Saga False Solutions: Describe Feelings
1 I - Memory With Fails
Notas iniciais
"_ Querida, acorde, sim? — minha mãe me irritava para ir a escola. E ela conseguia.
_ Ahn, me deixa? — virei-me e me escondi embaixo do edredom que me pertence.
_ Vou tacar esse violão na sua cabeça! — minha mãe ameaçava arremessar o instrumento em minha cara.
_ Pode estragar minha face, menos o meu violão, ok? — na verdade, eu amo aquele violão; quantas vezes já tentaram o quebrar, e quem saiu quebrada foi a pessoa! meu instrumento é sagrado. DIE BITCHS! Enfim, levantei-me instantâneamente.
_ Poxa, queria arremessar o violão em você! — gritou Victor da cozinha — Mas o violão não merece tamanho sofrimento! — e soltou uma gargalhada estrondosa.
Eu ri e concordei com ele. Eu não era o tipo de pessoa tão brava como sou hoje, na época."
Chorei ao lembrar de minha mãe, agora, muito longe, talvez até em outro mundo, juntamente com meu pai. Éramos só eu, Victor e Duda, desde que os dois se foram.
Eu não consigo me relembrar como foi que eles morreram. Victor que me contou. Eu também não gosto de pensar em tamanha barbaridade. Meu pai bêbado, minha mãe sonolenta, um caminhão na frente. Isso que aconteceu. Eu acho. Minha memória, como sempre, sempre sujeita a falhas.
_ ANE LUCY! AAAAAAAAANEEEEE! — lá vem Duda me tirar de meus devaneios, e como sempre, berrando no meu ouvido. Oh pai.
_ Fala, pequena! — a peguei no colo. Eduarda Maria tinha apenas cinco anos, para tamanho sofrimento de ter perdido os pais. Ela sorriu.
_ Victor é muuuuito chato! — e pulou do meu colo e começou a pisar duro pela casa, como eu nunca vi. Ela era muuuuuito malcriada também.
_ Essa notícia me contaram assim que eu nasci, Dudinha! — e ela soltou uma enorme gargalhada.
E era verdade: Victor desde criança sempre foi muito implicante, principalmente com a Duda. O pior era que eu ajudava. Eu, agora com 15 anos, e Victor com 18, ficaria muito mais fácil cuidar da Duda. Victor trabalhava no estágio. Eu estudava e trabalhava em uma loja. Ganhamos bons salários, e que dão para sustendar nossa pequena irmãzinha.
_ Ei, amor! — Victor me abraçou por trás e beijou minha bochecha. Duda saiu de trás das cortinas da sala, rindo.
_ Ei, bagunceiro! — eu bati no braço de Victor o fazendo rir mais do que necessário.
_ Nossa, é assim que você me trata, irmãzinha? — ele sentou na cadeira e começou a comer uma maçã.
_ Eu te trato como merece, Victor — eu disse e beijei a bochecha. Era como se eu e Victor fosse-mos o pai e a mãe da minha Duda.
O meu celular toca.
_ AFF! — levantei e corri para o meu quarto. Cheguei lá, uma mensagem de Rafael, o marido da minha prima.
"Alice está convidando vocês para vir dormir aqui hoje. Esperamos a resposta. Abraço, Rafael."
_ VIIIIIIIIIIIITINHO! — ele odeia quando eu o chamo assim. É como a minha cunhada chama ele.
_ Fala, chatonilda! — ele levantou.
_ Rafael e tia Alice querem que nós vamos lá no fim de semana. Podemos ir?
_ Acho que não amor, tenho que trabalhar — ele fechou a cara.
_ EU QUERO IR! — gritou Duda descendo as escadas correndo.
_ Ok. Então eu levo a Duda, e para te ajudar, fico aqui com você. Certo? — eu perguntei ao meu irmão.
_ Certo — ele se aproximou e beijou minha testa.
O celular dele toca.
_ Agora quem tem que ir sou eu! — e piscou pra mim, e soltei uma gargalhada. Mas é claro que era a minha cunhada.
Ele voltou ofegante, com o celular na mão.
_ Amor, vou ver a Demi! Tchau! — e saiu acenando.
Demi é a namorada do meu irmão. Ela é alta e ruiva, muito branca, seus olhos mudam de cor constantemente. O nome dela completo é Demétria Calister.
Sabe, foi tão engraçado como eles se conheceram! Um dia após o outro, mandando mensagens, tudo por causa de um chat idiota. Eu nunca conto pra ninguém o que eu vejo ela fazendo com outros meninos a não ser com ele. Demétria é uma menina muito rodada. Ela é aquela pegadora, que não tem mais o que fazer, sabe? E eu odeio meninas assim. Mulher deve ser valorizada.
No ano passo, Demi namorou com mais de dez meninos diferentes antes de conhecer o meu irmão em um chat na internet. Meu irmão só viu a Demi cinco vezes na vida, e ele tá indo conhecer os pais dela hoje, e provavelmente irá dormir lá. Eu nunca disse isso também, mas eu tenho ciúmes do Victor.
É uma coisa que arde aqui, sabe? Dói ao ouvir dizer que ele a ama, que ele quer abraçá-la a todo momento, cheirá-la, beijá-la. Eu me sinto muito mal. Não gosto de dividí-lo com ninguém. Ele é o meu irmão, o meu único porto seguro que me restou.
Eu também tenho um meio que ficante. Conheci ele faz cinco anos em um chat na internet. Ele realmente é maravilhoso, sempre me amou, sempre. Viramos melhores amigos. Eu nunca o amei do jeito que ele me ama. Na verdade, acho que é simplesmente uma doce ilusão. Elisander, pediu minha mão em namoro faz seis meses, completando com este mês. Eu aceitei, mas nunca tive certeza se realmente gostava dele, pois, eu procuro ainda a pessoa certa, e não tenho certeza se a pessoa certa realmente é o Elisander.
E eu acho que a pessoa certa está namorando com a Demétria Calister.
Nunca desabafei sobre esse meu sentimento inseguro. Eu não o amo, eu não o quero, eu não o desejo. Eu penso as vezes que tenho uma queda pelo meu irmão. Não gosto que ele pertença as outras pessoas, enquanto eu estou bem aqui. Namorando, mais estou. Ele está namorando, mas e daí? Poxa. E quer saber? Ferre-se esse preconceito.
A Duda mesmo fica brincando que Victor é meu marido. Eu fico até desconfortável, porque nessas brincadeiras ele me trata mesmo como esposa. Porém, ele pertence a outra pessoa, uma pessoa que eu odeio, uma pessoa que eu não fui com a cara.
Porque não poderia ser outra menina, sem ser ela? Quer saber também? Minha memória é sujeita a falhas, minha memória é sujeita a ficar sem parafusos. Principalmente quando quem você ama, está com outra pessoa.
Continua
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