Saga Halfmoon

22 Vinte e Dois


Notas iniciais
Primeiro dia de férias malta e por isso mesmo aqui fica um POV de Lucas Espero que gostem

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Por ela

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Lucas Uley

–“Deb!”

Meu coração parecia que tinha parado com o pânico que sentia. Não pensei duas vezes quando vi o sanguessuga larga-la. Meu coração batalhou quando a vi lá em baixo. Segura, por enquanto.

Olhos azuis me olhavam com tanto medo que pela primeira vez odiei quem eu era. Odiei saber que ela estava ali por minha culpa. Odiei não poder ir até ela e segurá-la nos meus braços para sempre impedindo que alguém a magoasse.

Senti um encontrão que me fez ganir ao sentir suas mãos apertarem meu pescoço.

–Lucas!

Meu coração pareceu explodir ao ouvir sua voz cheia de pânico. Ela estava preocupada comigo. Ela tinha visto o que eu era e mesmo assim estava preocupada comigo.

–“Criaturas nojentas.”- Ouvi Ethan falar e fiquei feliz por finalmente eles terem chegado.

Harry retirou Grey de cima de mim rapidamente arrancando sua cabeça e o mandando lá para baixo. Não seria o suficiente para o matar, mas por agora chegaria.

–“Boa viagem, amigo.”- Harry diz olhando o corpo cair, antes de se virar para mim.-“ Estás bem?”

Assinto vendo Jim aparecer e empoleirar-se na beirada do penhasco.

–Deb!

–Jim!

Minha garota o olha aliviada e eu mesmo fiquei ao saber que Jim a poderia tirar dali. Ele podia ser o mais novo da matilha, mas era um grande amigo. Eu confiava nele com minhas mãos.

–“Jim cuida dela. Temos de ir, Lucas.”- Harry me diz e assinto olhando uma última vez para Deborah, antes de o seguir.

Minha única esperança era Jim, mesmo que meu coração doesse como infernos implorando para voltar para trás.

Draco tinha fugido como o cobarde que era. Apenas estava um sanguessuga perto do penhasco. Logan e Colin ficaram com ele.

–“Está perto da fronteira.”- A voz de Wren soa em minha cabeça.

Acelerei meus passos ainda mais. Harry corria ao meu lado.

–“Encurralem-no.”- Seth ordenou.

–“Apanhámo-lo.”- Brady fala.

–“Esperam por nós. Não quero perder isto por nada.”- Harry ri ao meu lado.

Quando chegámos, Etahn estava com as patas em cima de Draco que rosnava tentando se soltar. Wren estava perto de sua cabeça mostrando seus dentes. Eu e Harry nos aproximamos e vejo Seth surgir das árvores olhando o vampiro.

Quando meu pai desistira de ser lobo, ele entregara a liderança a Leah, mãe de Harry, mas ela não aceitara. Em vez disso, entregou a liderança a Seth. Ele era nosso líder, pelo menos até Scott chegar. Se ele quisesse aceitar a liderança e permanecer no bando, ele seria nosso alfa.

–Cachorros idiotas. Achais mesmo que isto ficará por aqui? Mais chegarão para dar cabo de vocês. Eles me vingaram.- O vampiro rosna e Ethan rosna de volta perto de seu rosto o fazendo calar-se.

–“Cá os esperaremos.”- Ethan diz antes de arrancar sua cabeça.

–“Lucas!”- Oiço Colin me chamar e ergo minha cabeça.

–“Fala, Col.”

–“Jim e Deb caíram!”

Meu coração gela ao ouvi-lo.

–“Deb.”

–“Vai, Lucas.”- Seth me diz e pude ouvir o desgosto de Wren.

–“É sempre aquela humana.”

Rosno-lhe antes de correr de volta para o penhasco. Quando lá cheguei, vi Colin e Logan debruçados sobre o penhasco.

–“Onde ela está?!”

–“Jim a levou para a praia.”- Logan diz.

Corri o mais rápido que pude saltando sobre as rochas. Jim estava sentado no chão com Deb no colo. Senti meu coração apertar. Jim me olhou e vi o arrependimento e a culpa em seus olhos.

–Desculpa, Lucas. Eu tentei mas o vampiro fez a rocha cair e …

Rosno baixo o impedindo de continuar. Ele não tinha culpa. Ele tentou. Eu é que podia ter feito mais.

Toco a pele gelada de Deb. Seu coração batia, mas era um ritmo calmo. Seu coração sempre parecia louco sempre que eu estava perto. Eu amava ouvi-lo e saber que apenas eu conseguia coloca-lo daquela maneira.

Ela precisava sair dali ou morreria de hipotermia.

Olho Jim que assente levantando-se com Deb nos braços. Abaixei-me para ele subir em cima de mim e então corri até minha casa. Meu pai apareceu na porta mal chegámos.

Ele olhou a minha garota desmaiada nos braços de Jim.

–Emily!- Chamou.

Jim andou até casa apressado. Meu pai me olhou e mandou-me umas calças.

–Veste-te e acalma-te. Ela vai ficar bem.

Resmungo desgostoso e faço o que me diz. Quando estava de volta e com as calças vestidas, corri até casa. Antes de subir, meu pai me segura.

–Pai!

–Acalma-te, Lucas. Tua mãe está tratando dela.

–Mas deixa-me ir vê-la!- Imploro.

–Lucas, estás descontrolado. Precisas acalmar-te primeiro. Ou queres magoá-la?

Paro no mesmo instante e o olho. O arrependimento e a culpa ainda o corroíam, por mais que minha mãe lhe diga para esquecer, ele continuava se lembrando. Eu não queria que o mesmo acontecesse com Deb. Eu não a queria magoar. Acho que não iria conseguir lidar com a culpa.

–Ok.

Ele assente e me leva até aos sofás.

–As gémeas?- Pergunto olhando em volta notando o silêncio da casa.

–Ficarão em casa de Embry e Brooke esta noite.

–Melhor assim.

Minutos depois, que pareceram mais horas, Jim desce.

–Ela está bem?- Pergunto preocupado.

–Emily diz que sim. Apenas precisa de calor e descanso.

–Posso ir vê-la?- Pergunto olhando meu pai que assente me fazendo sorrir.

Corro até meu quarto. Minha mãe cobria seu corpo com carinho. Ela sempre fora uma mulher amável, mas eu sabia que ela tinha um carinho especial por Deb, apenas por ela ser a minha garota. A mulher que eu amo.

–Ela está mesmo bem, certo?- Pergunto e minha mãe me olha sorrindo.

–Sim, Lucas. Não te preocupes, meu filho. Apenas precisamos esquentar sua temperatura.

Ando até minha cama e ajoelho-me ao lado de Deb. Seu rosto estava pálido. Seus lábios roxos do frio.

Minha princesa.

Toco seu rosto de leve.

Tão frágil. Apenas um deslize, e ela morreria.

–Ela vai ficar bem.- Minha mãe diz, mas apenas assinto continuando a olhar a pequena garota deitada na minha cama.

Minha mãe saiu pouco depois falando que ia ligar a Marleen. Deitei-me na cama abraçando Deb. Beijei sua testa gelada e suspiro.

–Tu vais ficar bem, princesa. Tu vais ficar bem.

Marleen não demorou muito para aparecer com Tony. Josh tinha ficado com Mia em casa. Marleen preferiu não contar-lhe nada devido á proximidade que os dois tinham. E também, precisávamos arranjar uma desculpa para ele.

–Nós vamos cuidar dela, Marleen.- Minha mãe garantiu enquanto Marleen estava sentada ao lado da filha.

Ela estava preocupada, o que era normal. Marleen tinha desistido de tudo por Tony. Ela arriscou sua vida e de seus filhos ao entrar no nosso mundo. Eu apenas desejava que Deb aceitasse tão bem quanto sua mãe. Porque perdê-la… isso seria doloroso demais. Mas se a fizesse feliz… não havia nada que eu pudesse fazer, se não a deixar ir.

–Eu sei. Eu sei.- Marleen suspira acariciando o rosto ainda pálido de Deb.- Eu voltarei amanhã. Preciso ficar com Josh e dizer-lhe alguma coisa.

Ela vai e me deixam sozinho com minha garota, minha vida. Sento-me de novo ao lado de Deborah. Seu rosto estava a aquecer, mas ela ainda estava pálida. Fechei meus olhos e dormi, sentindo seu coração bem perto do meu.

Acordei com algo se mexendo. Abri meus olhos com dificuldade olhando o rosto de Deb. Ela estava suando. Afastei-me para a deixar respirar melhor e toquei sua testa.

Estava ardendo em febre.

–Pai!- Grito destapando-a um pouco.

Ela se contorcia por todos os lados falando coisas incoerentes. Parecia que estava num pesadelo na qual não conseguia acordar.

–Deb? Deby? Amor, acorda, por favor.- Imploro arredando os fios de cabelos colados ao seu rosto graças ao suor.

–Lucas?- Minha mãe aparece com meu pai.

–Ela está ardendo em febre.- Digo desesperado.

Minha mãe se aproxima e toca seu rosto. Vejo a preocupação atingir seus olhos, o que apenas me aflige mais.

–Mãe?

–Ela precisa de um banho gelado.

–Vou encher a banheira.- Meu pai diz saindo.

–Lucas, sai por favor.

–Não.

Eu não ia deixá-la. Nunca!

–Lucas, é só por um tempo.

–Eu quero ajudar.- Digo e a vejo me olhar um pouco antes de assentir desistindo.

–Sendo assim, me ajuda a tirar a roupa. E Lucas…- Diz e a olho.- …Tenta controlar-te.

Assinto engolindo.

Eu ia conseguir. Por ela. Eu conseguiria tudo.

Tiramos sua camisola do pijama que minha mãe lhe emprestara e então suas calças. Senti meu lobo rosnar e fechei meus olhos por instantes.

Controla-te, porra!

–Lucas?

–Eu estou bem. Eu estou bem.

Abro meus olhos de volta, inspirando. Pego nela e senti seu corpo seminu contra mim. Ela estava quase tão quente quanto eu. E isso me fez controlar um pouco mais. Ela precisava de mim. Não era altura pra cair.

A coloquei na banheira com cuidado. Ela ainda se contorcia. Seu coração parecia uma metralhadora em seu peito. Minha mão lhe molhou o rosto, enquanto eu apenas a segurava.

A levei de volta para o quarto enrolada numa toalha. Minha mãe lhe vestiu outro pijama e então e deixei na cama mais uma vez.

–Ela ainda está delirando.- Digo batucando meus dedos na perna com o nervosismo.

–Tudo ao seu tempo, Lucas.- Minha mãe diz molhando uma toalha numa bacia antes de coloca-la na testa de Deb.

–Para que conste…- Meu pai colocou a mão no meu ombro.-… eu estou orgulhoso de ti.

–Pelo quê?

–Controlaste-te, Lucas. Eu, mais que ninguém, sei o quanto isso é difícil. Mas tu o fizeste. Combates-te teu lobo. Mostraste quem é que manda. Isso é algo com que te devas orgulhar. Estás te tronando num grande lobo.

–Eu pensei no que me disseste.- Digo e o olho.- Eu não aguentaria se a magoasse. Ela já sofrera naquele penhasco por minha culpa. Se a magoasse de novo… eu nunca me perdoaria.

Ele sorri.

Um sorriso orgulhoso.

Foi aí que eu sobe que estava no caminho certo para me tornar digno da matilha. Mas eu não sabia qual seria meu futuro com Deb. E isso, me estava a desesperar.

Porque sem ela, eu não era nada.

Notas finais
Gostaram? Gostaram?