Sacrifices must be made
5 IV.
Notas iniciais
Após a reunião da cúpula do alto comando de Noxus acabar, Marcus se retirou do local, tinha um pressentimento que não estavam “sós” na reunião. Ao ganhar as ruas do mercado central, olhou o bar mais uma vez e reparou em algo que não era para estar ali: Uma corda entre o telhado do prédio do mercado e o bar.
‘Com certeza alguém andou nos espionando’ – pensou alarmado. Rapidamente escalou a parede lateral do prédio do mercado e, com a vista do telhado do bar, procurou por suspeitos, mas tudo que encontrou foram duas crianças. Ocultado por uma sombra de uma das telhas, pensou em capturá-las para interrogatório. Um menino, de aproximadamente 13 anos saiu de dentro do forro das telhas e uma menina, um pouco mais nova que ele, saiu junto. – ‘Ora ora, um casalzinho espionando o conselho? A guarda de Boram está muito ruim, preciso fazer algo depois...’.
O menino que saiu do forro do telhado, rapidamente retirou a corda e a estaca utilizadas no “varal” entre os dois prédios. O garoto era atento, olhava para todos os lados de modo furtivo e cuidadoso. A menina apenas o aguardava pacientemente. Após eles recolherem os materiais e ajustarem as telhas, o garoto puxou a garota pela mão e sumiram na escuridão dos becos. Marcus até tentou segui-los, mas ficou impressionado com a habilidade do garoto em despistar.
‘Isso me lembra muito alguém...’ – pensou, antes de tomar o caminho para sua mansão. Marcus era o general responsável pelo ministério da defesa de Noxus. Era amigo de Boram a muitos anos, tinha olhos verdes escuros e profundos, estatura média e porte físico comum. Era um dos assassinos mais influentes de Valoran, pois comandava a casa Du Couteau, uma casa que formava assassinos e espiões há centenas de anos.
A zona nobre de Noxus ficava a poucas quadras de distância do centro, tinha o formato de um subúrbio comum, entretanto, ao invés de sobrados, mansões eram vistas a vários metros de distância. A área era fortemente patrulhada por soldados Noxianos e outros oficiais. Era onde se concentrava todas as moradias de oficiais importantes e do próprio grão-general: Boram Darkwill.
Ao entrar em sua mansão, Marcus atravessou o átrio e foi em direção a sala de estar, seguindo um murmurar de vozes. Chegando no cômodo, viu que suas duas filhas: Katarina e Cassiopeia, estavam escondidas, tentando assustá-lo. Para um assassino com muitos anos de experiência, detectar pessoas escondidas era brincadeira de criança.
Katarina era uma menina de 10 anos, cabelos ruivos longos e olhos de jade, possuía um sorriso branco e cheio de dentes, como se fossem de porcelana. Cassiopeia era a irmã mais nova de Katarina, tinha 9 anos, cabelos castanho avermelhado, olhos castanhos claros e o mesmo sorriso de sua irmã.
Marcus, decidindo entrar na brincadeira, fingiu um susto quando as meninas saíram de seus esconderijos (Katarina estava atrás de uma das cortinas, enquanto Cassiopeia estava coberta entre as muitas almofadas do sofá). Após a brincadeira, Marcus abraçou as pequenas e deu uma pequena bronca:
— “Já disse que vocês precisam ir dormir cedo!”
— “Mas pai, amanhã é sábado!” – replicou Katarina, segurando o braço de seu pai.
— “Eu sei que sim, mas vocês iniciarão o treinamento em breve, precisam estar preparadas.” – disse encarando as duas meninas — “O treinamento será puxado e exigirá muito de vocês.”
— “Podemos aproveitar pelo menos hoje papai?” – perguntou Cassiopeia com um semblante triste. – “Já passou da hora mesmo...”
Marcus encarou aqueles olhares pidões e acatou, recebendo uma comemoração das garotas. Ficaram até tarde da noite jogando cartas e comendo porcarias. O homem havia decidido que elas mereciam ao menos que elas se divertissem um pouco antes de assumir os negócios da família.
Já havia definido como seria o treinamento de ambas. Katarina seria treinada no ramo do assassinato, já que era um pouco cabeça quente e não conseguiria dialogar para obter informações. Além da estranha admiração pela morte já desenvolvida de forma prematura pela menina. Marcus tinha certeza que se tornaria uma assassina renomada e temida por muitos. Cassiopeia seria treinada no ramo da espionagem, já que aparentava ser uma criança um pouco mais calma e sensibilidade com relação a pessoas.
O treinamento seria aplicado quando completassem 12 anos, que era a idade mínima para aprender as técnicas da família. Além delas, Marcus havia ficado curioso com aquele garoto que espionava a sessão do conselho. Ele lembrava muito as características de seu maior rival do ramo: Jonathan Wick. ‘Seria o garoto filho dele?’ – pensou o homem – ‘As expressões faciais, o jeito de se mover, de analisar...tenho que tirar as minhas dúvidas’.
Após colocar as crianças para dormir, foi para seu escritório pesquisar mais sobre seu ex-rival e amigo para ver se aquilo era coisa da sua cabeça ou um assunto a se considerar.
O dia amanheceu nublado, cinza, como se a qualquer momento fosse chover. Talon despertou logo quando os primeiros raios de sol invadiram o cômodo. ‘Preciso arrumar algumas cortinas’ foi o primeiro pensamento que teve. Incomodado com a claridade, espreguiçou-se e foi fazer sua higiene matinal. Esperaria Riven acordar para conversar sobre as descobertas da noite passada e sobre o que fariam em relação a investigação.
Riven não demorou muito para despertar, ao sair do quarto, viu que Talon encarava a lista que estava grudada na parede e carregava uma expressão séria. Após fazer sua higiene matinal, sentou-se no sofá e esperou o moreno falar com ela.
O silêncio era um pouco perturbador, mas logo Talon saiu de seu mutismo e falou:
— “Vamos encontrar alguma coisa para nos alimentarmos.” – Riven apenas assentiu e os dois saíram de casa. Caminharam algumas quadras até saírem do subúrbio e entrarem na região central. Talon colocou seu capuz e, no meio da multidão ele desapareceu. Riven apenas continuou seguindo em frente, atenta a todos os movimentos ao seu redor, passou por algumas pessoas e pegou algum dinheiro delas. Atravessou o pátio aberto que ficava em frente ao prédio do mercado central e entrou em uma padaria que Talon já havia dito que poderiam comer.
Talon estava em uma mesinha no canto e ostentava um sorriso debochado, irritando profundamente Riven.
— “Logo cedo com essa cara de panaca por que?”
— “Você é muito lenta, quase uma tartaruga.” – fez pirraça, recebendo apenas um olhar gélido de Riven, prosseguiu – “Já fiz o pedido, não se preocupe.”
— “Certo.” – Riven fez uma pausa, olhou ao redor para ver se alguém suspeito estava escutando a conversa deles, e em seguida segredou: — “Vamos conversar aqui mesmo?”
O jovem assassino apenas negou meneando a cabeça, cochichando em seguida: — “Tô me sentindo desconfortável...como se alguém estivesse aqui.” – indicou com a cabeça para o lugar ao lado – “Ontem eu acho que alguém nos viu, lá do telhado do mercado.”
— “Como assim??” – perguntou uma Riven espantada – “Será que fomos seguidos?”
— “Seguidos não, conseguimos despistar quem quer que nos tenha seguido, mas...”
— “Mas?”
— “Podemos não conseguir na próxima...isso é, se estávamos sendo seguidos ontem.”
O garçom chegou com o pedido e rapidamente se retirou. Ambos comeram em silêncio, Talon pagou e saíram do local.
— “Precisamos sair um pouco da cidade.” – o garoto parecia estar ficando paranoico. Riven decidiu por segui-lo na multidão em silêncio, mergulhada em seus próprios pensamentos.
Marcus Du Couteau não havia pregado o olho, estava certo de sua intuição: O garoto tinha que ser filho de Jonathan Wick. Em sua mão encontrava-se a última carta que o seu ex-rival e amigo tinha lhe mandado:
Caro Marcus,
Como vai a vida? Muitos trabalhos? Espero que sim, a hora de aposentar está chegando, será que você vai ter pique para ter herdeiros? Sinto pena deles só de lembrar suas histórias sofridas de treinamento...
Brincadeiras a parte, vim aqui me despedir, estarei embarcando para Piltover no próximo sábado, eu conheci uma garota fantástica, Helen. Filha de comerciantes importantes da região. Estou oficialmente me desligando do sindicato e acredito que até amanhã estarei empacotando minhas coisas e indo viver o que realmente sonhei, uma vida normal, longe de todo esse mal e esse sangue que se esvai nas sarjetas todos os dias.
Enviarei uma carta informando meu novo endereço, quem sabe você não me faz uma visita?
Jonathan Wick
Sentia um pesar inexplicável, parecia que após ter lido aquela carta, o cansaço de toda a noite tivesse recaído sobre seus ombros, Jonathan, ou John, para ele, era um meio-irmão, ajudou-o a aprimorar suas técnicas, ensinou-o o trabalho e sempre o acudiu nas dificuldades. Levantou-se e bocejou. Sua intuição assassina estava certa desde o inicio, o garoto não tinha aura, não era possível “enxergar” o seu eu interior, e a única pessoa que conheceu que não transparecia isso era John, Jonathan Wick, o maior e mais temido homem de Valoran, conhecido como “Secretário do Diabo”.
Resolveu descansar, adiaria todos os seus planos para encontrar o garoto e confirmar de vez a sua suspeita. Guardou os documentos em uma pasta separada e trancou-os dentro do cofre em seu escritório.
Após saírem da cidade, Talon e Riven pegaram carona com um velho senhor na sua carroça, ele seguia viagem em direção a um posto de guarda avançado, que ficava entre os limites de Noxus e as planícies do Instituto de Guerra. O posto de guarda era uma pequena cidade, havia alguns comércios e uma meia dúzia de casas, nada de muito movimento. Ficava a mais de quarenta quilômetros do centro urbano de Noxus, e era separado por inúmeros trechos de florestas e montanhas.
Talon tinha saqueado um pouco mais de duzentas moedas de ouro, o suficiente para passar uma noite longe de Noxus sem levantar suspeitas. Ao entrarem na cidade, Riven o puxou para um bar, que ficava logo no começo da avenida principal.
O ambiente estava vazio, exceto pelo barman, um senhor que aparentava ter oitenta anos de idade e um semblante tranquilo. Talon pediu apenas um pão e dois copos de água. Sentaram-se afastados da porta, quase na penumbra do fundo do bar e a loira desatou a falar.
— “Ok.” – pressionou a têmpora – “Tô muito, mas muito irritada com essa palhaçada!” – cruzou os braços em cima da mesa e encarou o moreno, que a observava entediado – “O que tá acontecendo Talon? Minha vida virou de cabeça pra baixo depois que nos encontramos.” – desabafou.
O moreno apoiava sua cabeça na mão direita, enquanto que com a outra mão, batucava de leve a mesa, fazendo um som rítmico e contínuo. Encarou a menina e respondeu:
— “Estamos arrumando problemas.” – fez uma pausa, sorvendo o ar mofado do local – “Mataram o seu pai a troco de alguma coisa...não sabemos quem foi e nem o por que...tudo continua confuso, mas pelo menos temos uma direção pra onde ir.”
Os olhos da garota começaram a marejar, e antes que pudesse derramar alguma lágrima, o jovem moreno a encarou e disse:
— “Não se preocupe, tudo vai ficar bem, estamos nessa juntos.”
Ouvir aquelas palavras em um momento difícil foram de grande ajuda para Riven. Talon prosseguiu:
— “Tivemos que sair da cidade por um bom motivo.” – a atenção da menina estava totalmente nele agora – “Ontem a noite eu senti um calafrio, um pouco depois que a reunião daqueles homens terminou.” – Talon olhou para os lados para se certificar que ninguém o escutava e continuou – “Eu senti uma presença bizarra, muito fria e cruel nos observando” – a loira arregalou os olhos – “Confie em mim, minha intuição nunca me trai.”
O medo estava começando a tomar conta de Riven, ela não conseguia entender como Talon permanecia tão calmo diante da situação.
— “Estou com medo Talon, muito medo.” – expressou seus sentimentos.
— “Eu sei como se sente, no momento em que estávamos saindo de lá eu me senti da mesma forma.” – confessou – “Você tem uma alma muito pura, não consegue sentir a sede de sangue que as pessoas emanam.” – explicou, gesticulando em seguida – “Quando uma pessoa tem uma intenção assassina muito poderosa, você sente sua sede de sangue em suas costas, como grandes olhos lhe observando, deixando-o totalmente vulnerável, como uma presa.”
Riven arrepiou-se toda, via Talon esfregar as mãos como se sentisse frio, em pleno sol de 35º C.
— “Por que eu não senti isso?” – questionou.
— “Não sei explicar direito, você tem uma aura pura, acho que você não sente a malícia, a intenção de um assassino.” – encarou seus olhos – “Ou você simplesmente ignora essa sensação, que pode parecer de desconforto no inicio.”
Após alguns minutos refletindo aquela situação, o barman trouxe os pães e os copos d’água para os dois, que saborearam o “almoço” em silêncio.
No início da noite, o general Du Couteau preparou uma pequena mala e chamou a governanta da mansão:
— "Malva, venha até o meu escritório, por favor."
Malva era uma mulher no alto dos seus quarenta anos e uma beleza delicada. Morena de olhos verdes, Malva era uma mulher simples, mas dedicada e trabalhadora. O general sempre a mantinha por perto, pois era uma mulher de confiança e que fazia todos os trabalhos administrativos que a mansão exigia.
Após aguardar um pouco, a morena entra no escritório.
— "Em que posso ajudá-lo general?" – perguntou Malva.
— "Farei uma viagem a negócios e preciso que você tome conta da mansão. A viagem não deve durar mais que cinco dias."
— "Tudo bem general. Algo mais?" – concordou Malva, de cenho franzido.
—‘Viagem de negócios? Do nada?’ – pensou a mulher.
— "Mantenha a discrição, se alguém perguntar por mim, diga que fui resolver assuntos de família em Zaun."
— "Certo. O senhor pretende partir agora?"
— "Sim. Avise as meninas, por favor. Qualquer problema, escreva uma carta, Thorhin irá levá-la para mim e eu voltarei imediatamente."
Thorhin era uma habilidosa ave de rapina. Sua plumagem negra como a noite o permitia entregar cartas sem ser visto. A ave fora um presente dado por Jonathan, um pouco antes de Marcus conhecer a futura esposa.
A mulher apenas assentiu com um breve menear de cabeça e Du Couteau recolheu a sua mala e se foi. Na rua, uma carruagem o esperava. Não era algo extravagante, era discreta, como ele gostava. Deu uma última olhada para trás e entrou no veículo.
Talon havia contado grande parte das informações que tinha adquirido ao longo de sua jornada. Ele acreditava que Noxus estava planejando uma guerra contra alguma grande nação, não sabia dizer se era Ionia ou Águas de Sentina, pois a relação de pedidos de assassinatos na lista tinha a ver com cargos diplomáticos, comerciantes importantes e até mesmo banqueiros destas nações.
A loira apenas encarava Talon, não entendia muito do que se tratava, apenas acenava com a cabeça, mostrando que estava atenta a tudo a que ele falava. Talon não tinha muita certeza do que estava falando também, afinal, eram jovens e não tinham muita experiência de vida.
‘Ao menos alguém precisa saber a verdade sobre os pais...’ – pensou melancólico.
Tudo que haviam conversado, resumidamente ficava: O comandante de Noxus estava querendo entrar em guerra. O “conselho” noxiano estava auxiliando nesta empreitada. Promoveram uma lista de assassinatos para eliminar pessoas importantes e agora, aparentemente estavam fazendo os ajustes finais, treinando soldados e delegando tarefas táticas.
Ao fim da tarde, decidiram voltar para Noxus, chegando lá por volta das 20:00. Passaram em um bar, dividiram uma refeição e foram para o abrigo que moravam. Estavam na sala quando o relógio apontou meia-noite, Talon virou-se para Riven e disse:
— "Vou ver se consigo mais alguma coisa pelas ruas, você vem?"
— "Pode ir, a viagem me deixou muito cansada..."
Riven apenas deu uma desculpa qualquer, estava planejando fazer algo mais ousado. Ela não tinha os dons de “assassinato” que Talon tinha, precisava ficar forte. Ao mesmo tempo, precisava enfrentar os mandantes dos assassinatos da sua família, mas para isso, precisaria acompanhar eles de perto. A única solução que vinha na sua cabeça, após muito refletir, era:
‘Vou me alistar no exército, somente lá vou conseguir ficar perto de quem preciso investigar e ao mesmo tempo vou poder treinar para lutar contra aqueles que me tiraram tudo!’
Marcus Du Couteau era um homem imponente, mesmo não ostentando isso fisicamente. De fato, nada lembrava um assassino experiente, exceto pelas adagas afiadíssimas que carregava dentro de seu sobretudo em posições estratégicas.
Chegando em Piltover, resolveu ir direto ao assunto, caminhou até o distrito central de polícia para procurar informações. Conversou com algumas pessoas e descobriu que seu amigo havia morrido sob circunstâncias inexplicáveis. Causa mortis: falência múltipla dos órgãos. Informou-se onde ele morava e decidiu ir até lá. O local era bem afastado do centro da cidade. ‘Huh, no subúrbio?’. Era uma casa imponente em um bairro do subúrbio. Térrea e comprida, a casa parecia estar abandonada, pois estava suja e mal cuidada.
Fez uma breve ronda ao redor do local e identificou várias vulnerabilidades. ‘Provavelmente estava querendo disfarças, mas não adiantou muito...’. Terminando a sondagem, parou na calçada em frente a casa e um homem veio lhe procurar, seu nome era Fitzgerard. Ele tinha sido o detetive encarregado do caso, quando o incidente ocorreu.
— "Posso ajuda-lo Sr...?" – disse o homem estendendo a mão.
— "Pode me chamar de Marcus." – respondeu o general Du Couteau cumprimentando o homem – "O seu é?"
— "David Fitzgerard, investigador da polícia de Piltover." – disse o homem – "Vejo que está interessado no caso de Jonathan Wick, correto?"
Anuiu com a cabeça, encarando o homem.
—" O senhor seria algum parente dele?"
— "Um amigo."
— "Hm, certo." – disse, retirando em seguida um bloco de notas do bolso e anotando alguma coisa. – "Você precisa de algo em específico?"
Desconfiado da postura do homem, o general apenas perguntou:
— "Só preciso saber por quanto tempo ele morou aqui, o dia da morte e a profissão dele."
David folheou um pequeno caderninho que levava consigo no bolso interno do sobretudo e disse:
— "Segundo a perícia, ele morou na casa por cinco anos, descobrimos que havia falecido devido a uma denúncia anônima, foi em 4 de maio de 6 (CLE), e a sua última profissão..." – o homem pois a mão no queixo e em seguida respondeu – "Bom...aqui diz que ele era uma espécie de consultor militar."
— "Os registros familiares apontam filhos?"
— "Sim, ele e sua esposa Helen tinham dois filhos, um garoto que foi adotado pelos avós e uma garotinha que foi encontrada junto deles, morta."
Surpreso com a resposta, Du Couteau ficou em silêncio. As coisas pareciam ficar um pouco mais claras, um assassinato de alta periculosidade, encomendado por alguém influente e com a intenção de não deixar vestígios.
Não era possível concluir o porquê, ‘ainda’. Virou-se para o investigador e agradeceu:
— "Obrigado pelas informações, David."
— "Estou a disposição no distrito policial, se precisar de mim, basta ir me procurar." – retirou-se, indo em direção a um carro velho que estava estacionado do outro lado da rua.
Com tudo o que tinha, só faltava confirmar o inevitável, se o filho deles sobreviveu e estava com os avós, só precisava ver se não era ele.
Os avós do filho de Jonathan e Helen eram os pais dela. John havia perdido seus pais quando era muito novo, foram vítimas de extorsão de militares rebeldes ionianos. Os pais de Helen, pelo que ficara sabendo, eram donos do porto de Piltover. ‘Gente importante, influente’. A mansão deles ficava ao lado da mansão do governante de Piltover, e, para se aproximar, teria que passar pela segurança do bairro. ‘Moleza’.
Ao anoitecer, Du Couteau se espreitou entre os jardins das mansões e foi seguindo pulando os muros e aguardando nas sombras. Levara quase uma hora para chegar na mansão dos ditos-cujos. Infiltrou-se pela janela de um dos quartos e perambulou pelo local até encontrar o escritório.
Entrou, trancando a porta do quarto em seguida, deparou-se com um homem em idade avançada, expressão fechada e olhar perfurante. Antes que ele pudesse ter feito qualquer coisa, Marcus utilizou uma técnica que havia desenvolvido durante os anos de treino como assassino, chamava-se Shunpo*, era uma técnica que “teletransportava” o usuário até um local próximo utilizando um ponto de referência.
Apareceu ao lado do velho e rapidamente o dominou. Encarando sua presa, o general Du Couteau apenas perguntou:
— "Por quê abandonaram o menino?"
Após longos minutos o homem respondeu:
— "O sangue dele era sujo, decidimos vende-lo para um recrutador noxiano por uma boa quantia." – a voz do homem não tinha sentimentos, receios ou dúvidas, era como se ele tivesse ensaiado esta resposta a vida inteira. – "Vai me matar?"
— "Não pretendia, mas você me decepcionou."
— "Encontrou o moleque?"
— "Isso não é da sua conta." – Marcus sacou uma pequena adaga e perfurou rasamente o pescoço do sujeito – "Envie meus cumprimentos ao diabo." – o homem não teve tempo nem de arregalar os olhos. Du Couteau dilacerou seu pescoço, mexeu em alguns arquivos e acabou confirmando sua suspeita através de uma foto que estava dentro de uma das gavetas da escrivaninha.
No retrato, Jonathan estava ao lado de uma mulher de cabelos castanhos e traços delicados. Junto a eles, duas crianças, uma era o garoto que havia encontrado espionando, devia ter aproximadamente quatro anos, enquanto que a menina devia ser um ano mais nova que o garoto, tinha cabelos castanhos claros, iguais aos da mãe e as mesmas expressões faciais. Todos eles estavam sentados em uma jardineira em frente a casa e sorriam para o fotógrafo.
Juntou alguns papéis que julgou serem importantes, guardou a foto dentro do sobretudo e provocou um incêndio no local, escapando pela janela do escritório que dava para os fundos da mansão.
Já nos fundos da mansão, rapidamente esgueirou-se entre as cercas dos vizinhos e fugiu. Teria que sair rapidamente de Piltover, senão ficaria meio óbvio que o incêndio havia sido criminoso, fora o fato de que o investigador de Piltover já sabia que estava relacionado a ele, afinal, não era muito difícil ligar os pontos para ver que um desconhecido aparece, investiga a morte de um colega e logo em seguida, o sogro do homem, que tem origens suspeitas, acaba morrendo “acidentalmente” em um incêndio.
Ao chegar próximo ao centro, avistou o hotel onde aparentemente estava hospedado e torceu para Vernon, seu faz-tudo, estar esperando por ele com a carruagem pronta para partir. Chegando no hotel, suspirou aliviado por Vernon estar parado logo na entrada ao lado da carruagem.
— "Vernon, consegue seguir viagem até Noxus?" – perguntou ao homem.
— "Sim chefe, sem problemas."
— "Podemos partir então."
O faz-tudo achou estranha a situação, pois mal haviam chegado na cidade e já estavam voltando...’Negócios, muito provavelmente’.
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