Notas iniciais
Não acredito que levou umas 83794 fics para eu finalmente escrever uma angst morikou, logo meu gênero preferido. A Kouyou não é mencionada na novel, portanto, além da morte do Mori, nada é canon.

Kouyou afirmou que não voltaria à amar, porque amor era um sentimento destrutivo, quanto mais amava, maior era a dependência, mais forte era a dor, e ela não estava disposta à perder outra pessoa, pois Ozaki era forte para aguentar a dor física e emocional, mas ela jamais queria ver o mundo sem a presença da pessoa que amava, era solitário e Kouyou odiava a solidão se não fosse sua escolha própria.

Ela afirmou, fez promessas e rezas, e as divindades não se dispuseram à ouvir e realizá-los. Em troca, eles lhe deram confiança, fé e uma pitada de amor como se fosse a cereja do bolo.

Mori era não mais que seu cliente à princípio, mas Kouyou sabia quem ele era, o antigo médico clandestino, atual chefe da Máfia do Porto.

Se, como os rumores indicavam, o homem era diferente do seu predecessor, e estava disposto a mudar a forma como a Máfia agia, então ela não sabia em que poderia lhe trazer benefício. Kouyou era apenas uma bela máquina, nada mais sabia além de seduzir e matar, porque ela conhecia homens tanto quanto seus corpos, e ela tinha a certeza de que um homem como Mori não se tornaria seu cliente por puro prazer carnal, não importando o quão hábil ela fosse.

Mas se deixou enganar, homens sempre iam ao ponto quando tinham o jogo nas mãos, entretanto Ougai sabia que Kouyou não era tola, e aquele, segundo ele, era a razão.

“Sua submissão é falsa, como uma sereia que se mostra despida para o homem antes de matá-lo, mas eles não percebem o encanto. Você é sagaz e possuí tenacidade, Ozaki-kun, porém precisa cumprir ordens, afinal é este o lema da Máfia, ninguém deve jamais questionar ou rebelar-se. Sua cumplicidade seria extremamente vantajosa de diversas maneiras, garanto que posso acatar com alguns pedidos pessoais, como exemplo, se desejar, pode encerrar suas atividades no bordel. Oh! Claro que ainda peço por sua lealdade, haverão consequências caso haja traição, no entanto gostaria que não mais encarasse sua estadia na organização como uma penitência. Peço que pense na proposta pelo tempo que for preciso, entretanto se puder fazê-lo até o fim do mês, traria-me grande apreço."

Kouyou achou a proposta irreal, ciente do tom de ameaça, mas também da seriedade, e apenas precisou do tempo que seu chá esfriasse para responder nada mais que uma afirmativa.

Porque, afinal, ela gostava de sinceridade, mas a questão era que o fruto da confiança já havia sido plantada com contestáveis curtos diálogos que acabavam com nudez, que por mais fúteis, eram a maior honestidade que se poderia ter em um bordel. Mas ela sabia, aquela havia sido sua estratégia, Kouyou não duvidaria das suas palavras após eles terem tido tanto contato antes, porque ele se mostrou verdadeiro para ela antes, e ela saberia que ele estaria sendo quando revelasse suas intenções.

Arrepender-se da sua decisão Kouyou jamais fez, mas considerou-se tola por depositar sua confiança em um homem de quem não sabia muito, não mais do que ele a deixava saber. Sua confiança e colaboração deram bons frutos, tiraram ervas podres e infetadas do solo onde se podia plantar de novo, e fazer bom uso dos que sobreviveram.

Fazendo assim, seu receio parar de apertar seu coração por desespero, mesmo que ainda segurasse o órgão com mãos firmes de insegurança que sussurrava que se ela abaixasse a guarda seria fatal.

Mas o coração era o que fazia tudo funcionar, e os controles da sua confiança cega pertenciam à ela, sua gratidão era extensa e preenchia-a, e Kouyou era, infelizmente, uma mulher amorosa.

Gradualmente, uma mudança era nítida em seu rosto, por mais superficial ao exterior, e na própria organização. Havia pouca escória remanescente na Máfia após três anos e a organização estava cada vez mais limpa, quase não era possível ver as marcas de sangue podre do passado que se escondiam por trás dos papéis de parede. Ela não possuía restrições à aproximação de Mori que tornou o espaço entre eles nulo, fazendo-a chegar na beira do precipício onde apenas havia a aceitação e reciprocidade. E Kouyou caiu dele à aparente contragosto, porém sincera alegria interna.

Entretanto, amor e alegria eram apenas sentimentos, incapazes de realizar qualquer coisa material, e eles ainda faziam parte da trágica realidade da Máfia do Porto, onde suas vidas eram uma roleta russa em que Mori acabou tomando a bala do azar, disparada insolentemente por Dazai.

O mesmo momento estava se repetindo como um ciclo inabalável, Kouyou tinha momentos de esperança e luz pouco antes de tê-los arrancados de si. Dessa vez, ela não se culpou, pouco menos à Dazai, Kouyou não pensou, não sentiu qualquer coisa além de uma dor excruciante, e ela tinha a mais pura certeza que se fosse passar pela experiência mais um vez, não via sua recuperação.

Se fosse Chuuya da próxima vez… Ela não queria ver. Era covarde, mas Kouyou realmente estava cansada e não desejava apostar como seria a possibilidade da continuação.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!