SOMBRAS - A Armadilha da Rainha

15 Capítulo 13 - Lugares Salvos não parecem tão salvos


O clima dos Lugares Salvos era bem diferente do da Casa Marcada. Havia uma brisa fresca, não muito semelhante ao clima de outono, assim como uma temperatura mais agradável. Um vento suave os atingiu, atraindo-os de volta a realidade que os cercava.

Com uma primeira impressão parecia um típico acampamento de férias, do tipo que fica lotado durante o verão.

Hérnia não disse uma única palavra, ou se quer se moveu. Aquele era o momento para que os irmãos pudessem analisar seu novo território. Havia pessoas ainda circulando pelas áreas comuns, mesmo pelas altas horas da noite, sem nenhuma represália. Alguns se encontravam ao redor de uma grande fogueira, mais ao longe, no centro. A sua direita, no entanto, conseguiam distinguir pelo menos duas construções, bem distanciadas umas das outras. Logo atrás havia mais uma, antes de verem as águas de um grande lago. Ao outro lado, árvores e mais árvores, além de outra construção. Ao longe, a sua frente, havia mais. Coisas que sua visão não conseguia distinguir pela falta de luz. Logo, o que estava para depois da fogueira, seria um mistério temporário para eles.

— Estamos mesmo em um acampamento? – Isabel contestou, com uma ponta de indignação, em direção a Hérnia.

— Vamos, primeiramente, achar Camille. – Ela disse calmamente, com um leve sorriso nos lábios. — Tenho certeza que ela terá prazer em lhes explicar tudo.

Dito isso, Hérnia moveu a cabeça, indicando o caminho a qual guiaria os dois. Passando próximo da fogueira, Izzie ignorou os olhares curiosos lançados em sua direção, enquanto Matt analisava suas novas oportunidades.

Com uma cotovelada, Izzie atraiu a atenção de seu irmão, para olhar. Distante deles, mas com um tamanho considerável, uma das estruturas começou a ganhar forma, mostrando-se semelhante a um templo. Tinha vigas, de mármore branco, erguendo a vários metros de altura, o teto. Era uma área, teoricamente aberta, circular, mas definitivamente enorme.

Observando o olhar de curiosidade de seus seguidores, Hérnia orientou. – Haverá tempo para que conheçam tudo. – O objetivo era tranquilizá-los.

Izzie sentiu desconfiança com o local. Tudo parecia muito fora de sua área de conforto.

Conforme andavam, Izzie reparou nas casas posicionadas após um caminho trilhado, a sua esquerda. Era como um condomínio de casas organizadas em uma formação desconhecida. O caminho era iluminado por postes de luzes, que se seguiam por entre as construções. Não era possível ver mais do que aquilo.

Já próximo de seu destino, os dois candelabros na entrada, possibilitavam uma melhor observação. A chama azulada queimava. Uma porta grossa, de madeira escura os recepcionou. Nela, talhado na madeira, bem no centro, estava o símbolo dos Representantes, com uns trinta centímetros de altura. Atrás do local, mais árvores.

Fora isso, não havia grandes decorações do lado de fora e assim que entraram, puderam ver que era assim do lado de dentro, também. Não que houvesse algum espaço livre para decorações. Quatro computadores enchiam as poucas mesas, que se encontravam do lado esquerdo. Antes delas, havia uma escada em espiral, que levava até o segundo andar. No fundo, uma grande estante, ao lado de uma poltrona e uma pequena mesinha de centro, onde uma bandeja com uma xícara estavam depositados. Na diagonal da poltrona, havia um sofá de dois lugares, de um tom verde musgo, já um pouco gasto. Um quadro eletrônico preenchia quase a parede inteira da direita. Informações constantes iam e vinham pela tela. De enfeite, podia se identificar um quadro de uma batalha na parede que acompanhava a escada.

Os computadores estavam desligados, com exceção de um, que mostrava quatro imagens simultâneas. Câmeras de segurança. A primeira, foi a única que Matthew e Izzie conseguiram distinguir. Uma estrada, onde a beirada era revestida por mais árvores.

— Hérnia – Uma voz feminina e animada, chamou. Os olhares de todos se dirigiram até a escada, onde uma garota, que não deveria passar de seus vinte anos, descia. — Não esperava vê-la tão cedo.

Ela tinha cabelos ruivos, presos por uma trança, que continuava até metade de suas costas. Suas feições eram fortes. Ela era bonita, e sua determinação evidente em cada passo. Não muito magra. Ela vestia uma calça jeans azul, já desbotada e rasgada no joelho, com uma camiseta verde e um simples all starpreto.

— Camille. – Hérnia cumprimentou sorrindo, ao se dirigir a garota, quando a mesma chegou no último degrau. – Achei que Reinald tivesse lhe alertado.

— Acabei de receber uma mensagem de fogo. Mas ele não me avisou que você quem os traria. – Ela indicou os irmãos, ainda parados próximos da porta.

— Isabel, Matthew, tenho a honra de lhes apresentar, Camille Castilho, filha de Atena.

— Você é uma ...? – Matthew começou, sem conseguir escolher a palavra correta. Foi um momento de devaneio, simplesmente analisando a garota a sua frente.

— Semideusa? – Ela completou. – Sim, sou.

Isabel também a analisava, mas por desconfiança e não interesse, como seu irmão.

— Lamento ter de ir, mas meu lugar é na Casa Marcada. – Hérnia disse, quebrando um pouco da tensão que o olhar questionador de Izzie causou. – Mantenha-me informada Camille.

— Com certeza. – Ela respondeu com prazer.

Dadas as despedidas, Hérnia subiu a escada em espiral, desaparecendo da visão dos três. Camille não disse nada durante alguns minutos, o que permitiu a Matt e Izzie analisarem não apenas a ela, mas tudo que estava presente na sala.

No entanto, Camille logo prosseguiu. Não havia motivos para adiar o inevitável. — Minha mãe é a deusa da sabedoria e estratégia em batalhas, por isso, depois de certos acontecimentos, eu fui uma das escolhidas para ser a orientadora dos Lugares Salvos.

— Achei que os semideuses não precisavam ser treinados. – Izzie comentou.

— Muito pelo contrário. O treinamento de vocês, impuros têm referência a controlar suas habilidades. Os aliados, devem ser treinados para que possam proteger os mortais. Sub aliados, para fornecer suporte. Já os semideuses, devem ser treinados para sobreviver aos monstros que vocês não conseguem matar. — Aquela resposta aniquilou, qualquer ponta de ironia na fala de Isabel. Ela concordou com um aceno de cabeça e deixou que Camille prosseguisse.

— No entanto, o treinamento dos semideuses é bem variado. Temos as chamadas facções. Alguns decidem viver nelas, outros apenas as usam como um refúgio quando necessário. Há também algo como um colégio de verão. Esconderijos subterrâneos, e entre outros. – Alguns olhares de desentendimento foram trocados, antes que ela explicasse melhor. – Vejam bem. Sei que é muita coisa para digerir, mas tentem acompanhar o raciocínio. – Não havia gozação em sua fala, apenas sinceridade. – Existem sete continentes no mundo. Por conta disso existem sete bases para semideuses e sete bases para aliados. Entretanto, só existe um lugar para os impuros, e é aqui. Os Lugares Salvos. – Uma pausa. Camille se dirigiu até a poltrona no fundo da sala, indicando para os dois o sofá a sua frente. – A Casa Marcada e o Refúgio da América do Norte, são os principais centros, com o maior número de membros. Mas o importante para vocês saberem é que cada uma das bases é responsável por um continente, em geral. É por isso que recebem os pins de transporte. Por falar nisso sinto muito que não puderam ficar com os que receberam.

Matthew abriu a boca para falar, mas Izzie o interrompeu, ao emburrar seu pé, mudando de posição no sofá. – Sim. Foi emocionante poder viajar pelo menos uma vez com eles. – Seu olhar de repreensão para Matt foi o suficiente para que ele se calasse.

Camille, no entanto, não era fácil de ser enganada, mas mesmo percebendo o que se passava, resolveu agir de acordo com a encenação. Avaliaria o que acabara de acontecer depois. Aquele não era o momento.

— Os Lugares Salvos são onde vocês viverão a partir do dia de hoje.

— Espera. – Matthew interrompeu. – Isso quer dizer que nunca poderemos sair daqui?

— Não necessariamente. – Ela respondeu calmamente. – Quando atingem vinte anos, os impuros podem escolher, após cumprir um ano de tarefas, as quais seriam suas funções aqui, se desejam ir embora, ou permanecer. No entanto, caso desejem sair, uma vez por ano, são convocados na assembleia da Corte de Osgs, para que suas ações sejam avaliadas. Além de que continuam sendo vigiados pelos registrados da OCM.

— Mal posso esperar pelos vinte anos então. – Ele comentou, com uma gargalhada brincalhona, mesmo não entendendo o que tudo aquilo significava.

Camille riu em resposta também. — Você não faz ideia de quantas vezes ouvi isso. E dos poucos que efetivamente saíram. – Ignorando o fato de que acabara de destruir os ideais de Matthew, ela continuou. – As coisas aqui são simples. Do mesmo modo que os aliados são ocupados com seu desenvolvimento, vocês também são. E como estiveram ausentes até o momento, vocês perderam alguns anos de experiência, e é minha função avisar que teremos que ter 110% de seu total empenho.

— Se não vamos sair em missões para proteger os sangue-normais, como os aliados. – Izzie começou. – Por que tanto alvoraço por esses anos perdidos?

— Vocês têm que entender, que por mais que vocês não saiam em missões, precisam aprender a controlar seus instintos, poderes, habilidades. – Ela os olhava atentamente, e por um momento sua expressão ficou séria. – E sendo bem honesta. Nunca se sabe. Profecias surgiram muito antes de os Lugares Salvos terem sido criados, há 477 anos atrás e em alguns casos, os impuros faziam parte delas. Somos todos divinos aos olhos do destino.

— Se for nosso destino podemos sair daqui e ir em missões. – Matthew completou extasiado e um tanto perplexo.

— Seria o jeito de sair. – Camille respondeu. – Nem mesmo os deuses se atrevem a brincar com as profecias.

Deixando essas palavras no ar por um tempo, Camille parecia pensar em algo. Sua expressão deixava clara que ela havia, de fato, deixado o local por um breve momento.

— Não vou mentir, vocês não são os primeiros a entrarem aqui, com anos a mais, ou a menos, então garanto-lhes que estão em uma situação melhor do que seus irmãos. – Ela se deixou absorver por um minuto. — Vocês já tiveram a introdução das coisas, creio eu. – Camille prosseguiu, ao perceber os olhares intrigados em sua direção. Com uma confirmação discreta por parte dos irmãos Daddrien, ela sabia que parte de seu trabalho havia sido poupado. – Ótimo. Então venham comigo.

Eles se levantaram e foram em direção a saída. O mesmo ar de antes os atingiu. Matthew estranhou aquilo. Normalmente, as temperaturas deveriam cair com a chegada da noite, como aconteceu na Casa Marcada. Não era algo tão importante, mas mesmo assim o deixou curioso.

— Por que não está frio? – Ele finalmente perguntou, enquanto se aproximavam da fogueira.

— O acampamento é a melhor maneira que os deuses acharam de criar e modelar seus impuros. Através de modos mais tradicionais. Longe de qualquer contato tecnológico, com exceção da Segurança. – Ela indicou a construção de que saíram a pouco. – No entanto, para mostrar bondade, de certo modo, o acampamento fica à mercê, de certo modo, de seus humores. Sem contar a Sombra.

— Os outros não podem ver esse lugar? – Izzie perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

— Isso mesmo. – Confirmou. — Já fazem quase cinco séculos que ninguém chegou aqui sem ser esperado. – Camille adicionou, com um sorriso satisfatório no rosto.

Eles seguiram o caminho de volta, que haviam feito com Hérnia. Parando ao lado do que acharam ser um templo antes.

— Está é área de treinamento de vocês. – Camille instruiu, adentrando. – O modelo rústico serve como um incentivo contextual. Nos tempos antigos os semideuses e os aliados tinham que treinar com base em sua vida e morte, e aqui vocês trabalharão com armas reais, com um único lugar para cair. – Ela deu uma pisada, fazendo a sola de seu tênis se chocar com força contra o chão de mármore, igual ao de toda a grande estrutura. – O chão.

— Ou seja nós realmente estaremos lutando por nossa vida ou morte. – Izzie esclareceu.

— É para isso que temos a enfermaria. – Ela indicou a estrutura que estava atrás deles quando chegaram. A mesma estava distante. Camille não parecia preocupada. Na verdade, achava bastante engraçado a reação de Isabel. – Não se preocupe. A última morte em treinamento aconteceu a dois séculos.

Já dentro do local, Matthew e Isabel puderam ver que se tratava de uma extensão circular. As vigas realmente mantinham o lugar em pé. Tudo era feito de mármore branco, como os templos da antiguidade. No que deduziram ser o fundo determinado, entretanto, havia duas vigas com uma maior distância de uma para a outra e no meio delas, um grande quadro talhado com vinte e quatro membros, em alta escala. Ao lado havia uma longa extensão de armas de diversos tipos. Dentre elas, arcos, espadas, katanas, adagas e bastões de diversos tamanhos.

Impressionado, Matthew foi em direção as prateleiras, mas à cerca de dois metros das armas, foi atingido e jogado para trás. Parando quase ao lado da irmã, onde estava inicialmente. — Mas que droga... – Izzie praguejou, indo em direção ao irmão, estirado no chão.

— Há um campo de proteção ao redor das armas. – Camille explicou, enquanto ajudava Matthew a se levantar. – Não é como se eu fosse deixar um bando de adolescentes com armas a sua disposição.

Foi naquele momento que eles puderam efetivamente ver que ela era a responsável por tudo aquilo. E por mais que não parecesse mais do que dois ou três anos mais velha do Matthew, ela sabia milhares de coisas a mais do que eles. E não constava no plano morrer tão cedo.

— O que temos que fazer aqui? – Izzie perguntou.

— No geral, aqui é onde vocês terão seus treinamentos de lutas corpo a corpo. Comigo, ou um dos outros professores. – Camille gesticulava para todo o local, que tinha aproximadamente noventa metros quadrados. – Devem estar preparados para lutar, caso necessário.

Izzie concordou com um aceno de cabeça, assim como seu irmão.

— As construções que viram mais ao leste, sudeste para ser exata, são onde vocês morarão. São casas grandes, porque a expectativa de impuros era maior.

— Como podemos ter casas? – Matthew perguntou.

— Cada um de vocês têm marcas dos Representantes que lhes deram poderes. A maior delas, mostra o Representante regente, e é na casa dele que vocês ficarão. — Automaticamente, os dois olharam para as marcas mais visíveis em seus corpos. — Vou levar vocês até lá. – Camille disse finalmente.

— Espera. – Izzie interrompeu. – Quem são todos aqueles? – Ela apontou na direção do grande mural, de aproximadamente quatro metros de altura.

Camille parou de andar e se voltou para ela mais uma vez. – São os deuses e os representantes. Os doze olimpianos e os doze da corte de Osgs. Os de cima os deuses, e os de baixo os representantes.

Dado por encerrado, os três seguiram caminho até as casas, as quais Camille havia se referido. Eram as construções depois do caminho que Izzie vira antes. Enquanto andavam, puderam ver o quão grande o lugar era. Seria impossível não o notar, se não fosse a sombra.

— Agora, deixem-me ver as marcas. – Camille disse em meio à noite.

Eles mostraram, e mesmo que Camille tivesse tentado, não conseguiu esconder o espanto ao ver que Isabel tinha quatro siras. Quando duas delas se repetiam. A de Leão, presente no pulso, como signo de nascimento, e no busto, como o maior símbolo dela.

Em Matthew era o de Libra, nas costas.

Camille mostrou onde cada um deles passariam a dormir com o maior prazer, mas antes de dispensa-los, ela explicou o quão grande era o local. – Este acampamento definitivamente não é um acampamento. Temos muitas áreas que teoricamente vocês não veriam em outros lugares. Ainda mostrarei a vocês. A Praça vocês já conheceram, é o lugar em que temos a fogueira de vez em quando. Estamos na Vila dos Impuros. – Ela mostrou as casas ao seu redor. – Assim como a Segurança, onde Hérnia nos apresentou. E o Campo, que continua um pouco depois do Parthenon Circular.

Sem muito mais delongas, os três se despediram, com acenos rápidos, e os dois irmãos foram instruídos a entrar e dormir um pouco. Estava tarde e no dia seguindo as explicações continuariam, assim como a introdução aos outros membros do acampamento.

Camille não podia esconder o espanto de si mesmas. Não conseguia imaginar ter poder suficiente para esconder qualquer pessoa das sombras, ainda mais cinco, e durante seis anos. Era impossível, mesmo para a magia.

Sem contar Isabel. Era um caso mais do que raro. Semideuses eram fortes, rápidos e no geral muito poderosos, mas no caso dos aliados e impuros, eles precisavam ser assim. Seu destino tinha o objetivo de proteção e nada mais. No entanto, muito poder pode afetar a definição do que se deve ser, e sem sombra de dúvida, Isabel seria poderosa. Um impuro era raro, mais uma impura com quatro siras era inacreditável. Impressionante, para dizer o mínimo. E como se não bastasse, seu signo de nascimento era o poder mais destacado. Ela não sabia de nenhum caso, em toda a história da criação dos descendentes dos Representantes, semelhante.

Ela não precisava ser filha de Atena para saber que aquilo realmente já havia sido escrito há muitos séculos. Os Daddrien tinham, sim, uma história para contar.

Camille regressou a Segurança de modo automático, sem nem perceber os rostos que passaram por ela. Havia muito em sua mente e quando seu celular tocou, ela apenas olhou o visor, mas não queria ouvir a voz de quem estaria do outro lado da linha. Não naquele momento.

A casa de Leão tinha alguns adornos ao redor na parte da frente, símbolos diversos, e algumas palavras que ela deduziu serem gregas, novamente, como muito que já havia visto até ali, talhados à parede. A cada cama, havia um espelho pendurado. Possuía dois degraus para a porta, já aberta. Era de bege claro do lado de fora, pintando as paredes de cimento.

No geral possuía poucas coisas em seu interior. Camas, individuais com alguns metros de distanciamento, com um criado mudo individual, assim como um baú aos pés. Uma fonte, com flores e conchas decorativas, ficava ao lado da porta, debaixo da janela, que permitia uma ventilação dentro do cômodo. O chão, era de madeira reluzente, com alguns arranhões e manchas.

Havia quatro pessoas dormindo lá dentro. Entre eles uma criança que deveria ter seus treze anos e uma garota que deveria ter seus vinte e poucos. Os outros dois pareciam ter a mesma idade que Izzie. Uma garota e um garoto.

Dando uma última olhada para o lado de fora, através da janela, analisando o céu, tentando imaginar aquelas doze pessoas que teriam controle sobre sua vida. Como poderiam ser reais e somente interferir naquele momento.

Sem fazer muito barulho, Isabel se dirigiu até uma das dez camas disponíveis, a próxima da janela, e se deitou, tentando não pensar em quanto ela desejava estar em casa.

Matthew pensava o mesmo, mas ele, por sua vez, foi obrigado a se socializar, já que ao entrar na casa de Libra, encontrou uma garota e um garoto jogando cartas. Eram os únicos presentes e se fizeram muito simpáticos. A garota deveria ter a mesma idade de Matt, mas o garoto parecia ter uns bons cinco anos a mais.

As outras camas pareciam intocadas, o que fez Matthew duvidar da presença de mais alguém naquele lugar.

A construção ali, não era em si, muito diferente da casa de Leão, com o detalhe de que os lenços e adornos eram mais requintados, como se pudessem se dar um certo luxo. Além disso, alguns dos criados mudos tinham bens pessoais, como recordações.

Do lado de fora, não havia nada, a não ser o mesmo símbolo que havia no teto da Corte de Osgs e a sira que marcava seu corpo. Porém, a marca de Libra parecia ter sido pintado recentemente sobre o azul. Além de duas toalhas jogadas no chão.

Com um sorriso forcado no rosto, Matthew respirou fundo mais uma vez, e então se esforçou em tentar adquirir mais informações sobre o novo local que deveria chamar de lar.

O quarto estava quieto, e Katrina tentava não se mexer de mais para não acordar a irmã. Mais um de seus sonhos a acordaram durante a noite. Já havia dois meses que esses sonhos a assombravam. Era a única coisa, que sua irmã aparentemente não dividia com ela, e em certa parte, ela se sentia aliviada por não ter que dividir tal angústia.

Tudo que Katrina queria saber era o que eles significavam. O pior foi quando eles aparecem em carne e osso a sua frente. Teve que se concentrar para saber que não era mais um pesadelo.

Sem mais nem menos, Katharine soltou o ar com dificuldade, acordando. – Não tiramos os pins deles. – Ela murmurou, afetada pelo sono.

Katrina não se mexeu, mantendo o olhar fixo no teto acima de suas cabeças. – Eu tirei. – Ela mentiu. – Não se preocupe.

Murmurando algo novamente em resposta, Katharine voltou a dormir em poucos instantes. Deixando sua irmã mais uma vez com suas conturbações.

Não havia um jeito para que conseguisse ficar quieta. Ela havia contribuído para o que vira uma vez, conscientemente. Katrina já não acreditava mais que aqueles eram apenas sonhos atormentando suas noites de sono. Não. Ela sabia que eles significavam muito mais. Ela era uma das discípulas e aqueles sonhos eram partes de uma visão. Algo muito maior.

Ela sabia que os impuros precisariam dos pins. Tudo que ela podia torcer era para que eles não fizessem nada para que ela se arrependesse de sua intuição. Nada que a fizesse se arrepender ainda mais.

Notas finais
** O que acharam dos Lugares Salvos?? E o que acham que Katrina tanto teme?? Deixem eu ouvir de vocês!! Beijinhos ♥ **