SOMBRAS - A Armadilha da Rainha
20 Capítulo 18 - A cornucópia
O som alto de uma corneta preencheu todo os Lugares Salvos, e sem mais delongas todos foram em direção ao campo. Naquele momento, já reunidos, os rostos variavam mais. Não havia apenas adolescentes. Tinham crianças, com seus treze, quatorze anos, assim como também adultos com seus quase trinta. E em um total, os dois irmãos, em meio à aquela multidão, estimavam mais do que trinta pessoas ao seu redor.
— Meus amigos. – Guillermo começou. Ele retinha em seu cinto, a corneta que os atraíra até ali. Ele estava revigorado aos olhos de Matt e Izzie, com um animo, totalmente diferente de a pouco. — Nosso querido amigo Poseidon, nos deu uma de suas últimas criações. – Prosseguiu, depois que o silêncio se alastrou. — Eu tenho em minhas mãos cinco cápsulas de oxigênio. Cada uma delas pode dar aproximadamente duas horas e meia de ar para uma pessoa. — A grande parte da multidão ficou impressionada. – Ela deveria ser usada para alguma operação, mas... todos sabemos que não teremos problemas aqui tão cedo, então por que não ter um pouco de diversão? – Algumas risadas foram trocadas, com o comentário.
As cápsulas, as quais ele se referia, nada mais eram do umas pequenas bolas. Tinha uma coloração amarelada, com uma membrana mais transparente. Semelhante as bolinhas com essências para banho.
Guillermo então, continuou. — O jogo é o seguinte:
As dríades esconderão as cápsulas em qualquer parte dos Lugares Salvos. Todo o território é válido.
Vocês devem se organizar em duplas e procurar por elas. Cada parceiro pode escolher uma arma ou equipamento de nosso arsenal. Pensem com sabedoria em sua escolha.
Tudo é válido. Mas aquele que for atingido está fora. E lembrem-se o ponto não é matarem uns aos outros, mas sim pegar a cápsula.
Em quarenta e cinco minutos, minha corneta será soada novamente e então, cada dupla que tiver uma das cápsulas, deve me encontrar no lago. Lá o desafio de verdade os aguarda.
As duplas, pelo menos, no que se dizia respeito a Isabel e Matthew eram bem óbvias. Eles perderiam? Não tinham dúvidas, mas pelo menos, não teriam de encarar a expressão de decepção de pessoas que os dois nem mesmo conheciam.
— Faltou apenas um pequeno detalhe, que Guillermo esqueceu de mencionar. – Camille falou, bem alto, surgindo, em meio à multidão. – Vocês serão, igualmente enviados para qualquer parte dos Lugares. Para manter o desafio justo.
Assim, conforme ela se afastava do grupo, para junto de Guillermo, um garoto, com seus quatorze anos se aproximou. Ele parecia acanhado com todas as pessoas ao seu redor, mas o sorriso de Camille direcionado a ele foi reconfortante. — Este, é Fênix. – Ela anunciou. Não foram poucas as pessoas que estranharam o nome, mas dentre essas, algumas disfarçaram, outras nem ao menos tentaram. – O nome, como muitos devem saber, significa vermelho escuro, ou pássaro que renasce das cinzas. Ele é um dos nossos impuros. E hoje completa seu primeiro ano conosco. Por isso, ele não vai participar do jogo. – Tiveram pessoas que resmungaram, reclamando de que aquilo não era nada justo, mas Camille os ignorou. – Hoje, Fênix será quem os dispersará pelos Lugares Salvos.
Fênix tinha cabelos enrolados, olhos de um castanho escuro e usava óculos, com a armação vermelha. Tinha uma estatura mediana e quase sem massa muscular.
Ele podia não ser um impuro que aparecia em meio a uma multidão, como um ótimo guerreiro, mas era sem dúvida, o feiticeiro mais habilidoso em sua idade. Naquele momento ele teria a chance de mostrar a todos os demais a dimensão que poderia atingir. Camille o orientou, dizendo que cada dupla deveria ter, no mínimo, dez metros de distância uma da outra, para que as coisas pudessem ser mais interessantes. Além do que, ele deveria se preocupar em manter todos nas extensões dos Lugares Salvos, apesar dessa última instrução ter ferido o ego de Fênix, ele apenas concordou, pedindo apenas que ela se afastasse.
A única parte, realmente complicada do feitiço que ele tinha que lançar, era mandar todos, para diversos pontos, em uma única viagem. Era um feitiço em grande escala, e com suas poucos e mais simples práticas, não sabia se teria forças.
Ele teve um momento de preparação, enquanto as duplas escolhiam suas armas. Cada uma só poderia pegar um instrumento daqueles presentes no celeiro. Então, o momento de desistir já havia passado. Ele separou as pernas, fechou os olhos e endireitou sua coluna. Suas mãos se mexiam para lados opostos, canalizando a energia necessária.
Boa parte das pessoas que estavam mais próximas dele, começaram a se afastar. Fênix fazia um grande esforço, embora sua expressão nada dissesse. Uma pessoa ou outra na multidão reconheciam o garoto de cabelo platinado que chegara ali a um ano atrás. Perdido e assustado. O cabelo já não estava mais da mesma cor, o preto voltara, mostrando-se como o original, mas ainda havia alguns resquícios de como ele fora. Fênix sempre pareceu mais fraco e intimidado, em todos os testes e treinos contra os demais. Talvez porque até ali, ninguém o testava para o que ele realmente sabia fazer.
— Deem as mãos para sua dupla, e não soltem. – Camille gritou e todos obedeceram.
O vento começou a aumentar, tornando-se mais forte, balançando cabelos e sacudindo armas já em mãos. Matthew tentava esconder seu medo, mas estava estampado em seu rosto.
Isabel, segurava uma adaga de prata, com uma mão, enquanto a outra agarrava a de seu irmão com todas as suas forças. Matthew ainda questionava a escolha de sua irmã sobre a ‘arma’ dele. Ela tinha uma adaga em suas mãos, enquanto ele, uma lanterna de trinta e cinco centímetros. Isabel o convencerá a escolher aquilo, porque depois de conseguir a cápsula, o que era pouco provável, eles teriam que achar um jeito de enxergar debaixo d’água.
Ele finalmente cedeu. Mas era evidente os olhares dos outros para aquele instrumento em suas mãos.
Das poucas vezes em que os Impuros tinham presenciado o uso de magia, uma grande quantidade de luz, com diversas cores, transbordava, das mãos dos feiticeiros. Mas Fênix se encaixava em uma pequena exceção, porque quando o chão sumiu temporariamente sob os pés dos demais Impuros, e em seguida reapareceu em um local totalmente diferente, não havia cor nenhuma da energia canalizada por mãos dele.
Ninguém sabia até então, mas aquele pequeno garoto teria sua importância fundamental.
Matthew e Isabel perderam, por uma fração de segundos, sua noção de equilíbrio, quando ressurgiram entre as árvores.
— Esse negócio de tele transporte, definitivamente, não é para mim. — Izzie praguejou.
— Está brincando? — Matthew riu. — Eu queria poder fazer isso. Imagina na época da escola. — Ele ria como se não estivessem perdidos, ou como se não estivessem cercados de Impuros prontos para ataca-los por uma bolinha de oxigênio, e Isabel fez questão de lembra-lo disso.
Não havia nenhuma dupla por perto e eles particularmente não ouviam nenhum barulho se quer.
Aquela parte da floresta era diferente em comparação com a que entraram para chegar até a clareira. A distância entre as árvores era maior, mas ali o ar era mais puro, causando estranheza para os dois irmãos. As copas das árvores variavam, algumas mais altos e outras mais baixas, com o tronco mais e menos liso, assim como as folhas, bem verdes, alguns galhos mais retorcidos e outros mais retos. Algumas árvores tinham galhos mais baixos, outras somente em seu topo, bem acima de suas cabeças. Os raios de sol que chegavam até eles eram brilhantes, trazendo consigo uma sensação de calor. A estranheza do lugar foi passando aos poucos.
— Temos que achar aquelas cápsulas. — Isabel disse, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo frouxo. — As dríades podem ter escondido isso em qualquer lugar. Como podemos achar?
— Se você uma criatura da natureza onde colocaria uma bolinha de ar? — Matthew perguntou, mas nenhum deles tinha a imaginação necessária para desvendar aquilo.
Um estalo logo atrás deles fez com que virassem. Uma dupla, com armas em punho. Eles estavam tentando andar sorrateiramente, mas quando Matthew e Isabel olharam para trás, de súbito a perseguição começou.
Não houve tempo para conversas. Ficou evidente, quando os dois garotos atacaram os irmãos, que eles não estavam interessados se eles tinham ou não a cápsula. Eles correram por entre as árvores. Izzie sabia que logo mais ela ficaria sem fôlego, ou então os quatro encontrariam outras duplas. De um jeito ou de outro, aquilo significaria problema. Eles precisavam de um plano, mas ela nunca fora boa com estratégias, e a única luta que ela conhecia, era boxe.
Matthew teria sido louco o bastante para desacelerar e enfrentar seus perseguidores, caso possuísse uma arma melhor do que uma lanterna em mãos.
— Você ainda perderia. – Izzie despejou sem fôlego, entre duas lufadas de ar, como se tivesse lido os pensamentos do irmão. Entretanto ele estava apenas resmungando xingamentos em direção a lanterna. O resto depois disso, fora fácil de deduzir.
— Não podem correr para sempre. – Gritou o mais velho dos garotos.
A pior parte, foi quando olharam para trás e viram que os dois não pareciam nem ao menos ofegantes.
Nesse momento Matthew teve uma ideia.
Ele se aproximou de Izzie enquanto corriam, quase tropeçando. – Vamos nos separar. Você corre, e sobe em uma das árvores, que eu cuido deles. – Terminando sua frase, ele empurrou sua irmã, aumentando sua velocidade, e ele mesmo diminuiu.
Os garotos que vinham atrás, suspeitaram da ação, mas não pensaram duas vezes antes de avançar. De súbito, Matthew se virou e mirou a lanterna nos olhos dos dois. Por um milésimo de segundo eles ficaram desnorteados, e Matt correu mais do que depressa para a direção aposta a de sua irmã.
— Eu estou bem. – O mais novo repreendeu, negando a ajuda do amigo. – Vá atrás dele. Eu pego a garota. – Ele estava com raiva.
Enquanto isso, Izzie ainda corria. Nenhuma das árvores tinha um galho baixo o suficiente para que ela pudesse subir, e ela podia ouvir os passos de seu perseguidor se aproximando.
A visão dele ainda estava incomodada, mas não demorou muito para que a avistasse. No momento em que Izzie estava subindo na primeira árvore que julgou ser acessível, ele começou a se aproximar.
— Não é por nada não. – Ele começou a falar, recostando-se no tronco, enquanto assistia a Izzie subindo. – Mas você não escolheu um lugar muito bom para se esconder.
Em resposta Isabel ergueu sua adaga.
— Você está segurando isso do jeito errado. – Ele zombou. Como resposta Izzie apenas o encarou. – Não se preocupe. É só um jogo. – O impuro olhou para os lados, com um sorriso maroto no rosto. – Então, que tal brincarmos um pouco?
Ele ergueu uma mão acima da outra, direcionadas para o tronco da árvore em que Izzie estava. E com um movimento, subindo e descendo suas mãos, a árvore fazia o mesmo.
O tronco subia e descia. No desespero, Izzie se agarrou ao tronco da árvore, deixando a adaga cair. Por alguns segundos o garoto desviou. Ele ria da situação em que estava conseguindo manter Izzie, mas ainda tinha que encontrar uma cápsula para si. Sem contar que havia outros impuros para eliminar.
A árvore, então, parou de se mexer. E Izzie, acanhada, desgrudou-se do tronco, só para ver que naquele instante, o galho em que estava apoiada, estava diminuindo devagar. — Que droga é você? – Ela gritou em direção a seu adversário.
— Impuro. – Ele respondeu calmamente. – Um dos meus deuses abençor é Deméter, deusa da terra, plantação. – O galho diminuía a cada palavra.
— Usar seus poderes para me derrubar é fácil. – Izzie apelou. – Agora conseguir me tirar daqui a força, para vencer, é outra história. – Sua última jogada era brincar com o orgulho dele.
A árvore e o galho estavam estáveis novamente. Ela tinha conseguido o que queria, mas não tinha pensado que naquele momento, o impuro estava indo em sua direção, e ela não tinha nada para se proteger.
Enquanto isso, Matt corria, atraindo seu parceiro até a beirada do bosque, que nem mesmo ele não sabia que estaria ali.
O terreno ficava íngreme, por uma pequena extensão de terra, até chegar nas plantações que havia visto mais cedo, de longe. Matt parou bruscamente, mas o garoto continuou correndo. Quando ele percebeu que Matthew havia parado, já era tarde, e os dois caíram.
Ambos rolaram pela terra. Matthew tentou se levantar primeiro, mas garoto foi mais rápido. Ele socou a primeira vez, mas com a lanterna, Matt o acertou na cabeça. Não foi o suficiente para realmente machuca-lo, apenas desorienta-lo. Nisso, Matt se colocou por cima de seu oponente. E em um minuto ele o socou. Olhando ao seu redor, ele viu uma pedra, e sem pensar muito, ele a agarrou e ergueu. Movido pela adrenalina e pela raiva, ele mirou a pedra. Em um instante, o garoto fechou os olhos, sem saber o real alvo de Matthew. A pedra acabou ao seu lado, a milímetros de seu rosto, cravada na terra.
Matthew não disfarçou. Ele arfava, e tinha errado o rosto dele de propósito.
Aquilo o teria eliminado, pelo o que pôde entender quando Guillermo os orientou. Dar o golpe que seria fatal. E assim sendo, uma dríade surgiu por entre as árvores e tocou em seu ombro. O impuro estava desclassificado.
Izzie procurava outros galhos que pudesse usar para subir, mas quanto mais alto ela fosse, pior seria sua queda. Ele estava chegando perto, e sua adaga estava caída a metros de distância.
A alguns galhos abaixo dela, ele tirou sua própria adaga, presa antes a sua calça.
O coração de Isabel batia cada vez mais rápido, e o sorriso estampado nos lábios do garoto, não estava ajudando em nada para acalma-la. Só um jogo. Ele disse.
Em um movimento Izzie o viu mexer a lâmina da adaga, e por mais que em seu interior soubesse que ele talvez não a machucasse, ele não pareceu parar, e foi quando ela gritou — Para.
Ela olhou para o lado, erguendo uma mão na direção do garoto, para se proteger, e algo que ela não soube explicar aconteceu. Ele deu um grito de dor, atraindo a atenção de Isabel. Foi quando ela viu que próximo de suas mãos, os raios do sol estavam muito intensificados. Eles tinham ido direto em direção ao rosto do impuro. Como se tivessem sido direcionados de sua própria palma, como uma lanterna.
O garoto perdeu o equilíbrio e despencou do alto da árvore, chocando-se contra o chão. Inconsciente.
Matthew apareceu logo em seguida. Sua camiseta estava molhada de soar, e havia grama em seu braço. Ele olhou admirado do chão para sua irmã, estagnada no galho. – Eu queria ter feito isso. – Ele indicou o garoto caído no chão.
Izzie apenas revirou os olhos com o comentário.
Mesmo que a árvore em que ela estava tivesse um tronco pequeno de largura, uma dríade saiu de dentro dela. Com apenas uma mão, ela puxou o corpo caído no chão, arrastando-o, para seguir o caminho para enfermaria.
Matthew ajudou sua irmã a descer, enquanto a metralhava com diversas perguntas, para as quais ela não tinha respostas. — Matthew, eu não sei. – Ela disse finalmente, irritada com toda a agitação de seu irmão. Ela ia continuar a repreende-lo, quando viu algo que lhe chamou a atenção. – O que é aquilo?
Ela apontou para uma árvore mais ao longe. Havia pontos de luz em sua casca, mexendo-se sutilmente. Eles flutuavam em frente a visão deles, apenas em uma região da árvore.
Relutantes, ambos se aproximaram. Izzie pegou sua adaga que a pouco derrubara no chão e a aproximou da casca. Com uma batida, a mesma se rompeu.
— Estranho. – Matthew comentou.
Era realmente pouco provável que apenas aquele pedaço de uma árvore tão resistente estivesse podre. Entretanto, estranho ou não, Izzie começou a tentar cortar a região que ainda apresentava os pontos luminosos, até que Matthew se irritou.
Ele arrancou a arma das mãos de sua irmã, e com o cabo dela, acertou a árvore com força. Diversos pedaços de casca caíram aos seus pés e dentro do tronco, eles encontram uma das cápsulas. Ela estava em um buraco, no tronco. Como se a árvore tivesse sido cortada, para ela fosse encaixada perfeitamente, como em um pedestal.
— Achamos. – Matt disse surpreso, enquanto sua irmã enfiava a mão pelo buraco e pegava aquela pequena bolinha de oxigênio.
— Agora temos que chegar ao lago. – Ela respondeu.
O problema era que até o momento em que a corneta soasse novamente, qualquer um poderia pegar a cápsula deles. E além disso, em compensação, se eles não estivessem lá quando o tempo acabasse, toda sua sorte desceria pelo ralo.
— Tenho uma ideia.
Os dois começaram a andar. Matt seguia sua irmã, sem saber o que se passava dentro da cabeça dela.
Quando o bosque estava chegando ao fim, e eles já podiam ver o terreno sem árvores ambos pararam.
— Comece a subir. – Izzie ordenou, enquanto ela mesma já o fazia, apoiando-se em galhos mais baixos, o que ali, não eram muitos. As árvores se tornavam mais afastadas, e com menos galhos.
Já estando em uma altura considerável, ambos pararam de subir e esperaram. Ao lado do lago, eles puderam identificar um grande relógio digital, marcando o tempo restante. Eles tinham mais dezenove minutos até que o tempo se esgotasse.
Ao lado do relógio, estavam Camille, Fênix, Guillermo e duas garotas brigando por uma cápsula. Guillermo parecia interessado pela disputa, mas Fênix estava evidentemente desconfortável. Ele tentava manter suas atenções na agua, atrás de si.
— Para mim. – Matthew sussurrou. – Aquele garoto tem algum grau de autismo.
— Deixa de ser imbecil, Matthew. – Sua irmã o repreendeu, indicando o campo a sua frente, para que mantivesse sua atenção.
Matt entendeu o porquê de eles não estarem indo em direção ao lago. As garotas disputavam por uma das cápsulas. E quando olhou para sua irmã, ela lhe lançou um olhar convencido, exibindo que estava certa.
De repente, a dois galhos acima da cabeça de Matthew, uma ave estranha pousou. Izzie deixou escapar um grito agudo, e tapou a boca rapidamente, torcendo para que não tivesse sido ouvida.
A ave não era como nenhuma espécie que eles já tivessem visto. Era como se ela tivesse braços, mas cobertos por penas. Suas garras eram grandes o suficiente para dar uma volta completa no galho em que estava pousada. Suas penas, variavam em diversas tonalidades de vermelho, e a parte de baixo de suas asas era branca. Ela era bem magra, e estava curvada como um humano. Seus olhos tinham a mesma característica humanoide.
Izzie não conseguia desviar o olhar, e Matt por sua vez tentava apenas enxerga-la melhor. A ave, os encarava, com os olhos negros, fixados em cada um dos irmãos. E foi quando depois do que pareceu uma análise completa, ela simplesmente, levantou voo. Deixando os dois Daddrien, confusos, para trás.
Cinco minutos.
Os dois começaram a descer da árvore. Quando Matthew estava pronto para começar a correr, Izzie o impediu.
— Espera. – Ela advertiu.
— O que? – Seu irmão perguntou impaciente.
Ela ignorou sua impaciência. — Vamos fingir que já fomos eliminados. Não corra. Simplesmente ande. E mantenha um olhar de decepção. Como aqueles que fazia quando perdia para mim quando estávamos em casa.
Ele concordou, mesmo se sentindo ofendido com o comentário.
Eles saíram do esconderijo proporcionado pelas árvores e começaram a andar em diagonal, como se estivessem se afastando de ambos, o bosque e o lago. Quando, no relógio, estava marcado menos de um minuto, eles dispararam a correr.
Logo, uma dupla surgiu, de nenhum lugar evidente, e começou a persegui-los, mas não havia mais tempo. Guillermo levou a corneta aos lábios e a tocou. O relógio marcava zero segundos e havia apenas quatro duplas na borda do lago. Uma delas inclusive, magicamente surgiu, bem diante de seus olhos.
— Os perdedores podem voltar para o refeitório. Seu almoço será servido. – Guillermo gritou, e recebeu em troca, um olhar repreensivo de Camille, por chamar os alunos de perdedores.
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