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Port Angeles

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A bola subia e descia puxada pela gravidade e interrompida pela mão de Max que assistia ao filme como se não estivesse a estragar a felicidade aquela pobre bolinha azul. Era domingo. E o que estávamos fazendo? Estávamos presos na sala de cinema porque os lobos voltaram e nos expulsaram da sala.

Já nem podíamos estar sossegados em nossa própria casa!

-Estou farta. Vamos sair.- Digo levantando-me da poltrona negra.

-Vamos a onde?- Max pergunta me olhando.

-Port Angeles. Vamos ver um filme, vamos dançar, sei lá! Apenas quero sair daqui! Liga ao Peter eu vou ligar ás meninas.

Ando até meu quarto e pego meu celular. Ia a sair quando me vi no espelho. Franzo a boca. Eu ainda estava com as calças simples e a blusa grande dos Beatles que roubei a Max. Nego com a cabeça e tiro outra roupa do roupeiro.

Quando me senti satisfeita, corri até ao andar de baixo. Todos se calaram quando me viram me fazendo revirar os olhos.

-Podem continuar, não estou a ouvir!- Sento-me ao lado de Lucas.- Podes dar-me o número de Deb, por favor?

-Claro.

O coloco no meu celular rapidamente e subo até ao quarto de Max que falava com Peter. Ligo a Deb.

—Sim?

-Deby, sou eu!

—Hannah?

-A única! Espero que não te importes mas peguei teu número com o Lucas.

-Não, tudo bem. Precisas de algo?

-Eu e Max vamos a Port Angeles sair um pouco, espairecer, fazer compras, dançar, sei lá! Queres vir? Mia também, claro.

—Espera um pouco.- A oiço perguntar a Mia e logo estava de volta.- Vamos sim, Hannah. Os rapazes nos deixaram livres hoje, mesmo.

-É, eles estão a ter uma reunião lá em baixo de onde eu e Max fomos expulsos. Bom, nós passamos por tua casa e vos buscamos.

-Tá.

Ela me passou o endereço e então desliguei. Olhei Max que estava sentado na cama.

-Pronta?

Assinto e saímos de seu quarto. Crissy nos olha quando acabamos de descer as escadas.

-Onde ides?

— Aborrecidos. Sair. Port Angeles. Adeus.- Max fala e ri-o enquanto ele me empurra para fora.

Aceno antes de fechar a porta e andar até ao nosso carro. Buscámos Peter que nos cumprimentou e então seguimos para casa de Mia e Deb. Eu sai-o do carro deixando os rapazes a falar. Quem me abre a porta é um garoto de 12 anos aproximadamente. Ele era bem parecido com Deb.

-És a amiga de Deb?- Pergunta e sorri-o.

-Sou a Hannah. E tu deves ser o Joshua.

-Eu mesmo.- Fala orgulhoso e ri-o.

-Ei!- Deb aparece com Mia.

Deb usava um vestido verde com meias de licra e botas pretas. Ela estava linda. Já Mia apenas usava umas calças pretas rasgadas, uma blusa rosa pálida e um casaco preto. Simples, mas bonito.

-Uau. Estás linda.- Mia me diz.

-Quando é para arrasar é para arrasar.- Digo e elas riem.

-Adeus mãe! Adeus Tony!- Deb grita antes de despentear os cabelos castanhos do pequeno que ainda me olhava com a cabeça de lado.

-Foi um prazer conhecer-te, Hannah.- Joshua me diz sorrindo e ri-o um pouco.

-Vejam só, um jovem cavalheiro. Foi um prazer conhecê-lo também, Sir Joshua. Espero vê-lo de novo.

-Podes vir quando quiseres!- Diz animado e ri-o com as meninas.

-Fica combinado.- Lhe pisco o olho e sai-o com as meninas.

Entramos nos bancos detrás, visto que os rapazes estavam nos da frente. Joshua apenas entrou quando o carro sai-o de sua vista.

-Parece que encantas-te meu irmãozinho.- Deb me diz divertida e ri-o.

-Ele é um fofo.

-Ainda mal saímos e já andas a destruir corações, loirinha?- Max pergunta e sorri-o dando de ombros.

-Quem pode, pode.- Peter diz me olhando sorrindo e sorri-o de volta.

-Então onde vamos?- Mia pergunta.

-Cinema. Depois vamos a um bar que Peter conhece.- Max responde.

-Soa-me bem.- Digo deitando-me para trás.

A chegada a Port Angeles ainda demorou um pouco, mas tínhamos chegado! Ficámos por Star Wars: Rogue One. O filme em si já tinha muita ação, mas com Max não parávamos de rir. Max era Max e uma certa parte de mim tinha orgulho disso. De o ter como irmão.

Quando acabámos, saímos para o bar que Peter conhecia, Last Star. Não tinha nada a ver com os bares de NY ou Las Vegas e muito menos de Roma, mas era espaçoso e com cores quentes. Sentámo-nos numa mesa e olhei em volta. Algumas pessoas conversavam, outras dançavam. Era noite de Karaoke e havia gente escolhendo a música na máquina.

-Boa tarde. O que vão desejar?

Olhei para o rapaz mal falou. Seus cabelos eram castanhos-claros e seus olhos verdes. Era bem bonito.

-Eu quero um hambúrguer duplo, batatas e uma cola.- Max diz batendo com as mãos na mesa.

-O mesmo.- Peter diz.

-Eu quero um cachorro e um suco de maça.- Deb diz.

-Eu quero uma salada e uma coca.- Mia diz.

-Eu também quero uma salada!- Digo animada olhando o garoto que me olha.- Têm whisky?

-Temos Johnnie Walker.

-Perfeito!- Sorri-o aliviada e o rapaz limpa a garganta.

-Vou já trazer.

-Quem come salada e bebe whisky?- Deby me pergunta divertida.

-Eu.- Suspiro dando de ombros e batucando meus dedos nas minhas pernas.

Mia ri enquanto Deb abana a cabeça sorrindo. Senti Max me olhar, mas o ignorei. Nossa comida não tardou a vir. Agradecemos e logo bebi minha bebida num gole. Eu precisava daquilo. Quase podia sentir meu coração bater com mais força. Minhas mãos tremiam um pouco. Eu realmente estava a precisar de algo com álcool.

Comemos e me senti um pouco melhor. Eu odiava quando me sentia fraca. Não havia nada pior que sentir todo teu autocontrole ir-se abaixo.

-Quem se aventura no karaoke?- Pergunto sorrindo maliciosa.

-Esquece. Minha voz é horrível.- Deb diz rindo.

-Eu também estou fora.- Peter diz levantando as mãos.

-Mia?- Olho a morena que suspira olhando o pequeno palco.

-Vai, Mia. Tens uma voz linda.- Deb a incentiva e a morena assente dando de ombros.

-Max vai contigo, né Max?- Olho o loiro que sorri para Mia pegando sua mão e a beijando.

-Com todo o prazer. Vamos mostrar àquelas pessoas como se faz.

Mia ri e os dois se levantam e vão até á máquina.

-Já venho.- Digo e ando até ao bar.

O garoto que nos atendera me vê e caminha até mim, sorrindo.

-Oi.

-Oi. Podes me dar mais uma dose de Whisky, por favor?

-Claro. Tentando esquecer algo?- Pergunta enchendo o copo e sorri-o dando de ombros.

-Algo assim.

Agradeço e tomo a bebida olhando Max e Mia em cima do palco. Podia sentir os olhos do garoto em mim e sorri.

-Hannah.- Digo o olhando e ele me olha confuso.

-Como?

-Meu nome é Hannah.

-Gavin.- Diz sorrindo largamente e sorri-o de volta.

-É um prazer conhecer-te, Gavin.- Digo antes de tomar um gole de meu copo e voltar a olhar meus amigos.

Max tinha uma voz rouca e ele chegava muito bem á notas altas. Ele em si já era muito atrativo, mas sua voz atraia um lado de Max que poucos viam. Um lado sério e doce. Mia era parecida a ele. Sua voz era bonita, rouca. Ela cantava com paixão. Seus olhos castanhos brilhavam. Eram uma boa dupla.

Ando até á mesa e coloco o copo na mesa.

-Vamos dançar, Peter?- Pergunto estendendo minha mão ao ruivo que assente sorrindo.

Ele pega minha mão e pisco para Deb que me sorria divertida. Mal chegamos á pista, Peter me rodopia e ri-o me segurando nele. A música de Max e Mia era meio lenta então deitei minha cabeça no ombro de Peter sentindo sua respiração em meu pescoço. Eu precisava esquecer um pouco das pessoas á minha volta.

A música acabou e sorri afastando-me de Peter e o olhando.

-Danças muito bem.

-Obrigado. Minha mãe me obrigou a ter aulas desde os 5.- Diz envergonhado e ri-o beijando seu rosto.

-Oi. Posso roubá-la um instantinho?- Max pergunta segurando meu braço.

-Claro.- Peter assente sorrindo e Max me arrasta para um ponto longe do barulho.

-O que se passa?

Cher Lloyd de Becky G começa a tocar e olho vendo Mia sozinha no palco.

-Estás bem?- Max pergunta e o olho de volta.

Seu rosto estava sério. Sem um pingo da diversão que costuma preencher seus olhos azuis.

-Sim, porquê?- Ri-o.

-Apenas bebes álcool quando estás com sede.- Diz e engulo acabando com meu sorriso.

É. Ele conhecia-me bem demais.

-Eu estou bem. Não existe pessoa mais controlada que eu.- Digo forçando um sorriso.

-Han…- Suspira passando a mão pelos cabelos.- Eu não quero que aconteça como da última vez.

A última vez. É, eu lembrava-me bem da última vez.

O abraço e beijo seu rosto.

-Fica calmo, Maxy. Eu estou bem. Desde que tenha bebida, eu fico bem.- Sorri-o brilhante e ele suspira assentindo dando um pequeno sorriso.- Adoro-te.

Beijo seu rosto e o puxo para perto de nossos amigos. Minha supressa em ver ali os lobos não foi assim tão grande. Eu sabia que mais tarde ou mais cedo Lucas e Jim viriam atrás de suas namoradas. Coisa de lobo.

-Vejam só quem apareceu!- Sorri-o sentando-me de novo em meu lugar entre Peter e Deb.

Lucas estava no lugar de Mia, ao lado de Deb, seguido por Jim e Harry. Max sentou-se em seu lugar ao lado de Peter. Foi inevitável dar uma boa olhada no lobo de olhos intensos. Seus cabelos estavam molhados os tornando mais escuros. Sua blusa vermelha sobressaia com sua pele morena.

Eu preciso de uma bebida.

-Esta é por minha conta.- Um copo aparece á minha frente e olho Gavin, surpresa. Ele me pisca o olho e se vai. O vejo ir ainda surpresa. Dou de ombros e bebo.

-Tu não paras.- Deb diz rindo.- Primeiro meu irmão e agora o garoto do bar. Como fazes isso?

-Eu não fiz nada!- Defendo-me erguendo as mãos.- Eu juro!

-Tu intimidas os rapazes.- Ela diz ainda rindo e ergo minha sobrancelhas.

-Não intimido nada.- Murmuro.

-Oh, intimidas sim.- Retroca.

Tenho argumentar, mas nada me sai. Olho Peter e apoio minha cabeça na minha mão.

-Eu intimido-te, Peter?

Sua boca se abre duas vezes e nada sai, mas então ele sorri.

-Uma mulher bonita sempre intimida.

Ouvi Deb rir com os restantes enquanto eu sorri para Peter.

-Safaste-te bem.- Bebo meu copo e me levanto pegando-lhe na mão.- Vamos dançar.

O puxo até á pista quando começou uma nova. Mia já tinha saído. Um rapaz contava Sweet Love de Chris Brown. Mesmo tendo um compasso lento dava para mexer mais um pouco. Senti as mãos de Peter em minha cintura e sorri vendo-o me acompanhar. Subimos e descemos mais duas veze antes de ele pegar minha mão e me rodar me deixando de costas para ele. Deito minha cabeça em seu ombro e suspiro olhando o teto vermelho do bar. O álcool já se misturava com meu sangue me distraído, me mascarando do cheiro de todos aqueles humanos.

A música mudou. Let Me Love You começou a tocar e sorri quando Peter me rodopiou. Fez-me passar por seus braços e quando a começou a aumentar ri soltando-me. As pessoas á minha voltam saltavam animadas. Peter ria mesmo sendo empurrado por aquela gente desconhecida. Tirei meu cabelo do rosto e saltei junto com toda aquela gente que nunca mais veria na vida. Uma mão pegou a minha e logo me senti sobre um peito quente. Ofeguei e levantei minha cabeça encarando aqueles olhos quentes.

You let me love you

You let me look you, baby

-Minha vez.

Harry pegou minhas mãos e as colocou em seu pescoço. Suas mãos tocaram minha cintura me aproximando ainda mais dele. Podia sentir sua respiração em meu rosto. Nem dei conta da música parar, apenas de seus olhos olhando nos meus. Seu rosto tão próximo do meu.

Minha consciência apareceu e ri escondendo meu rosto em seu peito. O senti sorrir quando ele escondeu seu rosto na curva de meu pescoço. Fechei meus olhos encostei minha testa nele. Seu calor era impressionante. Eu não sentia frio como um humano normal, mas a diferença notava-se.

Seu nariz tocou meu pescoço me arrepiando. Percorreu o caminho até minha bochecha e abri os olhos encarando os olhos castanhos mais intensos do mundo. Do meu mundo, pelo menos.

A proximidade se fez-se nula. Se me perguntarem quem deu o primeiro passo, eu não saberia dizer. Apenas senti seus lábios nos meus e antes que algum de nós desse conta, já nos beijávamos.

Lentamente e docemente. Como se fosse uma mera miragem. Um mero movimento.

Os braços dele se apertaram mais á minha volta me impulsionando para cima. A lentidão tinha terminado e nossas bocas pareciam querer competir. O beijo de Harry era desesperado. Meus pés mal tocavam no chão. Segurei-me em seus cabelos distribuindo a mesma força que ele naquele beijo.

Que se explodisse o mundo!

-Vem.- Sua voz rouca e necessitada sussurrou em meu ouvido e não recuei, apenas peguei sua mão e o segui.

Mal chegámos a uma parta mais afastada do bar, Harry me encostou á parede coberta pelas sombras e me beijou. Não senti nada além de seus braços me rodeando como se tivessem medo de me deixar ir. Nunca, em meus poucos anos de vida, me senti tão segura.

Harry mergulhou a mão por meus cabelos e eu apertei forte os seus sentindo nossas línguas se tocarem. A necessidade implorava mais alto. Seus lábios passaram para meu pescoço e suspirei fechando os olhos. Engoli e toquei seu rosto olhando em seus olhos. Nenhum de nós disse nada. Nos beijámos olhando nos olhos um do outro.

-Oi.

Tiro meus lábios dos dele escondendo meu rosto em seu ombro. Meu coração saltava mais alto e eu sabia que Harry o ouvia, mas eu podia ouvir o seu. E senti-me orgulhosa por bater tanto quanto o meu.

-O quê?- Harry rosna e sorri-o mordendo meu lábio inferior.

-Desculpa interromper, mas a malta quer ir já embora. Amanhã há aulas.- Eu sabia que Jim estava a divertir-se. Sua voz mostrava tudo. E, provavelmente, se eu não estivesse ainda em êxtase, lhe bateria até ele aprender a não interromper momentos quentes.

-Desmancha prazeres.- Harry resmungou e se fosse humana não entenderia, mas tanto eu e Jim entendemos e o lobo menor não se importou de rir.

-Vamos.- Digo pegando na mão de Harry e empurrando Jim á nossa frente.

-Aparecestes!- Mia diz animada e sorri-o mordendo meu lábio.

-Bora.- Lucas fala abraçando Deby que antes de se deixar ir com ele me olha com o típico olhar de “ Vais-me contar tudo!”.

Ri-o e os sigo. Harry me abraça pelos ombros e o olho. Ele sorri e ri-o abanando a cabeça olhando para a frente. Beija minha cabeça antes de chegarmos aos carros e me deixar ir.

-Nos vemos amanhã.- Mia diz entrando no carro de Lucas.

Deby acene e entra também seguida pelos lobos. Eu entro no banco detrás do meu carro e de Max e me deito ao cumprido com todo aquele espaço só para mim. Max diz alguma coisa mas o ignoro fechando meus olhos sorrindo. Não sei o que aconteceu a seguir, apenas sei que adormeci com uma paz imensa sobre mim.