Sacrifício
13 12.
Gabriel aproximou seu rosto ao meu, seus olhos preocupados não queriam me abandonar.
-Você me ama tanto assim? Mesmo sabendo que eu tenho namorado, mesmo eu tendo ignorado você esse tempo todo...?!!
É verdade... eu não me esqueceria daqueles dias, dos dias que se seguiram após eu saber da verdade. Mas aquilo era passado.
-O que importa agora é o presente — sorri, uma pequena lágrima escorrendo por meu rosto — E o futuro, que eu quero construir ao seu lado, Gabriel...
Agi por impulso, eu sei. Só que depois daquelas palavras minhas eu não podia ficar sem beijá-lo. Foi tão inesperado que senti o garoto travar por um instante, antes de retribuir o beijo também. Se ele tinha namorado, outra vida naquela cidade? Eu não me importava — e aquele beijo que ele retribuíra bastava para explicar tudo isso.
Foi incrível, mágico. Um dos melhores momentos da minha vida. Mas teria sido perfeito se não tivéssemos sido interrompidos por ele.
Palmas estridentes e um riso deboxado separaram meus lábios dos de Gabriel.
-Sabia que encontraria os dois aqui — o garoto disse, a voz raivosa como trovão.
Trajando o uniforme escolar, o único detalhe que o diferenciava de um estudante normal era a arma presa em sua cintura e a gangue sanguinária ao seu redor.
-Lince... — Gabriel murmurou, atônito.
-Venha, Paixão, fique aqui do meu lado e veja esse garoto perder a vida outra vez.
-Quem assassinou esse corpo foi você?! — falei, tonto e cada vez mais confuso.
Agora Lince olhava diretamente para mim.
-Ora, Querido... Quem mais podia ser? — ele sorriu, macabro — Venha, Paixão, depressa.
Olhei para Gabriel, que agora tinha os olhos fixos no chão. Então ele iria mesmo me abandonar?
-Se quiser acabar com ele — o garoto disse, levantando os olhos — Vai ter que me matar primeiro.
Achei que Lince desistiria, que ele enfim nos deixaria em paz. Só que não foi o que aconteceu.
Lince riu, sua gangue inteira rindo com ele. Seus olhos pareciam os de um demônio quando o garoto observou a nós dois.
-Se você insiste, Paixão... É isso o que farei então.
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