Acordo em meio ao abismo; mas não vejo nada. Sei que estou ao abismo pois sinto o frio na barriga. Não abro os olhos. É covardia, eu sei. Há 50% de chance de eu cair e 50% de chance de eu permanecer onde estou. Você deve estar pensando: "Mas como abrir os olhos poderia me fazer cair?" Uma coisa não é tão ruim assim quando não percebemos ela, com a mesma lógica ela se tornará mais ruim, ou até destruidora quando percebemos e realmente nos importamos. Mas a ocorrência dos fatos ainda não depende dos meus olhos, eu sei. Abro os olhos, e minha teoria de estar no abismo se concretiza. Olho para baixo e tudo o que eu vejo é milhares de coisas pravas, mas não olho para cima. Minhas pernas pesam cada vez mais e eu sinto desejo de cair. Começo a sentir o calor vindo delas, os músculos se contorcendo... eu não sou forte. Vou cair. Uma lágrima escorre do meu rosto e sinto o vento sobre meus cabelos. Estou caindo. Num movimento altamente brusco sinto algo me agarrando. É Kalane. Sinto meu sangue escorrer por todo lugar, mas não há paredes. Não há nada, apenas um branco infinito. Sinto Kalane me balançar, tentando me acordar, mas não estou dormindo. A expressão dele muda quando meu sangue para de escorrer. Ele sorri. Me sinto segura quando Kalane sorri, mas dessa vez me fez sentir medo. Eu estava sentindo medo desde o início, mas desta vez havia chegado ao ápice. Kalane começa a sorrir de um jeito psicopata, me deixando cada vez mais com pânico. Ponho minhas mãos sobre suas bochechas. Porque me machucaria? Ainda é o meu Kalane. Ele para, pega minha mão e olha para frente. A luz branca queima minhas retinas, mas Kalane parece ver bem o que há lá. Ele me olha com medo, e quando vejo todo o branco se esvaindo, Kalane me abraça com impulso, e tudo o que sinto é o calor de seu corpo sobre o meu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.