Sadique

3 Cegos - Parte II


Notas iniciais
Opa, olha eu de novo. Obrigada a todas as pessoas que comentaram e boa leitura s2

“Continue obediente e vai ter tudo o que quiser”.

Tudo o que quisesse. Porém, antes que Adrien assimilasse o que aquelas palavras poderiam significar, sentiu algo quente a envolvê-lo. Depois da tentação com toques tão sutis, o contraste com aquele sugar violento era de tirar o fôlego, e deixou que as mãos se fincassem ao pano que cobria o colchão. Cada movimento da língua a contorná-lo repercutia numa indiscreta manifestação de prazer, assim como cada movimento dos dedos sobre a pele gerava um novo contorcer. Eram definitivamente arranhões, mas a ligeira dor e a ardência mesclavam-se aos lábios que vorazmente arrastavam-se por seu membro enrijecido, absorvendo cada gota de sua lubrificação.

Quando pulsou contra sua boca, Félix gemeu junto dele, e isto fez do jovem mais excitado com o estímulo oral tão habilidoso. Entre o chupar ora lento a deslizar por toda a ereção, ora rápido a subir e descer com aspereza, o herói sentiu-se mais e mais próximo do clímax. A respiração se fazia difícil, entrecortada por ofegos e gemidos, e as bochechas ardiam, ainda que o tom rosado estivesse oculto no escuro. Cerrou os punhos diante da expectativa, ansioso para alcançar enfim o mais alto grau de satisfação.

Contudo, antes que pudesse desfrutar do orgasmo, ele se interrompeu.

Um ofego interrupto expressou sua frustração de forma confusa, mas o prazer não demorou a retornar ― um prazer torturante, embora delicioso. Do topo à base, foi lambido num rastro úmido e tentador. No entanto, apenas aquilo não era capaz de satisfazê-lo, e a carícia suave a pressionar e girar por sobre a glande o deixava desejoso para que pudesse voltar a sentir o friccionar intenso e delirante.

Ainda que não soubesse como, foi capaz de endurecer mais entre os lábios que o comprimiram e chuparam com toda a voracidade pela qual estava esperando. Foi longo e inequívoco o gemido em resposta ao reinício dos movimentos contínuos a percorrer o seu comprimento. A sensação que antecipara o retorno daquele ciclo agonizante voltou, redobrada. Nunca iria imaginar quanto prazer era possível acumular nessa alternância de êxtase e privação. Todavia, novamente ele suspendeu todo o processo no auge de sua avidez ― e não iria aguentar muito mais daquilo.

Félix, eu n-

─ Shh ― censurou, pressionando o membro que reclamava por atenção apenas para excitá-lo. ― Só aproveite.

Adrien então deixou que a cabeça pendesse para trás, arqueando as costas diante do novo estímulo agora entre os dedos do rapaz. Proporcionado pelo contraste entre a masturbação vagarosa e provocante com estocadas mais frenéticas e ásperas, o arfar do jovem mantinha sua boca constantemente entreaberta. Era uma presa completamente rendida, que se contorcia ao sentir os dentes a mordiscar suas coxas. As marcas que ali permaneceriam denunciavam toda a ferocidade com que ele o incitava.

Então as mãos ocupadas a envolvê-lo voltaram a deslizar com firmeza pela extensão repetidas vezes ― o herói voltou a experimentar o já familiar efeito que antecedia o ápice. Se o que pretendia era arrancar dele todo e qualquer ruído erótico, Félix conseguira com louvor: o jovem gemia sem reservas com a pressão deliciosa de seu punho. E descontinuou a carícia, espalhando com o indicador e polegar toda a lubrificação pela ponta do pênis enquanto se aprazia com as reações hormonais de Adrien: era o submisso perfeito, a latejar e remexer-se, inquieto e arquejante.

E era agora, após tê-lo provocado tantas vezes, quando o herói (relutantemente) se acostumara à carência, quando não mais esperava que ele o fizesse gozar ‒ era o melhor momento para saciá-lo. Afinal, ele foi obediente e merecia ser estimulado com algo melhor que suas mãos. Desta vez, não se permitiu ser lento ou suave para incitar nele o descontrole e a frustração: o atrito de sua língua a enroscar-se no órgão duro foi imediato, assim como ardente o roçar dos lábios que lhe exploravam a ereção também tão quente.

Alternava os movimentos a pressioná-lo e acariciá-lo no interior de sua boca, mas a veemência com mantinha o vai e vem constante a chupá-lo e lambê-lo fez com que o jovem agarrasse os fios loiros, torcendo-os entre os dedos. Flexionou de novo o corpo com o prazer entorpecente, de um ímpeto inconsciente e brusco que denunciava toda a tensão que acumulara nas tentativas frustradas de orgasmo. E, depois de implorar, arfar, gemer e pulsar por alívio, Adrien enfim pôde alcançar o que tanto queria, derramando-se na garganta de Félix.

O herói agradeceu mentalmente os poucos minutos de descanso que o rapaz lhe dera ‒ não era simples recuperar-se de uma das mais intensas sensações que já experimentara na vida, e a respiração descompassada e batimentos acelerados exigiam tempo para se normalizarem. Aos poucos, compreendia o resultado da alternância entre deleite e agonia, e se não fosse tão constrangedor, lhe pediria por uma nova tortura daquela todas as vezes. No entanto, eram questionáveis as consequências: mesmo quando plenamente saciado, só sentia mais vontade.

Tanto que, quando Félix voltou a lhe dar atenção, beijando-o de uma maneira que poderia ser inacreditavelmente descrita como carinhosa, sua resposta foi voraz e passional. De início se impulsionou sobre os cotovelos para alcançá-lo e bagunçou suas madeixas ao puxá-las mais uma vez.

Apesar de sempre impecavelmente arrumado, nestes momentos o rapaz ignorava completamente a própria aparência. Afinal, estavam transando no escuro e pensar nisso era a última das preocupações. Pouco importava que Adrien enterrasse as unhas em suas costas, marcando a carne com arranhões, ou que puxasse seu lábio inferior com os dentes e o deixasse inchado. Na verdade, estava ávido por aquele jovem e não iria mais disfarçá-lo. Mas ainda era sutil a malícia contida na ligeira incredulidade quando perguntou:

─ Ainda não está satisfeito?

─ Mais ― ronronou ele, ansioso ao sugar a mandíbula. ― Me dê mais. ― Fez uma pausa antes de prosseguir, pois por maior que fosse sua ânsia, ainda se embaraçava ao pedir por aquilo tão claramente: ― Eu quero mais.

─ Quem iria imaginar que o herói de Paris fosse tão obsceno. ― Desta vez, havia malícia suficiente em seu tom capaz de fazer com que o jovem enrubescesse.

─ E o que vai fazer? Me punir?

Oh, não deveria ter dito aquilo. Nem um pouquinho. Adrien sabia muito bem que o melhor era ficar quieto e aguentar para receber sua recompensa. No entanto, a impulsividade a que se entregava como Chat Noir surgiu em resposta ao extremo constrangimento de forma involuntária e súbita. Além disso, estava tão, tão excitado.

─ Ponha as mãos para cima. ─ Ouviu a voz arrastada em seu ouvido, desta vez com toda a autoridade que julgava tão desejável. E a ousadia anterior sumiu, pois foi compelido a obedecê-lo. ― No alto da cabeça. ― Fez como ele comandou, e sentiu-se mais duro e quente entre as pernas somente porque estavam lhe ditando ordens. Enfim veio a pior parte: ─ Bom garoto.

O bom garoto mordeu o lábio para sufocar um gemido. Não devido a qualquer limitação sonora (naquele quarto, a comunicação era primordialmente vocal), mas porque sentia vergonha por latejar de maneira obscena com um simples elogio. Adorava ser elogiado, assim como a ideia de ser dominado lhe agradava tanto por ser tão tentadora. Gato selvagem nunca o descreveria ― era um gatinho completamente domesticável e, de qualquer forma, sempre seria subjugado.

Vislumbrou os contornos do corpo dele a se afastar, pois já acostumara os olhos à escuridão. Contudo, a quase nula iluminação tornava a visibilidade também quase nula, e muito pouco era distinguível. Mas era bom que não pudesse vê-lo. Sentia o rosto a queimar de tão quente. E Félix logo voltou com algo extenso, de textura suave entre as mãos: uma gravata. Como a encontrara naquele breu, não sabia dizer; embora desconfiasse que, sendo alguém tão organizado, ele deveria manter tudo de que precisava na cômoda, ao alcance das mãos. Preservativos, lubrificantes... e um substituto macio para algemas de metal.

O nó foi rápido e simples ― já não era a primeira vez que ele o amarrara, e o costume pelo visto o dotara de habilidade o suficiente para fazê-lo de olhos fechados. Ou, pelo menos, no escuro. No entanto, mesmo que rápido, o gesto ainda era capaz de incitar nele um inflamado e pervertido prazer com a repressão dos pulsos. Tanto que os remexeu, um contra o outro, apenas para apreciar o efeito da limitação. E Félix não pretendia se demorar mais ― logo sentiu um dedo lubrificado a se forçar para seu interior.

― Me dê um bom motivo ― sussurrou o rapaz, inserindo lentamente mais um dedo ― para ser bonzinho com você desta vez.

Estava impaciente por mais, embora soubesse que aquele era um adiamento necessário para acostumá-lo melhor e evitar que sentisse alguma dor. Mas a última coisa que queria é que ele fosse “bonzinho”.

Ah! Não, eu não quero-

Você não quer? ―prosseguiu, e Adrien gemeu com o contínuo empurrar e puxar do indicador, do médio e do anelar posteriormente acrescido, apesar de ansiar por algo diferente. ― Então pode ser do jeito que eu quiser?

― Sim, por favor, por f- ―repetiu-se o herói, antes que um ofego por uma carícia em especial o tenha interrompido. Atropelou-se nas palavras seguintes, que mal saíram inteligíveis.

Mas Félix compreendera o que ele realmente pretendera dizer: faça o que quiser comigo. Porque ele preferia que fosse mau. Intenso. Forte. Violento. Áspero. E, apenas desta vez, atenderia à vontade de seu submisso sem provocá-lo. Como um dominante bonzinho o faria.

Como sempre ocorria quando estava amarrado, a sensibilidade do corpo crescia em níveis vertiginosos. Assim, Adrien estremeceu quando as mãos apanharam suas coxas de maneira quase possessiva para afastá-las. O toque era rude como almejava, e foi invadido num movimento lento, embora profundo e veemente. Encurvou-se para trás, deliciado com o órgão rijo a preenchê-lo e ansioso para que mantivesse o vigor a empurrar-se contra ele com força.

Contudo, o tecido que lhe envolvia os pulsos o deixava plenamente consciente da limitação que era não poder tocá-lo. Porque o que mais queria no momento era mergulhar os dedos nos cabelos de Félix ou fincar as unhas em seu dorso, e a frustração por não poder fazê-lo só tornava maior o seu desejo.

Desejo que suscitava nele gemidos mais altos a cada arremetida, e incendiava cada pequena parte em que o rapaz tocava. Seja quando os dedos profanaram com uma voracidade lasciva suas pernas flexionadas, seja quando ele enfim se aproximou para desfrutar de toda pele que podia alcançar com mordidas e chupões famintos.

Sem qualquer auxílio visual, foi com a boca que encontrou o caminho até os lábios de Adrien ― avançando desde seu peito até percorrer seu pescoço e enfim reconhecer a respiração quente e ofegante a mesclar-se com a sua. Assim como o restante do corpo, a temperatura dos lábios do herói era abrasadora, e o beijo insaciável fez com que desacelerasse o ritmo das estocadas. Assim, a cada investida aplicava mais intensidade a arrastar-se para dentro dele.

Incapaz de agarrá-lo ou arranhá-lo, o jovem saboreava-o como podia, ao beijá-lo com toda a ânsia enquanto ele o enlouquecia com o cadenciar selvagem e contínuo com que golpeava a pélvis de encontro à sua. Porém, o prazer também o tornava mais e mais ciente da própria ereção a pulsar, necessitada. Contorceu-se mais uma vez contra a gravata. Queria desesperadamente que o rapaz o masturbasse, pois era demais para suportar.

E, de maneira tão inesperada a ponto de provocar-lhe um arrepio violento, ele o fez. Afastaram-se, interrompendo o roçar contra a língua um do outro quando Félix envolveu-o com uma das mãos. Friccionava-o em movimentos certeiros, acompanhados do contínuo e torturante enfiar e retirar. Torturante ― e ao mesmo tempo tão gostoso.

― Hmm, Félix ―gemeu o herói, e sua satisfação era nítida. ― Isso é tão bom.

― Pare de me provocar, garoto. ― Seu timbre era sério, quase ríspido, a adverti-lo.

Já não bastava o seu arfar tentador, ou enlace convidativo das pernas, Adrien também despertava seus instintos com aquele murmúrio arrastado e excitante. Maldito gato desejável, que se arqueou por inteiro quando o incitou até o orgasmo, sujando o tronco de ambos com sêmen (como se algum deles sequer se importasse). Que fazia com que o devorasse inteiro, com muito mais vontade. Que, mesmo sem fôlego ou forças após o orgasmo, era capaz de implorar por mais.

E, conforme Félix descobrira aos poucos a cada noite, iria lhe dar tudo o que ele lhe pedisse. Porque atender aos desejos do herói era irresistível.

Notas finais
ADRIEN É O MELHOR GURI QUE JÁ PEGUEI PRA ESCREVER SALIÊNCIA SOBRE. Só queria dizer isso mesmo -q Nos vemos nos comentários o/