SOS Jacob
5 Tudo farinha do mesmo saco
Notas iniciais
RENESMEE POV
Passei o resto do dia comendo que nem uma porca. Parecia que eu recém tinha saído de um indulto de natal. Estava excepcionalmente quente em Forks naquele dia, ou era apenas meu organismo que estava reagindo daquela maneira por causa do embuchamento. Devo ter tomado entorno de uns três banho durante o dia, apenas para aplacar o fogo da juventude dentro de mim.
Ainda estava difícil de fazer a ficha cair. Talvez eu não estivesse grávida, talvez eu tivesse apenas pegado uma virose que me fizesse vomitar, eu podia estar entrando na menopausa pra sentir tanto calor, ou como também eu poderia estar sofrendo de barriga d’água. Todas as opções ainda me pareciam melhor do que a real. Mas uma hora eu precisaria encarar os fatos. Jacob e eu iriamos logo mais na zona de meretrício, e assim que tudo acabasse, eu estaria sã e salva em minha cama, pronta para enfrentar um médico na manhã seguinte. Afinal, eu havia prometido a ele. E promessa de Cullen, aqui se faz, aqui se paga.
Bichob continuou por algumas longas horas deitado no sofá, resmungando algo. Devia ser um mantra tântrico, algum ritual pré-puta, pra ele ficar tanto tempo curvado com a mão nos ovos de ouro.
Agora eu esperava a nova princesa da Disney terminar de se arrumar e descer.
– VAMOS LOGO PRINCESA. SUA CARRUAGEM ESTÁ ESPERANDO. – gritei, apoiando meu corpo no corrimão da escada. Eu mal havia me levantado do sofá e ja me sentia cansada. Jacob apareceu no fim da escada, com uma calça jeans, camisa branca e colete preto por cima. – Meu Deus, homem! Nós vamos num puteiro, e não conhecer a rainha da Inglaterra.
– Catiroba do inferno. Se vou virar homem agora, serei pelo menos metrossexual.
– Sim Senhor. Agora vamos.
– Meu Deus, mulher! Parece que você recém saiu de um “bate coxa”.
O fuzilei com meu olhar. Eu sabia que estava suada, mas também não precisava destruir com minha autoestima.
– Quem me dera, eu tivesse saído de um bate coxa.
O que não deixava de ser verdade. Meu corpo pedia misericórdia por um pinto. Pelo que eu sabia não era tão normal sentir vontade de transar toda vez que se via um macho, nos primeiros meses de gravidez.
– Vou te dar um consolo de presente. – ele riu na minha cara.
– Por favor, que seja grande e grosso. – agarrei seu braço e apoiei minha cabeça nele.
–--X---X---
Já na porta da tal boate, Jacob me apertou mais forte para si quase me sufocando. O fuzilei com outro olhar, e adentramos o local. A nossa frente uma sala enorme, com um pole dance no meio. Aquele mastro brilhava á luz dos refletores e do globo de luz espelhado. O ambiente todo era muito escuro, com paredes em tons roxo e poltronas pretas. Ao nosso lado direito, um barzinho preparava bebidas para seus clientes. Nos dirigimos rapidamente para lá.
– Duas tequilas. – pedi pra o barman.
– Quatro, por favor. – Jacob adiantou-se e aumentou nosso pedido.
Assim que as quatro tequilas chegaram, Jacob sequer esperou o sal e o limão, e, entornou os quatro copinhos da bebida. Olhei assustada para ele.
– Quê? – ele perguntou confuso – Não é você que vai comer uma meretriz hoje. Preciso de coragem.
– Mas não precisava beber a minha. – cruzei os braços.
– Você tá gravida, esqueceu? Não pode beber.
– Maldita hora que concordei em você assumir meu filho.
Notei que o garçom nos olhava estranho, provavelmente achando maluca toda aquela nossa conversa.
– MAIS QUATRO! – gritamos eu e Jacob juntos.
Após algumas várias doses de tequila – bebidas por Jake, é claro – voltamos para o centro da pista, onde uma mulher de corpo muito musculoso e cabelos curtos dançava sensualmente no pole dance.
– Daqui um pouco ela vai se fundir com o cano. – Jacob comentou com os olhos esbugalhados. Era a primeira vez que ele via algo do gênero.
– Cuidado com o que você fala aqui dentro. Se duvidar, ela funde o cano em você! – o alertei. Eu sabia da fama de lugares como aquele, e qualquer cuidado numa hora dessas, é pouco.
Divertido mesmo era ver as reações de Jacob quando deparava-se com alguma cena ilícita. Algumas mulheres dançavam com roupas curtíssimas, esfregando-se nos homens. Já outras, sem sutiã, passavam por Jacob e perguntavam se ele queria algo.
– Você precisa escolher uma Jacob. Nenhuma vai cair do céu. – o incentivei.
– Mas Nessie, elas estão vestindo roupas tipo tomara que me metam o pau grande. Isso é um pouco assustador.
– Então vai lá e meta o pau grande.
– Não sei qual escolher. – ele deu de ombros.
– Eu resolvo isso.
Fui até o bar novamente e perguntei como funcionava as coisas alí. Eu havia dito para Jacob que já estivera naquele lugar, mas na verdade eu nunca estive ali. Infelizmente a boate que eu costumava ir para beber e dançar estava em reforma, e me obriguei a escolher outra. O barman disse-me que eu deveria me dirigir a uma mesa que ficava um pouco escondida na parte mais escura da boate, lá estaria a dona do estabelecimento, e eu deveria requerer uma garota de programa através dela.
Puxei Jacob pelo braço, e o fiz ir junto comigo. Atrás da mesa estava uma senhora de uns 60 anos de idade. O cabelo grisalho não combinava com sua pessoa, assim como o bigodinho preto acima dos lábios. Senti vontade de vomitar ali mesmo. Jacob olhou-me com nojo, mas ficou quieto.
– Com licença, eu gostaria de contratar uma GP para meu amigo aqui. – a mulher nos olhou com uma sobrancelha levantada – Quero alguém pra dar um trato nele.
Com um sorriso largo, que mostrou seus dentes amarelos e tortos, a dona do local cochichou no ouvido do segurança. Este, pegou um radio e falou algo nele. Não consegui entender por causa da música alta. Ela me disse o preço pela hora, eu paguei, e a senhora me entregou a chave do quarto.
Quando saímos de lá, Jacob suava frio. Me parou inúmeras vezes no caminho alegando que estava com infecção na bexiga, dor de cabeça, mal de Parkinson.
– E se ela for feia? E se ela tiver bigode também? Frieira? Dentes podres? Gorda? Velha? Peluda?– ele perguntou.
– É só fechar os olhos e mandar ver. – respondi colocando a chave na fechadura da porta.
– Eu não vou conseguir. – ele deu um passo atrás.
– Vai sim. Tudo vai dar certo. Prometo que se isso não der certo, eu paro com meus planos malucos.
– Promete? – fez cara de cão sem dono. Me deu vontade de levar para casa e cuidar.
– Prometo. Mas você precisa tentar primeiro. OK?
– OK. – ele assentiu e abri a porta.
Ver Jacob entrar no quarto, e saber que dentre uma hora ele poderia sair de lá como o belo homem que é, fez meu coração doer um pouquinho.
JACOB POV
Eu sentia que meu coração ia sair pela boca. Deixar Renesmee para trás parecia ser errado, mas se ela achava que aquilo pudesse me ajudar, eu iria fazer.Estava na hora de parar de agir feito uma criança, um menino. Eu era um homem. E como tal, deveria assumir minhas responsabilidades. Estava na hora de criar coragem.
O quarto estava escuro, assim como o restante da boate. Ele era vermelho, e algumas luzes transitavam pelo quarto. Olhei ao redor e encontrei deitada na cama, uma mulher loira. Os olhos castanhos denunciavam sua luxúria. Ela tinha os braços apoiados na cabeceira da cama, e vestia um lingerie branca. Ela até que era gostosinha, mas ainda assim parecia errado fazer aquilo.
– Que bom que chegou, estava ficando ansiosa já. – ela disse. Ficou de joelhos na cama e veio engatinhando até onde eu estava.
– É, eu também estou um pouco ansioso. – eu já suava frio. Sentia as gotas de suor escorrer pelo meu pescoço, entrando na camisa.
– Não se preocupe, farei você nunca mais esquecer essa noite.
Quando ela ficou de pé, ela era da minha altura. Uma mulher um tanto quanto alta. Mal tive tempo de falar algo, e eu já estava sendo atirado na cama de forma brusca. Aquilo me assustou e soltei um grito.
– Calma gatinho, você parece ser tão delicioso. Quero lamber você todinho. E depois você vai me chupar. – ela disse manhosa, com a voz extremamente anasalada voltando pra cima da cama.
– O-K. OK! – engoli seco.
A GP sentou em cima de mim, e começou a tirar rapidamente minha roupa. Quase de forma violenta. Fiquei com vergonha de pedir para ir mais calmamente, ela parecia tão esfomeada, que achei por um momento que poderia me bater. Quando menos esperei, ela se esfregava em mim, lambia meu pescoço e orelha. Meu coração acelerou de forma drástica. Não me assustaria se sofresse um AVC ali mesmo.
Ela tirou o sutiã, jogando-o longe e pegou minhas mãos. Elas foram postas em seus seios, e a loira parecia gostar daquilo. Fiquei com as mãos paradas, eu não sabia muito bem o que fazer. Eram peitos duros de silicone, e pontudos. Poderiam muito bem furar os olhos de alguém. Ela esticou-se para o lado e puxou duas camisinhas de dentro da gaveta do criado mudo.
– Porque duas camisinhas? – perguntei.
– Logo você verá.
Ela lambeu os lábios vermelhos, e olhou-me sedutoramente. Lembrei-me de Renesmee lá fora sozinha, gravida, e a mercê de qualquer idiota bêbado. Lembrei também que ela não era muito boa em obedecer ordens, e que se pudesse iria beber e fumar. Tentei levantar para sair daquele quarto, mas a loira fez cara feia e me segurou na cama.
Forcei mais uma vez, e foi em vão de novo. A força daquela mulher era descomunal. Ela fez que não com a cabeça, e o desespero tomou conta de mim.
– Acho que não quero mais continuar com o programa. – falei, no intuito de que ela me liberasse.
– Porque gatinho?
– Estou com caganeira. Vou rebostiar o quarto todo. – menti.
– Que nada, eu adoro uma chuva negra.
– Credo mulher! Me deixe ir. – eu já estava quase suplicando.
– Nada disso. Você pagou, agora vai fazer.
– Mas pode ficar com o dinheiro. Ninguém vai ficar sabendo.
– Comigo as coisas não funcionam assim. Você pediu um trato e eu vou te dar.
Ela voltou a me beijar o pescoço e o peito, enquanto segurava minhas mãos acima da minha cabeça. Já que usar força não estava adiantando, comecei olhar em volta na procura de alguma solução ou saída. E o que percebi foi várias placas espalhadas pelo quarto com duas palavras: Mulher Té Tinha. Recordei que vi a mesma placa pela boate toda. Vi ali uma possível saída, o início de uma conversa.
– Porque está escrito Mulher Té Tinha, nessas placas? – ela soltou meus braços e olhou para as placas, depois sorriu sugestivamente.
– Porque mulher té tinha, agora não tem mais.
Quando ela levantou o tronco, voltando a fica sentada em mim, sua saia de tule branca, estava erguida, como se estivesse de barraca arm... Agora tudo fazia sentido, as duas camisinhas e o “me chupar”. Não sei de onde arranjei forças, mas joguei aquele projeto de mulher berinjela para longe e com a camisa aberta e as calça caindo, saí correndo de lá.
Quase vomitei pelo caminho. Era por isso que aquela senhora tinha bigode. Deduzi que todas as “mulheres” que trabalhavam lá eram farinha do mesmo saco. E põe saco nisso. A loira gritou pelos seguranças, e quase tive um treco correndo atrás de Renesmee. Quando a achei encostada no bar bebendo uma caipirinha, apenas puxei-a pelo braço, fazendo sua bebida cair no chão e a carreguei para fora daquele lugar.
Quando estávamos á salvos dentro de seu carro, tranquei as portas e saí de lá cantando pneu.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – ela perguntou olhando-me apavorada.
– Você me trouxe para a toca do leão, sua maluca!
– Não me diga que eu paguei, e você não comeu a puta? – seu olhar era de revolta.
– Acho que era mais fácil ela me comer, do que eu. – ela juntou as sobrancelhas – Por Deus Renesmee, você não percebeu os corpos musculosos, os bigodes e as vozes anasaladas? – ela negou com cabeça – Aquilo lá era um arsenal de pintos.
Como se eu tivesse contado uma piada muito engraçada, a égua buchuda ria igual uma hiena. Se eu não estivesse tão apavorado pelos acontecimentos recentes, teria feito migalhas da cara dela.
– Renesmee chega, isso não tem graça. – ela parou e me olhou com os olhos úmidos – Eu quase perdi meu toba. – ela voltou a rir escandalosamente – E você vai perder os dentes se não parar!
Mas eu era muito trouxa mesmo de acreditar que poderia mudar algo que durou 20 anos. Eu estava perdendo o meu tempo, e metendo o meu na reta. Além de não ajudar em nada a situação de Nessie. A hiena paraguaia parou de rir drasticamente, se curvando para frente, apertando a barriga.
– Ai, ai, ai! – ela resmungou.
– Renesmee, é o bebê? Quer que eu te leve para o hospital? Pare o carro? Chame a SAMU? Uma almofada? Um copo de água?
– Não, não. Já passou – ela voltou a se recostar no banco de couro do carro – Apenas ri demais. – ela sorriu levemente.
– Vou te levar para casa, você está suando. – passei a mão em seus cabelos, e conferi se ela estava com febre.
– Não estou com febre, apenas com muito calor.
– OK. Vamos tomar um banho, então.
– Hum, oferta tentadora. Mas só se você me ensaboar. – ela deu uma piscadinha.
– Quantas caipirinhas você bebeu? – indaguei, me divertindo com suas caras e bocas.
– Algumas? – perguntou, mais do que respondeu.
– E isso é ruim? Estou em perigo?
– Oh, pode apostar que sim!
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