Em algum lugar do Rio — 25 dias e 6 horas e 45 minutos

O silêncio pairava no ar. Ninguém ousou falar ou virar-se para Emily, que se encontrava intercalando seu olhar entre Charlie e Alex.
Parecia que seu lado humano havia voltado, porém quando olhou para sua irmã a dor retornou juntamente. Em questões de segundos ela voltou a ser aquela garotinha frágil e gentil que tinha se perdido naquele dia.
Ao se misturam com aquelas coisas- infelizmente, não tendo o noção do que seja aquilo-, "sentiu mais racional?" A Baker não sabia o que estava acontecendo com ela. Mas tem certeza de algo, quando mais ficar perto dessas criaturas será igual à elas, frias e sem emoções.
Ela queria mentir. Não aguentaria ver sua garotinha triste e sofrendo como ela.

Respirou fundo tentando si acalmar e disse aos prantos:

— Mamãe não voltou. Ela foi para um lugar melhor e…- a pequena sorrir com os olhos cheios de lágrimas e passou seus dedos no rosto da irmã limpando-o.

— Mily não chore, mamãe tá segura agora. Lembra quando papai morreu?- A mais velha acenou com a cabeça- mamãe disse que ele virou uma estrelinha e está nos protegendo lá de cima. Então não chore, se não eles vão ficar tristes.

Emily secou as lágrimas e deu seu melhor sorriso.

— Essa piralha é mesmo uma Baker. Ela forte como você- a ruiva quebrou o pequeno silêncio e foi até as duas lhes dando um abraço.

A morena logo se soltou do abraço- nunca foi fã de contatos físicos- e voltou sua atenção a Alex que lhe dava um sorriso triste.

— Vocês todos estão bem?- e assim voltou a sua aparência séria e fria de antes.

— Estamos graças à você. Mas e você como está se sentindo?- Lucca se aproximou de Emily tentando tirar seu foco de Alex.

— Eu estou bem. O mais importante agora é saímos dessa rua. Nos coloque na Dutra, vamos São Paulo.- olha confusa ao menino pela sua aproximação.

Bernardi apenas se virou em direção ao banco e começou a dirigir.

— Você poderia nos explicar o que aconteceu.- a morena se vira para o terceiro banco a sua esquerda e observa o garoto ajeitar seus óculos.

— Acho que já foi dito o que aconteceu.- Felipe apenas sorrir debochado.

— Acredito que saiba do que estou falando, afinal é uma Baker, sempre dois passos a frente das pessoas comuns.- os outros assistiam a pequena discussão enquanto se sentavam.

— Pessoas comuns?!- o encara confuso, ele se vira para a janela e balança a cabeça risonho- sei que nossa "família"- fecha os olhos e pensa em seus pais- é de cientistas e de médicos, mas o que lhe faz pensar que tenho alguma coisa haver com isso?- sorrir de canto esperando a resposta do menino.

— Seria pelo fato que faz uma semana que não vai a escola, por ficar o dia todo naquele instituto ou por Jéssica nos contar quando chegou que você estava no laboratório do hospital procurando por algo.- se vira para Emily mirando em seus olhos- Ah já sei! Foi porque beijou Alex e ficou confusa sobre isso.- sorri vitorioso pela resposta.

— Quando iria me contar que beijou sua crush?!- Sophia grita no ônibus toda contente.

— Droga! Queria ter filmado esse beijo lésbico.- Elena fala um pouco mais desapontada do que a irmã, mas com um sorriso divertido no rosto quando ver o rosto vermelho de Alex.

A morena mais velha apenas caminha até o fundo do ônibus se sentando lá. Emily a observa confusa não entendendo essa postura de Jéssica.

— O assunto não é esse tá bom?! Tem algo mais importante no momento.- Alex abaixa a cabeça e resolve olhar a estrada pela a janela. Melissa se vira para Emily e lhe dar um tapa na cabeça- AÍ!! Ficou louca?!!- olha para a mulata assustada.

— Com toda essa pose de gênio e metida a cientista, mas lerda como uma tartaruga, hein?!- saí irritada e senta no quinto banco a direita, ao lado da loira.

Charlie apenas nega com a cabeça e saí indo até Elena.

— Enfim, eu ainda não sei o que aconteceu. Somente sei que tem outras pessoas envolvidas nisso, sendo mais específica, o governo.- a Baker mais velha fala como se fosse nada de mais e olha em direção a Alex.

— O governo?! Mas o Brasil está em crise não tem dinheiro para isso.- Sophia a olha sem entender.

— O governo não tem controle sobre os militares. E eles têm verbas suficiente para criar esse tipo de arma biológica.- o nerd fala mais sério e ruiva continua sem entender.

— Em outras palavras os militares deram um "golpe" no Estado, agindo sem sua autorização gerando uma epidemia, que até o momento não sabemos que lugares mais foram afetados.- o filho do Dr. Albert responde sem olhar para atrás.

— Mas como? Quem criou essa arma?- Sophia pergunta ainda tentando entender o raciocínio dos dois nerds, enquanto a irmã fica observando enigmática e outros sentados sentados ouvindo apenas discussão instalada ali.

— Acredito que tenha sido meu pai…- Jéssica a interrompe.

— Isso não vem algo caso e sim, o por que de sua criação.- sorrir para Emily lhe passando conforto, sabe que esse assunto ainda é complicado.

— Enfim, ele criou essa arma mas ela simplesmente sumiu do laboratório. Procurei em todas salas e não encontrei "nada".- a ruiva a olha desconfiada.

— Ok, mas qual é o plano? Tem nossos pais para encontrarmos e...- Elena é cortada por uma morena impaciente e irritada.

— É sério isso?! Sua mãe nem está preocupada com vocês, fora que a Dr. Laura faz parte disso, afinal nós ajudou e…- iria ser interrompida novamente, porém levantou sua mão, num gesto como um sinal de pare- temos que nos manter seguros agora, tenho que proteger vocês, a Charlie e a Alex- disse a última parte um pouco mais baixa, mas não passou despercebido pelos demais, contando com duas bufadas e reviradas de olhos e, um pessoa vermelha- vamos para São Paulo, no acampamento do exército e depois procurarmos seus pais. — finalizou um pouco mais calma e olhando para Alex, que também não desviava o olhar.

O silêncio durou somente alguns minutos, quando o ônibus foi parado bruscamente e um moreno gritando por " Mily" na parte da frente.

— Mas que inferno, Lucca! O que houve agora?- pergunta um pouco assustada e caminhando para frente do ônibus seguida pelos outros.

— Não tem como passar. Essa rua está cheio dessas coisas e temos que sair daqui rápido logo eles vão nos notar.- disse com medo e preocupado.

— Faz a volta, vamos cortar por dentro de Minas e entrar em São Paulo por lá.- fala andando em direção a porta se preparando para algum ataque.

— Mas vai demorar muito para chegarmos. Precisamos de um caminho mais rápido.- a loira diz desesperada e assustada.

— Garota, se você não reparou não temos outro caminho. Você é burra ou quê?- Jéssica revira os olhos irritada com Alex que abaixa a cabeça.

Melissa ia se levantar e defender a amiga quando viu Emily parar atrás da morena.

— Eu entendo seu medo Alex e não se preocupe vou te proteger, quer dizer… à todos aqui.- diz um pouco vermelha e puxa Jéssica para sentar no banco da frente com ela, queria conversar sobre seu comportamento.

Lucca então faz a volta e entra a esquerda em direção às Minas Gerais. Porém, um estrondo é ouvido e vários zumbis correr em direção ao veículo.

Entretanto, Baker nota ao mais preocupante no momento. O ar e a direção do vento está diferente, sua velocidade e intensidade está maior e mais pesada e, o pior, os zumbis- se é que podemos denomina-los assim- estão mais rápidos do que antes.