Notas iniciais
HEHE, o capítulo saiu um dia antes, uhuu!!! Estava ansiosa e o capítulo estava pronto desde quinta, não iria aguentar muito tempo sem postar. Porém como o próximo é um capítulo especial e quero trabalhar bem nele, só na próxima semana, talvez até na outra. Hellow my cats!!! O número de cats tem aumentado, gosto disso :3 Esse capítulo é dedicado a mim mesma, já que eu mereço isso. Espero que gostem do capítulo, tem uma cena nele para vocês imaginarem e serem felizes. Eu fui feliz imaginando a cena. Espero que gostem do capítulo xxx

A vampira e a bruxa riam alto, sem ligar se iriam chamar atenção ou não. O clima entre as duas, que era para estar tenso, estava mais calmo do que nunca. Tudo não passava de uma grande encenação, já que por dentro as duas surtavam. Eram muitos problemas para resolver em um curto período de tempo.

Ambas disfarçavam o nervosismo com risadas um pouco exageradas, que lentamente foram se cessando aos poucos, até sobrar somente o silêncio no recinto. A mais velha olhou para a janela, vendo o sol brilhar forte. Seria difícil para que conseguisse sair. Por sorte, a bruxa havia vindo até sua casa.

— O tempo parece ser bipolar. Ontem estava chovendo, hoje o sol brilha tanto que chega a cegar — Miku falou baixo, tentando acalmar a tensão do local. — Irá sentir falta do sol?

— Posso me acostumar a viver sem ele — a garota de cabelos rosas sorriu de forma amigável. — Irei arrumar alguém para substituí-lo.

— Fala de um amor? — a vampira negou devagar. — Então, do que falas?

— Não um amor, somente alguém que passe a eternidade comigo.

A bruxa pôs-se a pensar na conversa que estava tendo a poucos minutos, antes que as duas chegassem ao silêncio constrangedor que haviam alcançado. Ao ouvir o que foi dito por sua amiga, alguns questionamentos entraram em sua mente.

— Acha que é isso que a loira está fazendo com o Oliver? — a mais nova perguntou ainda bem baixo.

— Isso o que? — Luka perguntou sem dar muita importância a amiga.

— Querer somente alguém para passar a eternidade — sua voz saiu quase sem vontade. — Com o que sabemos, isso pode muito bem ser verdade.

A vampira passou a bater os dedos de forma ritmada no braço do sofá, procurando por um jeito de responder o que foi dito pela mais nova. Não que ela tivesse uma resposta, até porque ela não havia pensado em algo assim.

— Não. Ela parece gostar de verdade dele — ela falou calma, deixando a bruxa mais confusa do que já estava. — Não duvido que ela o transforme. Isso se já não tiver feito. Não duvido que um dos dois tenha matado a Kaai.

— Tem tanta certeza assim? — a outra perguntou, vendo a mais velha assentir.

— Absoluta. Assim que falei da Rin ela quase teve uma crise de ciúmes, ainda conseguir a ouvir dizer que não queria ele perto da Rin — a mais velha suspirou antes de continuar. — Ela o ama, assim como ele a ama.

— Isso é um problema, não? — a bruxa sorriu ao falar.

— Sim, dos grandes ainda por cima.

Luka pegou em cima da mesa um dos cigarros de seu pai, que ele escondia embaixo do vaso que ficava de enfeite na mesa de centro da sala, e acendeu-o com um isqueiro que estava em cima do sofá. Ela tragou-o e deixou a fumaça sair quase instantaneamente. Ela nunca foi de fumar, só o fazia quando estava estressada. Como seu nível de estresse andava alto, ela precisava relaxar de alguma forma.

— Podemos mudar de assunto? — a vampira perguntou vendo a amiga assentir. — A festa é amanhã. Está animada?

— Um pouco, estaria mais se tivesse alguém para me acompanhar — Miku suspirou alto, dando a entender que queria que a outra continuasse.

— Se quiser eu vou com você — ambas sorriam. — Nossa loirinha não vai querer ir, e eu não tenho companhia. Não tem problema se formos juntas. Acho mesmo que estamos precisando passar mais um tempo juntas.

A bruxa passou a pensar sobre o que poderia acontecer na festa por causa de tudo o que acontecia na surdina. Se uma única coisa desse errado, poderiam descobrir sobre Luka, e ela não queria isso. Além do mais, ela já desconfiava que todos os vampiros estariam juntos na noite. Com o que sabia, sua cabeça já associava isso a problemas.

Existia a possibilidade de Rin querer ir a festa, porém era mínima, a loira não estava com ânimo para festas, mas se tudo o que soubesse fosse verdade, era melhor que ela não fosse. Ela não queria que a amiga fosse a festa. Não com as chances de um encontro entre Oliver e Len. Era melhor não meter a loira nisso.

Todo o tempo ela pensava em sua melhor amiga. Ter os dois garotos que quebraram seu coração em um mesmo espaço não deve ser bom. No dia anterior, ela havia notado as risadas forçadas da loira. Isso a deixava magoada. Ela não podia fazer nada. Era a mais incapaz.

A vampira tentava esquecer do dia de ontem. Ter beijado o loiro havia sido um erro. Um erro que ela havia gostado. Seu coração pertencia ao duque, isso não era novidade, porém ela não sabia como ele poderia reagir ao saber que sua amada não era mais humana.

— Quer comer alguma coisa? — Miku perguntou sorrindo. — Acho que minha avó guardou um pouco de sangue.

— Por que ela tem isso guardado? — a mais velha perguntou confusa.

— Para feitiços, eu acho.

As duas garotas então seguiram para a parte dos fundos da casa, entrelaçando suas mãos durante o trajeto. A bruxa ficou vermelha, enquanto a vampira somente sorriu, puxando a mais baixa para mais perto. Ambas não ligavam para mais nada a não ser uma a outra no momento.
XxX

A vampira encarava as páginas do livro sem entender nada do que estava escrito ali. Ela não entendia inglês, somente seu irmão sabia o idioma. Sem pensar muito, ela jogou o livro longe, bufando por não ter mais nada para fazer. O loiro chegou na hora exata para ver a cena, tendo que desviar do objeto jogado pela mais nova.

A loira virou o olhar para o garoto, logo o encarando boquiaberta. Como ele havia acabado de sair do banho, não tinha dado tempo de colocar uma roupa, então ele estava somente com uma toalha enrolada na cintura, deixando o peitoral bem definido a mostra. Seus fios claros estavam soltos, diferente do habitual, caindo em cima de seus olhos, deixando-o com um ar sexy.

— Feche a boca, Lenka, quer engolir algum inseto por acaso? — o loiro sorriu, fazendo a garota sair de seus pensamentos e o encarasse com um olhar de raiva.

— Como se nunca tivesse visto antes.

— Vai pôr uma roupa, Len — ela disse baixo, evitando olhar nos olhos do irmão. — Por que não me contou que tinha Alice no País das Maravilhas? Sabe que adoro esse livro.

A conversa dos dois parecia que iria continuar em cômodos diferentes. Eles conseguiam se ver através da porta. A vampira tentava não olhar o irmão enquanto ele trocava de roupa, embora fosse difícil não olhar.

— Não falei porque não está em japonês, então você não sabe lê-lo — ele falou calmo, fechando os botões do colete, ajeitando o cabelo em seguida. — Sei que gosta do livro, se quiser, posso dar um a você depois.

— Obrigada, mas dispenso. Não ando com tempo para ler — a loira sorriu, vendo o mais velho voltar a sala e pegar o livro do chão. — Você devia me arrumar um livro de princesa, já que parece gostar de me chamar assim.

Parecia que a vampira jamais perdoaria o loiro por fazer um conto de fadas sendo eles os personagens. Ela pretendia atormenta-lo com isso até que cansasse, o que demoraria para acontecer.

Algumas vezes o loiro já chegou a dizer que a irmã se assemelhava a Alice, assim como ele era o Coelho Branco. Ela nunca gostou de ser chamada de protagonista do livro, sempre a achou uma tonta por seguir um coelho e cair em um mundo encantado. Len dizia que ela era Alice por sempre estar seguindo o "coelho branco".

— Você pediu, só fiz o que queria — o vampiro sentou-se no sofá ao lado da irmã, encarando os seios fartos da loira, que queriam pular para fora do vestido. — Por que você gosta de roupas tão apertadas?

— Ah, eu gosto. E não olhe para os meus peitos — ambos riram alto, até quase ficarem vermelhos por causa das risadas exageradas. — Sei que eles não são discretos, mas não precisa encará-los.

— Nunca cansa de ser exibida? — a garota negou rindo. — Como consigo te aguentar?

— Será que é por que você é pior do que eu em alguns momentos?

O loiro maneou positivamente ao que foi dito pela mais nova, sentindo-a apoiar a cabeça em seu ombro. Não parecia, mas os irmãos tinham grande parte da personalidade parecida. Ambos tinham ego elevado e gostavam de se exibir, principalmente a mais nova. Ela era um "poço" de egocentrismo.

— Tem visto a Tei? — a loira perguntou, mexendo nos botões do colete do mais velho.

— Enfiei uma espada na garganta dela ontem — o vampiro falou como se fosse algo normal a ser dito. — Foi bom vê-la sangrar, eu gosto — ela sorriu ao ter a imagem em sua mente. — E você? O que fez ontem?

— Acha que fiz alguma coisa? — Lenka sorriu de maneira maliciosa, ganhando o mesmo sorriso do irmão. — Não fiz nada.

— Achei que estivesse namorando — ele disse baixo.

— E estou, só não estava com vontade de fazer sexo.

O assunto havia mudado de uma hora para outra. Por mais que a vampira não quisesse falar do namoro com o irmão, ela não tinha maiores opções. Len iria enche-la até que ela falasse, ou até mesmo, faria coisas piores. Ela observou o mais velho pressioná-la contra o sofá até que ficasse por cima dela.

— Acho que você está doente — ele disse próximo ao ouvido dela. — Você nunca cansa de sexo… — não demorou muito para que ele conseguisse entender o que acontecia com a irmã. — Problemas para controlar a parte humana mais uma vez?

— Sim — a loira foi direta. — Pode sair de cima de mim?

Para não atiçar a raiva da garota, o vampiro saiu de cima dela, pondo-se em pé ao lado do sofá. Ela levantou-se sem muito esforço, mexendo em seu cabelo, se pondo próxima ao mais velho, encarando-o com um olhar pouco sério.

A loira sempre teve dificuldades para lidar com a parte humana. Os efeitos colaterais do acordo feito com a bruxa apareciam uma vez ou outra, muitas vezes estavam relacionadas aos sentimentos, principalmente o amor. Todas as vezes que ela se aproximou de alguém, os sentimentos voltaram a aparecer, e sempre que isso acontecia, o vampiro a puxava de volta para a escuridão.

— Jamais pensei que fosse ver você apaixonada novamente — o loiro sorriu. — Preciso conhecer quem conseguiu fazer isso. Esse garoto merece os parabéns por ter conseguido esse feito.

Lenka sabia o que o irmão queria dizer com "conhecer". Se antes ela já queria manter Len longe de Oliver, agora só manter longe parecia não ser suficiente. Sempre que a vampira se apaixonava por alguém, ou demonstrava estar apaixonada, o mais velho não demostrava receio em matar quem quer que fosse o garoto.

— Acho melhor não — ela murmurou. — Não confio em você.

— Está nervosa… — o vampiro sorriu. — Com medo?

— Você é um psicopata. Não posso nem gostar de alguém que você faz a pessoa sumir do mapa em horas! — dessa vez, a loira disse alto, sem tremer a voz.

— Sabe a quanto tempo não me importo de verdade por alguém?! Não quero que se meta nisso.

— Só não achava que nenhum daqueles garotos eram bons o suficiente para minha irmãzinha — o loiro disse com um tom de ignorância. — Ninguém nunca é bom o suficiente para você.

— Acha que me engana, Len?! Você só queria que eu estivesse sozinha e por perto para quando precisasse! — a vampira gritou, mas logo se acalmou. — Gosto de você, gosto mesmo. Sinto falta de alguns anos atrás, quando você ainda sabia como me tratar.

— Está dizendo que não te trato bem? — ele perguntou suspirando, aproximando-se da irmã. — Não tenho culpa de você ser uma garota mimada que acha que o mundo gira ao seu redor.

O loiro esperava alguma resposta vinda da mais nova, porém ele somente a viu seguir para a porta, querendo aparentemente ir embora. Quase instantaneamente, o mais velho a pegou pelo braço, fazendo-a soltar a maçaneta, mas deixando a porta entreaberta. Lentamente, ela virou o olhar para o irmão, sem expressar nada.

— Eu sou uma menina mimada e você é um psicopata louco. Qual dos dois você acha que é pior? Duvido que seja ser uma garota mimada que sempre teve tudo o que queria, porém deixou tudo de lado por um romance proibido — sua voz saiu baixa. — Nunca disse que você não me tratava bem, só digo que você não sabe me tratar como antes — ela suspirou antes de dizer as palavras finais. — Para mim chega. Já te aturei tempo demais. Você conseguiu fazer com que até eu me cansasse. Parabéns, Len.

Antes de sair, ela puxou o colar em seu pescoço, arrebentando a corrente, jogando no chão logo em seguida. Sem dizer mais nada, ela saiu da casa, sumindo em seguida. O vampiro não poderia segui-la, já que o sol brilhava forte. Ele bufou e então fechou a porta, deixando o corpo cair até o chão encostando-se na madeira.

Mais uma vez ele havia falado o que não devia. Da última vez que fizera isso, ela acabou indo embora, deixando-o sozinho na Itália. Ele socou a parede ao seu lado com força, rosnando por medo de mais uma vez perder a irmã.

Lenka era que nem uma boneca de porcelana em certos momentos. Um único descuido era capaz de quebrá-la em mil pedaços. O vampiro havia se arrependido todas as vezes que fizera isso. Não seria diferente dessa vez.

— Eu sou um idiota…

XxX

A loira deixava as lágrimas correrem por seu rosto. Seus soluços eram audíveis, já que ela quase os berrava. Suas mãos estavam banhadas no líquido vermelho, que hora ou outra ela lambia os dedos para saciar o desejo que sentia.

Seu pequeno corpo estava encolhido contra uma árvore, esperando que a chuva passasse para que pudesse ir embora. Depois do que havia feito, de ter matado quem mais amava, a culpa a consumia aos poucos.

A garota sentia-se idiota por ter confiado além do que precisava em quem não devia. Caso não tivesse confiado nas mentiras do vampiro, ela não estaria nesta situação. Alertaram-a para se afastar, porém ela insistiu em ser teimosa, acreditando em tudo o que ouvia da pessoa que amava.

Ela acreditava sempre que ouvia o "eu te amo" vindo do vampiro, crendo que aquele era o sentimento que ele sentia. Acreditou quando ele disse que queria passar a eternidade junto a ela, e que eles poderiam fugir juntos para não terem mais problemas. Deixou que por fim ele tirasse seu sangue e que ele a tornasse igual a ele, porém, ela fugiu antes que ele pudesse completar o que pretendia.

Era possível que ela ouvisse passos se aproximando rápido, contrastando com os últimos pingos de chuva que insistiam em cair. A loira não quis olhar para ver quem era, tinha medo de acabar sendo obrigada a matar mais alguém.

— Rin…?! — ela levantou o rosto ao ouvir a voz do melhor amigo, mas não chegou a se mexer, por medo do que ele pudesse fazer. — Sua louca! Sabe há quanto tempo estou te procurando?

— N-não chegue perto de mim — sua voz saiu baixa por causa do choro. Ela acabou encolhendo-se ainda mais.

O loiro não ligou para o que foi dito pela garota, e logo ficou próximo a ela abaixando-se para ficar perto dela. Seus olhos dourados encontraram-se com os azuis inchados da loira, deixando o espaço um pouco tenso, já que ambos estavam nervosos. Ele aproximou o rosto do da mais velha, beijando-lhe os lábios rapidamente, para que ela se acalmasse.

— Irei tirar você daqui — ele disse baixo, enxugando as lágrimas que ainda desciam no rosto da loira. — Com a bagunça que você fez, todos estão assustados demais para sair de casa, esse é o momento para sairmos daqui — o garoto disse referindo-se ao que a loira fizera para despistar quem a perseguia.

Não demorou para que os dois estivessem de pé, andando por entre as árvores em silêncio. A única saída da aldeia ficava do lado oposto à floresta, eles teriam que atravessar o vilarejo inteiro para poder sair. Isso assombrava a loira. Ela sabia que não era seguro andar com alguém com "ele" solto por aí.

— Oliver, e se nós… — ela não terminou a frase já que o mais novo negou com a cabeça.

— Não se preocupe com isso, Rin. Já cuidei de tudo. Iremos sair daqui sem problemas.

A loira cessou os passos por um momento, ficando parada no meio das árvores. O loiro olhou-a um pouco desconfiado, mas logo se aproximou dela, pressionando o pequeno corpo da mais velha contra um tronco. Por mais que a garota se sentisse mais segura com o melhor amigo, estar assim ainda a lembrava de péssimos momentos.

Os dois voltaram a estarem próximos, o nervosismo da garota parecia ter sumido por um instante. Ela sentia-se bem. Segura próxima a pessoa que mais gostava. Quando Oliver a puxou pela cintura para beijá-la de maneira voraz. Ela o sentia tentar adentrar em seu vestido, passando por sua coxa e apertando-a.

Rin passou a estranhar alguns comportamentos do mais novo. Ele parecia nervoso, não parecia estar bem. Subitamente, o loiro separou o beijo, suspirando fundo. Antes que a loira pudesse reagir, ele passou a beijar seu pescoço, mordendo algumas vezes.

— Rin… Você está me traindo…?

Por impulso, a garota empurrou o melhor amigo para trás, fazendo-o bater com força em uma árvore. Ela olhou para o vampiro que mantinha um semblante sério no rosto. A loira engoliu seco ao ver seu ex-namorado ali parado, encarando-a como se fosse matá-la.

— Não estou te traindo. Não tenho mais nada com você — ela disse baixo com medo de deixar a voz sair.

— Não tem? — o loiro perguntou rindo cinicamente. — Pelo que sei, temos um acordo. Eu a transformaria e passaríamos a eternidade juntos... Mas você foi embora, e ainda matou para conseguir escapar. Porém, não deu certo.

Era verdade. Os dois haviam feito esse acordo, e agora ela tinha o quebrado. Ao desistir de aguentar a pressão, ela tinha aberto a única brecha existente no trato. Devagar, a loira direcionou o olhar para seu melhor amigo, vendo-o sorrir de modo incomum. Um arrepio subiu pela espinha da garota. Ela sentia que tinha algo errado.

— Sabe, Rin… Não é só você que tem segredos — ele murmurou, deixando os dentes pontiagudos aparecerem. — Surpresa…

Antes mesmo que a loira pudesse expressar alguma reação, ela sentiu o corpo ser pressionado contra uma árvore novamente, dessa vez por ambos lados. Os dois loiros a deixaram presa contra a madeira, sorrindo de forma pervertida.

Rin tentava controlar as lágrimas que desciam por seu rosto, mas não conseguia. Os garotos pareciam se divertir com o desespero da loira, já que riam ao secar as lágrimas da mais baixa. A garota sentia-se traída. Ela não conseguia acreditar que seu melhor amigo, a última pessoa que imaginava que se tornaria um sanguessuga.

— Não fique assim, minha princesa — o mais novo sorriu ao dizer. — Não precisa chorar por isso. Logo sua dor irá acabar.

— A-acabar? — ela perguntou.

— Claro. Você não irá ficar viva por mais tempo — Len exibiu as presas ao sorrir, e deu um beijo leve nos lábios da garota. — Você merece morrer, Rin. É somente uma puta que todos podem passar a mão. Não serve para mais nada a não ser dar prazer.

A loira sentia mãos passando em seu corpo, apertando lugares indiscretos, fazendo-a gemer em alguns momentos. O mais novo a encarava enquanto rasgava parte da saia de seu vestido, já o mais velho beijava seu pescoço com as presas, roçando-as contra sua pele.

— Irei sentir falta do seu toque, mas ando me controlando há muito tempo para não te matar — Oliver sorriu, trocando um olhar cúmplice com o outro vampiro. — Acho que… Tenho uma ideia melhor...

Os loiros sussurraram baixo, tão baixo que mesmo a loira estando próximas aos dois, não conseguia ouvir nada do que eles diziam. Ela tremeu ao ver o sorriso pervertido dos vampiros, mas conseguiu manter-se forte.

— Rin… Não vamos te matar — o mais velho disse calmo. — Não vale a pena.

— Você será uma linda vampira — o mais novo falou baixo, próximo ao rosto da loira, beijando seus lábios em seguida. — Servirá muito bem de escrava para nós. Só serve para isso mesmo.

— Dessa vez você não irá fugir de mim.

Ela sentiu uma dor forte, gritando alto ao sentir as presas de ambos vampiros penetrar em sua pele. Len não tinha cuidado ao morder a loira, queria machucá-la, queria fazê-la sofrer. Oliver era mais calmo, não queria que ela sentisse dor. Não demorou para que ela caísse no colo do ex-namorado, desacordada pela falta de sangue. Em poucos minutos ela estaria morta.

O mais velho aproveitou que o mais novo se afastou, indo para perto da vampira loira, que observava tudo a distância com um sorriso, e então deu o último beijo em sua "amada" ainda humana. Não demorou para que a garota deixasse de respirar e por fim, seu coração parou de bater. Ela entregou-se completamente a escuridão, deixou ser consumida por ela aos poucos.

Quando seus olhos se abriram novamente, e se encontraram com as orbes azuis de seu amante eterno, ela não era mais ela. Ela não era mais humana. Seu coração se tornara frio, assim como tudo em si. Agora, a loira antes boba, era uma vampira.

Rin abriu os olhos assustada, quase caindo para frente no sofá por causa da posição que se encontrava. Ela suspirou após o susto passar, deixando a respiração pesar. Por poder respirar sem nenhum problema, ela se encontrava alegre.

A loira havia fechado os olhos somente por alguns minutos, e quando se deu por si, ela estava mais uma vez dentro de seus pesadelos. Todos os sonhos pareciam ser reais, ela sentia os atos, sentia a dor. Sentia quando morria. Tudo isso estava a levando a loucura.

O ambiente estava parcialmente silencioso. O único som existente era um ruído que deixava a garota um pouco incomodada. Ela procurou por alguma coisa que pudesse causar o barulho, mas não encontrou nada. Isso a fez imaginar que o som vinha de fora de sua casa.

Rin…

A garota pulou do sofá, olhando para todos os lados procurando por quem tinha a chamado. Mais uma vez, não tinha nada, ela estava sozinha na sala. A loira achava que estava ficando paranoica, com medo de sua própria sombra.

Rin!

Finalmente a loira conseguiu descobrir de onde vinha o barulho que tanto a irritava. Ela precisou reprimir um grito ao ver quem a chamava. Seus olhos azuis fitavam o espelho, encarando o reflexo quase borrado de sua amiga morta.

Não tenho muito tempo para falar, preciso que você me escute bem.

Rin só conseguiu assentir devagar com a cabeça, tentando acreditar que era normal falar através do espelho com Gumi. Claro que não era normal, porém de tudo o que já tinha acontecido, essa parecia ser a coisa mais normal até agora.

O que mais a assustava era o fato de que a garota de cabelos verdes não parecer estar morta. Tirando a palidez pior que a dos vampiros e a transparência estranha, ela parecia a mesma garota de sempre, não parecia estar morta. Ela usava a mesma roupa que usava quando fora brutalmente assassinada, o que fazia a loira lembrar da cena que havia visto.

Cuidado com seus sonhos, Rin. Sei que eles parecem pesadelos comuns, porém eles estão sendo manipulados por alguém.

— Manipulados…? — ela perguntou vendo a outra assentir.

São distorções de um futuro que pode ou não acontecer. Eles são feitos especialmente para tentar te enlouquecer, forçando-te a fazer alguma besteira. Algo que faça com que você se arrependa depois.

A loira não tinha como argumentar contra algo assim. Ela ainda achava estranho o que estava acontecendo, receber esse tipo de notícia só piorava as coisas. Ela assentiu devagar, querendo que a garota no espelho continuasse a falar.

Sei que pode parecer ser estranho o que vou dizer, porém quero que você confie no Len.

— Como? — a loira riu nervosa. — Como você diz algo assim? Caso não lembre, ele te matou. Na minha frente, ainda por cima. Como posso confiar nele?

Sei de tudo isso, mas você precisa acreditar no que digo. Confie nele. Por mais que não pareça, ele se importa com você. Muito. Já vi isso nele.

Rin pensou em rir. Ela não acreditava no que ouvia, porém, ela confiava em quem estava lhe dando essas informações. Era impossível para que ela acreditasse no que escutava. A loira não conseguia crer que o vampiro se importava com ela. Isso não entrava em sua mente.

Não tenho mais muito tempo. Não sei até quando o outro lado vai aguentar, preciso ser rápida! Só mais uma coisa… Não tome nenhum dos seus remédios, todos eles estão trocados, alguns deles foram trocados por outros mais fortes. Tome cuidado. Tem alguém querendo te matar, e não é…

Antes que a garota conseguisse terminar de falar, sua imagem foi sumindo rapidamente, até a loira só ver o seu reflexo no vidro. A loira grunhiu alto, deixando sua raiva sair quase toda de uma vez.

Não demorou para que ela seguisse em direção à sua cozinha rapidamente, indo diretamente para seu armário. Ela abriu depressa a porta, pegando alguns frascos e depois um copo de água gelada. Ela iria usar um truque que havia aprendido com sua avó anos atrás.

A loira abriu dois frascos, pegando pílulas que eram completamente iguais a olho nu, porém tinham diferença no efeito. Ela jogou primeiro o que seria de dor de cabeça, vendo-o causar respingos ao cair na água. Seus olhos fitaram a reação do remédio a água, e logo ficou pasma ao ver o que via.

— Mas o que…?

Quando o remédio se dissolveu na água, a coloração que não deveria mudar, se tornou amarelada, fazendo a loira tremer. Os remédios haviam sido trocados realmente. Ela engoliu seco, abrindo o segundo frasco que remédio. Do jeito que era desligada, não notaria que os remédios eram diferentes.

O quão grande não foi sua surpresa quando ela viu que remédio para dormir não estava em seu devido lugar, e sim o que estava era o remédio que a ainda a atormenta, e que a ajudou na tentativa de suicídio.

Rin acabou por deixar seu corpo cair no chão por causa do susto que recebera. Ela sabia que uma dose errada daquele remédio seria capaz de fazê-la dormir e nunca mais acordar. Sua maior preocupação não chegava a ser essa. Ela estava mais preocupada em saber quem havia invadido sua casa.

De madrugada, a loira não chegou a dormir nem por uma hora inteira, para alguém ter trocado os remédios, teria que ter entrado na casa durante os poucos minutos que ela dormia. A loira passou a pensar em quem poderia ter feito isso. Sua primeira opção foi Lenka, porém fazia dias que ela não via a vampira. Logo depois ela pensou em Len. Claro que não havia sido ele, mas era uma boa opção pensar. Ela suspirou alto, encostando a cabeça na parede e em seguida fechando os olhos.

— Tem como piorar...?

XxX

A rachadura que havia se formado no vidro assustaria a qualquer um. Não era exatamente reta, porém começava e terminava no centro do espelho. A vampira aproximou-se lentamente do objeto e ousou encostar no vidro quebrado. Sem dificuldade, ela conseguiu chegar ao outro lado do espelho, atravessando com a unha o forro do lado oposto ao vidro. Foi uma rachadura profunda.

A bruxa respirava com dificuldade por causa do extremo cansaço que sentia. O feitiço arriscado havia tirado muito de sua energia, sendo suficiente para fazê-la cair desacordada no chão. Em poucos minutos ela acordou, deparando-se com o sumiço de sua amiga morta. A mais velha chegou a falar que ouvira um grito pouco antes da rachadura surgir no espelho.

— Você está bem mesmo, Miku? — a mais velha perguntou sentando ao lado da amiga. — Você se esforçou mais do que devia, a Gumi avisou que isso aconteceria.

— Sei disso, mas acho que deu certo. Só estou preocupada com a fantasminha. Ela sumiu após o espelho rachar — a bruxa disse suspirando. — Estou bem mesmo assim.

A fantasma havia dado a brilhante ideia de falar com a loira, já que existiam coisas que ela precisava contar a amiga. Com ajuda da bruxa, ela poderia falar e se mostrar para a garota sem nenhum problema. Era arriscado, se algo desse errado teriam graves consequências para todos. Não é natural que um fantasma fale com um ser humano, ao fazer o feitiço as chances de algo dar errado eram muitas.

— Não faça feitiços que podem te prejudicar. Isso não é bom para você e também não é bom para mim — Luka sorriu passando a mãos pelos cabelos esverdeados de sua amiga. — Eu fico preocupada com você.

— Sei que fica, mas as vezes vale a pena se arriscar — a mais nova sorriu. — Além do mais, qual é o problema de usar um feitiço proibido e perigoso que pode me matar?

A vampira deu um leve tapa na cabeça da bruxa, causando risada de ambas. Miku sempre conseguia fazer todos rirem quando não deveriam. Não era o momento para rir, elas deveriam estar sérias em meio à tudo o que acontecia, porém estavam felizes.

— Preciso de você bem para a noite — a mais velha disse jogando a cabeça para trás, observando as cortinas negras que cobriam a janela da casa da bruxa. — Você tem que estar disposta.

— Disposta para o que? — a menor perguntou um pouco envergonhada. — O que quer dizer com isso?

— Não precisa ficar com vergonha. Estava falando da festa de amanhã, sua boba — a vampira sorriu maliciosa, aproximando o rosto do ouvido da bruxa. — Mas se quiser fazer alguma coisa mais tarde, saiba que não irei recusar.

Luka riu alto ao ver a amiga levantar de seu colo às pressas. A mais nova quase morria de tanta vergonha. Por mais que as duas já tenham tendo vários casos amorosos no passado, hoje em dia não existia mais nada entre elas.

— Vamos falar sério agora — a mais velha falou séria. — A festa será amanhã a noite, mais precisamente, irá começar ao pôr do sol.

— Ao pôr do sol?! E o que mais vai ter lá?! Uma placa dizendo "vampiros são bem-vindos"?! — a bruxa falou afastando-se um pouco da mais velha no sofá.

— Do jeito que os anciões estão paranoicos com esse assunto, eu não duvido — a vampira suspirou. — Vai ser perigoso sair de casa amanhã. Um passo em falso e posso terminar queimando no sol.

— Isso não vai acontecer — Miku sorriu, pondo a mão no ombro da amiga. — No máximo irão acontecer algumas brigas, mas será só isso. Ninguém vai morrer e tudo vai dar certo… — Pelo menos é isso que eu espero.

Notas finais
Só eu que notei que o Oliver pega mais a Rin nos sonhos DELA do que na vida real? Casos e acasos, vamos deixar isso para outro dia. No próximo capítulo é a Party Hard, quanto vocês apostam que vai dar algo errado? Todo mundo no mesmo espaço ao mesmo tempo pra mim significa que vai dar bosta :/ Rin achando que tá ficando pirada por falar com a Gumi :3 Ponto alto do capítulo com certeza. Alguma previsão sobre o próximo capítulo? Alguém quer chutar o que vai acontecer? Ah, outra coisa, sei que Alice no País das Maravilhas foi escrito anos depois do tempo da história, mas foi o único que se encaixava com a analogia que eu fiz. Espero que tenham gostado :3 XoXo