O relógio na parede apontava duas horas da manhã, e eu não havia dormido ainda. A preocupação na minha cabeça era crescente, e eu ainda podia sentir a outra querendo se libertar. Decidi levantar, Seth continuava dormindo como uma pedra e eu fui direto para o banheiro.

Parei de frente ao espelho e percebi as olheiras enormes que haviam nos meus olhos. Liguei a torneira e deixei a água fria escorrer por entre meus dedos, logo depois levando a não úmida para meu rosto.

Eu estava me sentindo sufocada e inquieta, então decidi sair um pouco de casa. Coloquei um conjunto de moletom de Seth e calcei meus tênis surrados e sai logo de casa.

O céu continuava na mesma escuridão, caminhei por toda a reserva e subi uma das pequenas montanhas. E parei quando senti um leve cheiro de lenha queimada. O cheiro foi ficando mais forte enquanto eu me aproximava mais e mais de uma clareira, e pude ver que haviam duas pessoas acampadas ali.

Senti um calafrio pelo meu corpo e uma onda de ira se apossou da minha mente.

》• Algum tempo depois•《

A luz do sol batia contra meu rosto, esquentando-o. Quando abri meus olhos, uma dor de cabeça terrível me atingiu e eu me mexi incomodada.

Acabei percebendo que eu estava deitada no chão frio de madeira, entrava um vento frio no cômodo, e eu me estremeci enquanto me sentava meio desnorteada. Olhei ao redor e reconheci o quarto da minha casa com Seth, o quarto que seria das nossas crianças, e que estava parcialmente vazio, há não ser pelo enorme guarda roupas e dois berços montados pela metade.

Ouvi alguém batendo na porta desesperadamente. Me levantei e fui direto para a porta.

— Richele? Abre a porta!

Era Seth me chamando, levei minhas mãos para a maçaneta e eu pude ver que elas estavam vermelhas. E pelo cheiro parecia sangue seco.

— Ss-seth...- eu estremeci enquanto chamava seu nome. E senti minha cabeça doer mais ainda.

— Richele! O que houve?! Que cheiro de sangue é esse??- ele estava desesperado, e eu já estava em lágrimas vendo minhas mãos e o moletom que eu usava com sangue.

— V-vai embora!- eu gritei enquanto me afastava da porta. Seth não poderia me ver assim.

— O que?! Richele, eu não vou embora, abre a porta pra mim!

— Vá embora, Seth!- eu já não conseguia mais controlar minha voz, quando ela saiu embargada no choro eu ouvi a porta do quarto estremecer.

Acabei indo para o canto mais escuro do quarto e me agachando, ficando encolhida no canto da parede. Eu estava escondendo minhas mãos e meu rosto entre meus braços enquanto chorava compulsivamente.

Ouvi um estrondo alto vindo da porta e passos até mim. Senti alguém me abraçando fortemente, e pelo cheiro era Seth.

— Ri, olhe para mim! Olhe para mim, Richele!

Eu balançava a cabeça em negação enquanto chorava. E Seth só me acolhia, ajoelhado ao meu lado. Ficamos assim por longos minutos, eu chorando e me acalmando e Seth acariciando meu cabelo e minhas costas.

— Eu preciso que você me diga o que aconteceu, meu anjo. Olhe para mim. – ele disse calmamente.

Ele se afastou um pouco de mim e eu pude levantar a cabeça em sua direção.

— Eu não sei o que aconteceu.- eu sussurrei. Eu pude ver seu rosto mudar de expressão, parecia surpreso e assustado.

Pov. Seth

Ela levantou o seu rosto e eu pude vê-lo melhor quando um pouco da luz do sol refletia em seu rosto, deixando uma parte clara e outra escura. Seus olhos estavam arregalados e vermelhos de tanto chorar, sua boca tremia, parecia com medo, em seu pescoço e um pouco do rosto havia manchas de sangue seco na pele macia. Ela estava aterrorizada, e partiu meu coração vê-la daquele jeito.

Quando eu acordei hoje cedo, Richele não estava na cama, e como sempre achei que estivesse na sala ou na cozinha. Mas eu me enganei e me desesperei quando percebi que ela não estava em casa. Só que eu não havia procurado em um lugar, no quarto dos nossos filhos, e foi lá onde eu à encontrei.

— Seth, eu não sei o que houve. – ela disse e levantou as mãos á altura do meu rosto para que eu pudesse vê-las. E estavam cobertas de sangue também, e suas roupas mais ainda.

— Não se preocupe. Venha...- eu disse enquanto a segurava e levantava. Saímos do quarto e eu a levei para o nosso quarto do outro lado do corredor, indo diretamente para o banheiro.

Eu a sentei no vaso e fui abrindo o zíper do moletom que ela vestia de vagar, ela continuava em silêncio. Tranquilamente fui tirando suas roupas e logo depois tirei seus tênis sujos de lama seca, me levantei e fui em direção a banheira, ligando ela e esperando-a encher.

Fitei seu rosto mais uma vez e ela estava com o olhar longe e vazio, a cabeça abaixada e o corpo curvado a deixava mais desestabilizada. Me levantei e a puxei levemente para a banheira. Ela se aconchegou na banheira e eu a observei esfregando a mão uma nas outras, vendo o sangue seco sair aos poucos. A agua da banheira se tornou levemente avermelhada, e ela ainda estava quieta.

Eu a ajudei a se lavar e depois a coloquei na cama, já vestida. Fechei as janelas e cortinas do quarto e fechei a porta, deixando-o totalmente escuro, deitamos na cama juntos e ela se agarrou em mim, chorando baixinho até dormir.

Eu dormi algumas horas depois, acariciando sua barriga com uma mão e seus cabelos com a outra. Acordei com o meu celular tocando na cabeceira, peguei ele rapidamente e atendi, sem ver o nome de quem estava ligando.

— Alô?

— Seth, estamos com um problema.- era a voz de Sam, parecia tensa.

— O que houve?

— Preciso que venha até a casa de Emily, todos estão vindo pra cá. A coisa ‘ta realmente séria.

Suspirei cansado e desliguei o celular, dizendo que já estava a caminho. Com muito cuidado eu me afastei de Richele e deixei meu travesseiro ao seu lado, e ela se encolheu entre as cobertas abraçando meu travesseiro fortemente.

Segui para os fundo de casa e logo entrei no carro, dando partida em seguida. Não estava a fim de compartilhar os últimos acontecimentos com os caras durante minha transformação, então fui dirigindo até a casa da Emily.

Quando cheguei lá, vi todos lá fora, pareciam me esperar, então eu desci do carro e logo fui para dentro com eles. Nos sentamos na sala de Emily, e Sam estava com as sobrancelhas franzidas, parecia preocupado.

— Aconteceu uma coisa essa madrugada, e não sabemos o que é. – ele começou aflito, a sala toda estava em silêncio, esperando que ele terminasse. – Dois campistas foram encontrados mortos hoje cedo, Embry os encontrou durante a ronda matinal.

E o silêncio pesou, todos estavam se perguntando como havia acontecia isso e eu sentia um aperto no coração já imaginando o que havia acontecido.

— C-como eles estavam?- minha voz saiu por um fio, como num sussurro doloroso.

— Cobertos de sangue, com algumas marcas no pescoço como estrangulamento e marcas no resto do corpo... pareciam que nem haviam lutado para sobreviver. – Embry disse, e minha cabeça doeu constatando o óbvio. Eu não queria acreditar, mas eu precisava aceitar. Richele quem matou os campistas.

— Não havia rastros de vampiros e isso é muito estranho, e nenhum de nós matarias humanos.

Pov Alice

Haviam semanas que Richele estava em Forks com Seth, e Renesmee com Jacob em Manaus. Estávamos todos com saudades, mas eu podia sentir que em breve iríamos nos reunir.

Olhei para Kate que estava no colo de Jasper, quase dormindo, e dei um sorriso com a cena linda diante de meus olhos. Eu estava organizando seus brinquedos enquanto Jasper a ninava, e acabei me lembrando de como ela brincava conosco e com os brinquedinhos. Até acontecer mais uma visão.

Apareceu um rosto familiar, pele negra, cabelos cacheados e curtos com um rosto angelical o compondo. E depois vi Nessie surpresa com algo, que a garota familiar havia acabado de dizer.

Quando voltei a realidade, Jasper estava na minha frente, a face preocupada e nossa filha em seu colo já dormindo.

— O que você viu?

— Vi Nessie. E uma garota que eu acho que conheço.

— Desenhe ela. – Jasper disse e eu rapidamente peguei um caderno e um lápis e fui desenhando seu rosto, que aos poucos foi dando forma a uma expressão divertida.

— Preciso falar com Nessie, agora. – eu disse e já fui pegando meu celular e logo chamando seu numero.

— Tia Alice?

— Qual o nome dela? – eu disse inquieta. Nessie soltou um suspiro fundo no outro llado da linha.

— Ahadi. – ela pronunciou e minha memoria se clareou, agora eu me lembrava da onde eu conhecia a garota.

— Nessie, vocês precisam voltar, e tragam Ahadi consigo.

Desliguei a chamada e logo liguei para Seth.

— Alice?

— Seth, vocês precisam voltar pra casa agora. Peguem o primeiro vôo pra cá. – e desliguei novamente. Muita coisa estava por vir, eu podia sentir.

Pov. Nessie

Depois da ligação de tia Alice, procuramos passagens para o Rio e encontramos um vôo que partiria essa madrugada. Tínhamos duas horas e meia até estarmos no aeroporto, então decidi ir até a tribo das Amazonas me despedir. Ahadi disse que nos encontraria no aeroporto na hora do embarque, nós apenas concordamos.

Quando cheguei lá, fiz questão de deixar claro que eu tinha amado minha estadia ali e que fiquei feliz por todos da tribo me receberem tão bem. Mal vi o tempo passar e quando voltei para o hotel faltava uma hora para o vôo.

Jake e eu já havíamos deixado todas as nossas coisas arrumadas, e agora ele estava resolvendo as coisas na recepção. Depois da burocracia dos papeis do hotel, fomos para o aeroporto de taxi rapidamente. Chegando lá encontramos Ahadi no portão de embarque nos esperando, trazendo consigo apenas uma mochila de costas grande.

Entramos no avião e nos sentamos nas três poltronas da direita. Ahadi na janela, eu no meio e Jake no corredor.

》• Algum tempo depois•《

Depois de quatro horas de vôo tranquilo, e os dois ao meu lado dormindo feito pedras, havíamos chegado no Rio finalmente. Pegamos um taxi e fomos direto para casa.

Pov Richele

Fomos os últimos a chegar na casa de Bella e Edward, Seth e eu arrumamos uma pequena mala as pressas depois que Alice ligou, e por sorte, haviam um vôo direto para Seattle. Demorou quase vinte e quatro horas para estarmos finalmente na casa dos Cullen, e durante o caminho eu e Seth permanecemos em silêncio o tempo todo, totalmente preocupados com o que viria a seguir.

Alguns momentos antes de Alice ligar, Seth havia acabado de chegar de uma reunião da matilha, e ele nem precisou falar o que havia acontecido. Eu já sabia o que era pelo olhar dele.

Quando passamos pela porta vimos todos reunidos na extensa sala, nos esperando. Porém havia uma pessoa nova. Nos sentamos silenciosos em um canto e esperamos eles começarem.

Alice se levantou e foi em direção a garota de pele negra. A garota se colocou em uma posição dura e olhou para todos nós.

— Meu nome é Ahadi. E sou filha da última líder do clã Noituus, clã este que Richele também faz parte.

A sala toda em silêncio, e só podia ser ouvida a minha respiração descompassada, da garota e dos lobos ali presente.

— Você estão com problemas, e eu só estou aqui para ajudá-los. Mas primeiro vocês precisam entender a historia do nosso antigo clã.- ela disse e me olhou. Ela soltou um suspiro e continuou.- Richele é a única descendente da primeira de nós, logo estando envolvida numa profecia que minha mãe nos avisou. Mas antes de eu explicá-la, precisam saber de uma coisa.

— ... Mihai foi a primeira de nós, que tinha um irmão gêmeo chamado Aro. – ela disse rapidamente e se calou, nos observando. Meu rosto era de puto pânico, e de surpresa de outros. – Aro traiu a própria irmã para se tornar o que ele é hoje, o primeiro vampiro do mundo. Assim, criando a profecia dos gêmeos capazes de matar o traidor. Só aquele da mesma linhagem do primeiro vampiro, é capaz de acabar com ele.

Seth me abraçou apertado e eu continuava encolhida e entorpecida pelas informações.

— E é por isso que ele quer meus filhos? – eu disse num sussurro. Todos ouviram em silêncio, mas Renesmee se pronunciou.

— Os Volturi foram atrás de vocês? – ela disse preocupada e um bolo se formou em minha garganta. Eu não havia falado para Seth ainda.

— Não. Não exatamente...- Seth me olhou interrogativo e preocupado.- Um de seus seguidores me seguiu no shopping de Seattle com Sue, coincidentemente eu o conheço, e só estavam lá para confirmar minha gravidez.

Eu soltei e Seth parecia confuso e indignado.

— Por que não me disse isso?

— Eu não queria que se preocupasse, você estava feliz e eu não sabia que era por isso que eles vieram atrás de mim. – eu disse calmamente.

E antes de Seth recomeçar, a garota tomou a frente e continuou.

— Aro quer os gêmeos para criá-los, para que não possam matá-lo quando estiverem com idade suficiente pra isso. E ele vai se aproveitar de sua vulnerabilidade com a sua outra personalidade durante a gravidez. – ela me surpreendeu, como ela poderia saber de algo assim? Eu só havia contado para Seth.

— Como você sabe da minha outra personalidade?

— Como assim, outra personalidade? — disse Bella apreensiva.

— É um fardo que poucos mulheres do clã tem que carregar. Nossa outra personalidade é totalmente ruim, e nos tempos que mais estamos sem controle de nós mesmas, elas aparecem e tomam conta da nossa mente. Quando vivíamos juntas era possível controlá-las o suficiente para nos deixar viver, mas quando estamos sozinhas se torna impossível. – ela explicou a todos a pergunta da Bella, e olhou pra mim preocupada.

— Sua avó, Clarisse, era minha amiga de infância e tinha muitas idas e vindas do seu controle mental, imagino que você também tenha até episódios piores.

— Espera, você conheceu a avó dela? Quantos anos você tem?- Seth disse.

— Eu tenho quatrocentos e oitenta e três anos, com cara de dezessete. Depois de aprender a controlar meus poderes eu fui mantida hibernada para ajudá-los hoje, minha mãe sabia o que iria acontecer e me designou para essa missão. Conheci Clarisse quando eu tinha sete anos e ela quinze. E por muito tempo usamos nossos poderes para nos mantermos jovens e seguras.

— Isso é tudo muito confuso, você é mais velha do que todos nós? E tem vários poderes como Richele, além de também ter surtos psicológicos. – disse Nessie.

— Como você disse, Richele tem episódios piores com sua identidade. – Seth falou enquanto segurava minha mão firmemente.

— Preciso saber até que ponto ela chegou. Para tomarmos mais cuidado ainda.

— Há duas noites atrás, Richele saiu no meio da madrugada e matou dois campistas na floresta de Forks, e acordou toda ensanguentada sem se lembrar de nada no quarto dos nossos filhos.

Uma exclamação foi ouvido e todos pareciam perturbados com a notícia.

— Puta merda! – Emmet exclamou.

— As coisas só vão piorar, temos que te manter totalmente trancada para que nenhum dos Volturi te pegue. – eu apenas assenti, não estava em condições de opinar já que eu estava colocando a vida dos meus filhos e das outras pessoas em perigo.

Notas finais
Agora as coisas começam a esquentar. Aposto que está preocupada com o futuro dos gêmeos não é? E o que estão achando da nova personagem?