Safe And Sound

9 Rosas - Parte II


Notas iniciais
Perdão pela demora, achei que ia demorar menos, mas não deu muito certo. Particularmente, gostei desse capítulo, então... Boa leitura.

Retirei o travesseiro, e ali estava a rosa vermelha do meu sonho.

Peguei-a, e toquei em suas pétalas. Ao toque, a flor era aveludada, e apenas um gesto pouco mais brusco, e muitas pétalas caíram.

Meu celular começou a tocar; o peguei e atendi. Era Baltazar, perguntando sobre minha noite. Falei que havia sido normal, e desliguei.

Em minha mente, cenas do sonho da noite passada começavam a surgir. Me levantei, fui em direção ao banheiro, e liguei a torneira. O barulho da água caindo pela pia me tranquilizou, e percebi que ainda segurava o cabo da rosa que estava no meu travesseiro.

Un.

Ouvi um sussurro.

Deux.

Olhei para o espelho. Não havia nada atrás de mim.

Trois.

Senti alguém tocar em meu braço, e gritei. Certificando-me de que não havia ninguém por perto, olhei para meu quarto. Ele estava vazio. Apenas havia um papel no meio do tapete, que imaginei que deveria ter caído com o vento de algum de meus livros.

Joguei um pouco de água no rosto, e respirei fundo.

O que é isso, Mellione? Você está entrando na paranoia dela? – Pensei, e comecei a trocar de roupa. Ouvi alguém bater na porta, e falei um “entre” em voz alta.

- Oi. – Baltazar disse, sem jeito. – Desculpe vir tão cedo.

- Tudo bem. Aconteceu alguma coisa?

- Na verdade, sim. – Ele suspirou. – Mellione teve uma crise intensa essa noite. Chamou seu nome diversas vezes.

Parei de dobrar meu pijama, e olhei para ele.

- Como assim?

- Ela a chamou. E decidi que talvez seja bom você vir comigo.

•••

- Como ela está agora? – Perguntei assim que chegamos ao hospital psiquiátrico.

- Controlada. – Baltazar respondeu. – Quando saí, ela estava na camisa de força.

- Foi uma crise esquizofrênica?

- Sim. E, após, algumas convulsões intensas. Entra. – Ele abriu a porta do quarto dela para mim. – Vou ficar aqui fora. Normalmente ela só fica calma ao seu lado.

Entrei no quarto dela, e a chamei.

- Apague a luz. – Ela disse. – A luz me incomoda.

Apaguei a luz, observando sua silhueta deitada na maca.

- O que aconteceu? – Perguntei.

- Não sei. – Ela respondeu. – Você deveria perguntar isso aos médicos. Não a mim.

- Mas eu quero saber de você. Você não lembra?

- As vozes voltaram. – Ela murmurou. – Elas me mandaram fugir daqui. Me ensinaram como sair desse hospital. Eu disse que não. Então elas zombaram de mim. Eu ouvi a voz dele, Mellione.

Caminhei até sua maca, e me sentei às suas costas. Acariciei seus cabelos, e os retirei do seu rosto.

- Você sabe que ele não estava aqui.

- Sim. – Ela respondeu. Uma lágrima escorreu por seu rosto. – Mas ainda assim, foi assustador. Ele disse que ia vir me encontrar. Que ia vir me buscar.

- Te buscar? – Perguntei.

- Me levar ao inferno. Sei que já tenho um lugar lá, mas não queria que ele viesse me buscar.

- O inferno não existe. – Falei calmamente. – Você teve uma crise, Mellione. Foi apenas isso. Sua mente lhe pregando peças.

Ela olhou para meu rosto, e sorriu levemente.

- E você acredita nas suas palavras?

Assenti.

- Você mudou. – Mellione se sentou na maca. – Está uma mulher agora. Seus cabelos eram mais longos. E seus olhos eram expressivos.

Sorri um pouco, pegando em sua mão.

- E você continua a mesma. Cada dia mais bonita. – Falei, beijando o dorso de sua mão. – O que você ouve?

- Eles dizem que minha hora vai chegar. Me dizem que eu sou dispensável. Já percebi como o meu médico olha para você. Vocês estão transando?

- Você está louca, Mellione. Essas vozes são sua mente. Diga a sua mente que você não é dispensável. – Respirei. – O nome dele é Baltazar, e não estamos transando. Não há como isso acontecer. Ele é meu amigo. Entrou aqui por você.

- Para quem eu não sou dispensável? – Ela riu. – Melli, Melli. Ele gosta de você. Talvez tenha entrado aqui por mim, e é uma pena que ele não tenha aparecido antes de Peeta, talvez não estivéssemos aqui.

- Para mim, você não é dispensável. – Falei. – Se Peeta apareceu na sua vida, e se ele te faz estar aqui, a culpa é sua por ter dado chances a ele. Somos escritores da nossa própria história. Se você fez o que fez, se você quis sair com ele, não culpe a ele. E sim a você.

- Você não está me ajudando. – Ela sussurrou. – Acho que você deveria me ajudar, como médica.

- Mas eu estou aqui como amiga, te mostrando seus erros. – Falei em alto e bom tom. – Ele foi seu maior erro, mas você está o tornando presente agora.

- Como você está? – Ela me cortou, me distraindo.

- Estou ótima... Por que a pergunta?

- Com o que você sonhou nessa noite?

- Com você. – Murmurei. – Por quê?

Ela sorriu.

- Imaginei. Você tem enfrentado seus problemas?

- Sim. E com o que você sonhou?

- Na verdade, não dormi. – Ela respondeu, colocando seu rosto diante do feixe de luz leve que vinha da janela do quarto. Mellione tinha olheiras enormes, e cortes profundos em seu rosto. Um dos olhos estava inchado, e o outro não parava de lacrimejar. – Mas não quero que eles venham aqui. Por isso ainda não dormi.

Levantei-me, e a abracei.

- E se eu estiver aqui? – Perguntei. – Deixe-me sentar na cabeceira da cama. Você apoia sua cabeça em minhas pernas. Lembra quando você fazia isso comigo?

- Lembro. – Ela respondeu, e se sentou um pouco mais para a frente. Sentei-me perto da cabeceira, e a fiz deitar. Comecei a acariciar seus cabelos, que estavam oleosos, e com aspecto de sujo. – Isso é sangue. – Ela interrompeu meus pensamentos. – Sei que deve estar com uma aparência horrível.

- Shhhh. – Falei, penteando os cabelos dela com os dedos. – Não fale. Apenas tente dormir um pouco.

- Just close your eyes... – Ela começou a cantar.

- The Sun is going down. – Completei a frase. – You’ll be all right, no one can hurt you now.

- Come morning light…

- You and I’ll be safe and sound… - Terminei o trecho da música, e percebi que ela estava de olhos fechados. – Não se preocupe, Mellione – sussurrei –; agora você está sã e salva.

•••

- Como ela está? – Baltazar me perguntou.

- Dormindo. – Respondi.

- Sem surtos?

- Ela só precisa de remédios mais fortes. – Falei calmamente. – Sugiro que o psiquiatra dela venha logo. Não sei quanto tempo mais os remédios farão efeitos.

- Mandarei chamá-la hoje mesmo. – Ele pegou o celular e começou a discar.

- Estou indo à lanchonete. – Avisei. – Me procure por lá se quiser.

Comecei a andar por corredores ladeados por portas de metal, sem janelas nem nada. Cada um desses quartos “guardava um louco”, e enfermeiros faziam visitas de rotinas.

Por duas ou três vezes passei por um internado perambulando pelos corredores.

- Oi. – Uma menina de, no máximo, oito anos, me parou.

- Oi, anjinho. – Respondi, me abaixando. Ela vestia um avental do hospital, e um casaco rosa bebê.

- Eu sou Lindsay. – Ela me estendeu sua mãozinha. A apertei.

- Sou Mellione.

- Como a ruiva da sala grande?

- Como a ruiva da sala grande. – Falei. – O que você está fazendo aqui?

Ela parou por uns momentos, pensando.

- Não sei... E você?

- Estou cuidando da ruiva. – Respondi. – O que você está fazendo pelos corredores?

- Perdi meu ursinho... Você me ajuda a procurar?

- Claro. Onde você perdeu ele?

- No meu quarto. – Ela começou a me puxar até o outro corredor. Chegamos até a única porta aberta da ala C. – É aqui. – Ela disse. – O perdi essa noite.

- Não é aquele ali? – Apontei para um gatinho de pelúcia que estava na janela.

- É ele mesmo! Mas ele não estava ali antes... Obrigada! – Ela correu até a janela, pegando o ursinho. Voltei a caminhar até a lanchonete, passando por mais dúzias de portas fechadas, e enfermeiros de olhares mortos.

Em certo momento, uma adolescente passou por mim. Ela tinha longos cabelos loiros, e olhos verdes. Seus braços estavam completamente cortados, e ela murmurava sozinha.

- O que foi? – Ela perguntou, ao perceber que eu estava a observando. – Nunca viu braços cortados?

Balancei a cabeça, e voltei a andar. Ela me parecia saudável demais para estar ali, mas resolvi manter isso apenas para mim.

- Mellione. – Baltazar chegou ao meu lado. – Você já deveria estar na lanchonete.

- Parei para ajudar uma menina que havia perdido seu ursinho. – Falei, observando as portas.

- Lindsay? – Ele perguntou. Assenti. – É uma ótima menina. Bipolar, mas ainda assim, ótima menina.

- E a loira? – Perguntei, me lembrando da adolescente. – Cabelos longos, olhos verdes... No máximo, dezesseis anos.

- Já a vi pelos corredores. Ela sofre de automutilação, e se não me engano, algum outro transtorno, como anorexia ou bulimia. Também tem delírios intensos. Só está aqui porque os pais dela a internaram, por não suportarem-na dentro de casa.

- E quando ela se curar? – Perguntei.

- Provavelmente ela vai se suicidar antes. – Baltazar disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

- E vocês não tentam ajudar? – Falei, uma ponta de histeria e choque na voz.

- Claro que tentamos, mas para alguns pacientes os remédios perdem o efeito depois de algum tempo. E há um motivo para haverem muitas crianças e adultos, mas poucos adolescentes na clínica. Normalmente os adolescentes se suicidam antes que possamos dizer “você vai se curar”.

- E por que isso?

- Você ainda não teve alguma aula sobre psicoses na adolescência? – Ele perguntou. Balancei a cabeça. – Bom, como a adolescência é um período conturbado, é um momento onde há um grande indício de formação de psicoses. Mas, para os pais e a escola, é bobagem. São os hormônios, e o diabo a quatro. É bobagem. E nisso não percebem que eles têm doenças, e que precisam de tratamento. E quando percebem, já é tarde demais.

- Tarde demais?

- Quando são internados, já estão em um período pré-terminal. Apenas mais alguns dias, e se suicidam. Alguns nem isso. Se suicidam antes que possam perceber que têm problemas e precisam de ajuda.

- E aquela loira...?

- Está aqui há quase um mês. Acredite, ela é uma das poucas adolescentes que está aqui há mais de uma semana. Estou faminto. Você não?

- Claro, claro... – Permiti-me ficar um pouco mais atrás, enquanto Baltazar ia até a lanchonete. Aquela garota era jovem, provavelmente tinha a vida toda pela frente, e estava a perdendo.

Talvez por não ter ninguém a auxiliando no tratamento.

- Mellione? – Baltazar me chamou. Percebi que estava parada no corredor. – Aconteceu alguma coisa?

- Não, nada. – Respondi, andando até ele. – Só estava pensando.

- Na garota?

Dei de ombros.

- Sim.

Ele suspirou, e olhou pelos corredores.

- Ela não é a única. Cada adolescente aqui internado tem uma história diferente. Mas quase todos eles têm o mesmo destino. Às vezes é melhor ignorá-los. Vamos para a lanchonete? Essa conversa não muda o fato de que você ainda não comeu nada.

- Não acredito que agora eu vá conseguir comer alguma coisa. – Respondi.

- É melhor você comer. Sabe, daqui a pouco a médica titular de Mellione vai chegar. É melhor você ter algo no estômago.

- Você não é o médico dela?

- Sou só o médico. Mas quem trata do caso dela, modifica os remédios e tudo o mais, é a Sra. Wond.

•••

Baltazar estava me obrigando a comer. Embora eu não estivesse com fome, dei algumas mordidinhas no pastel frio da lanchonete, e o soltei.

- Que horas ela vai chegar? – Perguntei.

- Acho que às dez horas. Agora são nove e meia. – Ele respondeu, se levantando. – Vamos?

Assenti, e me levantei.

Um enfermeiro entrou correndo na lanchonete, me assustando.

- Doutor Baltazar? – Ele disse, com a voz trêmula. – Mellione está acordada. E ela está tendo uma das crises dela.

Nos encaramos, e começamos a correr até o quarto dela. Ainda não havia visto uma crise “real” dela, e a perspectiva de ver agora não estava me deixando animada, exatamente.

•••

Ao chegar no corredor do quarto dela, já pude ouvir os gritos. Não há como descrevê-los; era algo não humano. Quase que... animal. Eram urros; algo de arrepiar todos os pelos de seu corpo, e fazê-lo ter medo.

Baltazar parou de correr, e me encarou.

- Se você não quiser ver, tudo bem.

- Eu quero. – Respondi, e voltei a correr até o quarto.

Parei na frente da janela, a observando. Haviam quatro enfermeiros dentro do quarto; eles tentavam sedá-la. Mellione estava amarrada na camisa de força, mas não parava de se contorcer e gritar.

- MELLIONE! – Ela gritou. Minha mente entrou no modo automático. Sem pensar, fui até a porta. Baltazar tentou me impedir, mas passei por ele, e entrei no quarto.

- A soltem. – Falei. – Deixem que eu tento acalmá-la.

Os enfermeiros me olharam como se a louca fosse eu, e a soltaram.

A ruiva me olhou com olhos questionadores, e comecei a caminhar até ela. Os enfermeiros saíram do quarto, me deixando a sós com ela.

Comecei a andar até ela, e estendi minha mão.

- Melli... Sou eu. – Falei. – Ninguém vai te fazer mal, eu estou aqui.

Ela ficou me encarando, talvez tentando me reconhecer.

- Você é a garota da rosa? – Ela murmurou. – A que eles querem?

- Sim. – Respondi. Me aproximei mais dela. – Você está bem?

- Não aceite a rosa. – Ela falou. – Eles me entregaram uma rosa, quando eu era jovem, e olha onde eu estou! Não deixa eles te encontrarem... – Ela começou a coçar entre seus dedos, e as feridas que haviam ali começaram a sangrar. – Eles querem seu corpo, sua mente... Eles querem te enlouquecer, querem te possuir, querem que você viva para eles, acabar com a sua família, o pastor tentou tirar eles de mim e não conseguiu, me internaram aqui, e eles haviam parado, MAS VOCÊ TROUXE ELES DE VOLTA! – Mellione gritou, e tentou levar suas mãos ao meu pescoço. Segurei seus pulsos com força, enquanto os enfermeiros entravam e aplicavam uma injeção de sedativos nela. Mellione desmaiou dois segundos depois, e Baltazar entrou no quarto.

- Vem, vamos sair daqui. Daqui a pouco ela vai acordar.

- O que deram para ela?

- Um sedativo. Ele é poderoso, mas o efeito passa rápido. Em vinte minutos ela vai acordar. Vem logo, Mellione. – Ele começou a me puxar para fora da sala, e me permiti ser arrastada. – O que deu na sua cabeça? Entrar lá sozinha?

- Achei que talvez conseguisse acalmá-la. – Murmurei.

- Por alguns segundos, você conseguiu. De que rosa ela estava falando?

- Essa manhã, quando eu acordei, tinha uma rosa debaixo do meu travesseiro. Acho que é dessa rosa que ela estava falando.

- Quem deixou essa rosa lá?

- Não sei. – Falei. – E não quero falar disso. Quando a psiquiatra vai chegar?

- Ela está lá embaixo. Já vai vir aqui. – Ele respondeu, e se sentou. – Não sei o que vocês duas têm. Mas a cada dia que se passa, tenho mais medo de descobrir. Parece que entre vocês há uma espécie de ligação...

- Eu entrei na faculdade pra tentar ajudá-la a se curar. – Falei. Ambos ficamos em silêncio, quando uma mulher de mais ou menos cinquenta anos chegou.

- Baltazar? – Ela disse. – O que aconteceu aqui?

- Dra. Wond. – Ele a cumprimentou. – Mellione teve uma crise intensa essa madrugada, e agora há pouco, uma crise nível médio. Ela tentou atacar a estudante de psiquiatria.

A Dra. Wond olhou para mim, estendendo a mão.

- Mellione Clark, correto? Sou a Dra. Caroline Wond, responsável pela paciente Park.

- Prazer em conhecê-la. – Apertei sua mão, mirando fixamente seus olhos.

- Ela tentou atacá-la?

Assenti.

- Como?

- Eu entrei no quarto. Pedi aos enfermeiros para soltarem-na e saírem do quarto. Achei que ela estava mais calma, mas ela me atacou. Tentou me enforcar. – Falei.

- A paciente normalmente fica mais calma quando você está por perto, foi isso que chegou aos meus ouvidos.

- Correto.

- Gostaria de conversar com você mais tarde. – Ela disse. – Deram sedativos a ela?

Baltazar assentiu.

- Em mais ou menos dez minutos ela acordará. – Ele completou.

Dra. Wond suspirou, e foi até a janela.

- Ela está bastante machucada. – Ela comentou. – Os remédios não têm feito efeito?

- Os remédios dela devem ser trocados de seis em seis meses. – Comentei. – E eles não são trocados há um ano.

- Você tem feito seu trabalho de casa, Srta. Clark.

Não respondi ao comentário. Apenas fui até o vidro, e observei a ruiva.

Mellione se moveu; ergueu uma de suas mãos e a colocou no rosto.

- O sedativo não tinha efeito de vinte minutos?

- Alguns sedativos não fazem efeito em Mellione. Apenas a desmaia. Ela acorda depois de um curto tempo. – Baltazar disse.

Mellione se sentou, um pouco zonza, e olhou para a janela.

- Doutora? – Ela perguntou.

- Alguém disse que eu viria? – A Dra. Wond perguntou.

- Não. – Baltazar respondeu.

- Eu gostaria de vê-la lá dentro. – Ela se virou para mim. – Quero estudar o comportamento da paciente estando acompanhada.

Assenti, e fui até a porta. Abri-a, e Mellione abraçou seus joelhos, olhando de forma assustada para a porta.

- Sou eu. – Falei, ao entrar no quarto e fechar a porta.

- O que você ainda está fazendo aqui? – Ela perguntou.

- Eu prometi que estaria aqui. Não prometi?

- Não lembro. – Ela respondeu. – Você é muito corajosa ou muito burra de ainda estar aqui. Eu te ataquei, não é?

- Sim, atacou.

- Un. – Mellione disse, com um sorriso torto.

- Como? – Perguntei.

- Eu disse, un. Você recebeu a rosa. É o primeiro momento.

- Como você sabe da rosa? – Perguntei.

- Eles me disseram. Eu já te falei.

- Eles quem?

- Eles. Eles têm planos para você. Deux. Vai acontecer esta noite.

- Quem são eles, Mellione? – Perguntei, a voz alguns tons acima do que eu queria.

- Você os viu, não viu? Em sonho. Eu sei disso. Já cansei de te dizer, Mellione. Você. Eu. Nós somos a mesma pessoa.

- Não comece com essa bobagem. – Falei, me aproximando dela. – Eu estou tentando te ajudar.

- Quer me ajudar? – Ela perguntou, levantando da cama. – Então vá embora agora, e nunca mais me procure. Não tente me ajudar. Tente se salvar.

- Não. – Respondi. – Não acredito em você.

- Un, deux, trois, quatre, cinq, six. Essa é a ordem. O dois vai aparecer essa noite. – Ela murmurou, e desmaiou.

Notas finais
Reviews? Vaai, eu mereço né? ~bubububu~ até o próximo capítulo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.