pais; foi uma entrega desesperada, uma tentativa de congelar o momento antes que o oceano os separasse. Cada toque de Lorenzo era uma promessa de que ele a esperaria; cada beijo de Maya era um "não me esqueças". Naquela noite, eles deixaram de ser vizinhos rivais para se tornarem um só, selando um pacto que nem a distância nem o tempo poderiam apagar.
— Eu vou encontrar-te, Maya — murmurou Lorenzo contra a pele dela, enquanto as primeiras luzes da manhã começavam a surgir. — Não importa quantos telescópios eu tenha de construir para te localizar no mundo.
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