Saga Halfmoon
26 Vinte e Seis

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New York, baby
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Saí do avião e resmunguei. Meu rabo doía. Andei pelo aeroporto e antes que pudesse chegar á saída, duas coisas loiras me abraçam atirando-me ao chão.
–Oh, meu Deus! Estou sendo assaltada por coisas loiras e peludas.- Digo fingindo pânico e eles se afastam me olhando carrancudos.
Ri-o sentando-me.
–Que classe, Deborah. Que classe!- Phoebe me diz abanando a mão abrindo a boca numa expressão total de horror que nos faz rir no segundo seguinte.
–Então, minha linda flor azul! O que vamos fazer primeiro?- Ryan pergunta animado. Seus olhos brilhavam. Açúcar no sangue.
–Primeiro, vamos levantar-nos porque estamos a ser alvo de atenções.- Digo olhando em volta do aeroporto.
Algumas pessoas riam, outras passavam por nós revirando os olhos. As pessoas de N.Y. eram bem mais mal-educadas que as de Forks.
Credo! Nunca viram amigos com saudades, não?
Levantamo-nos e Ryan leva a mala. Porque ele era o homem e o açúcar que ingerira lhe dera super força. Vamos pelas ruas de N.Y. com Phoebe me contando as novidades todas. Era estranho voltar ao barulho da cidade depois de algum tempo no silêncio de Forks.
Chegámos á casa de Ryan. Deixei minhas coisas no quarto de hóspedes e eles me levaram até ao SyberBar. Eu passava a vida ali com meus amigos. Nos fins-de-semana, feriados, falta de professores, depois das aulas, quem nos quisesse encontrar era só ir ali.
–Desaparecida!- Oiço Peter grita e ri-o antes de ter um monte de pessoas me abraçando.
Ficámos por ali durante algum tempo. Eu ri bastante com eles. Era impossível não o fazer. E eu tinha saudades deles. Era meus amigos desde que usava fraldas. Fizemos muitas besteiras juntos, seria estranho não sentir saudades.
Mas cheguei a imaginá-los em Forks, comigo, Jamie, Nicky, Erin, Stuart, Jim, Lucas… é, não dava. Era ambientes diferentes. Pessoas diferentes. Mas que encontraram um espaço na minha vida confusa por algum motivo.
–Então, agora é tua vez.- Ryan diz caindo na cama do quarto de hóspedes.- Conta-me novidades.
–Novidades?- Ele assente e estalo a boca sentando-me ao seu lado.- Mia está namorando com o Jimy, um dos bombados de La Push.
Ryan abre a boca chocado. É. Mia sempre fora uma menina que todos gostavam, mas os namoros dela… bem, nunca correram lá muito bem. Ela sempre preferiu viver a vida e deixar rolar. Namoros não era com ela. Mesmo ela tendo aquele ar de rockeira, todos viam a menina doce que ela era. E isso a deixava extremamente fofa!
–Josh encontrou uma menina que é a cara dele! Minha mãe está feliz, como nunca pensei que ela seria. E bom, é isso.
Se esquecermos a parte dos vampiros e lobos e que eu namorei um.
–Não. Ok. Contas-te novidades, mas não falaste de ti. Eu quero ouvir novidades de ti!
Suspiro e cruzo as pernas.
–Que novidades? Queres a parte em que namorei por alguns dias um cara incrível, ou parte em que eu o amo mais que tudo?
Sua boca agora cai escancarada e então ele ri.
–Nunca pensei que sobreviveria para ouvir Deborah Larky dizendo que ama alguém.
–Idiota.- Lhe mando uma almofada.
–Mas conta! Porque mudaste de ideia? Ele tem de ser mesmo bacano para tu lhe dares uma hipótese.
–Eu acho… eu acho que a ele lhe daria todas as hipóteses do mundo, Ryan.- Sussurro e o olho.
Ryan me olhava com um sorriso lindo no rosto. Ele parecia orgulhoso. Como se tivesse esperando á muito tempo para eu dizer aquilo.
Reviro os olhos e bato-lhe de novo com a almofada.
–Para de me olhar assim!
–Deb, tu nunca falaste assim de ninguém. Com esse brilhozinho nos olhos. Com esse sorriso bobo. Com essas palavras.
–Isso porque eu não conhecia Lucas. Nunca tinha sentindo o que sinto com ele.
–Então porque acabastes?
–Aconteceram uns problemas, mas vamos apenas dizer que a culpa é minha.- Suspiro e deito-me na cama abraçando a almofada.
–Então se a culpa é tua, se tu o amas, porque não estás com ele? Porque não estás feliz?
–Não me quero magoar.- Sussurro e ele deita ao meu lado me abraçando.
–Vale a pena falares dele? Vale a pena o tempo que passas com ele? Vale a pena perdoar… por ele?- Ryan pergunta e olho em seus olhos castanhos.
Valia a pena?
Sim. Todas as vezes que ele quisesse.
–Sim.
–Então, não tenhas medo, Deby. Se ele te ama, se tu o amas, o resto não interessa. Afinal, o que aconteceu de tão mau para não o perdoares? Não é como se uma multidão de zumbis nos viessem para comer.- Diz e ri-o.
Zumbis não. Mas vampiros já é outra história.
Na manhã seguinte, Ryan acordou-me cantando uma música horrível que devia ser punida por lei. Depois de ficar sem almofadas por o ter enxotado com elas, levantei-me e fui tomar banho. Tinha acabado de vestir as calças rosa e a camisola branca com um gatinho, quando meu celular tocou.
–Deb, falando!
–Deby. Parabéns, meu amor!
–Obrigado, mãe.- Ri-o.
–Já compraste meu jogo, Deb?- Oiço Josh perguntar.
–Josh!- Minha mãe repreende.
–O que é?!
–Parabéns, Deb!- Oiço Mia.
–Vejam só quem está mais velhinha!
–Jim?
–Olá, sarilhos! Parabéns.
Ri-o e oiço uma confusão enorme ali.
–Deby!– Duas vozinhas iguais dizem.
–Meninas!
–Nunca te vou perdoar por teres ido embora se te despedires.– Amie diz e ri-o.
–Só estamos falando contigo porque é teu aniversário.– Sarah conclui.
–Sinto-me honrada.
As oiço rir.
–Como está tudo por aí, meu amor? Ryan? Pietra? Ivan?- Minha mãe pergunta.
–Está tudo bem. Ryan está sendo… Ryan, né? Aquele garoto não sabe ser outra coisa.
–Eu ouvi, sabias!- Ryan diz aparecendo na porta do quarto com as mãos na cintura.
–Saí daqui!- Mando-lhe com uma almofada que estava no chão e ele ri desviando-se.
–Tia Marleen! Sua filha quer-me matar! E a segunda vez hoje que me ataca com almofadas.- Ele grita e oiço minha mãe rir.
–Eu não te teria atacado, se não me tivesses acordado com músicas dos anos 20!- Mando-lhe outra almofada e ele agarra-a andando até mim.
–Para tua informação, minha avó adora minha voz e era uma de suas músicas preferidas.
Reviro os olhos enquanto ele se senta ao meu lado.
–Bom-dia, família!- Ryan deseja quando ponho o celular no altifalante.
–Oi, Ryan!- Josh fala.- Eu estou confiando em ti, tás a ouvir? Tira esses estupores para bem longe da minha irmã!
Reviro os olhos e Ryan sorri.
–De acordo, campeão. Deb é só minha enquanto aqui estiver. Né, minha flor?- Ryan sorri aproximando seu rosto do meu e reviro os olhos o empurrando.
–Homens. Todos iguais.- Bufo.
–Tu me amas, Deby. Porque continuas negando, minha musa?
–Ryan, querido, já comeste doces a esta hora?– Minha mãe pergunta preocupada.
–Antes fosse.- Digo.- Ele ainda está a gastar os que comeu ontem.
–Eu sou um saco de açúcar!- Meu amigo grita e suspiro revirando os olhos enquanto através do celular se ouviam os risos.
–Tenho de ir, malta. Ele precisa de um banho gelado e eu vou ter muito gosto em mandá-lo para a piscina.
–Eu devia ficar preocupado?- Ryan pergunta.
–Ok, meu amor. Vemo-nos dia 24.
–Até lá.
Desligo e olho meu amigo. Ficámos nos olhando por um tempo até ele correr para fora do quarto comigo atrás dele.
Depois de uma corrida idiota, com Ryan rindo feito uma hiena, eu decidi ir-me vestir para a festa. Phoebe me deu um vestido rosa muito bonito sem alças.
A festa ficava no quintal dos Bluen. Ryan tinha feito um brilhante trabalho, mas eu não conseguia parar de olhar para o celular. Por alguma razão, queria que ele tocasse e o nome de Lucas aparecesse.
–Deb, vamos! Estás aí sentada sem fazer nada!- Ryan me puxa para o meio da pista imaginada.
–Não quero, Ryan.- Resmungo olhando o celular.
–Ele não te ligou?- Pergunta e o olho com um beicinho.- Deby, meu anjo, se ele te ama ele vai ligar. Mas, visto que estás chateada com ele e ele sabe, é bem provável que ele não ligue para não gritares com ele.
–Eu não vou gritar com ele!
–Mas ele não sabe disso, né?
Suspiro abraçando-o.
–Eu quero que ele ligue.
–Liga-lhe tu.
–Não! – Digo depressa me afastando.- Eu não estou propriamente desesperada.
Ele ri.
–Ainda bem, porque hoje é dia de festejar, meu amor! Não estás em Forks. Isto é New York, baby!
Ri-o enquanto ele me abraça cambaleando. Fomos contra algumas pessoas, mas ninguém se importou.
Era meia-noite quando Pietra entrou com o bolo. Eu apenas sorria olhando todas aquelas pessoas á minha volta enquanto cantavam. Meu primeiro aniversário longe das lágrimas de minha mãe e suas palavras melosas. Primeiro aniversário longe de Bri e seus presentes extravagantes. Primeiro aniversário longe de Josh e suas brincadeiras.
É. Eu tinha saudades deles.
Tinha saudades de Lucas.
E foi nele que pensei ao assoprar as velas. Em seu sorriso. Em seus olhos. Eu seu rosto. Em sua voz. Em seus braços ao meu redor. Em seu calor. Em seus beijos.
Deus, eu amo aquele garoto.
–Parabéns, Deby.- Ryan beija minha testa e sorri-o abrindo a porta do quarto de hóspedes.
–Obrigado, Ryan.
Troco-me para meu pijama e deito-me na cama olhando a tela do celular. Lucas a esta hora já devia estar a dormir. Eu só queria que ele me tivesse ligado. Mandado uma mensagem. Qualquer coisa. Só queria saber se ele pensara em mim, como eu pensei nele.
No dia seguinte, eu e Ryan passámos o tempo todo passeando pelas ruas de N.Y. Aproveitei e comprei os presentes de natal e o jogo de Josh. As ruas estavam todas enfeitadas e haviam árvores de natal por todos os lados. Eu sempre gostei do natal. Sempre gostei do mês de Dezembro. Era o único em que recebia prendas!
Jantámos com Pietra e Ivan, e então eles me deixaram no aeroporto. A volta para Forks, foi cansativa. Adormeci no meio da viagem. Meu corpo estava relaxado. Parecia que tinha ido ás nuvens e voltado.
Sai do avião e peguei o táxi para Forks. Deitei minha cabeça no vidro do carro amarelo e sorri olhando as árvores ao meu redor.
De volta a Forks, Deb.
De volta a Forks.
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