POV. RICHELE

Acordei ofegante e suando frio, mais um pesadelo rondava minha mente, me deixando completamente assustada. Já faziam três dias que estávamos todos reunídos na casa dos Cullen, e a preocupação era crescente a cada minuto.

Depois de saberem toda a verdade sobre o que estava acontecendo e o que houve no meu passado, acharam melhor me manterem trancada na casa com todos me vigiando para que eu não tivesse nenhum outro surto e acabasse matando outro inocente.
Seth se mexeu levemente ao meu lado, seus braços ainda estavam em volta do meu corpo, como se protegesse nossos filhos e eu. Me levantei vagarosamente e fui para a sacada do quarto. De cima era possível perceber a luminosidade da casa, que não era tanta. A luz da varanda estava acesa, e somente ela e a lua no alto do céu iluminava o breu que estava essa noite.
Por mais que estivesse escuro em toda casa, eu sabia que todos os Cullen estavam espalhados pelo cômodo da casa, ouvindo e monitorando cada respiração minha, e a gora que eu estava acordada, cada movimento meu.
Passei minhas mãos pela pequena saliência em minha barriga, de alguma forma, sentindo meus filhos calmos e tranquilos como essa noite. Incrível como havia passado poucos meses desde que eu descobri e mesmo assim já era notável o volume.
Fiquei por um bom tempo apoiada nas balaustras da sacada, só aproveitando o ar fresco da noite e a lua que sempre me deixava mais calma. Até sentir braços me rodearem e a respiração de Seth bater em meu pescoço.
— No que esta pensando? – ele perguntou enquanto eu me aconchegava em seu peito nu e quente.
— Pensando em como eles cresceram rápido em menos de três meses. – ouvi ele soltar um suspiro leve e me abraçar forte.
— É mesmo… Temos que decidir os nomes. – soltei um riso baixo pensando em como havíamos esquecido desse pequeno detalhe.
— O que você tem em mente? – eu disse me virando de frente para seu corpo,encarei seus olhos negros como a noite e percebi um brilho de alegria enquanto ele imaginava as possibilidades.
— Minha intuição me diz que é um casal. Então só consegui pensar em nomes combinando.- Ele disse dando um sorriso largo.
— Quero ouvir.
— Clariss e Caleb. – ele disse analisando minha reação, ao qual eu dei de ombros. – Kaya e Kai. – ele ergueu uma sobrancelha em dúvida e eu balancei a cabeça em concordância. – Naomi e Noah.
— Uau. São escolhas muito interessantes…
— Não gostou de nenhum? – ele disse exasperado.
— O quê? Claro que gostei! Noah e Naomi ganhou meu coração. – eu disse sorridente e ele logo suavizou sua expressão, acariciando meu ventre calmamente. Um sensação estranha se fez presente. E depois logo parou. E começou de novo, senti minha barriga se mexer, e pude perceber a movimentação dos nossos filhos ao perceber nossa felicidade.
Seth ficou boquiaberto sentindo eles se mexerem, e eu estava igualmente paralisada. Soltei uma risada baixa de contentamento enquanto passava minhas mãos pelas mãos de Seth em meu ventre e ele sorriu também.
— Acho que eles também gostaram do nome. – eu sussurrei contente, e eles se movimentaram levemente de novo.
Seus braços me rodearam novamente me apertando com firmeza. Seu sorriso de satisfação era visível enquanto nos olhávamos.
— Que sorriso é esse? – ergui uma sobrancelha em dúvida.
— Sabia que o nome da minha avó materna era Naomi? – ele ainda sorria alegre, e percebi que ele se recordava de algo.
— Oh! É um nome lindo e perfeito pra nossa possível garotinha. E de onde vem Noah?
— Noah é um personagem das lendas quileutes.
— E como é essa lenda? – eu perguntei totalmente curiosa.
— Bom… Segundo a lenda, Noah foi um jovem líder da matilha que tinha um bom coração e fora abençoado com uma inteligencia incomum, ele sempre ajudava a todos em tudo, sempre foi um visionário até, promovendo a paz entre as tribos vizinhas. Seu tempo como líder é lembrando de momentos sem guerras entre as matilhas, sem divergências entre seu povo… Dizem que quando ele morreu bem velhinho, os deuses antigos o transformaram numa constelação linda e brilhante, para ser reconhecido como a paz entre os povos.
— Uau! Isso é muito lindo Seth.
— Eu sei. É minha lenda favorita.
Ele se sentou na cadeira reclinada e me colocou em seu colo de lado. Ficamos ali um bom tempo abraçados e aproveitando a companhia um do outro. Quando eu achei que ele estivesse dormindo, se pronunciou calmamente.
— Vamos nos casar. – as palavras soaram calmas e decididas. E eu fiquei calada por um longo minuto digerindo a pequena frase.
— O que?
— Vamos nos casar. – ele repetiu. E bem mais devagar para que eu assimilasse tudo.
Eu soltei uma risada nervosa sem saber o que fazer exatamente.
— Com tudo isso acontecendo… E você quer se casar? – ele riu pela entonação da minha voz de incredulidade e logo ergueu minha cabeça com uma de suas mãos, me tirando do apoio de seu ombro.
— Na verdade eu queria falar isso há muito tempo, acho que desde que te conheci na verdade. Mas pensei que você acharia graça num garoto de dezesseis anos te pedindo em casamento. – ele respondeu risonho, eu acabei rindo junto e o abracei.
— E esse é o seu pedido?
— Não, esse é meu comunicado.
— Noossa, quanto romantismo.
— Você é a mãe dos meus filhos, Richele, você vai se casar comigo de um jeito ou de outro! – acabei gargalhando com suas palavras e ele também. Mas quanto abuso!
Voltamos pra cama e o vi adormecer, tão sereno, agarrado à mim, era uma sensação ótima. Até eu cair no sono e ela voltar.
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Me levantei novamente e segui para o banheiro, e parei em frente ao espelho, me observando severamente. Liguei a torneira e molhei minhas mãos, logo passando em meu rosto esperando que isso tirasse o resquício de garota apaixonadinha de mim. Eu precisava sair dessa casa urgente, e com esses guarda costas seria impossível.
Então fechei meus olhos e me concentrei em todos que estavam na casa, conectando todos à minha mente e fazendo-os paralisarem.
Sai do banheiro e fui até o closet onde estavam minhas supostas roupas e passei a analisa-las.
Era tudo tão clichê e apagado, sinceramente, eu já tive épocas melhores. Passei os dedos num tecido aveludado e de uma cor vinho bem escurecido. Tirei-o do suporte e o estendi em minha frente para vê-lo melhor. Era um vestido, e pelo modo como parecia novo imaginei que a sem graça não havia usado ainda. Ele parecia apertado no busto e cintura e tinha uma saia levemente rodada, e deduzi que ela chegava um pouco a cima dos joelhos.
Me livrei das roupas que usava e o coloquei levemente, e como uma luva, o tecido se ajustou ao meu corpo, acentuando minhas curvas com calma. Havia uma sapatos na pequena estante que havia embaixo das roupas, pelo menos uns sete pares de sapatos, e o que mais me chamou atenção foi uma sandália de salto médio prata. Rapidamente as coloquei, e me olhei no grande espelho na parede do outro lado do closet.
O vestido aveludado acentuava minha cintura, suas mangas moldavam meus ombros, e a saia levemente rodada fazia parecer que meu quadril era um pouco mais largo. As sandálias davam um toque especial. Pelo menos essa garota deixava as unhas feitas, porém pintadas de um pérola bem clarinho.
Peguei uma jaqueta de couro preta que havia do lado de Seth no closet e a vesti, sai rapidamente do quarto sem olhar pra trás e segui para a sala no andar de baixo, onde encontrei a princesinha dos Cullen e o seu guarda-costas, vulgo Renesmee e Jacob. Ela estava com a cabeça apoiada no ombro dele, e ele repousava os lábios no topo da abeça dela com um beijo singelo. Suas mãos estavam entrelaçadas, e eles pareciam bem sonhadores. Parei de frente para eles e percebi o quanto patéticos estavam. Lancei um beijinho no ar para os dois, q eu sabia q conseguiam me ver e me ouvir, porém não podia se mexer ou falar.
Sai pela porta da sala e suspirei sentindo a brisa da madrugada e a sensação de liberdade me envolver. Havia um porshe preto estacionado bem na frente da porta de entrada, entrei nele e soltei um risinho ao sentir que a chave já estava no contato. Apenas girei ela e dei partida no carro, e dirigi noite a dentro o mais longe possível daquela casa.
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POV. Bella

Quando estávamos chegando perto de casa, percebemos que algo estava errado com nossa família lá dentro.
Estava silencioso demais, e os cheiros estavam estranhos, como se estivesse travados em um lugar. Um simples toque do dedo em qualquer superfície fazia algum ruído para nós, porem nada era ouvido.
Fomos rapidamente de encontro a nossa casa, temendo o pior. E o que encontramos foi algo inesperado. Nessie e Jake estavam sentados no sofá juntos, aconchegado um ao outro, e estavam como estátuas, podia-se ouvir a respiração de Jake, porém baixinha e sem mexer nenhum músculo de seu corpo.
Edward foi para o andar de cima rapidamente e encontrou Alice e Jasper olhando Kate no berço juntos, também paralisados. E Rosalie seguiu até o quarto de Richele e Seth e encontrou apenas Seth deitado na cama, dormindo e petrificado também. Esme e Carlise estavam lá fora procurando algo de estranho também, porém não encontraram nada, mesmo com Emmet tentando ajudá-los.
Ouvimos passos de longe e ficamos em alerta, poderia ser Richele ou Ahadi, ou até mesmo outros estranhos.
Quando saímos da casa, Ahadi emergiu por entre as árvores rapidamente, trazia consigo nada mais que seus coturnos marrons em mãos enquanto andava descalso. Ao nos ver ali fora sua expressão mudou drasticamente, e logo soltou um suspiro.
— Ela fugiu, né?
— Sim, e todos que estavam na casa vigiando-a estão petrificados. – Edward se pronunciou.
Ela caminhou lentamente para dentro da casa e foi direto para o casal no sofá. Ela fechou seus olhos e inspirou fortemente, suas mãos estavam tensas segurando os coturnos, apertavam o sapato com força enquanto se concentrava para fazer o que estava fazendo. Exatamente cinco segundos depois, ela soltou o ar com força de seu pulmão, e logo Nessie se mexeu e Jake em seguida, lá em cima ouvimos Seth, Alice e Jasper se movimentando também.
— Ela fugiu! E pegou o porshe preto da tia Rosalie!- Renesmee disse exasperada se levantando na afobação. Eu me aproximei mais dela e segurei em sua mão na tentativa de acalmá-la.
Alice e Jasper veio ao nosso encontro na sala num piscar de olhos e Seth desceu as escadas com pressa.
— Onde ela está? Onde a Richele está?
— Ela fugiu. Não sabemos pra onde foi. – Carlisle disse tenso com a reação de Seth.
— Não. Ela não fugiria. Não… alguém a sequestrou. É isso! Pegaram ela, ela não fugiu.
— Seth, ela não foi sequestrada, ela fugiu e sozinha. Ela deixou incapacitados de nos mexer ou falar e quando ela estava indo embora, parou em na minha frente e me mandou um beijinho. – Renesmee se pronunciou se sentindo mal pelo amigo. – A outra personalidade dela tomou conta de sua mente, dava para ver no modo como ela andava e agia.
— Nós vamos procurá-la. Nós vamos achá-la. Fique calmo Seth…- Jake disse chegando perto do amigo, vendo como ele estava tenso.
— Calmo? Você quer que eu fique CALMO?! MINHA MULHER ESTA POR AI COM A DROGA DE UMA PARASITA NA CABEÇA, CARREGANDO MEUS FILHOS NA BARRIGA, E TENDO CHANCES DE SER CAPTURADA POR VAMPIROS MILENARES POR CAUSA DE UMA MERDA DE PROFECIA, E VOCÊ ME DIZ PRA FICAR CALMO?- Seth se exaltou, gritando com Jake e o empurrando do seu caminho. Andou apressado para fora de casa e se transformou no lobo castanho claro e enorme que era, rasgando as roupas que usava. Saltou para a floresta e desapareceu lá enquanto amanhecia devagar.

Notas finais
Espero que gostem