O palácio Gorma desabava, cada vez mais deteriorado pelos ataques de Daijinryuu. Daigo, Lin e Gara assistiam àquele espetáculo medonho.

“O pessoal ainda está lá!” Daigo exclamou. Levou Lin consigo para resgatar seus amigos.

“Shadam!” Gara dirigiu-se para lá igualmente.

O coronel, visivelmente afetado pelos efeitos colaterais da joia Daichi Douten, perambulou pelos cômodos do palácio, imaginando protegê-lo dos inimigos. Ryou seguiu-o, tendo em mente um último duelo, para vingar a morte do mestre Kaku. Shouji, Kazu e Kou gritaram para que ele retornasse, mas foi em vão. Reunidos com o Ranger verde e a Ranger rosa, buscaram uma forma de escapar daquele lugar.

Gara chegou ao espaço onde se encontrava Shadam. Ela se assustou ao vê-lo alterado, mas tentou levá-lo para fora daquele cômodo. No entanto, ele resistia.

“O que está acontecendo contigo?”

“Os Gorma são meus!” ele gritava repetidamente. Empurrou-a e agarrou-se a um dos pilares do ambiente.

Então, Ryou apareceu no mesmo recinto. “Shadam! A luta ainda não acabou!”

“Ryuu Ranger!” O vilão pegou seu punhal e partiu para cima dele. O Ranger vermelho segurou o braço do adversário, esquivando-se dos golpes, até que lhe deu um soco no rosto, tomou o objeto para si, chutou-lhe o estômago e jogou-o contra os blocos flutuantes, característicos do palácio. O coronel bateu a cabeça em um dos blocos e ficou desacordado. Gara correu para socorrê-lo. Ele continuava inconsciente. Ela viu Ryou tentar sair do local, lançou-lhe raios que o imobilizaram no ar e jogou-o contra a parede. Correu em sua direção, a fim de conseguir de volta o punhal. Os dois permaneceram disputando a posse daquela arma, quando Ryou obteve vantagem e cortou-a no braço. Libertou-se dela e escapou de lá. Gara gritou de dor e segurou firme o braço na região do corte. Arrastou-se para perto de Shadam e tentou reanimá-lo.

O impacto da batida pareceu devolver a sanidade ao líder do Trio Gorma. Ele acordou e viu sua parceira de luta ao seu lado.

“O que está acontecendo?...” Ele perguntou enquanto buscava visualizar o local onde estava, até que lhe chamou atenção a mancha de sangue no braço de Gara. “Quem te...?”

“Ryuu Ranger está com o seu punhal.”

O chão tremeu de forma violenta. Pilares caíam e rolavam pelo cômodo. Ela ajudou-o a levantar-se e eles percorreram o palácio em busca de uma saída, desviando-se dos destroços. Correram até pararem em uma praia próxima. Sentaram-se na areia.

“Deixe-me ver seu braço.” Shadam rasgou uma parte da própria capa e umedeceu-a na água do mar para limpar o ferimento do braço dela. Amarrou outra tira da capa na região para estancar o sangramento. Ajustava o curativo quando Gara lhe roubou um beijo, que durou demorados segundos. Os dois ficaram sem graça, em silêncio por uns instantes.

“Shadam, tem uma coisa que eu quero te dizer.” Tomou coragem, aproveitando o momento.

Ele virou o rosto em sua direção. Ela levou as mãos ao rosto, nervosa, e respirou fundo. “Shadam, eu te amo.”

Ele respirou fundo, sem saber como reagir. Depois de um tempo, tornou a falar.

“Eu respeito seus sentimentos.” Pausou, o que a deixou apreensiva. Levantou-se e caminhou uns passos à frente. “Mas depois que reconstruirmos o palácio Gorma, não teremos tempo para...”

“Gorma não existe mais.”

Sua resposta deixou-o surpreso.

“O que você quis dizer com isso?” Ele perguntou, num tom sério.

“Não sobrou mais ninguém de lá, só nós dois. A gente depende um do outro agora.” Ela se levantou e caminhou para perto dele. Abraçou-o por trás, e assim permaneceram. Então, ela o virou para si e segurou-o pelos braços. “Shadam, me fale a verdade. Você sente alguma coisa por mim?”