Notas iniciais
Desculpem a demora :S

Eles conseguiram manter silêncio durante a primeira hora, para alegria de Mikasa. Assim tornava mais fácil escutar alguma coisa caso a oportunidade surgisse e também porque não era babá, então não agiria como uma separando brigas estúpidas.

– Jean — ela o chamou. — por onde vocês foram quando escutaram o barulho de água?

– Mais para o oeste, querida.

– Não me chame de querida.

– Sim, senhora. — Ele piscou e ela revirou os olhos.

Eles seguiram na diagonal, para o oeste e para, o que esperavam, alguma coisa concreta. Armin estava preocupado que não encontrassem utilidade nessa caminhada, principalmente que não encontrassem abrigo, e quando o sol fosse embora, mesmo que ainda faltasse muito para isso, eles estivessem em uma situação nada legal. Eren foi até alguns cocos que haviam caído e se encontravam ao pé do coqueiro.

– Armin, sua mochila. — Ele pediu, ao que o amigo estendeu o objeto aberto para ele. — Segure uma alça e eu levo a outra.

– Ei, cuidado com essa raiz… — Mikasa estava avisando a todos bem quando Jean despencou ao seu lado, conseguindo evitar uma queda muito mais feia, com o rosto de encontro ao chão, ao aparar-se nas mãos, mas o improviso só deu para minimizar o impacto, pois assim que se apoiou, os pulsos não aguentaram o peso e ele rolou para o lado.

– Ai! Porra. — Ele resmungou, deitando de costas e levando as mãos ao cabelo.

Mikasa conseguiu reprimir o riso o suficiente, mas Eren não teve a mesma sorte (ou a mesma vontade) e gargalhou, os olhos de Mikasa se encontraram com os dele, que brilhavam de uma alegria incontida, e ficou mais difícil para ela se segurar. Rindo assim, ela quase queria esquecer o quão babaca ele podia ser com ela. Jean grunhiu do chão e ela desviou seu olhar pra ele, já se inclinando para lhe dar a mão, detendo Armin que, tendo tomado susto com o baque, já estava fazendo menção de ir ajudar.

– Não ria de mim, princesa, já estou machucado o suficiente. — Ele comentou, fazendo cara de cachorrinho abandonado.

– Tadinho, o que eu poderia fazer por você?

Assim que soltou essa, ela percebeu, alarmada, que estava de alguma forma flertando com Jean… certo? Ou era o que parecia, 7 minutos no céu na despensa de Brad Roe com o próprio em seu aniversário de 16 anos não constava exatamente como experiência.

– Beijinhos sempre passam.

– Eu é que vou passar essa. Segura logo minha mão, temos que ir.

Ele pegou sua mão, blasfemando todo o caminho até subir, e pareceu tropeçar quando se jogou nela.

– Ei. — Mikasa preocupou-se de que os dois fossem para o chão, mas ou ele não era tão pesado ou estava aliviando o peso. Ela teve certeza de qual opção era quando sentiu algo macio tocar a lateral de seu pescoço e descobriu que era os lábios dele. — Ei! — Ela repetiu, dessa vez enfaticamente indignada.

– Bom, eu não passo. — Ele respondeu, sorrindo e se endireitando.

Mikasa empurrou o ombro dele e ele fez uma careta de dor.

– Bem feito.

Eles só pararam mais uma vez para quebrar os cocos e matar a sede, o uso de pedras para abrir o fruto, como povo das cavernas ou sabe-se lá o quê, não tava dando muito certo, já que boa parte da água ia embora, mas era tudo o que tinham. Mais cocos surgiram e com eles outros frutos que eles foram coletando e levando consigo.

Um bom tempo se passou, Eren disse que eles haviam batido a distância percorrida por Reiner no dia anterior e eles seguiram e seguiram, suando e com a respiração acelerada.

– Precisamos mesmo parar. — Armin foi o primeiro a ceder, mas foi Jean o primeiro a se jogar em um tronco, indo até o chão.

Todos sentaram-se mais ou menos perto uns dos outros, e dividiram as bananas e pitangas, comendo por um tempo em silêncio.

– Ei, suas mãos estão sangrando. — Armin voltou-se para Jean.

– Ah, estavam, mas estancou. Quando eu caí por cima delas tinha alguns espinhos no chão. Foi superficial, só arranharam.

Eren pensou em fazer um trocadilho com a palavra “superficial” e o próprio Jean, mas tava cansado demais para isso e se pegou pensando, ao invés, no motivo de Jean ser, de todos, quem ele mais odiava e depois no por quê de Jean estar mais próximo de Mikasa, o que parecia servir como um dos motivos para responder a primeira reflexão. E então, o que pareceu mais fundamental, pensou no incômodo que era Mikasa estar mais próxima de Jean e mais distante dele. Ela sempre esteve por perto dele e de Armin, mais nunca como se Armin estivesse entre eles, mas sim ele, Eren, que estava entre os dois. Ele era o centro, e agora não era mais, e agora Mikasa nem olhava para ele direito, e isso estava o deixando furioso.

Ele se sentiu o idiota que ela o acusou de ser porque qual outro motivo seria dele estar se sentindo assim se não fosse egoísmo? Ele era uma droga divagando sobre sentimentos, por isso que em vez de pensar, estava sempre fazendo alguma coisa, rindo de alguma besteira, curtindo com algum amigo. E, pensou, esse amigo nunca era Mikasa, apesar de que ela era uma…certo? Ou havia sido. Mas como podia se ele nem sabia como lidar com ela?

Seus olhos focaram nela só para descobrir que ela havia diminuído a distância que a separava de Jean e estava agora ao seu lado, conversando. Impotente, ele só rangeu os dentes e fechou os olhos.

Se fossem chutar diriam que ia dar meio-dia, já havia se passado em torno de 6 horas desde que saíram. Seis horas até ganharem uma recompensa na forma de córrego que se insinuou, finamente, em seus caminhos. Um ânimo incontrolável pairava entre eles, pesando no ar umedecido por aquele filete de água doce que mal constava como uma separação real entre uma margem e outra, mas existia.

– Água à vista. — Disse tremulamente Armin, rindo aliviado.

Eren se agachou, pondo as mãos em concha para enchê-las de água e em seguida molhando o rosto, bebendo, fazendo a festa. Os olhos de todos brilhavam e foi só o tempo de aproveitar daquele presente divino por alguns minutos quando um pensamento inevitável ocorreu.

– Está indo para o leste. — Armin se pronunciou. — Deve estar vindo da outra direção, então. Vamos seguir e se tivermos sorte um rio logo aparecerá.

Dessa vez eles seguiram muito mais animados, aquele córrego tinha lhes dado uma esperança quase insana. Por mais que não dissessem, não podiam deixar de montarem os piores cenários sobre aquele lugar desconhecido, criatividade não faltava. Agora, Jean já fantasiava com ribeirinhos acolhedores que os hospedariam e trariam pratos e pratos de comida para alimentá-los. Só lhe responderiam “sim”, “claro”, “mais almôndega?”

À medida que iam se dirigindo mais e mais para o oeste o estômago roncava, como que se rebelando, também querendo mais, mais que frutas. Mas tomar banho parecia a prioridade do momento e eles aceleravam e diminuíam o passo, só pensando em se jogarem no rio quando o visse e eles ouviram. O barulho de água já estava muito alto, como a existência de queda d’água, e só precisaram de mais alguns passos até as árvores darem lugar à arbustos, mato e então ao tão desejado rio. Mas eles não estavam só.

O ruído de seus passos fez a cabeça do outro visitante levantar bruscamente, os encarando. E eles o encararam de volta, suspensos por um momento pela surpresa. Era um veado.

– Como isso vai ser? — Jean perguntou baixinho, sem querer fazer nada que pudesse se assemelhar a um ataque. — Faremos amizade ou seremos comidos?

– Até onde sei veados são herbívoros, mas isso não quer dizer muita coisa, quer? — Mikasa respondeu.

– É, aposto que aqueles chifres não são só enfeite. — Jean retrucou.

– É só espantá-los. — Eren disse.

– De boa, vá você. — Jean jogou a toalha, recebendo um olhar mortal do outro.

– Eu vou com você. — Mikasa disse a Eren, fazendo-o sorrir inesperadamente. Jean suspirou ao seu lado, insatisfeito.

– E vocês pretendem fazer o quê exatamente? Correr até ele, gesticulando, baixando o espírito louco?

– É uma ideia. — Mikasa deu de ombros.

– Avá.

Apesar da resistência, sabia que não deixaria ela fazer isso sozinha, ou com Eren, não que ele servisse pra alguma coisa, pensou.

– Tá, no três. — Ele suspirou. — Um, dois…-

– AGORAAAA!!! — Mikasa gritou, já correndo, e os meninos arregalaram os olhos, assustados, antes que a seguissem.

– SUA LOUCAAA!!! — Jean gritou, com o intuito de repreendê-la e assustar o animal ao mesmo tempo, mas não pareceu que ele teve sucesso em qualquer uma das funções.

Eles correram, gritando, incorporando. Seria cômico se não fosse trágico, mas deu certo. O cervídeo saiu da beira do rio e virou-se, fugindo, por entre as árvores do outro lado, e eles só pediram que não fosse para chamar seus colegas.

– Uf! — Mikasa diminuiu a velocidade, parando, e apoiou as mãos nos joelhos. — Merda. — Respirou com dificuldade, tentando controlar a respiração. Alguns segundos depois, já parecia melhor. — Tá, nada mais vai me impedir agora...

Ela endireitou o corpo, respirou fundo e olhou para trás, para os meninos, dando um sorriso de cumplicidade, e então começou a tirar a roupa.

Notas finais
Preciso de comentários!!! kkkk Postarei mais rápido que dá última vez (e revisarei - foi mal os erros), prometo :) Bjos ^^