Sacrifice

6 Mentiras


Notas iniciais
Eu voltei rápido dessa vez, né? Sei, o capitulo ficou curto, mas... Bem espero que aproveitem!

Capitulo

Mentiras

David

–E nosso querido Hook está a caminho- Murmurei, com um leve sorriso, enquanto apertava o botão vermelho e pequeno do celular.

–Você não disse que seria impossivel trazê-lo?- Desafiou em deleite uma voz feminina doce e delicada.

–Não sabia que ele era tão burro- Dei de ombros, enquanto questionava o intelecto inferior do inocente e tolo pirata.

O pirata apaixonado. Um vilão infame e cruel apaixonado por uma alma inocente.

–Quando os vilões se apaixonam se tornam grandes e completos idiotas!- A garota retirou as palavras da minha boca.

–Eu acho que ele sempre fui um- Meu sorriso se tornou mais amplo, mais forte e aceso, como as chamas, um fogo de ódio e ira.

–Mas é até fofo vê-lo desesperado dessa maneira — A garota colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, impedindo que o vento da noite o levasse consigo.

–Ainda fala isso depois do que aconteceu hoje?- Falei desconfiado. Sua calma e tranqüilidade eram sufocantes, ainda mais após aquela noite turbulenta.

–È exatamente isso!-Falou entusiasmada- Você precisava tê-lo visto, David!- Seus lábios vermelhos pareciam sangue destacados pela sombra da escuridão- Seus olhos, a dor neles... Era indescritível. Patético.

–Acho que o nosso amiguinho de olhos azuis se importava bastante com você, Belle French- Sibilei seu nome, tentando deixar meu vago francês evidente.

–Me desculpa, Belle- Ela o imitou perfeitamente, fazendo aquele olhar de “cachorro arrependido” típico do desgastado capitão.

–Gostaria de estar lá para ver isso- Cruzei os braços, imaginando com riqueza de detalhes a cena descrita.

–Para ver a “morte” de Belle French ou a cara do Killian?

–As duas coisas.

Seus olhos se tornaram mais escuros.

–Aposto que adoraria, príncipe– Ela cuspiu, mordiscando os lábios em seguida.

Caminhei um passo, arrastando comigo um punhado de terra e poeira, grama e musgo da floresta impregnada de gotículas de água translúcida e sujeira.

–E o que fazemos agora?

–Como assim?- Ela arqueou uma sobrancelha, deixando-a mais alta e evidente, destacando ainda mais seu rosto álgido.

–Nós esperamos o pirata ou nós livramos dela primeiro?- Virei à cabeça para o lado, um ângulo torto e incerto como minhas palavras e o futuro.

Belle levou ambas as mãos para o cabelo comprido, desmanchando com cautela e cuidado seu rabo de cavalo perfeito; a tira dourada que o prendia caindo no solo sem produzir som, sem causar evidencia. Silencioso como os passos leves de uma bailarina num estimado recital.

–Nos livramos dela- Falou simplesmente, como fosse a coisa mais obvia do mundo.

Seus dedos finos e ágeis se movimentaram com rapidez e firmeza para a aljava em suas costas. A aljava que eu trouxera e a entregara essa noite. O objeto feito de couro e plumas, pintada de vermelho e castanho, inútil e incompetente sozinho, mas que quando acompanhado de uma dezena de flechas, como estava agora, se tornava mortal.

Uma única flecha indígena fora retirada de suas costas, quase ao mesmo tempo em que escorregava o arco para sua mão firme e preparada. Belle era uma garota experiente e treinada, algo ainda mais evidente quando ela segurava aquela arma medieval e primitiva.

–Você vai atirar daqui?

Ela me ignorou, virando imediatamente em direção a garota. Nossa vitima frágil e inocente, amordaçada com vigor no caule de um pinheiro monopodial. O vestido azul indico e longo que trajava estava quase em frangalhos, manchado e sujo, incomparável a peça de seda fina da realeza. Seus cabelos ruivos e rebeldes caiam perante seu rosto, impedindo de ter uma mínima ou qualquer noção de sua face bem esculpida. Impossibilitados de olhar para seus olhos azuis raros e preciosos como uma safira lapidada.

Uma garota bela e valente. Alguém que lutara e perdera.

Alguém condenado a ter para sempre dezesseis anos.

Dezesseis anos de vida.

Pois agora...

–Sim- Respondeu Belle, com um suspiro firme e uma coragem e vontade inabalável. As pupilas acesas e abertas, como um predador antes de agarrar a presa.

Antes de matar.

Uma única flecha. Um único e perfeito tiro certeiro.

Agora...

Agora ela estava morta.

Notas finais
UAU! Alguém imaginava isso? E a garota? Quem vocês acham que é? Bem, O próximo capítulo, caso tenha mais de 3 comentários, ainda sai essa semana. Caso o contrário, bem, vai demorar um pouco...