Ipanema- 25 dias e 9 horas antes

A Baker mais nova não sabia o que responder diante a sua mãe. Na sua cabeça ela havia feito certo, porém, aquilo não era o certo e sim, errado. Tinha algo errado com ela, mesmo não sabendo como, talvez soubesse quem teria essa resposta.
A menor apenas virou de costas para sua mãe.

— Desculpa, mas acho que não tenho culpa de nada e muito menos o Dr., mas isso é o de menos agora, temos que manter vocês segura até que eu possa fazer uma cura.- Responde calmamente sem nenhuma expressão no rosto, deixando as duas surpresas e assustadas na sala. — Mamãe, a senhora pode ir acordar minha irmã e arrumar uma mala enquanto faço uma ligação?- diz dando uma meio sorriso tentando amenizar a tensão que se instalou no ambiente.

— Filha, espero que qualquer coisa que esteja planejando seja para salvar vidas, como seu pai.- responde suspirando e indo ao quarto no final do corredor.

— Tá bom, chega de papo furado.- a morena fala irritada.- Que merda pensa que está acontecendo e melhor, vamos reformular a frase, o que pensa que está fazendo, Emily? — fala se aproximando da garota e segurando suas mãos, que são apertas pela mesma.

— Tem algo errado acontecendo, Jéssica, e não falado somente da mutação e sim, comigo.- diz segurando o choro e abraçando a mais velha.

— Apenas me diz o problema e irei resolver.- fala sorrindo e recebendo uma risada de bebê, que há muito tempo não ouvia da sua garota.

— Já disse que te amo? Você é incrível, é uma irmã mais velha que sempre quis ter.- A morena apenas força um sorriso.

— Independente do que aconteça agora eu estou com você, mas temos que ir agora.- se solta do abraço rapidamente tentando esquecer das palavras da mais nova.

— Sim, vamos para- é cortada pelo celular, atendendo logo em seguida.

—" Alô?"

— "Olá, Baker. Trago péssimas notícias para você."- Diz irônico o Dr.

— "Claro, o que eu poderia esperar de você."- diz com seu sacarmo, como sempre.

— "Antes que seja mal educada, a culpa não foi minha e nem sua- a garota ia responder, mas o Dr., a corta- o Conselho nos manipulou, alguém que ainda não descobrir quem é, está no seu comando e pelo que sei até agora, o Pro-13 foi liberado intencionalmente."- fala com cuidado, tentando ser calma com a Baker, sabe como a garota é temperamental.

— "Já sei disso. Eu tenho um plano e você vai me ajudar de qualquer jeito, afinal tem um filho para proteger, que inclusive é meu amigo."- diz estranhamente calma, o que não passou despercebido pelo cientista.

— "A cada dia que passa você me surpreende. E qual é o plano?"- sem muita escolha, resolve se juntar a garota.

—" No interior de São Paulo tem um 'acampamento pós pandemia' — diz fazendo uma nota mental de como o governo saberia que algo assim ia acontecer.-meu tio é o general do exército brasileiro e com certeza ele está lá. Então irei levar meus amigos e família nesse lugar e nos encontramos no laboratório que tem lá, porém tenho uma ordem para o senhor".- diz fazendo sinal para Jéssica ir ao seu quarto arrumar suas coisas e chamar sua mãe e irmã para garagem.

—" Agora sou seu empregado?"- diz tentando manter a calma.
— "Desse o momento que não cumpriu seu papel no pesquisa.- fala caminhando em direção ao escritório da sua mãe.- Quero que descobra quem é essa pessoa."- abre uma gaveta e tira uma pistola, colocando na cintura.

— "Certo. Mas quero que proteja o Lucca."- fala preocupado com seu filho.
— "Ele é meu amigo."- ia dizer mais uma coisa, porém ouve barulhos estranhos do outro lado da linha.

—" Tenho que ir, Baker. Nos vemos em breve."- e desliga rapidamente a ligação.

— Droga. — sai irritada do escritório indo de encontro com sua família, que a espera no elevador.

— O elevador não funciona.- Jéssica olha para a garota.

— Vamos pelas escadas.- caminha na frente delas, como uma proteção- passa a laterna Jéssica.

— O que vai fazer?- a Baker mais velha observa assustada a sua filha.

— Irei protege-las.- fala com medo, mas não demonstrando. Segura a lanterna ao lado da arma.- Não se preocupe, papai me ensinou a usá-la.- sorri de canto.

Elas descem em fila, a Emily na frente, sua mãe no meio com sua irmã no colo dormindo e Jéssica atrás, com um taco de basebol.

A garota sente que tem algo se aproximando e rapidamente desce a escada parando no quarto andar.

— Por que paramos?- a morena para e se posiciona atrás das garotas.

— O ar está mais pesado.- a garota tenta entender o que está havendo.

Mais frente uma pessoa se aproxima.
Emily, abaixa a arma, mas logo levanta. Tinha algo errado. Seus olhos estão vermelhos. Um disparo e nada, outro e nada.

— Atira na cabeça, Emily.- Dona Veronica fala autoritária, a garota engole a seco e sua amiga ri.

Atira, como sua mãe mandou. E a mulher cai e mais passos são ouvidos.

— Temos que ir.- Jéssica retoma do susto com o choro da pequena Baker.

— Charlie, não chore. A mana vai te proteger, eu prometo.- a garotinha para e sorri para irmã. A mãe assiste tudo com um sorriso bobo nos lábios.

Elas retornam a caminha, que agora virou uma corrida pela escada.
Entretanto, a mais velha está meio ofegante e cansada e não está conseguindo acompanhar as demais .

— Mamãe, a senhora tá bem? Maninha podemos parar, a mamãe tá cansada.- Emily para e vira a lanterna em direção a mãe. Ela estava pálida, os olhos vermelhos e em volta amarelados.

— Mãe?- a garota já sabia o que ia acontecer.

Jéssica pega Charlie no colo e vai em direção a garagem.

— A mamãe vai embora, mas sempre vai está aqui.- fala sorrindo a sua garotinha que olha sem entender e sai com a mais velha.

— Mamãe não. Eu preciso de você. Você não pode me deixar como o papai. Eu-eu preciso da senhora.- Emily chorava como uma criança abraçando a mãe.

— Sempre soube que meu bebê ainda estava em você. Filha, você não precisa mais de mim.- Emily ia contestar, mas a mãe a olha em um pedido de silêncio.- Quero que cuide da sua irmã e de seus amigos e, principalmente, da Alex.- fala a com a voz falhando e ri fracamente quando vê a filha corar com o último comentário.

— Mãe, aguenta mais um pouco, eu vou fazer a cura.- diz esperançosa.

— Eu sei que vai, mas minha hora chegou. Eu estou doente.- a garota a olha sem entender.- mas isso não importa agora. Me deixe ir e cuide de sua irmã.- se solta da garota e caminha em direção ao topo do andar.- Eu amo vocês. Sei que ainda lhe devo respostas, mas sei que você inteligente e já deve saber. Tome cuidado com seu pai. ADEUS!- garota fica em choque com a revelação e vai em direção a mãe.

— Não posso deixar você ir.- Levanta atordoada com a descoberta. Mas é segura por Jéssica, que a leva arrasta a garagem.- Me deixe, tenho que salva-lá.- se debate no colo da amiga, mas a mesma é bem mais forte e não a deixa sair.

— Cala a boca, Emily. Entendo sua dor, mas agora fique em silêncio, não quero atrair aquelas coisas para onde sua irmã está.- a garota para e se solta, caminhando na frente de sua amiga.Jéssica a observa.

— É realmente tem algo estranho com você, ainda mais agora, mas só a Alex pode ajuda-lá, infelizmente, mas não vou sair do seu lado, você ainda vai ser minha.- sussurra para si mesma.