Sacrifício
34 Forever Red
Notas iniciais
A contabilidade do ginásio estava muito atrasada, por isso, Trini trouxe toda a papelada para a casa no fim de semana. Enquanto ela trabalhava na mesa da cozinha, Charlie e Jason brincavam no tapete da sala. De vez em quando, ela erguia a cabeça dos números e olhava o marido tentando chamar a atenção do filho com o dinossauro vermelho. Só que Charlie era um amante das bolas e não ligava para nenhum brinquedo que não rodasse. O passatempo favorito do menino era jogar a bola longe para o pai pegar, ele dava gritinhos animados sempre que trazia de volta. Ela suspirou imaginando que logo, o filho já estaria andando e brincando com o pai no jardim.
Um dos gritinhos de Charlie foi interrompido por um bipe muito conhecido por seus pais. Os antigos rangers trocaram olhares preocupados. Trini pegou o filho e Jason correu até o quarto e voltou com a caixa onde guardavam os objetos do poder. Ele rapidamente a abriu e colocou o comunicador no pulso.
— Jason falando.
— Jason aqui é o Andros. Precisamos da sua ajuda!
Trini se aproximou preocupada, apertando forte o filho nos braços.
— O quê aconteceu?
— O Império das Máquinas está procurando a Serpenteira nos destroços da lua. Precisamos detê-los agora.
— Operação FR?
— Isso mesmo… — ele respondeu. — Aguardo você no local combinado.
— Jason! — Exclamou Trini aflita. — O quê é a Operação FR?
— É a Operação Forever Red. Tommy, Andros, TJ e eu decidimos que se houvesse uma emergência, nós os antigos rangers vermelhos, iríamos ser a linha de frente do combate.
— Meu Deus!
— Vai ficar tudo bem, não vou deixar que ninguém machuque vocês. — Jason disse abraçando a esposa. Trini estava branca em seus braços, ela nunca temeu os inimigos, mas agora com Charlie em seus braços estava aterrorizada.
Jason trouxe um copo de água para a esposa e pegou Charlie, ele precisava ajudar os amigos, mas não podia deixar sua família. O telefone tocou e Jason atendeu rapidamente.
— Jason, — a voz de Kimberly soou confiante do outro lado da linha. — Ainda está em casa?
— Estou sim, eu não posso deixá-los aqui. — Jason respondeu. — E o Tommy?
— Tommy acabou de sair. Eu estou saindo de casa com a Melissa e vou ficar com a Trini até vocês voltarem, tudo bem?
— Ok, eu espero você chegar.
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Kimberly desligou o telefone e viu Melissa sentada no sofá, forçou um sorriso e perguntou:
— Pronta princesa? — Melissa balançou a cabeça confirmando. — Pegou seu pijama, sua escova de dentes? Talvez tenhamos que dormir na casa da tia Trini.
— Está aqui — a menina confirmou apontando para a mochila.
— Ótimo, e a sua Garça você pegou?
— O passarinho? — Melissa lembrou. — Esqueci!
— Corra pegá-la querida. Você não pode sair sem ela.
Melissa correu até o quarto e voltou minutos depois com a Garça de pelúcia nos braços. Kimberly se abaixou e em frente a filha e falou séria:
— Nunca se esqueça da Garça filha, ela é o seu animal protetor, nunca a deixe para trás.
— Para onde o papai foi? — Melissa perguntou abraçando a sua pelúcia.
— Ele tem um trabalho fora da cidade, o tio Jason vai ajudá-lo. Por isso, nós vamos ficar na casa da Tia Trini hoje. — Fazendo um carinho no rosto da filha, Kimberly sorriu e continuou. — Agora, vamos rápido Charlie está nos esperando.
Kimberly usou o antigo carro de Tommy e com o motor turbo chegou em poucos minutos na casa dos amigos. Desceu do carro e entrou na casa com a filha.
Jason estava sentado no sofá abraçando a mulher e o filho, quando viu Kimberly e Melissa respirou aliviado.
— Chegamos! — a ranger rosa exclamou animada e pegou Charlie dos braços da amiga.
Trini forçou um sorriso para Melissa, mas logo a sua atenção foi desviada para Jason que colocou o morfador na cintura e lhe deu um beijo antes de sair.
— Pode ir tranquilo, nós vamos ficar bem — Trini confortou o marido com seu primeiro sorriso tranquilo do dia.
Jason beijou Charlie e fez um carinho em Melissa.
— Eu volto logo!
— Que o poder o proteja. — Kimberly disse quando o viu sair da casa.
Trini mordeu os lábios e deixou escapar um soluço, seus olhos encheram-se de lágrimas. Kimberly murmurando:
— Vai ficar tudo bem, eles vão voltar logo.
Kim sorriu esperançosa para a ranger amarela, entregou Charlie para a mãe e vendo a expressão preocupada a filha continuou animada.
— Agora, que somos só meninas, vamos começar uma festa de pijamas?
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Tommy estacionou seu carro em frente a NASADA, logo, os outros rangers vermelhos da Terra chegariam e juntos iriam para a Lua lutar contra o Império das Máquinas. Quando criou a Operação Forever Red, ele temia que Rita ou Zedd voltariam, mas o retorno das máquinas fazia mais sentido. A energia que Zordon liberou era pura bondade e ela conseguiu purificar os inimigos, mas as máquinas não tinham sentimentos e não podiam ser purificadas.
Pensativo, ele observou o morfador de Zeo Ranger Vermelho. Relembrou seu primeiro ano como ranger vermelho, o término com Kimberly, a descoberta do seu irmão, foi um ano bem turbulento. Não que seu tempo como ranger verde ou branco tenham sido tranquilos, mas ele tinha o Dragonzord e o Tigor para o ajudar nas batalhas. No fundo, ele preferia voltar a usar o manto do ranger branco, mas não podia ignorar que a união dos rangers vermelhos era a mais poderosa para proteger a Terra e as suas famílias.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho dos outros rangers chegando no hangar, saiu do carro e se apresentou para a missão com os companheiros. Enquanto, explicava sobre o Império das Máquinas para os novos rangers vermelhos, Jason chegou e juntos partiram na Astro Megaship para a Lua.
Andros e TJ se encarregaram de pilotar a nave, ao lado deles, os novos rangers vermelhos conversavam animadamente sobre os inimigos. Vendo a expressão preocupada de Jason se aproximou e perguntou:
— Tudo bem irmão?
— Trini ficou muito preocupada… — Jason respondeu imediatamente. — Eu que sempre esperava ansioso pela próxima luta, agora, eu só consigo pensar no Charlie.
— Eles vão ficar bem — Tommy sorriu esperançoso para o amigo. — Kimberly vai cuidar deles, ela se preparou por anos para qualquer ataque, não vai deixar que nenhum inimigo chegue perto de Melissa.
— É verdade, ela irradiava poder hoje.
— Estamos quase chegando, amigos! — Andros chamou e os dois rangers que voltaram a se concentrar na batalha que estava por vir.
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Melissa acabou cochilando com Charlie no sofá, no meio do filme. As duas crianças estavam abraçadas a pelúcia da garça, protegendo-os. Quando Kimberly percebeu que os dois estavam bem adormecidos puxou a amiga para a ilha da cozinha e murmurou:
— Como você está?
— Apavorada… — Trini disse em um soluço. — Eu nunca senti tanto medo na minha vida.
— Calma — Kimberly abraçou a amiga. — Vai ficar tudo bem, nós temos poderes suficientes para protegê-los. Mas venha que eu vou lhe fazer um chá, vai ajudá-la a se acalmar.
Depois de receber uma xícara de chá da amiga ela falou:
— Eles vão ficar bem né?
— Claro, todos os rangers vermelhos vão lutar nessa noite. Não tem como dar errado.
— Eu sou uma boba — Trini riu de nervoso. — Eles são os rangers mais poderosos.
— Imagina, nós somos mães e somos bem mais poderosas que eles.
A campainha tocou e as duas rangers pularam assustadas. Trini correu para perto das crianças e Kimberly foi abrir a porta.
— Kat, Aisha! — Kimberly exclamou surpresa ao ver as duas amigas na porta.
— Surpresa! — Aisha exclamou abraçando a ranger rosa. — Nós viemos ajudá-las!
— Que bom que vieram! — Trini relaxou ao ver as outras rangers na porta, as quatro amigas se abraçaram.
— Como vieram? — Kimberly perguntou confusa.
— Nós nos teleportamos para cá — Aisha respondeu. — Vamos ficar até eles voltarem.
— Tommy pediu que eu viesse — Kat admitiu com um meio sorriso para a amiga. — Chamei Aisha também para ajudar a proteger as crianças.
Kimberly balançou a cabeça concordando. Kat era a melhor amiga de Tommy e ele dividia com Kat muitos dos seus pensamentos e com certeza pediria sua ajuda para cuidar de sua família.
— Eu estava ansiosa para conhecer a Melissa — Kat chegou perto do sofá onde as crianças dormiam. — Eles estão tão lindos dormindo.
— São dois anjinhos! — Aisha murmurou sorridente.
— Podemos buscar os colchões nos quartos e ficar todos aqui na sala nesta noite. — Trini sugeriu.
— Isso — Aisha concordou animada. — Vamos eu te ajudo.
As duas rangers amarelas subiram para pegar os colchões, deixando Katherine e Kimberly sozinha olhando para as crianças. Os olhos azuis de Kat estavam fixados em Melissa, tinha um sorriso sereno em sua face enquanto memorizava a figura da menina. Uma onda de ternura chegava ao seu coração ao ver a filha de Tommy. Quanto mais ela a olhava, mais se sentia enlevada e quando seus olhos pousaram na garça de pelúcia ela conseguiu ouvir ao longe seu canto. Olhou para Kimberly e em um murmúrio perguntou:
— A Garça?
— Ela protege Melissa desde que ela estava em minha barriga — Kimberly admitiu para a amiga.
— Ela está cantando… — Kat abriu um sorriso radiante. — Eu nunca ouvi seu canto, ele é lindo.
— Ela começou a cantar quando eu estava grávida de Melissa — Kimberly comentou. — Antes, eu só ouvia o seu silvo na batalha.
— O quê estão fazendo? — Aisha e Trini chegaram com os colchões.
— Estamos ouvindo o canto da garça… — Kat respondeu em um sussuro. — Vocês conseguem ouvir?
As duas rangers amarelas ficaram quietas, concentradas observando as crianças.
— Não… — Trini balançou a cabeça. — Eu só consigo sentir a presença do Tigre dente de Sabre Charlie e você Aisha?
— Eu também não consigo ouvir o canto da Garça — Aisha parou pensativa. — Mas eu consigo sentir a presença de todos os animais protetores, nos últimos anos eu tenho cuidado dos animais por isso é fácil sentir a sua presença. Aqui estão o Pterodáctilo, a Garça, o Tigre dente de Sabre, o Urso parece que o Dragonzord também está aqui.
— O Dragonzord? — Trini perguntou confusa. — E o Tiranossauro?
Aisha balançou a cabeça negando.
— Ele deve estar com Jason — Kimberly lembrou e Trini balançou a cabeça concordando.
A conversa das amigas acabou por acordar Charlie que abriu os olhos e choramingou, Trini imediatamente o pegou no colo embalando-o. Mel sentiu a falta do bebê ao seu lado e abriu os olhos confusos. Kimberly se sentou ao seu lado e afagou seu cabelo.
— Pode dormir mais um pouco querida! — Melissa relaxou com o carinho da mãe e fechou os olhos. Kimberly a cobriu com o lençol e foi até a cozinha com as outras rangers.
— Ela está cansada — Kimberly comentou. — O dia foi bem agitado.
— Eu trouxe o vestido para ela experimentar — Kat falou. — Queria que ela entrasse com as flores no casamento.
— Claro — Kimberly comentou. — Tommy já tirou o passaporte dela, logo, nós vamos conseguir a permissão do juiz para ela viajar.
— Sério? Por quê tudo isso?
— Nós só temos a guarda provisória… — Kimberly admitiu triste. — Quando eu a coloquei para adoção, eu desisti dos meus direitos como mãe. Agora é um longo processo para conseguir a guarda definitiva novamente.
— Aí amiga! — Aisha disse abraçando-a. — Eu não sei como você conseguiu ter força para ficar longe dela todos esses anos.
— Era o melhor para ela… — Kimberly murmurou. — Eu não conseguia dormir, imaginando que Rita poderia sequestrá-la no hospital. Imagina, o que ela e Zedd fariam se soubessem que ela existia.
— Ela poderia ter sido sequestrada como Karone — Kat comentou mordendo um dos dedos preocupada.
— Eu só entendi quando o Charlie nasceu — Trini olhou para o filho que mordia um brinquedo em seus braços. — Essa batalha então é um pesadelo, que bom que estão aqui comigo amigas.
— O prazer é nosso! Imagina só, largar o trabalho e ter uma noite só de meninas agora — Aisha riu olhando para Kim. — Que saudade!
— Vamos pedir pizza ou comida japonesa? — Katherine perguntou.
— Pizza! — Kimberly e Aisha responderam ao mesmo tempo e as rangers se olharam e riram juntas.
— Eu peço! — Kimberly se ofereceu pegando o telefone na sala.
— Tenho sorvete no freezer, chocolate e cookies.
— Perfeito! — Aisha falou. — Kat, você precisa nos contar tudo sobre o casamento.
— E sobre o noivo! — Kimberly provocou sorrindo. — Como vocês se conheceram?
Katherine ficou vermelha de vergonha e as três garotas riram alto e Charlie bateu palminhas animado e as garotas começaram a tagarelar como nunca fizeram quando adolescentes.
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Melissa acordou confusa com o som das risadas, abriu os olhos e se sentou no sofá. Então, ela se lembrou que tinha vindo com a mãe até a casa da tia Trini e dormiu com Charlie no sofá. Olhou para a janela e viu que já anoitecia e toda a confusão de horas atrás voltou. O dia tinha começado normal, com café da manhã e brincadeiras em seu quarto, mas logo depois seu pai foi se despedir dela e sua mãe avisou que iriam passar a noite na casa dos Scott. Mel adorava ficar com Charlie, mas os adultos estavam todos muito estranhos, a tia Trini estava com cara de choro. Alguma coisa estava errada, seu pai não trabalhava no fim de semana.
Agora, ao acordar sozinha pensou que a conversa dos adultos pudesse trazer alguma pista, por isso, permaneceu quieta no sofá, mas Charlie deu um gritinho da cadeira ao vê-la chamando a atenção dos adultos. Em um instante a mãe estava do seu lado sorridente:
— Dormiu bem querida? — Melissa balançou a cabeça concordando. — Vem para a cozinha, a pizza acabou de chegar. Você está com fome não é?
Mel levantou e acompanhou a mãe até lá.
— Tia Aisha! — exclamou animada ao ver a Aisha, ela adorava o seu peixinho dourado e todas as histórias que a antiga ranger amarela contava dos bichos da África.
— Mel! — Aisha desceu da cadeira e deu um abraço forte em Melissa que foi prontamente retribuído. — Como você está linda! Acho que cresceu como está o Golden?
— Cresci um pouquinho dó — Melissa lançou um sorriso genuíno para a ranger amarela. — Golden está bem, eu dei comida para ele antes de vir aqui hoje.
— Isso mesmo, nós precisamos cuidar muito bem dos animais.
Melissa sorriu satisfeita concordando:
— Não sabia que você estava na cidade, você precisa conhecer o cachorro da minha avó. Ele é tão lindo!
— Outro dia querida — Kimberly interveio. — Melissa tem uma pessoa que veio especialmente te conhecer hoje.
A menina ergueu os olhos e viu a loira alta ao lado de sua mãe.
— Essa é Katherine — Kimberly explicou. — Ela estudou comigo e com seu pai no colegial, nós iremos no casamento dela em Londres em dois meses.
Kat se abaixou e agachou para ver bem a menina. Aquela era a filha de Tommy, seus olhos ficaram marejados de lágrimas, Melissa tinha os olhos do pai. Quando era adolescente, ela se apaixonou pelo ranger branco à primeira vista, eles se tornaram amigos, namorados e depois amantes. Quando Katherine foi para Londres, eles terminaram o namoro e seguiram caminhos distintos, mas ele sempre seria seu melhor amigo e teria um pedaço do seu coração.
Mesmo agora, prestes a se casar, ela não conseguia deixar de olhar para Melissa e imaginar que ela poderia ser sua filha. Seu coração se enchia de ternura frente a pequena garça, jurou ali em silêncio que a protegeria com a sua vida se necessário. Afastou os pensamentos sérios e sorriu meigamente cumprimentando Melissa.
— Melissa, eu estava ansiosa para te conhecer — ela murmurou o nome com a voz cheia de amor. — Você tem os mesmos olhos do seu pai.
— Todo mundo diz que eu me pareço com a minha mãe — Melissa respondeu surpresa.
Kimberly levou as mãos ao peito e engoliu um soluço, era a primeira vez que Melissa a chamava de mãe. Limpando as lágrimas que escorreram dos seus olhos para que ela não percebesse. Vendo a comoção da amiga, Aisha a abraçou.
— Você é igualzinha a sua mãe mesmo — Katherine riu com a observação da menina. — Mas seus olhos são idênticos aos do seu pai e ele tem o olhar mais sincero do mundo.
Melissa balançou a cabeça e sorriu concordando, o seu pai tinha mesmo lindos olhos e nunca contava mentiras.
— Você veio de Londres só para me ver?
— Vim sim, não consegui vir antes como a sua tia Aisha e estava ansiosa para te conhecer — Kat sorriu. — Eu quero te convidar para ser a dama de honra do meu casamento, eu até trouxe o vestido para te mostrar? Quer ver?
— Quero sim… — Melissa respondeu animada. — Mas eu estou com fome agora, posso comer primeiro?
As garotas sorriam e Kimberly secando as lágrimas falou:
— Então vamos comer querida, depois você experimenta o seu vestido.
Kimberly sentou Melissa na mesa ao lado do Charlie e colocou um pedaço de pizza de mussarela em seu prato.
— Suco ou leite?
— Suco – Melissa respondeu.
Enquanto a menina, comia, as outras garotas se sentaram e continuaram conversando.
— E os nossos vestidos? — Aisha perguntou.
— Ainda não estão prontos — Kat respondeu. — Mas vão ficar antes de chegarem a Londres, a costureira é a mesma dos outros casamentos.
— Será que vai servir? — Trini pensou. — Eu emagreci um pouco.
— E eu engordei… — Kimberly reclamou. — Não sei o que aconteceu nas últimas semanas.
— A comida da vovó — Melissa respondeu sem pensar.
As meninas riram com a espontaneidade da menina, Katherine não se cansava de olhar para a pequena.
— A Sra. Oliver cozinha bem mesmo — Kat comentou.
— Agora, nós precisamos ir jantar lá duas vezes por semana lá, sem contar os doces que manda para Melissa… — Kimberly resmungou. — Eu vou ficar do tamanho do Ernie.
— Ela faz biscoitos muito gostosos… — Melissa respondeu.
— De chocolate branco e limão — Kat lembrou. — Nossa, deu água na boca só de lembrar.
— Vou falar para ela fazer para o casamento — Kimberly riu ao ver a expressão sonhadora da loira.
— Kat — Aisha perguntou. — Sabe se as meninas do espaço vão?
— Do espaço? — perguntou Melissa. — Elas trabalham na NASADA também?
Kimberly lançou um olhar irritado para Aisha que corrigiu:
— Não, mas elas tem uma banda chamada Espaço — Trini engoliu o riso ao ver a desculpa da ranger amarela, Kim revirou os olhos e Katherine mordeu os lábios. — Karone, Ashley e Cassie.
— Vão sim e a Maya também, elas vão vir juntas.
— Eu pensei que a Ashley ia se casar antes de você — Aisha disse pegando um biscoito.
— A avó dela ficou doente — Kat respondeu. — Daí, ela acabou mudando a data do casamento.
— E como ela está? — Aisha perguntou.
— Está bem melhor — vendo que Melissa tinha terminado de comer ela perguntou. — Vamos experimentar o vestido agora?
Melissa concordou, então as duas antigas rangers rosas foram para o quarto e a pequena garça voltou pouco depois com um vestido branco com uma saia que lembrava o tutu de uma bailarina.
— Uau! — Aisha exclamou quando viu a menina vestida.
— Está linda! — Trini concordou abrindo o maior sorriso do dia.
— Está um pouco grande… — Kat comentou. — A saia tinha que ficar um pouco mais esticada.
— Por quê uma roupa de bailarina? — Melissa perguntou.
— Eu sou uma bailarina profissional — Kat respondeu. — Então, escolhi esse modelo, mas se você não gostou pode trocar.
A menina parou um pouco para pensar, passou as mãos pela saia e respondeu:
— Eu gostei sim, mas eu não sei dançar.
— Você não precisa dançar querida — Kat respondeu. — Só levar as flores.
— Mas ficaria mais bonito, se eu soubesse dançar…
— Você pode fazer algumas aulas antes do casamento — Aisha sugeriu. — Vocês tem uma professora no ginásio, não é?
— Eu posso? — Melissa perguntou olhando para Kimberly um pouco tímida.
Kimberly sentiu o coração se aquecer de alegria ao ver a filha animada em fazer balé. Desde que Mel chegou na Alameda dos Anjos queria que ela praticasse alguma atividade no ginásio, mas ela não se interessava por nada e recusava até ver as aulas. Agora, ela queria fazer balé, escondendo o sorriso respondeu:
— Pode sim querida, segunda-feira se quiser.
Melissa concordou, Kat trocou um sorriso cúmplice com Kimberly e levou Melissa de volta ao quarto, onde a menina trocou de roupa. Então, Kimberly e Trini cuidaram de dar banho nas crianças e as colocaram novamente no sofá para dormir. Melissa brincou com Charlie até que ambos caíram no sono.
Aisha e Kat acabaram pegando no sono, logo depois das crianças, mas Kimberly e Trini permaneceram acordadas em vigília. Kimberly não resistiu e acabou pegando no sono no amanhecer, mas Trini permaneceu acordada vigiando o filho.
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Dois flashes vermelhos cruzaram o céu da Alameda dos Anjos trazendo Tommy e Jason de volta para casa. Jason foi o primeiro a chegar em casa, o dia estava amanhecendo e Trini ouviu o barulho de sua moto e correu até o quintal. Com lágrimas nos olhos, a antiga ranger amarela mordeu os lábios enquanto o marido se aproximava.
— Você está bem!
Jason a envolveu nos braços e abraçou bem forte, Trini apoiou a cabeça nos ombros do marido chorando. Com os olhos também marejados ele beijou seus cabelos.
— Está tudo bem, os inimigos foram destruídos — Jason sorriu. — Mas você estava certa, meu tempo como Power Ranger já passou. Meu lugar é aqui com você e como Charlie.
Sem palavras, Trini abraçou o marido e a ela riu pela primeira vez desde que ele saiu:
— Você sempre será o meu Tiranossauro.
Os dois se beijaram rindo, felizes de estarem novamente em paz e juntos.
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