Havia-se completado 2 semanas que ninguém vira mais a cara de Ellize, ela não descia, não frequentava a escola, e só estava se alimentando por causa de uma moça que sabia o por quê de ela estar dessa forma e que levava as refeições para ela.

A cada dia que passava e que ela não dava nenhum sinal de vida, Gabriel começara a se desesperar, afinal, para ele o que estava acontecendo era por sua culpa.

Ele estava com uma aparência completamente diferente, em sua face dava-se para notar olheiras, o que significava que ele não andava dormindo direito, seu cabelo vivia bagunçado, e ao contrario de como ele sempre agia ele começou a não dar muita atenção para ninguém, nem mesmo para as criancinhas que as vezes queria chamar sua atenção, passava horas e horas andando de um lado para outro na sala, as pessoas que lá viviam já não aguentavam mais suas atitudes.

X X X X X X X X X X X X X 1 mês depois X X X X X X X X X X X X X X

Sem nenhum sucesso de melhoras, Elize acabou sendo mandada para uma clínica psiquiatrica

Gabriel em um dia decidiu visita-la, para ver se conseguia descobrir o por quê de tudo aquilo.

Chegando no quarto onde ela estava, ele parou na porta e ficou vendo-a, parecia tão mais calma do que nos dias anteriores, estava sentada na cama observando alguns pássaros que estavam migrando em bando para o sul, já que lá iria iniciar-se um inverno bem rigoroso.

Ele a observava, quando ela se virou para a porta onde ele estava e sorriu, então ele perguntou

-Posso falar um pouco com você?

-Pode sim

Ele entrou no quarto e sentou-se na beirada da cama e disse

-Preciso te perguntar algo, se não quiser responder eu entenderei

-Está bem

-Por que você agiu daquela maneira naquele dia? Foi algo que eu fiz?

-Bem, a culpa não foi sua, é algo que ocorreu no meu passado e eu não consegui superar

-Se importaria em me contar o que aconteceu?

-Bem, é que eu tenho medo

-Como assim medo?

-Não sei te explicar, é algo meio inexplicável, como um trauma eu acho

-Foi por algo que aconteceu na sua infância?

-Pelo que me lembro sim

-Você me contaria o que acontecia?

-Não sei se teria forças, é algo que ficou marcado em mim por muito tempo

-Eu te ajudo a ter forças então, combinado?

-Pode ser, contanto que não tente nada de mal

-Sem problemas — ele encostou-se na parede, no canto da cama ainda — Vem aqui, senta comigo — ela foi, sentou-se ao lado dele, ele a abraçou e disse

-Consegue me contar agora? se você não conseguir contar tudo não tem problemas, conta até onde você tiver forças

-okay, a história é a seguinte: Tudo começou quando eu fiz 5 anos, era uma bela manhã de domingo quando meu pai me chamou, disse que tinha que me contar algo e pediu que eu fosse até o quarto para podermos ter mais privacidade, eu fui normal, afinal devia ser um assunto importante e que não podia ser ouvido pelos serviçais.Quando eu cheguei no quarto, ele trancou a porta, me jogou em cima da cama e me violentou, eu fiquei em choque com tudo aquilo, mas não ousei dirigir a palavra com a minha mãe sobre o assunto. A cada dia que se passava o abuso estava ficando cada vez pior, quando saíamos de carro, ele fazia questão de que eu sentasse na frente, então começava a passar a mão em mim e fazer coisas nojentas, o pior de tudo foi quando descobri que minha mãe sabia sobre isso e não fazia nada para impedi-lo. Por diversas vezes eu tentei fugir, ver se conseguia ser feliz em algum lugar onde não tivesse ninguem tentando fazer meu mal e ninguém que fosse corajoso o suficiente para me proteger de um canalha como ele.O tempo foi passando e quando eu comecei a tentar resistir as caricias dele e fugir eu acabei virando o alvo de todas as discussões de dentro daquela casa, todo era eu, eu que não prestava, eu que era uma vadia, era Elize pra todos os lados, o pior dia foi o dia em que ouvi tiros, e ao chegar na cozinha me deparei com os dois mortos, e o pior é ninguém faz a menor ideia de quem possa tê-los matado, eu ainda vou descobrir quem foi o desgraçado que os matou, e que não deixou que eu o fizesse com minhas próprias mãos

-Não acho que é com violência que você irá resolver algo

-E por que não?

-Eles já estão mortos certo?

-Certo

-Eles já foram mortos por alguém, isso é se não foram eles mesmos que se mataram, o que é uma coisa que parece real, já que ninguem suspeita de alguém. Pra que tentar se vingar de alguém que matou uma pessoa que você já queria matar?

-Porque eu queria ter feito isso com minhas próprias mãos e não por meio de terceiros

-Pra que? Pra ficar mais perturbada do que já está? Se estás sofrendo tanto sem tê-lo feito, imagina se o fizesse

-...

-Pense só um pouco okay? Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, só não tente contar comigo para uma vingança, que aí eu serei o primeiro a te acusar por isso, não é com violência que se combate a violência

-Está bem, mas tem certeza que posso contar contigo pro que precisar?

-Sempre — ele beijou-a nos lábios, e fora correspondido, ficaram muito tempo se beijando, até que pararam, depois disso passaram bastante tempo abraçados, para Elize a melhor sensação de segurança e de conforto que ela podia encontrar era nos braçoes de Gabriel, e para ele, saber que ela estava segura, já era um ponto positivo, afinal, passara tanto tempo preocupado com ela...

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Notas finais
reviews please^^
até o próximo capitulo