Notas iniciais
Att tripla não faz mal pra ninguém....

Pov. Renesmee

Era lindo, alegre e verde. Manaus era um verdadeiro paraíso, eu andava pelas ruas com a minha pequena mochila com alguns pertences enquanto procurava o hotel que eu iria ficar.

Assim que desembarquei no aeroporto de Manus, liguei para mamãe e papai para avisar que eu ja havia chegado, e agora estava perdida no centro de Manaus. Um garoto acabou esbarrando em mim enquanto eu estava distraída olhando para as casas e prédios do outro lado da rua.
— Meu Deus! Mil desculpas, moça!
—Ah não, tudo bem, essas coisas acontecem.- Dei um sorriso sincero e me recompus. Com a batida o papel que eu segurava com as informações do hotel acabou caindo, ele logo tratou de pegar e leu o conteúdo.
— Você está perdida, moça?
Reparei que ele era alguns poucos centímetros mais alto que eu, tinha a aparência suave. Pele morena, cabelos naturalmente lisos e com poucos músculos aparente. Ele usava uma simples camisa azul claro com um shorts colorido de tecido fino.
— Anh... estou, na verdade eu to muito perdida por aqui. — falei olhando ao redor.
Ele deu uma leve risada com a minha confissão.
— Eu sei onde é esse hotel. Quer que eu te leve lá?
— Seria ótimo!
E então ele começou a andar do lado oposto de onde eu estava e eu o segui.
— É estrangeira?
— Sim, mas já estou aqui no Brasil a algum tempo.
— Oh, nem parece, você é tão branquinha.
— É de família. — ri nervosamente. Minha pele não brilhava que nem a da minha família, mas era branca igual a deles, com algum detalhes rosados por conta do sangue em minhas veias. Mas mesmo assim, em um país tropical como o Brasil era impossível não pegar uma corsinha.
Paramos em frente a um prédio antigo e gloriosamente grande. Ah não, mamãe exagerou dessa vez, acho que ela não entendeu quando eu disse hotel simples.
— Obrigada...
— Luís.
— Obrigada Luís- eu disse dando um sorriso simpático.
— De nada...
—Renesmee.
— Uou! Caramba você realmente é estrangeira.
Ele disse estupefato ao ouvir meu nome. Dei risadas de sua reação e ele riu junto. Ele parecia ser uma boa pessoa. Ele se despediu e eu adentrei as portas principais do grande hotel.

Pov. Richele

"... eu ainda ouvia sussurros falando para eu contar a ele. Quando a minha imagem apareceu na minha frente, só que era uma imagem minha de 1890. Consegui perceber pelas vestimentas e o modelo de cabelo que eu havia usado naquela época, e o meu rosto sombrio daquela época sorria de volta pra mim. Eu estava paralisada, não conseguia me mexer, e nem acordar, comecei a me desesperar com os passos lentos da antiga Richele até eu.
—Você deveria contar para ele...Aposto que ele iria adorar ouvir histórias sobre você. — ela disse enquanto caminhava envolta de mim.
— E-eu não posso.- eu disse com dificuldade. Minha garganta estava seca, e minha voz saiu num sussurro.
— Tsc tsc... Com essa criança vindo então... As coisas vão ficar divertidas.- Então ela parou bem na minha frente, e um sorriso cínico brotou em seus lábios. Aquela não era eu, não mais.
Consegui me mover rapidamente e coloquei minhas mãos envolta de meu ventre, protegendo-o.
— C-como conseguiu voltar? Eu te expulsei a anos. Eu não quero mais você aqui!
— Aah querida, você deveria ser mais receptiva com uma velha amiga. A criança facilitou o processo. E você estava distraída de mais com esse seu conto de fadas.
Ela disse a ultima frase enojada. Eu tentava acordar, minha cabeça doía, eu não podia aceitar a volta dela. Eu não posso ser ela de novo, agora eu tenho uma família e amigos, por que ela teve que voltar?"

Abri meus olhos de repente, eu estava ofegante e percebi um par de olhos me observando com preocupação. Seth estava com suas mãos em meus rosto, como se tivesse tentado acordar.
— Você está bem? Acho que você estava tendo um pesadelo... Está toda suada e vermelha.- ele passava as mãos pelo meu rosto enquanto eu olhava pra ele em choque.
— Richele, fala alguma coisa. Caramba você falou "ela não sou eu" o tempo todo enquanto dormia.
— E-eu estou bem. Você está bem?- a ficha caiu, eu estava de volta a realidade, no avião rumo à Seattle com Seth.

~ • ~

Depois dos acontecimentos no avião, eu educadamente pedi a Seth para ficar em silêncio. Ele ficou, depois de me puxar para o seu lado para que eu ficasse bem pertinho dele, e mal percebi quando chegamos.
Quando estávamos em um carro que alugamos em Seattle para dirigir até Forks, comecei uma conversa com Seth, para aliviar a tensão e tentar me distrair do sonho. E se seguiu assim, ele respondia normalmente e eu também como se nada tivesse acontecido. Mas eu sabia o que ele estava pensando, eu sabia o que ele estava se perguntando.
Chegamos em Forks a noite e fomos direto para a reserva. Ele estava eufórico, ele pensava em como a irmã estava, em como a mãe estava. E eu estava louca para rever Sue e finalmente conhecer Leah.
Quando ainda morávamos aqui, Leah estava em outro país, na época Seth disse que ela não estava afim de voltar para ver o irmãozinho feliz e ela não. Eu não me aborreci, muito menos Seth. "Eu conheço ela, ela vai voltar quando sentir saudades...", ele disse quando eu o indaguei se ele ficara triste pela irmã.
Sue nos recebeu sorridente, derrubou algumas lágrimas e Seth também. Fiquei feliz por eles, eu sei como é ter saudades de uma mãe. Tomei um susto quando Sue me deu um abraço, eu com certeza não estava acostumada com esse tipo de coisa, apesar de 5 anos namorando e morando com Seth.
Ela disse que estava com saudades, e que não via a hora de ver o netinho ou netinha.
— Entrem, entrem, eu fiz seus pratos preferidos!- ela disse animada. E logo foi nos empurrando para dentro de sua casa.
Vi o sorriso de Seth ao sentir o cheiro do jantar. E ele logo olhou pra mim esperançoso, e o cheiro de carne de cordeiro com batatas cozidas invadiu minhas narinas. Uma onda de nostalgia me envolveu e lembrei de uma época muito distante, enquanto eu ainda era pequena e mamãe fazia meu prato favorito nos jantares aos sábados.
— Meu Deus! Caramba!- eu exclamei, e senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha, que logo tratei de limpar.
— Mãe! A Richele está chorando!- Seth gritou para a mãe enquanto ria. Senti sua mão envolver a minha e me puxar para cozinha.
— Pare de rir dela, Seth. São os hormônios... A gravidez de ser bem difícil pra você, não é querida?- ela repreendeu Seth e veio ao meu encontro, tocando em meu ventre como se quisesse sentir o bebê.
Eu sorri amigavelmente pra ela enquanto limpava as outras lágrimas que escorriam pela minha bochecha. Eu estava me sentindo tão boba chorando...
— Seth me falou do seu prato favorito que sua mãe fazia na infância.
— Sue... eu não sei nem o que dizer. — eu disse quando vi a travessa com o Lancashire Hotpot em cima da mesa.

Olhei em volta e Charlie e Billy estavam lá. Seth logo foi falar com eles enquanto Sue me paparicava. Eles estavam em uma conversa boa, Seth contava como foi os ultimos cinco anos morando no Brasil, e eles ouviam atentamente. Quando dei uma olhada em Charlie, percebi o quanto ele estava velho, as rugas e o cabelo acinzentado o denunciava, não era diferente de Billy.

Nos sentamos na mesa de Sue e fizemos uma breve oração, pedindo que meu filho ou filha seja abençoado. Em nenhum momento perguntaram de Leah, imaginei que tinha acontecido alguma coisa antes de chegarmos, mas decidi não vasculhar isso na mente de Sue por consideração.

E assim se seguiu nosso jantar, estávamos felizes de rever um ao outro, e o mais importante, Seth estava feliz em estar em casa novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♡