Notas iniciais
Qualquer erro, avisem! Boa leitura.

Cada palavra que Talon proferia, deixava Riven mais e mais hipnotizada e mergulhada na história, a tensão era palpável e a indiferença que a história era contada, deixava mais intrigante ainda a situação.

Noxus dava muitos exemplos, tanto para o bem quanto para o mal. Das ruas, você tirava bons e maus modelos de vida, desde mercadores honestos a assassinos de elite. A maior parte da população vivia a beira da marginalidade. O maior exemplo disso era o centro daquele lugar, dominado por comerciantes de armas, prostíbulos, tavernas e poucos locais de índole aceitável.

As pessoas que nasciam no submundo de Noxus já tinham um destino definido: podiam se arriscar nas ruas, cometendo crimes e vivendo a vida sendo perseguidas pelos oficiais do alto comando, ou podiam ser a navalha, o fio da espada, que derrama sangue no solo e vinga sua pátria.

Crianças em particular, tinham uma dificuldade ainda maior em sobreviver naquele lugar, pois o abandono dos pais era quase mandatório. Muitas crianças eram entregues à própria sorte aos quatro, cinco anos no máximo. Cresciam nas ruas e viravam marginais profissionais quando não eram adotados por alguém ou sequestrados por algum mercador de escravos.

– Cais da Baía do Açougueiro, porto de Noxus, 8 anos atrás. -

Talon nunca soube quem foram seus pais, havia sido adotado aos seis anos de idade no ancoradouro dos Náufragos, o qual ficava no porto oficial de Noxus. Suas vagas lembranças lhe traziam pequenos detalhes daquele dia. Uma tempestade estava caindo, ventos estrondosos nas docas obrigavam os capitães a zarparem para longe da costa para evitar a destruição dos navios no porto. Relâmpagos iluminavam o céu e, embaixo do píer, junto com um enorme grupo de escravos estava uma criança de cinco anos, cabelos longos e olhos castanhos profundos. Sentado próximo a um dos pilares da plataforma de madeira, sua feição era de pura indiferença, como se aquele vento que urrava nos recifes de corais ali próximos não fossem nada, como se os raios que estalavam nas casas ali próximos fossem pequenas fagulhas.

Lentamente, Talon levantou-se, sacudiu a areia dos seus trapos e saiu andando em meio à tempestade, ignorando os gritos dos escravos que ali estavam:

– “Volte garoto! É muito perigoso sair nessa tempestade.” – disse um dos homens que estava se protegendo com uma lona.

– “Vão te matar por fugir, volte!” – disse outro, ao lado do que estava se protegendo com a lona.

Talon resolveu ignorar, tinha uma sensação ruim, ficar ali era como se estivesse dentro de uma grande armadilha, ele sentia isso, ele sentia o perigo onde todos achavam que era seguro.

O capataz que cuidava dos escravos sorria sadicamente, tinha plena certeza que o garoto não sobreviveria até a próxima quadra com a força dos ventos. Observou ele se afastar e quando estava quase sumindo em meio a cortina de água, o garoto se virou e sorriu, mas não era um sorriso que transmitia tranquilidade, era um sorriso diabólico, venenoso. Um arrepio percorreu a espinha do homem, que aguardava seu patrão chegar para buscar a leva que recém havia chegado.

Não houve tempo para nada, antes que qualquer outro pensamento pudesse ocorrer em sua cabeça, um raio caiu na plataforma, logo acima de onde o grupo se encontrava. Todos foram incinerados sem ter a chance de proteger. Antes de fechar os olhos e cair nos braços da morte, o capataz deu uma última olhada na direção em que o menino havia ido, mas nada tinha lá, só restaram os resquícios de um sorriso que encontraria em breve no inferno.

Seguindo seus instintos, Talon caminhou apenas duas quadras até encontrar um abrigo embaixo de uma padaria. Havia um vão grande onde eram guardados barris e alguma lenha, entrou em uma pequena brecha que havia ali e se cobriu com a lona, encolhendo-se o máximo possível para manter o calor.

No dia seguinte, acordou com alguma coisa o cutucando, ao se descobrir, viu que uma menina, que provavelmente tinha a mesma idade que ele, segurava um cabo de vassoura e fazia uma cara espantada. Paralisado, o garoto não conseguiu fazer nada e deixou a menina sair correndo. Não precisou esperar muito para ver um velho gordo voltando com a garota.

O senhor, que usava um avental, tinha um rosto quadrado, com olhos fundos e sobrancelhas grossas, um bigode ralo e uma barriga que cobria sua visão do chão sob seus pés. Com uma agilidade que não condizia com seu porte, ele andou rapidamente até Talon e o puxou com um tranco do meio dos barris e toras.

Assustado com tudo aquilo, Talon colocou seus pequenos braços sobre sua cabeça e esperou uma pancada que nunca veio. A menina havia entrado na sua frente e, o homem que possivelmente era seu pai, se conteve com tal ato de agressão. Abaixando a mão, aos trancos, o homem puxou as duas crianças para dentro do recinto.

– “Você! Seu moleque asqueroso!” – disse o homem após bater a porta as suas costas – “Sua barata nojenta, o que você estava fazendo no meio dos meus barris? Você queria roubar?” – ao ver que as crianças apenas o encaravam com uma cara assustada, ergueu a mão e desceu com violência sob o rosto delas. Talon fora atirado no chão ganindo e a menina havia feito apenas uma feição de indiferença. – “Não vou perguntar de novo, seu bostinha.” – ameaçou a erguer a mão novamente e Talon rapidamente se pôs de pé.

– “Abrigo! Abrigo!” – respondeu rapidamente.

– “Ora ora...e onde estão seus pais?” – perguntou o velho, temendo que o garoto fosse filho de um dos oficiais do alto comando.

– “Mortos.” – disse baixando a cabeça.

‘Quer dizer que eu ganhei um escravo? Hmm, interessante’ – o velho abriu um sorriso sádico e disse:

– “Se você quiser morar aqui, seu verme, vai ter que trabalhar, está me ouvindo?”

Talon apenas meneou a cabeça, concordando. Em seguida o velho explicou as regras de convivência no local, que era uma padaria. O dia começava às cinco da manhã e ia até às oito da noite. Talon teria que fazer as entregas nos locais designados na hora do café da manhã e da tarde, limparia o chão e ajudaria a menina que se chamava July e a sua mãe, uma senhora chamada Nana, a atender aos pedidos dos clientes.

Durante anos Talon viu o velho abusar diversas vezes da mulher e espancar ele e a filha. Ao terminar o expediente, ele saia e trancava as portas e ameaçava a todos que se fugissem, ele os caçaria e o castigo seria pior. Quando voltava, era de madrugada, e quase sempre estava bêbado. Subia até seu quarto e estuprava a sua mulher. Após os gritos pararem, ele, para sanar sua sede de sangue, descia até o porão, onde Talon e July dormiam e os surravam até eles gritarem por clemência. No dia seguinte, o velho voltava a ser o homem asqueroso que era tratando todos como se fosse lixo.

Por ser menor e mais fraco, Talon, já com seus nove anos, só conseguia fortalecer uma coisa: seu ódio. Sempre que conseguia, ele escondia July entre os sacos de farinha quando o velho voltava com sua mente etílica nublada e queria bater em alguém. O tempo o ensinou a aguentar cada um dos murros e pontapés que levava do homem, seu sexto sentido, que antes funcionava apenas em algumas ocasiões, agora estava sempre ativo, aguardando o próximo movimento daquele inseto gigante para cima deles.

Seu relacionamento com July era o mais próximo de alguma coisa afetuosa, no sentido de irmãos. Eles compreendiam a dor um do outro, dividiam experiências e brincavam em segredo quando o velho saia para comprar ingredientes no mercado central.

Ao longo do tempo, para extravasar sua raiva contida por toda aquela situação, Talon passou a colecionar objetos pontiagudos embaixo de uma prateleira do porão, próximo ao local onde dormia. Era um pequeno trapo que enrolava pregos, lâminas de facas que o velho achava que tinha jogado fora, fios de cobre que amarravam os sacos de farinha e uma pequena adaga que havia roubado de um cliente em uma de suas entregas pela cidade. Nas noites que o velho não saia, Talon escapava pelo duto da chaminé com a adaga e ia até o açougue que ficava no final da rua, pendurava os restos de porco em um cavalete de corte e, com uma fúria única, destruía os corpos dos bichos, retaliando cada centímetro com uma precisão cirúrgica. Aos nove anos.

Isso perdurou até quando ele fez dez anos. Em uma noite que o velho saiu para beber, Talon, ao terminar de limpar o balcão, desceu para o porão com July e a escondeu entre os sacos de farinha. Naquela noite, seu sexto sentido estava inquieto, mais forte, a adrenalina percorria o corpo do garoto sem que houvesse causa aparente. Pegou uma estaca de ferro, entregou para July e disse:

– “Estou com um mau pressentimento. Guarde isso e fique atenta.” – a garota apenas concordou com a cabeça e Talon se dirigiu até o lampião que iluminava o porão e quebrou o reservatório de óleo, apagando a chama e mergulhando o local em uma escuridão densa e úmida.

Alguns minutos depois, ouviram a porta da padaria abrir com um estrondo, lá fora chovia forte e o assoalho rangia com os passos do velho. Talon contou três minutos e os gritos da senhora Nana preencheram o recinto, mas dessa vez foi diferente. A mulher gania alto e aos poucos o som foi diminuindo até que pararam. Um baque surdo foi ouvido e passos pesados se aproximando da porta do porão. Ao abrir a porta, o velho disse:

– “Agora que eu matei aquela puta sem graça, vou me divertir com você, princesinha.” – Talon arregalou os olhos e ouviu o choro de July bem baixinho, no meio dos sacos de farinha. ‘Não, não! Para de chorar! Vai entregar sua posição’. A ansiedade dominou Talon, suas mãos transpiravam, seu cabelo grudou na testa com o suor e o ímpeto assassino o tinha pegado de jeito. – “Que porra de escuridão é essa? MOLEQUE, VOCÊ VAI ME PAGAR OUTRO LAMPIÃO!” – gritou o demônio em pessoa. Ouviu o homem andar de um lado para o outro e voltar para a porta, no fundo do porão, Talon o viu descendo com outro lampião. ‘Droga, droga, droga, droga!’. July já havia parado de chorar, mas quando o velho passou perto dos sacos de farinha, involuntariamente July fungou baixinho, mas prolongadamente, o que foi suficiente para que o velho parasse e se virasse para os sacos, cavocando com ferocidade, puxou a menina de lá do meio, e com um sorriso perverso disse:

– “Oh meu bem, eu adoro brincar de esconde-esconde.” – e abriu um largo sorriso perverso na cara. – “Onde quer que você esteja moleque, agora você vai aprender como tratar uma mulher.” – e encarando a menina – “Agora que aquela vagabunda da sua mãe se foi, você vai ser a minha nova mulher.” – e ao terminar de dizer isso, July, com todas as forças que possuía, fincou a estaca de ferro na bochecha do homem, que urrou de dor e a soltou, falando em seguida:

– “VOCÊ VAI PAGAR POR ISSO, AH SE VAI...” – rugiu o homem, ensandecido.

A cena se passou em câmera lenta na visão de Talon, antes que July chegasse nas escadas, o velho atirou o lampião nela, que estourou e começou a pegar fogo. Os gritos dela eram desesperadores. Talon estava paralisado de puro medo, sua mão tremia loucamente, como se estivesse querendo sair do seu corpo.

O velho se levantou e sacou um cutelo que estava dentro do avental. Antes que algo pudesse ser feito, antes que aqueles sete metros do fundo do porão pudessem ser vencidos, antes que aquele estrondoso raio tivesse iluminado o céu, o velho desceu o cutelo com toda a força que tinha, atravessando a garota no meio. O sorriso dela em sua direção, agradecendo a única oportunidade que tivera em anos de enfrentar aquele crápula e de não ter cedido aos desejos mundanos dele foi o suficiente para que tudo mudasse dentro de Talon.

‘Frieza sobre Fraqueza, Sangue sobre Medo’ as sombras lhe disseram.

Subitamente sua mão parou de tremer, seu coração diminuiu a frequência, seus olhos passaram a enxergar no escuro melhor do que nunca. Abaixou a cabeça e quando voltou, uma expressão assustadora estava estampada em sua face. O medo havia morrido, só restava uma única coisa a ser feita: justiça através do sangue.

Ainda atordoado, o velho com uma mão no joelho e a outra tampando o ferimento na bochecha não percebeu Talon se aproximar com o fio de cobre e a adaga. Foi tudo muito rápido: o fio no pescoço, as sucessivas apunhaladas nas costas e a risada insana ecoando no fundo da escuridão.

No dia seguinte só era possível ver o corpo esquartejado do homem pregado na porta do local com uma frase logo acima da cabeça: ‘Sofrimento se paga com sangue. Seus ossos servirão para amolar a minha lâmina’.

O assassinato do velho padeiro havia se tornado um mito no subúrbio de Noxus. Talon havia enterrado o corpo carbonizado de July próximo ao penhasco da redenção, que dava uma bela vista para o mar dos guardiões. Lá, apenas uma cruz restou, com os dizeres: “A recompensa virá na purificação do espirito.”

Desde então, Talon tem vagado pelas ruas, sobrevivendo ao melhor estilo de criança das trevas, cria do demônio e outros adjetivos que achava patético diante de tanta elegância dos seus cortes. Sempre que sentia um pouco de remorso, Talon fazia uma visita ao penhasco da redenção, e lá ficava horas a fio observando o mar.

– Distrito de Noxus, tempos atuais -

Talon parou um pouco para respirar. Riven estava estática, chocada, era um mix de sentimentos e sensações durante a história que não sabia o que perguntar. Percebendo esse silêncio, ele comentou:

– “Nada edificante, né?”

– “Hã?” – ainda estava digerindo as informações.

– “Órfão, escravizado, abusado. O que mais poderia dar errado?” – mordeu um biscoito. Seus olhos estavam baixos e seus cotovelos estavam escorados junto com o pé direito na pequena estante. – “Não se engane Riven, já perdi tudo várias e várias vezes, não me surpreende uma história como a sua.” – disse indiferente.

– “Eu sei...” – murmurou a outra – “Achei que nada poderia ser pior do que a minha vida, mas conheci uma nova ótica hoje.”

– “Acredite, todos nós temos um mundo guardado aqui dentro.” – disse indicando a própria cabeça – “Você sofreu tanto quanto eu, em proporções e circunstâncias diferentes, e mesmo assim você ‘recomeçou’.”

Ambos ficaram pensativos, até que Talon decidiu retomar a palavra.

– “Ainda há mais um detalhe para te contar.”

Surpresa, Riven perguntou:

– “O que seria?”

– “A morte do meu ‘melhor amigo’.” – falou, referindo-se a parte do melhor amigo com ironia.

– Centro de Noxus, 2 semanas atrás -

Talon viveu sozinho desde então, a não ser pela rara companhia do melhor amigo Kavyn. Ele preferia passar o tempo sozinho, calculando seu próximo abate. Quem seria sua próxima presa. E na maioria das vezes em que Kavyn estava junto de Talon, ele o atrapalhava. E se você pensa que Talon era gentil com o amigo, você está enganado. Ele nunca foi gentil com Kavyn, sempre fora frio. Kavyn não se importava, porque gostava do jeito do amigo. Ele sabia que era melhor ter Talon como amigo do que como inimigo.

A vida no submundo de Noxus, pouco a pouco, foi afastando os dois. A sede de sangue de Talon estava começando a sair do controle. E até mesmo o tempo estava afastando os dois.

Em uma noite de lua cheia, Kavyn estava esperando seu amigo para mais uma de suas reniões, mas Talon não chegava. Ele estava ficando preocupado, mesmo sabendo das habilidades do amigo, era muito improvável que estivesse morto. Era apenas um simples atraso.

‘5 minutos. 10 minutos. 20 minutos. 40 minutos.’

Uma hora se passou e nenhum sinal de Talon. Estava mais preocupado que o normal. Ele nunca havia demorado tanto. Decidiu procurar pelo amigo, só que no mesmo instante em que se levantou, notou uma sombra entrando no beco em que estava. Era ele, Talon.

– “Está atrasado.” — Diz Kavyn, de cabeça baixa, quase como um sussurro, chateado – “Você nunca demorou tanto, fiquei preocupado.” — Suspirou pesado e voltou a encarar a sombra que estava na sua frente.

– “Eu sei. Estou bem, não precisa se preocupar.” — Talon respondeu com aspereza.

– “Por que demorou tanto? Hoje é uma noite importante e você sabe di-“

– "Não importa. É apenas mais uma das várias reuniões que tivemos, não é tão importante assim." — Talon deu de ombros e passou direto pelo amigo, sentando-se no chão e escorando-se na parede do beco para descansar. – “Tudo o que precisa saber é que eu consegui o que queria.”

Kavyn se virou para Talon e apenas sorriu de canto, pois sabia que aquela possível discussão não levaria a nada. Talon jogou um pão para o amigo, que o devorou em poucos minutos.

O silêncio tomou conta do local por alguns minutos. Talon gostava daquilo. Do silêncio, da paz. Infelizmente, para Talon, o silêncio foi quebrado quando Kavyn novamente o perguntou:

– “Tem certeza de que está bem?” — Kavyn o fitava, enquanto Talon permanecia com os olhos fechados. – “Porque tipo...você nunca se atrasa e...eu pensei que tivesse acontecido algo...” – insinuou uma leve preocupação.

– “Se você me fizer essa pergunta mais uma vez, eu juro que mato você.” — Sussurrou baixo, quase inaudível, e então, decidiu lhe contar a verdade – “Na verdade...eu encontrei uma garota hoje e--“ – antes que pudesse completar, Kavyn o interrompeu, fazendo graça:

– SE APAIXONOU POR ELA NÃO É? SAFADINHO! — Kavyn gargalhou alto. Talon o encarou com tanta fúria no olhar que talvez pudesse matar seu melhor amigo ali na hora.

– “Não é isso seu imbecil! Ela estava passando fome e eu dei um pão pra ela. Me sinto estranho por ter feito isso, nunca fiz nada parecido” — E realmente nunca tinha feito nada parecido, o que chegou mais perto disso, talvez tenha sido deixar uma ou duas vítimas sobreviverem porque tinham famílias. E mesmo que essa sensação fosse estranha para ele, já que era algo novo, ele gostava daquilo. Era algo bom. Mas, infelizmente, seus devaneios foram interrompidos pela voz de Kavyn.

– “Você fez o certo. Não tem porque se sentir estranho com isso, ok?” — Kavyn se aproximou do amigo e sentou-se ao seu lado.

– “Certo.” — Eles bateram as mãos em formato de punho, como um cumprimento.

Estava ficando tarde e Kavyn tinha que ir para seu beco descansar, ele tinha um longo dia pela frente, assim como Talon. Eles se despediram e Kavyn foi embora. Assim que seu amigo foi embora, Talon sabia que poderia pensar em paz. E foi isso o que aconteceu. Estava pensando no porquê de ter ajudado aquela garota de cabelos loiros, quase platinados. O que ele viu nela para tê-la ajudado? Ele não sabe. Talvez seja porque ela era apenas mais uma das "crianças de Noxus". Ele não sabia nada sobre a garota, nem o seu nome. Ele não tinha se dado o luxo de perguntar, até porque não estava interessado no momento. Mas agora, ele queria saber seu nome e acima de tudo, queria saber se ela estava bem.

– “Isso é besteira.” — Sussurrou para si – “Por que estou me sentindo assim...? Era só uma estranha Talon, pare de pensar nisso.” — Balançou a cabeça na tentativa de esquecer o que estava pensando, o que, infelizmente, não deu certo.

Alguns dias se passaram e o garoto de capuz ainda pensava na garota e tentava ao máximo ignorar essa sensação. Ele sabia que não podia se submeter a nenhuma fraqueza, e certamente, aquela sensação era uma. Então ele apenas decidiu ignorá-la. Até que em uma noite calma — o que era muito estranho na cidade em que morava — essa sensação foi quase impossível de ser ignorada. Por quê? Porque ela estava atrás dele. A garota de cabelos loiros quase platinados estava procurando por ele. Ele a vigiava de longe, nas sombras dos becos e telhados, mas não conseguia ir até ela e tirar as coisas a limpo.

– De volta ao presente... -

– "Por que não foi falar comigo naquele dia?" — Ela inquiriu.

Talon não sabia o porquê de ter feito aquilo, então, formulou uma resposta rápida. – “Porque não era o momento certo.” — E realmente não era, ninguém merece encontrar uma pessoa sem ter o que dizer.

Ela apenas assentiu com a cabeça, afinal o que ele tinha dito era verdade e bastava. Eles eram apenas estranhos, não tinha porque de ter algo a mais.

Talon fez uma breve pausa da sua explanação enquanto Riven o observava com um pouco de vergonha. Ele era muito sincero, parecia que narrava a história de outra pessoa. Curiosa sobre o tal Kavyn, Riven questionou:

– “Você ainda não disse o que aconteceu com Kavyn.”

Após considerar brevemente, Talon disse:

– “Acho que por hoje já é o suficiente, são lembranças dolorosas demais para apenas um dia...” – se levantou da cama e foi em direção a porta. Abriu apenas uma fresta e olhou o beco escuro e vazio lá fora. – “Você precisa ir, quanto mais tarde, pior será sua caminhada.”

Ela se levantou do banquinho e foi em direção a ele, parou na sua frente e o encarou por alguns segundos.

– “Obrigada por compartilhar sua história.” – sorriu levemente, fazendo com que Talon desviasse o olhar.

Riven tinha os olhos mais lindos que Talon ja viu em sua vida. Eles eram de um tom castanho avermelhado, que eram realçados pelo cabelo quase branco. Aqueles olhos o deixaram hipnotizado por alguns segundos. Enfim, recobrou os sentidos ao perceber que voltou a encarar a garota.

– “Algo de errado?” — Ela percebeu que Talon estava um pouco corado.

– “Não, nada.” — Ele desviou o olhar, o que a fez ficar confusa.

– “Certo...acho melhor eu ir embora, está tarde.” — Ela estendeu o braço em direção ao garoto, esperando que ele apertasse sua mão. – Posso voltar amanhã?

– “Sim.” – Riven se animou – “Mas com uma condição.”

– “Qual?”

– “Eu te busco.” – antes que ela perguntasse onde – “No lugar onde nos encontramos pela primeira vez.”

– “Porque eu não posso vir direto pra cá?”

– “Nunca se sabe quem está espreitando pelas sombras por ai...”

Ela refletiu o que ele disse e foi embora, sumindo lentamente pelas sombras. Naquela noite, Talon dormiu tão aliviado de poder compartilhar o que havia vivido que havia esquecido que outro dia duro o aguardaria quando acordasse. Aquela, com certeza, foi uma das melhores noites de sua vida.

Notas finais
Ei, psiu! Você mesmo, leitorzinho adorável, comenta ai vai, nos ajude com sua crítica/elogio. :3