Sacrifício
17 O casamento dos meus melhores amigos - Parte 1
Notas iniciais
Finalmente, o grande dia havia chegado e estava tudo pronto para o Casamento de Trini e Jason. O casal escolheu realizar a cerimônia em um Hotel Fazenda localizado nos limites da Alameda dos Anjos, a cerimônia seria no jardim e a festa no salão de baile do hotel. A família dos noivos, alguns amigos e todos os rangers da Terra estavam hospedados ali. Billy conseguiu se teletransportar especialmente para a ocasião. Somente Andros e Zane não puderam vir, pois foram buscar Karone em Terra Ventura.
Tommy era o padrinho e foi o último a chegar no hotel. Tomou um banho rápido e correu para o quarto do noivo para ajudá-lo. A Sra. Scott abriu a porta.
— Que bom que chegou Tommy. Agora pode ajudar o meu menino a se acalmar enquanto eu me arrumo.
Grace Scott, a mãe de Jason, era uma bela mulher alta com longos cabelos castanhos e olhos verdes. Ela dividia seu tempo entre a família e seu trabalho como advogada. Agora, estava muito contente com o iminente casamento do filho.
— Pode deixar, Sra. Scott. Eu cuido de tudo.
Jason recebeu Tommy com um aperto de mãos falando:
— Que bom que chegou Bro e as alianças?
— Estão aqui — disse Tommy mostrando a caixinha.
— Não falei que estava tudo certo, querido — dando um beijo no filho, a Sra. Scott falou: — Agora se acalme para não amassar a roupa que eu vou terminar de me arrumar.
— Obrigado mãe!
Sorrindo ela saiu do quarto. Assim que ela fechou a porta Jason exclamou:
— Meu Deus! Eu estou mais nervoso do que na minha pior batalha.
— Relaxa, eu passei pelo altar e está tudo pronto — Tommy se sentou na cama. — Em menos de uma hora vai ser um homem casado.
Jason abriu a caixinha onde estavam as alianças e olhou-as com cara de apaixonado:
— E eu que pensei que a Trini nunca ia me perdoar… e agora ela vai ser minha para sempre.
Vendo a felicidade estampada no rosto do amigo, Tommy não conseguiu evitar a pergunta.
— Você me contou como vocês se apaixonaram na Suíça, mas nunca contou o motivo de terem brigado.
— Eu fiquei com vergonha. Nós brigamos porque eu queria voltar a ser um power ranger — disse Jason olhando o amigo. — Mesmo lá na Suíça, discursando entre vários jovens para melhorar o mundo, eu não conseguia aceitar que não era mais um ranger. Eu queria muito voltar para lutar.
— Eu entendo, — admitiu Tommy coçando o cabelo. — Quando eu perdi os poderes de ranger verde parecia que uma parte minha estava faltando.
— Eu provavelmente teria voltado antes se não tivesse me apaixonado pela Trini. Por mais que eu a amasse, eu precisava voltar…
— O poder do Ranger Dourado estava te chamando. — afirmou Tommy.
— Na época eu pensei isso, mas a verdade é que se eu não estivesse aqui o poder teria escolhido outra pessoa. Eu realmente queria voltar a ser um ranger. — em um tom baixo continuou. — Trini não sentia essa necessidade do poder. Quando eu contei para ela que eu tinha de voltar à Alameda dos Anjos, ela me disse que isso era vaidade minha e desejo pelo poder. Que nosso tempo como rangers já tinha passado e não éramos mais adolescentes e que eu só sentia saudade do manto do Ranger vermelho.
— Sério que ela disse tudo isso? — perguntou Tommy admirado.
— Não só disse, como gritou. Disse que eu estava sendo egoísta e que precisava crescer.
— E você?
— Eu disse que ela estava errada e simplesmente peguei um avião e vim para América.
— Você não avisou a ela que estava viajando?
— Eu tentei depois… — ele coçou a cabeça sem jeito — mas ela ficou mais de um ano sem falar comigo. Eu voltei para cá e me tornei o Ranger Dourado e tentei esquecer a falta que ela me fazia. Foi difícil… eu podia sentir o cheiro dela quando fechava os olhos, mas quando estava morfado não sentia mais nada. A adrenalina das batalhas, a satisfação de salvar o mundo é intoxicante. Quando perdi os poderes do Ranger Dourado eu percebi que ela estava certa. Que o meu tempo como super herói tinha passado e que era hora de encarar o mundo apenas como Jason.
Vendo o amigo calado, ele continuou:
— Encarar a vida real era tão difícil quanto qualquer batalha, principalmente sem a Trini ao meu lado. Pelo menos, ela me perdoou e juntos nós trabalhamos todos os dias por um mundo melhor, mesmo sem poderes.
— Eu tenho que admitir que só parei de sentir falta dos poderes quando perdemos Zordon. Agora, nós podemos morfar, mas…
— Não precisamos — completou Jason.
— Acho que foi um dos últimos presentes que Zordon deixou para nós. Um recomeço.
Jason concordou balançando a cabeça:
— Falando em recomeços, eu precisava falar com você. — Com a voz indecisa continuou: — Trini e eu mostramos o ginásio para a Kimberly e ela ficou interessada em trabalhar com a gente.
Tommy arregalou os olhos surpreso e com a voz um pouco rouca falou:
— Sério? Ela vai deixar a Flórida e voltar para casa?
— Ela não confirmou nada, mas eu conheço a Kim, ela amou o lugar. — os dois amigos sorriram. — Eu não acho que ela está feliz na Flórida, irmão. Ela está pronta para voltar.
Tommy ficou calado alguns instantes olhando para as mãos. Tomou coragem e pela primeira vez perguntou em voz alta:
— Ela está sozinha?
— Está sim — aproveitando o assunto Jason continuou. — Ela já estava sozinha quando fomos sequestrados pela Divatox… — vendo a expressão espantado do amigo continuou. — Tommy, eu nunca vi o outro cara.
— Nunca? — Tommy perguntou confuso: — Eu pensei que você nunca tinha falado dele para não me magoar.
— Em parte sim, mas na real você não queria mesmo saber e a Kimberly e eu concordamos em não nos metermos na vida amorosa um do outro.
— Quando isso? — perguntou Tommy confuso.
— Quando eu estava brigado com a Trini. Mas isso não é importante agora, o importante é saber se você conseguiria trabalhar com ela?
— Não sei… nós precisamos conversar. Eu passei tantos anos evitando a Kimberly. Doeu muito e por muito tempo — admitiu Tommy. — Eu não podia nem imaginar estar a sós com ela e não poder tocá-la. Mas já faz muito tempo, eu preciso saber o que aconteceu.
— Você ainda gosta dela? — perguntou Jason.
— Parte de mim sempre vai amar a Kimberly. — respondeu Tommy. — Mas eu mudei muito e conheci outras formas de amar. Agora, eu consigo conversar com a Kimberly só como um amigo.
Jason abriu a boca para responder, mas uma batida na porta o interrompeu.
— Meu Deus, estamos atrasados!
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O sol estava quase se pondo quando o casamento começou. No altar, Jason estava elegante de smoking preto, ao seu lado Tommy, Billy e Zack. Na primeira fileira, seus pais orgulhosos, do outro lado, a mãe de Trini sentada com Carol e Susan. Nos outros lugares os familiares, rangers, amigos da escola e da faculdade todos reunidos para as bodas.
Um grande arco de rosas brancas emoldurava o altar, onde o sacerdote esperava os noivos. Rosas brancas e lírios amarelos enfeitavam o caminho, em arranjos singelos com flores nos bancos lembrando silenciosamente que ali se casava a primeira ranger amarela.
A música tocou e em pares entraram Cassie e Ashley, Tânia e Katherine e por fim Aisha e Kimberly. Os vestidos eram iguais de cetim e organza com delicadas flores bordadas, cada ranger usava a sua cor e nas mãos um pequeno ramalhete de flores da cor oposta. As cores se entrelaçando e deixando o altar ainda mais harmonioso. As rangers amarelas ocuparam o lado do noivo e as rosas o lado de Trini com Kimberly como madrinha na frente.
A marcha nupcial soou. Trini entrou nos braços do pai, ela usava um vestido branco de seda claro e liso, os cabelos presos com minúsculas pérolas e um longo véu de renda preso nos cabelos. Seu buquê de rosas vermelhas era seu presente para o futuro marido.
O sol se pôs com o amarelo e vermelho se fundindo no horizonte e um beijo selou a união do casal.
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