Saffron
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Notas iniciais
E mais uma vez, boa leitura!
(-Aceita um chá gelado?)
Já era tarde. O Sol lutava contra as estrelas para continuar no topo, resultando num céu alaranjado e com nuvens afastadas, cheias de medo.
Sabrina sentou-se ao lado da cama, com um pouco de dificuldade pela idade, se ajeitando no espaço entre a mesma e o velho armário. Sua cabeça doía.
Abriu a gaveta e encontrou algumas fotos, já desgastadas pelo tempo.
Eram como uma linha do tempo. Registravam momentos desde quando era pequena, ainda descobrindo seu poder interno e especial, até quando virou líder do ginásio de Saffron. Uma foto que registrada o dia em que encontrou Abra levava-a em muitos sentimentos. Os dois sorriam um para o outro, naquele momento. Naquela fotografia.
Um pedaço de jornal escapou dentre as fotografias. A reportagem principal era alertada pelo título "A queimada de Saffron" e o subtítulo "O destino da mente", e em seguida uma foto que registrava, em preto e branco, o fogo crescente no lugar.
Sua cabeça começou a doer ainda mais, tanto que não conseguia nem abrir os olhos. Porém sentiu que algumas lágrimas escaparam antes dos mesmos serem fechados.
Sentiu-se zonza, até o momento em que não sentia mais nada.
"O fogo consumia a cor das folhas e da grama, deixando-as negras, assim como o desastre que perambulava por ali.
Sabrina e Alakazam estavam encurralados. Cinco membros da Equipe Rocket os rodeavam.
Predadores.
As chamas subiam. Não eram vermelhas, nem laranjas. Não tinham poder, não tinham prosperidade.
Eram cor-de-açafrão, o meio termo entre o laranja e o dourado.
E a única coisa que tinham era fome.
Sabrina estava machucada, cobertada de cinzas e de queimaduras. Tinha a respiração pesada, que era dificultada pela fumaça do local.
Alakazam estava em sua frente, mas ela não sabia como ele ainda se mantinha em pé. O Pokémon já vinha lutando com todas as suas forças desde a fuga da Sabrina do ginásio. Ele tinha a forças que todos os outros companheiros não tiveram.
Ainda.
A Equipe Rocket queria o poder, queria o segredo psíquico.
A líder e seu Pokémon eram apenas um. Um ser com dois corpos, uma mente e uma alma.
Crepitante, o fogo crescia.
Fecharam os olhos e se concentraram no som. O estalar dos dentes das chamas nas folhas verdes e secas.
Sabrina pediu ajuda aos céus, pela primeira vez. Pediu ajuda aos parceiros, que estavam presos debaixo das paredes do ginásio. Pediu ajuda a Alakazam, o seu fiel companheiro, a sua mente.
E principalmente, para as chamas cor-de-açafrão, para que não a consumissem viva.
Abriu os olhos, apenas ela. E um "obrigado" foi tudo que interrompeu sua mente no momento.
Agora uma parte de si estava morta.
A sua mente.
Tudo estava diferente antes de fechar os olhos.
As chamas haviam sido sugadas para algum lugar e de alguma coisa, apesar de que a destruição que haviam deixado ainda continuava lá. Os Rockets estavam caídos no chão, alguns com a mão pressionadas sobre a cabeça, e com gritos parados no meio da garganta.
Alakazam também estava diferente. Em seu redor, colheres de prata sobrevoavam seu corpo, e um tipo de barba clara estava em seu queixo. Além do cristal vermelho que estava incrustado em sua testa.
Porém ele não reproduzia nenhum movimento mais, nem respirava. Tinha usado a sua vida para salvá-la. Ainda com os olhos fechados, se concentrando na morte.
Do começo ao fim, tinha a ajudado. Sorrindo em todo momento.
Sabrina gritou e chorou como nunca havia feito antes. Uma líder de ginásio não podia chorar na frente de ninguém, muito menos treinadores psíquicos, que haviam que controlar suas emoções em qualquer momento.
Mas agora sua mente não vivia mais.
E seu corpo havia tomado isso como forma de tristeza. Uma das grandes.
A sirene parecia longe, mesmo tão perto. Policial Jenny gritou com as rodas da moto ao se deparar com a situação.
Os pensamentos de Sabrina iam e vinham, sem lugar para descansar.
Loucura, as chamas cor-de-açafrão havia a deixado louca.
Se a sua mente não estava ali mais, como iria parar de chorar?"
Acordou.
Mas abriu os olhos por um momento só para agradecer Alakazam por tudo.
Porque ele não podia mais fazer o mesmo.
E finalmente, depois de anos separados, iriam se encontrar novamente.
Além das chamas cor-de-açafrão.
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