Sacrifices

14 Meia Irmã?


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar, essa minha semana foi muito corrida, mas já estou de volta.

Três dias depois eles estavam em um voo para a Filadélfia, com o endereço de Raphael em mãos.

Emily estava, no mínimo, nervosa; ia, depois de tantos anos, encontrar pela primeira vez seu meio irmão, bastardo ainda por cima, sem nem ao menos ligar avisando. Ele ia ter uma surpresa e tanto.

Chegando na Filadélfia, ambos seguiram para o hotel no qual Hotch conseguira reserva para dois dias. A primeira coisa que Emily fez foi tomar um banho de banheira acompanhada de Hotch, sem nenhum teor sexual, era bom só tê-lo ali perto dela. Após o banho ambos foram deitar, o dia seguinte não seria nada normal para os dois.

Emily acordara antes de Hotch dessa vez, estava muito nervosa e mal dormira; teve um estranho pesadelo sobre seu pai levantando do túmulo e gritando por ela. Ficou ali, deitada na cama, pensando no encontro que ia ter com o irmão. Hotch percebeu o movimento ao lado dele e abriu os olhos.

– Já acordada querida?

– Eu meio que não consegui dormir direito.

Ele beijou sua testa.

– Eu entendo, mas vamos relaxar ok? Você não vai estar sozinha. Vai ficar tudo bem.

– Eu sei – ela respondeu, respirando fundo e levantando da cama – pede o café que eu vou tomar banho.

– Sim senhora.

Após tomarem café e se arrumarem, saíram pelas ruas da Filadélfia até uma casa simples que tinha o mesmo número do papel que Hotch segurava.

– É aqui – ele falou – pronta?

– Não muito, mas é impossível ficar mais do que estou agora.

– Então vamos lá.

Hotch pegou a mãe dela e subiram uma escadinha que levava até a porta. Ele bateu. E bateu de novo. Estava quase desistindo quando a porta se abriu e uma rapaz na faixa dos trinta abriu a porta, sonolento.

– Em que posso ajudar?

– Desculpa se o acordamos, podemos voltar depois – disse Emily.

– Não, já estava na minha hora de qualquer maneira. Mas se me permite perguntar, quem são vocês?

– Então – dessa vez foi Hotch quem falou – nós meio que precisamos conversar com você. É sobre seus pais.

– Meus pais estão mortos, o que for que eles tenham feito não é do meu interesse.

Ele ia fechando a porta, mas Hotch a segurou.

– E se eles, seu pai pelo menos, tivesse deixado pra trás uma coisa?

– Que coisa?

– Uma irmã, por exemplo – Emily falou

– O que? Como assim?

– Podemos entrar? – Hotch perguntou.

Raphael encarou os dois por um momento, até por fim decidir.

– Ok, tudo bem. Mas se bancarem os espertinhos saibam que eu tenho livre passe de armas.

Hotch riu.

– Nós somos agentes federais senhor, você está mais do que seguro conosco.

A casa era arrumada, e pelo que Emily pode notar, ele não morava sozinho. Hotch e Emily sentaram um ao lado no outro no sofá, enquanto Raphael sentou na poltrona em frente a eles.

– Então, eu tenho que dar aula daqui a pouco, por isso se puderem ser breves.

Emily não falou nada, apenas entregou a carta de seu pai a ele. Raphael leu aquilo e Hotch pode ver a raiva que se apoderava dele à medida que lia, quando terminou, encarou Emily nos olhos.

– Seu pai e seu avô compactuaram para a morte de minha mãe? – ele perguntou

– Eu não sabia de nada até pouco tempo atrás, eu juro. – Emily respondeu.

– E o que te fez cavar sobre isso?

Então ela contou a ele sobre as perseguições, as mortes, as ameaças e como ela achava que tudo estava conectado à morte de seu pai.

– E você veio aqui por quê sua mente brilhante de agente federal imaginou que eu ia fazer isso, por vingança?

– Não, eu nunca imaginei isso. Eu vim aqui por que precisava olhar em seus olhos, saber como você era, e saber também se você não teria nada que pudesse me ajudar a achar esse cara.

– Como você pode ver eu não sei de nada sobre isso, então não posso lhe ajudar. Não me leve a mal, mas eu não quero lembrar da memória de minha mãe como uma mulher desse tipo, por isso gostaria que você fosse embora.

– Mas...– ela tentou argumentar.

– Eu não posso ajudar vocês, sinto muito, mas não sei quem é esse cara e nem faço ideia. Não considero você minha irmã, sei que você também foi uma vítima disso tudo, mas não consigo olhar em sua cara sem lembrar de seu avô, seu pai e os motivos que o levaram a matar minha mãe. Talvez um dia isso passe, e nesse dia eu irei atrás de você.

Emily ia retrucar, mas Hotch foi mais rápido.

– Tudo bem, que seja como você quer. Aqui está meu telefone e endereço caso volte atrás.

– Obrigado – ele respondeu recebendo o cartão da mãe de Hotch – e mais uma vez, desculpe por não poder ajudar vocês.

– Posso ter um copo de água? – Emily perguntou.

– Claro, eu pego pra você.

– Não precisa se incomodar, me leve até a cozinha e eu bebo lá mesmo.

– Tudo bem, é por aqui.

– Eu volto já baby – ela falou pra Hotch, seguindo Raphael por um pequeno corredor que levava a uma cozinha.

Quando Raphael ia servir água para ela, ela o parou.

– Eu preciso de caneta e papel.

– Ok, mas primeiro a água.

– Esquece a água, eu preciso anotar algo imediatamente.

O olhar que Emily estava dando era indiscutível, de modo que ele abriu rapidamente uma gaveta, pegando um bloco de notas e uma caneta. Emily anotou rapidamente no papel e entregou a ele.

– Aqui, meu número e endereço. Se você souber de algo procure a mim, ok?

– Tudo bem, mas eu imaginei que vocês fossem casados – ele falou, se referindo a Hotch.

– É uma longa história.

Ambos voltaram para a sala, onde Hotch esperava sentado.

– Vamos? – Emily perguntou.

– Vamos.

Chegando à porta, Raphael cumprimentou ambos com uma aperto de mãos.

– Boa viagem e mais uma vez desculpe por não poder ajudar.

– Obrigada – Hotch respondeu.