SOMBRAS - A Armadilha da Rainha
21 Capítulo 19 - Adolescentes são adolescentes em todos os lugares
Andrew estava se alongando, assim como os demais, depois das instruções de Lorenzo, seu professor da primeira aula. Foi quando ele viu sua irmã adentrando a sala.
Eles estavam em uma das salas do segundo andar. A última à esquerda para quem sobe pelas escadas. Ao lado esquerdo da porta, havia um grande degrau, usando como assento, onde, inclusive, quatro alunos, estavam sentados. À direita, uma sequência de cinco prateleiras, onde as armas estavam repousadas.
— Tem certeza que está bem para... – Ele foi cortado, antes mesmo de conseguir completar sua frase.
— Eu estou bem. – Foi a resposta de Alex, com um sorriso fraco.
— Mas ...
— Eu disse que estou bem, Andrew. – Ela retrucou, de uma forma mais rígida. – Além do que, Hérnia deixou bem claro. Se eu quiser ir ao funeral de Elliot, tenho que cumprir todo o cronograma. Tudo ou nada.
Andrew estava pronto para protestar, novamente, quando Alex segurou seu braço, com um olhar de súplica. – Eu preciso estar lá, Andie.
Com isso, ele concordou.
Alexandra começou a se alongar, enquanto seu irmão começou a falar baixo, em sua direção. – Dylan e eu ouvimos a uma conversa ontem. – Ele tentava disfarçar conforme falava, mas ao mesmo tempo, olhava para os lados de maneira desconfiada. – Eles estavam na diretoria e discutiam sobre o que o semideus trouxe com ele, além dos vampiros.
Ouvir aquela última palavra fez a ferida, por debaixo de seu curativo, latejar, mas ela a ignorou, sua curiosidade era maior. — E? – Ela perguntou, um pouco alto demais.
Em seguida, o professor deixou a sala, levando consigo alguns papéis.
— Ronald está considerando nos matar.
— O que? – Alex se surpreendeu, falando novamente mais alto do que deveria.
— Pois é, mas os outros não concordaram. – Andrew então diminuiu mais a altura de sua voz. – O semideus trouxe algo que eles chamaram de pérola ateniense. E Hérnia a levaria para os Lugares Salvos, para mantê-la em segurança.
— Izzie e Matt. – Sua irmã murmurou.
Andrew concordou, mudando de posição. — Exato. Precisamos falar com eles...
A conversa entre os dois Daddrien chegou ao fim, quando os três garotos e a garota que estavam sentados, começaram a implicar com eles, gerando um fuzuê na sala. As piadinhas variavam desde sua cerimônia, até a mordida no pescoço de Alex. O sangue de Andrew fervia, mas ele sabia que não estava na melhor posição para perder a cabeça.
No entanto, um garoto, no canto da sala, que conversava com seu amigo, encostado na parede se intrometeu. — Qual o problema de vocês? – Ele disse, com a voz alta o bastante para ser ouvido acima das brincadeiras, mas sem se afastar da parede. – Controle seus lacaios, Donny. – Ele caçoou, antes de se voltar novamente para sua conversa.
— Ei cara, calma. – O garoto sentado mais ao fundo dos quatro, disse. – Eu não estou fazendo nada, Caleb.
Caleb encostou as costas na parede, ficando assim de lado para Donny, enquanto falava. – Não acha que eles já têm o bastante com o que se preocupar? – Donny deu de ombros, fazendo pouco caso das palavras de Caleb. – Queria ver você aguentar uma mordida de vampiro. – Foi tudo que ele retrucou, imitando o dar de ombros de Donny.
Aquela frase foi a necessária para que os demais na sala cochichassem. Até mesmo os amiguinhos de Donny o provocavam.
Caleb por sua vez não se abalou, aproximando-se de Andrew e Alex.
Caleb era um garoto com aparentemente a mesma idade de Andrew. Tinha cabelos lisos, quase na altura do queixo, bem castanhos, assim como seus olhos. Vestia as mesmas roupas que todos: calça de moletom cinza e uma regata preta.
— Não precisava fazer aquilo. – Alex disse, assim que ele estava perto o suficiente.
— Eles são uns idiotas. – Foi tudo que ele respondeu. – Sou Caleb, aliado de aquário.
Alex retribui o cumprimento e depois de um olhar reprovador, Andrew também.
A conversa acabou ali, quando Lorenzo retornou para a sala, falando para que todos se sentassem. Havia dez alunos na sala, que se sentaram lado a lado. Alex estava em uma das pontas com Andrew, e não pôde evitar procurar por Caleb entre os demais alunos. Ele estava sentado na outra extremidade, com seu amigo de antes.
Lorenzo ignorou os novos rostos em sua sala de aula e continuou a falar sobre os meios de imobilização que havia lhes ensinado na aula anterior. — Nessa aula vocês colocarão em prática o que foi visto. – Seu professor anunciou. – Cada um de vocês, a minha escolha, vai para o centro da sala, e escolherão alguém com quem lutar.
O primeiro a ser escolhido foi o garoto de antes, Donny.
Ele se dirigiu para o centro, com a torcida de seus amigos.
— Quero ela. – Ele indicou Alex, com a cabeça, e esperou impaciente por ela, no tatame.
Alex podia sentir a confiança de Donny antes mesmo deles começarem. Seu sorriso deixou mais do que claro de que ele achava estar em uma luta ganha.
Os dois começaram a se mover no mesmo nível e Alex conseguiu acerta-lo e imobiliza-lo, por um breve momento. Entretanto, ela viu o angape de seu oponente assumir uma cor muito mais intensa e a força dele aumentou. Foi como se ele estivesse completamente revigorado.
Donny se soltou. Suas pernas naquele momento, imobilizavam o corpo de Alex, enquanto seus braços mantinham a cabeça dela colada ao chão. Com uma mão, ela bateu três vezes no tatame. Sinal de desistência. E ela odiou aquele momento por mais de uma vez.
A mesma sequência de fatos se repetiu, e a outra única luta que chamou sua atenção, foi a de Caleb e seu amigo, que ao ser escolhido, ela descobriu se chamar Filipo.
A luta atraiu sua atenção, porque os dois estavam mais brincando do que lutando um com o outro. Ambos aparentavam estar se divertindo e não competindo. Lorenzo não parecia surpreso, mas sim cansado de ver aquilo novamente. E algo em Alex dizia que Caleb havia facilitado as coisas para seu amigo aliado.
Restavam então, apenas duas pessoas na sala. Sendo elas: Andrew e um homem que ninguém havia dado atenção até o momento. Ele era o mais velho da sala, e definitivamente, o mais mal-humorado também.
— Gummer. Novato. – Lorenzo chamou, indicando o centro a sua frente.
Os murmúrios começaram antes mesmo da luta. Os dois se levantaram, e por mais que Andrew fosse mais alto que seu oponente, ele não teve muita chance. Em menos de vinte segundos, ele estava caído no chão, atrapalhando-se até mesmo para bater no tatame, indicando desistência.
Vários na sala riam e comentavam. Tudo o que Andrew pensava era em como bloqueá-los.
— Dessa vez você vai para as missões, certo Gummer? – Lorenzo cumprimentou o vencedor.
— Estou contando com isso, senhor. – Ele respondeu.
O sinal tocou e todos se levantaram para sair. Alex foi até seu irmão, ainda sentado no chão, para ajuda-lo, o que não o deixou contente. Ainda mais, quando percebeu que Caleb e Filipo, ainda estavam na sala.
Eles estavam indo para a saída, quando Katharine apareceu. Os dois amigos se distanciaram rapidamente, deixando-os sozinhos.
— Não precisa fazer essa cara Daddrien. – Ela provocou Andrew, que não disfarçou seu descontentamento em vê-la ali.
— O que está fazendo aqui? – Alex perguntou, olhando com suspeita de Andrew para Katharine.
— Meu trabalho. Supervisionando vocês. – Ela explicou cruzando os braços. – Katrina está com seu irmão, não se sintam especiais.
Andrew apenas revirou os olhos e saiu pela porta, empurrando Katharine para o canto. Ela se sentiu mais impressionada do que indignada.
Entretanto, ela se interpôs entre Alex e a saída, antes que ela passasse. – Só teve uma coisa que eu não entendi. Você estava se saindo não tão horrível. – Ela admitiu, contra suas forças, escolhendo suas palavras. – Por que não usou seu angape quando Donny Sparks obviamente usou.
— Ele não está comigo. – Ela admitiu. – Não toquei nele desde a invasão dos vampiros.
Katharine não tinha entendido o porquê daquilo, já que os angapes sempre voltam para seus aliados, a não ser que estejam retidos. E o último que havia pego o angape de Alex quando ela estava inconsciente, fora Igor.
Enquanto Katharine pensava, sua expressão deixou Alex intrigada. – O que foi?
— Eu acho que sei onde ele está. – Katharine respondeu com um sorriso, deixando seus pensamentos para depois. – Igor disse algo sobre guardar para quando você estivesse recuperada. – Ela enrolou. – Talvez devesse falar com ele. – O sorriso continuava em sua face. Aquilo seria definitivamente interessante. Foi o que cruzou sua mente.
Alex concordou com um aceno de cabeça, e saiu, deixando a sala, desconfiada.
Dylan também teve sua primeira luta em grupo naquela manhã, e seu ombro o lembraria disso por um bom tempo. Katrina tinha até mesmo tentado anima-lo, mas ele sabia que não era bom de briga, e não começaria a ser de um dia para o outro. Como sub aliado, ele teria uma aula de defesa corporal por mês.
Naquele momento, ele estava vagando pela biblioteca, ao invés de assistindo a um vídeo instrutivo junto com sua turma de sub aliados.
A biblioteca ficava nos dois últimos andares do Centro. As escadas eram logo no início do corredor, de frente para o elevador. Assim que Dylan havia chego junto com sua turma, pelo elevador, eles viraram à direita, e abriram as portas de madeira escura. Era como estar em um outro mundo.
Eles estavam no primeiro andar da biblioteca, onde, depois de dois degraus, onde à esquerda ficavam as bibliotecárias, haviam estantes e mais estantes. O segundo andar, por sua vez, era acessado através de uma rampa, pelas duas laterais. O segundo andar não era fechado, mas apenas uma extensão larga, pelas laterais do andar. Até em cima da porta. Bem no centro, pendurado, para ocupar o buraco, havia o grande esqueleto do que seu professor contou ser o último dragão combatido.
Era enorme e impressionante. Dylan achou as asas a parte mais interessante de toda a montagem.
No final do primeiro andar, ele descobriu haver uma sala, com um telão e algumas cadeiras, onde alguns vídeos instrutivos eram passados, e era onde ele deveria estar, ao invés de perambulando pelos corredores de estantes.
Havia todos os tipos de títulos. Em diversas línguas. Português, Inglês, Grego, Latim, Francês e entre outros. Desde livros novos, até quase se deteriorando.
Em algumas partes do andar, a luz não entrava por completo, tornando difícil de enxergar os títulos nas prateleiras tão próximas. Em um determinado momento ele começou a se sentir em um daqueles labirintos montados no parque para a comemoração do Halloween. Ele perdeu a conta de quantas prateleiras e corredores havia entrado, até que avistou a rampa, e decidiu bisbilhotar o segundo andar.
Nele, Dylan contou três alunos lendo. Dois sentados no chão, perto de duas portas de vidro, que davam para uma varanda, e outro em pé, apoiado na sacada, que os impedia de cair para o primeiro piso.
Ele tentava andar sem fazer muito barulho, e seu lado desastrado estava controlado por enquanto, até que ele tropeçou em um fio que se estendia no chão e trombou de frente com uma estante. Para não a derrubar, ele jogou seu peso para trás, caindo em cima de uma mesa, posicionada com um espaço considerável entre duas estantes.
Diferente das prateleiras do andar de baixo, cada uma delas chegava ao teto, com algumas poucas exceções, mas todas preenchidas.
O garoto que estava em pé o olhou com raiva por ter sido perturbado no meio de sua leitura, mas o casal sentado não pareceu se importar.
Para fugir do olhar reprovador do aliado, Dylan se enfiou em um dos corredores. Não havia muito de diferente, até que na quinta prateleira da estante da parede, ele viu uma rachadura, que aparentava ter sido feita de propósito.
Ela cortava uma palavra que havia sido talhada na madeira escura: το κλειδί
As letras voaram perante seus olhos, e ele se sentiu tonto. Para não cair novamente, ele se apoiou na prateleira a sua esquerda. Quando olhou novamente era como se ela estivesse sendo traduzida por sua mente. A escrita era a mesma, mas subitamente, fazia sentido a seus olhos.
— To kleidí. – Ele sussurrou. – A chave? – Mesmo a palavra tendo significado, a situação não fazia sentido algum.
Como ele sabia o significado daquilo? Ele deveria saber?
As perguntas voavam por sua mente.
Ele começou a se afastar, mas foi então que algo se iniciou. A estante que estava em sua frente, se afastou sozinha. Literalmente entrando na parede por completo, em seguida se movendo para a esquerda.
Dylan não conseguia soltar sua respiração. Ela estava presa em sua garganta.
Assim que a estante parou de se mover, havia uma passagem liberada. Era escura, mas a curiosidade de Dylan era maior do que seu medo, e ele enfiou a cabeça, para descobrir o que o esperava do outro lado.
Ele não se controlou e deixou o xingamento sair. Não podia acreditar no que estava vendo. Assim que sua visão se adaptou, Dylan soube que estava em uma sala secreta, dentro da biblioteca.
Passos o assustaram e ele se afastou da abertura, bruscamente, batendo as costas contra a prateleira a sua esquerda. – Droga. – Ele praguejou.
Do mesmo modo como a estante toda se movimentou para dentro da parede, ela se movimentara para fora, tomando seu lugar original, sem vestígio algum de que havia se movido.
— O que está fazendo aqui? – A voz de sua professora surgiu, irritada.
E Dylan não tinha uma boa resposta para aquela pergunta.
Matthew e Izzie estavam prontos para entrar na água, assim como outra dupla e uma garota. Eles tinham suas cápsulas em mãos, e esperavam que Guillermo terminasse de explicar a segunda parte do desafio.
Algumas pessoas se reuniam ao redor para assistir, enquanto outras não tinham tanto interesse e continuaram suas atividades.
— O desafio é o seguinte. – Guillermo anunciou.
Cada dupla que tiver a cápsula pode escolher entre dividir a quantidade de ar, ou então escolher apenas um dos parceiros para usa-la. O desafio é achar a cornucópia. Ela estará em algum lugar nas profundezas do lago.
Se o ar de todos acabar, o jogo acaba, mesmo não tenham achado a cornucópia. Entretanto, se o ar da pessoa que não o está dividindo não tiver acabado, o jogo continua até que acabe, ou encontre a cornucópia.
As regras de eliminação, entretanto, não são as mesmas. Vocês devem achar a cornucópia, devem defender a si mesmo e a ao chifre, mas o único jeito de perder o jogo é se seu ar acabar.
Para a dupla vencedora, eles poderão escolher qual será o banquete fornecido naquela mesma noite.
Ele contou até três e soprou a corneta novamente, nesse momento todos os que estavam sentados entraram na água. Subitamente Matthew e Isabel perderam o chão, e perceberam que o mesmo ocorreu para os demais. Sendo assim eles os imitaram.
Sugaram o ar e mergulharam. Fizeram um rasgo na cápsula e sugaram o que acharam ser a metade para cada, igual a garota ao seu lado. Depois disso estava cada um por si.
Eles começaram a nadar. Indo cada vez mais para o fundo, tentando achar algum lugar em que a cornucópia poderia estar, mesmo que tudo o que vissem fosse apenas água. Eles nadaram pelo o que já lhes parecia uns bons quarenta minutos, até que Matthew indicou o fundo, para que seguissem.
Quando tudo estava um breu, Matthew ligou sua lanterna, iluminando alguns metros à frente.
No entanto, foram os metros necessários para que avistasse um dos garotos da dupla que entrou com eles, debatendo-se, tentando se soltar. O chão não estava nem mesmo perto deles.
Izzie mais do que depressa começou a nadar em sua direção.
O garoto estava envolto por algas, que a cada movimento brusco que ele dava, elas o apertavam mais. O pânico, estava fazendo com que ele gastasse mais oxigênio do que o necessário. E pelo modo como ele estava, o mesmo estava chegando ao fim, mesmo que ainda houvesse meia hora para os demais, que dividiram.
Os irmãos tentaram arrancar as algas que o amarravam, mas elas resistiam, e logo mais, outras começaram a aparecer, e a prender os irmãos, pelas pernas, tornozelos, braços, pulsos e cintura.
Izzie conseguiu pegar sua adaga, presa à cintura, mas onde ela cortava uma, outras apareciam para ocupar seu lugar. Elas tinham vida própria, e quanto mais lutavam contra, mais elas pareciam se irritar. Até que uma foi em direção ao pescoço de Isabel, e isso fez com ela buscasse por oxigênio instintivamente, o que ocasionou, em ela, engolindo água.
Matthew tentou usar a lanterna para forçar as amarras, mas elas eram mais resistentes do que algas normais. Não arrebentavam. Ele não sabia mais o que fazer.
Ele tentou forçar a lanterna mais uma vez, empurrando as algas para se afastar de sua barriga e foi quando ele esbarrou o dedo em um botão, no cabo da lanterna, que ele nem ao menos sabia que estava lá.
Como mágica, três pontas surgiram da ponta da lanterna, oposta da região por onde a luz era direcionada, e seu cabo se ergueu. As algas foram rasgadas e ele pôde se soltar com mais facilidade. E ele jurava ter ouvido um choramingo, como um animalzinho sendo machucado, conforme cortava ferozmente, com seu mais novo tridente.
Ele não sabia como tinha feito aquilo, ou que tipo de armas ele tinha em mãos, mas naquele momento não importava. Ele nadou rapidamente até Izzie e a libertou. Mesmo engasgada, Izzie ajudou seu irmão a libertar o garoto, que mais parecia perder sua consciência.
Enquanto Matt soltava suas próprias amarras, Izzie viu um garoto nadando a alguns metros de distância dos três, mas ele os ignorou. Simplesmente seguindo seu caminho.
Depois de libertos, os três, mais Matthew e Izzie, começaram a nadar em direção a superfície. No entanto, estavam muito mais no fundo do que tinham consciência de ter nadado.
Então, como se preenchesse a água, escutaram a corneta de Guillermo soar e uma corrente de água, muito forte, começou a arrasta-los em direção a superfície. Foi no mínimo oportuno para a situação.
Matt e Izzie empurraram o garoto para a frente, e a sua própria corrente começou a puxa-lo, mais rápido do que a dos irmãos.
A água literalmente os carregou, até que chegassem a borda do lago, onde a água naquele momento, batia em seus joelhos. Todos os jogadores estavam sendo deixados do mesmo modo.
Izzie viu uma garota, com cabelos vermelhos, sendo deixada pela corrente. O modo mais eficiente que ela achou para descrever aquilo, era como se a água tivesse se concentrado, formando uma mão, para leva-los até a superfície.
— Apresento-lhes nossa vencedora do mês. – Camille anunciou, puxando uma garota para perto de si, à frente dos demais. – Violet DiVitro, impura da casa de peixes.
Algumas das pessoas que assistiam comemoraram, mas a maioria mostrou indiferença.
A garota de cabelos vermelhos, por outro lado, parecia irritada, conforme respirava profundamente. – Isso não é justo. – Ela disse, endireitando-se. – Ela tem poderes debaixo d’água. Com eles, eu também poderia ter encontrado a cornucópia tão rápido.
Camille estava pronta para responder, quando Fênix se intrometeu. – As coisas nunca são justas em um campo de batalha. – Ele comentou olhando do chão para a garota. – Ninguém vai se preocupar com os poderes que você tem. O importante é apenas quem sobrevive. — Ele falava como se já tivesse vivenciado algo que comprovasse suas palavras.
— Na realidade, ele está certo, Cassandra. – Foi o único comentário de Camille.
Cassandra saiu da água com passos firmes e havia raiva seus olhos, conforme ela passava no meio de Camille e Fênix, distanciando-se dos demais, com duas garotas e um garoto a seguindo.
Violet foi conversar com Fênix, depois de acenar para seu parceiro, enquanto o garoto, que antes Matt e Izzie ajudaram a tirar da água, foi em sua direção. Ela não parecia tão bem ainda. — Eu só queria agradecer pela ajuda lá embaixo.
— Não iriamos te deixar lá para morrer. – Matthew provocou, fazendo o garoto rir.
Nisso, Isabel viu o mesmo garoto que os ignorou lá embaixo, afastando-se. Ele estava indo em direção a casa abandonada, depois do píer.
— Sou Peter. – Ele se apresentou. E os irmãos cumprimentaram da mesma maneira.
A dupla de Peter se aproximou, com uma toalha em mãos, e Matthew não se acanhou em começar uma conversa, mas a atenção de Izzie estava no garoto, que andava em direção a casa, dando algumas olhadelas para trás, como se estivesse com medo que fosse seguido.
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