Notas iniciais
Ooi gente, desculpa a demora, e aproveitem o cap.

Volterra, 1843

Pov Richele

—Richele.

—Aro.

E lá estava eu novamente, olhando nos olhos de Aro, que me encarava curioso. Ele estava em pé, esperando eu dar alguns passos até ele, Caius me encarava com o típico rosto de desgosto e Marcus parecia neutro. Mas eu sabia o que passava na cabeça de todos, Aro estava fascinado com os meus poderes, Marcus não gostava e nem desgostava de mim. Já Caius... Ele me odiava, ele não gostava nem um pouco da criatura desconhecida que eu era pra ele, odiava o fato de eu ser tão poderosa e não ser vampira. Eu realmente me deliciava com o ódio gratuito que alguns vampiros do castelo distribuíam para mim.

Dei alguns passos até chegar perto do vampiro e levantei minha mão direita para ele, que logo a pegou, assistindo minhas lembranças.

Eu havia ido atrás de um vampiro antigo que Aro desconfiara que estava tramando algo contra os Volturi, o que não foi difícil. Eu tinha que encontrá-lo em algumas das festas mais importantes da Itália e persuadi-lo até me contar a verdade. E se a verdade dele fosse fazer algo contra os Volturi, eu tinha que matá-lo. E foi isso que aconteceu.

Eu via na mente de Aro todos os detalhes sórdidos da matança, eu o paralisei com a mente e depois queimei o corpo ainda paralisado. Era um dos meus tipos de mortes favorito e eu amava ver o rosto de desespero da vítima, e pelo sorriso no rosto marfim de Aro, ele também gostava.

Ele soltou minha mão e voltou para seu trono.

— Ótima como sempre, Richele.

— Agradeço o elogio. – eu disse, e logo depois olhei para Caius, sorrindo desafiadoramente para ele. Era otimo provocá-lo, na verdade era otimo provocar qualquer um que não gostava de mim. Eles não podiam fazer nada, era proibido me machucar de qualquer maneira. Não que eu precisasse disso, eu podia pará-lo num instante.

Me retirei do recinto escuro e segui pelo corredor. Meu vestido azul reluzia com a luz do sol que passava pelas grandes janelas do corredor, e eu podia ouvir os pensamentos de alguns humanos que trabalhavam no castelo e passavam por mim. Eram pensamentos voltados ao meu poder, beleza e sobre o quão perigosa eu era. Tão demoníaca quanto os vampiros. Eu amava ouvir isso, é claro. Era ótimo saber que minha fama estava se espelhando.

Cheguei até as grandes portas do meu quarto e as abri, logo revelando o interior do cômodo.

Eu estava morando no castelo de Volterra sendo convidada de Aro, e ele havia me colocado em um dos dez maiores quartos do castelo. E eu sabia bem o que ele pretendia com esse simples gesto, mostrar o luxo que ele tem por ser quem ele é. Era um verdadeiro exibicionista.

O quarto era o maior desse andar do corredor, e era praticamente vazio pela falta de pertences meus. Era luxuoso, é claro. O tamanho e a decoração me lembrava um pouco o quarto da rainha da Inglaterra, mas tinha o toque da arquitetura da Itália que eu tanto admirava. Era incrivelmente lindo, o quarto. Tinha uma grande vidraça no lado direito do quarto, que dava para uma vista de tirar o fôlego, minha cama era incrivelmente grande e ficava no centro do quarto. Os detalhes em dourado da tapeçaria brilhava com os raio de sol que ultrapassavam os vidros. Um corredor se estendia bem escondido no canto do quarto, e elevava para o grande banheiro. Tudo ali era muito exagerado, muito dourado e vermelho. Exatamente como eu gostava.

Depois de dar uma boa olhada pelo quarto, eu segui para o grande espelho ornamentado no lado direito do quarto. O espelho compunha uma penteadeira enorme e linda. Feita de madeira e pintada de branco, e se chegasse bem pertinho dela poderia ver os detalhes de flores na moldura do espelho e nas alças das gavetas.

Abri a gaveta do lado direito e retirei de lá uma caixa de um colar, tão importante para mim. Afinal, era por isso que eu estava ali.

Abri a pequena caixa revelando um lindo colar, a corrente era de prata pura, e quando eu o abria, uma pedra azul cravejada no colar se fazia presente. Não era uma simples pedra, tinha estrelas e constelações e e chegássemos bem perto do objeto, era possível ver uma lua minguante brilhando no centro, como se um pedaço dos céus tivesse sido capturado e colocado naquela pequena pedra.

Os Volturi me disseram que um antigo clã havia presenteado eles com a joia como forma de agradecimento por deixarem-nas viver. Mas eu sabia que não era verdade, eu ouvia as pessoas dizendo que eu era diferente a vida toda, uma bruxa, e tive que ir atrás do meu passado. Acabei descobrindo com um antigo clã de vampiros do Brasil, que os Volturi haviam matado meu clã e roubado a joia. Eu vim atrás do que era meu e acabei ficando para estudá-los melhor, caso eu tivesse uma desavença com eles no futuro.

Coloquei o colar em volta do meu pescoço cuidadosamente e logo ouvi algumas batidas leves nas portas, e eu sorri, já sabendo quem era.

Abri as portas e a figura elegante de um homem apareceu. Damian era simplesmente lindo, os olhos de um vermelho cintilante me olhavam com malícia, e a boca curvada em um sorriso prepotente era um convite explícito para um passeio. Entrelacei minhas mãos no braço direito dele e logo saímos do corredor.

— Como foi seu dia, Madame?

— Interessante. E o seu?

— Inútil. Não há nada de interessante para fazer na Itália nos dias de hoje sem uma companhia.

— E por que não procurou ninguém para se divertir? – atravessamos as portas do castelo e fomos em direção a carruagem que nos aguardava. O sol já estava baixo o suficiente para um vampiro andar pelas ruas de Volterra livremente.

— Por que você estava ocupada.

Revirei meus olhos com a tentativa de paquera dele.

— Lamentável para você.

— O que fez a manhã e a tarde toda?- ele tentou ser intruso. Eu realmente estava me cansando disso. Eu havia conhecido ele a algum tempo, sendo julgado pelos Volturi. Não dei importância para os motivos na época, e pedi para Aro deixá-lo viver. Pensei apenas em alguma distração com todas as coisas acontecendo rapidamente. Desde o dia em que eu poupei sua vida, nós temos esse relacionamento aberto para sexo. Como eu sabia que não iria encontrar muitas pessoas que tivesse os pensamentos mais modernos essa época, eu o escolhi logo depois de vasculhar sua mente.

Infelizmente depois de anos nesse relacionamento, ele quer me conquistar. E eu não tenho paciência para esse tipo de coisa, eu gosto da “coisa” que temos, todo mundo sai feliz, mas eu realmente odeio essas frescuras.

— Já mandei parar com isso.

— Parar com o que?

— Com esses pensamentos de namorar comigo. – essa criança não entendia. O rosto foi parado no tempo quando ele tinha dezoito anos, agora tinha oitenta e sete, mas a mentalidade e as ações ainda são de um adolescente.

》•PASSAGEM DE TEMPO•《

E lá estava eu de novo, terminando de arrumar meu vestido enquanto o homem me olhava esperançoso. Me olhei no espelho do grande quarto de Damian e arrumando meus cabelos. Estava prendendo a última mecha quando fui surpreendida pela voz sedosa chamando meu nome.

— Richele.

— Damian.

— Eu amo você. Você me ama?

E fiquei paralisada. Meus olhos eram refletidos no espelho encarando o homem na cama.

Eu fiquei surpresa, é óbvio. Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo. E minha outra consciência ficou tensa com isso. Eu podia sentir o peso no coração dela por não amá-lo de volta e nem ser ela ali para resolver isso.

— Preciso ir. – eu disse andando para porta. Eu realmente não queria uma declaraçã agora. Mas quando eu coloquei a mão na maçaneta da porta, ele estava rapidamente do meu lado, seguramdo minha mão me impedindo de continuar. Olhei firmemente pra ele e puxei minha mão.

— Por favor.- sussurrou para eu ficar.

— Como pode amar alguém que nem conhece direito, Damian?

— Eu conheço você! Muito antes de você saber quem eu era.

— O que quer dizer com isso?

— Era 1770, eu tinha dezesseis anos quando você apareceu no vilarejo onde eu morava, na Grécia. Um vampiro estava matando as pessoas lá, e quando você chegou nós nunca mais o vimos. Mas naquela época você era diferente, menos perigosa, mais humana.

Ele parou de falar e analisou minha reação.

— Eu te procurei por dois anos, até ser transformado nessa coisa e ter que lidar com essa nova vida. Eu estava quase desistindo quando vim para Volterra, mas você me encontrou primeiro. Mas estava tão diferente, mas eu aceitei ser seu enquanto você ainda quisesse. Mas dói em mim toda vez que lembro que você nunca será minha.

— Eu não sou uma propriedade para ser sua, Damian.- eu olhei firmemente pra ele e sorri ironicamente.- Eu sabia que você tinha preferencias por mulheres bem mais velha que você, mas chegar a esse ponto? É surpreendente.

Me aproximei mais do rosto dele, e percebi que sua mente estava um turbilhão de emoções, era difícil de ouvir assim. Se eu continuasse com ele, com isso, minha outra consciência poderia voltar facilmente. Respirei fundo e tomei uma decisão. Eu precisava sair dali e precisava fazê-lo se esquecer de mim. Era necessário para eu continuar minha vida e ele com a dele.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e colei nossas testas. Comecei a vasculhar sua mente a procura de lembranças minhas, e logo fui apagando.

Quando terminei ele ficou estático com os olhos arregalados, guiei-o até a cama no centro do quarto e o coloquei lá. Ele iria ficar pelo menos um dia assim, até meu cheiro sumir.

Recolhi o resto das minhas coisas pelo quarto, incluindo coisas fúteis como presilhas de cabelo e as levei.

Naquela mesma madrugada eu fui até os Volturi informando que eu estava indo embora, e que não pretendia sair com brigas.

Por sorte eu consegui um meio de transporte para sair da cidade, mais precisamente um cavalo, forte e robusto que aguentaria a longa viagem. E somente um manto grande com capuz e alguns mantimentos para a viagem eu levei. Não precisei de muito, para uma mulher com dons como eu conseguiria qualquer coisa em alguma cidade.

Eu começaria tudo de novo quando saísse desse país eu adorava esse processo e dessa vez escolheria um nome novo para as minhas aventuras.

Notas finais
Espero que tenham gostado !! Esse dai é o ator Shiloh Fernandez, e ele é o nosso Damian.