Sacrifices
9 Felicidade, enfim?
De volta a Virgínia, a campainha de Emily tocou; ela não ficou surpresa ao ver que era Hotch. Agora que o caso havia “acabado” para eles, estava na hora da conversa que ambos esperavam e temiam ao mesmo tempo. Por cinco minutos, eles apenas se olharam, até que Emily cedeu espaço para deixa-lo entrar.
O clima estava estranho, ele não queria começar a fazer perguntas e ela não sabia por onde contava sua história, mas um deles tinha que tomar a iniciativa, afinal de contas.
– Desculpe por não ter te contado nada antes – Emily começou, baixinho.
Hotch fez menção de falar algo, mas ela o interrompeu.
– Não Aaron, me deixa terminar. Eu estava com medo, estava confusa com tudo isso. Primeiro vem a morte do meu pai e o comportamento de mamãe sem querer que ninguém fosse a fundo com seu assassinato, aí veio esse perseguidor em São Francisco e depois essas mensagens do assassino no corpo das vítimas. É como se não importa onde eu esteja, o fantasma da morte de meu pai está ali, comigo, todo o momento. Eu pensei em contar tudo quando a gente começou isso, mas eu não queria colocar mais ninguém em perigo. Eu só queria pensar que minha vida ia ser diferente, só isso.
– Emily, eu não te culpo. Fiquei chateado por não ter confiado em mim o bastante para me contar tudo? Sim, fiquei. Mas eu não culpo você e não estou aqui para julgar ninguém. Você teve suas razões querida, e seu eu bem conheço sua mãe, eu sei que em relação a ela e à morte do seu pai, você não teve escolha. Mas agora eu estou aqui, também não sei como chamar esse ponto ao qual chegamos. Sei que as vezes sou frio e metódico demais, mas mesmo nesse meu jeito que eu sei que você não suporta, eu estou aqui, e gostaria que você acreditasse que não pretendo deixar nada acontecer com você.
Emily ficou surpresa com sua resposta. Esperava que ele gritasse, terminasse tudo e saísse porta afora. Ela se preparou para isso. Mas o que veio foi algo totalmente diferente, para o qual ela não tinha palavras, e nem ações. Então ficar olhando para ele, com olhos surpresos, parecia a melhor opção para aquele momento.
– Eu vim aqui esta noite – ele continuou – por que antes mesmo que você me dissesse eu sabia. Sabia que estava assustada, com medo, confusa. Eu soube pelo seu olhar e pelo modo como você estava agindo, que você só queria estar com alguém que fizesse lhe sentir segura, mas é orgulhosa demais pra pedir; então eu vim Emily, eu estou aqui pra cuidar de você, por que apesar de eu ter sido arrogante no início, você despertou essa coisa em mim, e agora eu sinto que se você se for, eu não vou poder voltar a ser eu novamente.
– O que você está dizendo Aaron? – a voz de Emily conseguiu sair.
– Já que você está pondo as cartas sobre a mesa, eu decidi pôr as minhas também. Eu te amo, Emily. Tudo o que eu falei se resume nisso e apenas nisso.
– Você não devia brincar com essas coisas, não pode me amar, eu sou complicada demais, não quero arrastar você para dentro desse buraco comigo, por favor Aaron – ela queria chorar, mas não na frente dele, sua garganta doía com o esforço de segurar o choro.
– Eu não vou sair, eu vou entrar nesse e em qualquer outro buraco que você cair. Não adianta mais Emily, é tarde, eu já estou nessa com você e não pretendo sair.
– Às vezes eu me pego perguntando o que fiz pra merecer a equipe e você, sabe? Eu me sinto bem, por um momento esqueço todo o meu passado e os motivos que me levaram até aqui. – nesse ponto, o choro já não podia ser contido, lágrimas rolavam por seu rosto, uma após a outra. Emily finalmente estava chorando o que ficou contido por anos dentro dela.
Hotch a abraçou e ela deitou a cabeça em seu ombro. Não era preciso mais palavras, aquilo bastou para expressar tudo que um ainda tinha que contar ao outro. Emily só esperava que eles saíssem vivos no fim dessa história toda, o resto já não importava.
Ele a beijou, uma e outra e mais outra vez, até que o beijo se tornou faminto. Eles se jogaram no sofá em uma tentativa de se desprenderem de tudo por uma noite, línguas duelaram, roupas foram aos poucos descartadas; seus corpos nus se juntaram em um frenesi de amor, paixão e luxúria. Fizeram amor ali mesmo, à luz do luar que entrava pela janela da sala.
Emily acordou já em seu quarto, sem lembrar de como fora parar ali; sentiu o cheiro de Bacon e se sentiu realmente feliz pela primeira vez desde aquele dia na faculdade, quando recebera a notícia da morte de seu pai.
– Bom dia flor do dia – Hotch adentrou no quarto, tirando-a de seus devaneios – dormiu bem? – perguntou após lhe dar um beijo rápido.
– Bem, não dormi muito essa noite passada, mas o pouco que fiz foi maravilhoso.
Ele riu e colocou a bandeja em cima da cama.
– Café na cama? Desse jeito vou ficar mal acostumada senhor Hotch.
– Bem, contanto que eu seja o único a fazer isso, você pode ficar mal acostumada o quanto quiser.
Emily pensou em tudo que havia sido a vida dela antes de ir para o BAU, e como era agora, com a equipe que era sua família e com Aaron ali do seu lado, sem demostrar intenção de jamais sair. Se a felicidade podia existir, ela estava ali, naquele quarto, naquela vida que ela nem sabia que merecia.
Mas...
As coisas boas eram tão frágeis que poderiam ser destruídas por um sopro.
Ou pelo toque de um telefone.
Naquele momento, o celular de Emily tocou.
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