Niko bufou, rabiscando as últimas anotações em seu caderno. Vinha tentando entender mais sobre a lesão de Theo para poderem ajudá-lo de qualquer forma necessária, mas quem quer que tinha dito que o sistema nervoso era o mais complexo do corpo humano não estava brincando. Ela arrancou a folha de seu caderno, onde vinha tentando desenhar uma coluna vertebral e acertar as numerações das vértebras, embolou o papel e o jogou já na pequena pilha que se formara na lixeira embaixo de sua mesa.

Tudo bem, era só começar de novo. Ela voltou o vídeo, pegando a caneta para recomeçar o desenho. Primeira vértebra, Atlas ou “C1” considerando as vértebras C1 a C7 que ocupavam a cervical…

Ela suspirou. A lesão de Theo tinha sido na L1, e isso significava uma série de problemas em órgãos conectados a vértebras abaixo dessa, como a bexiga, por exemplo. Niko abaixou a cabeça, apoiando a testa nas mãos e tentando se controlar e não começar a chorar. A quem queria enganar? Ainda estava tendo aulas de ensino médio na base, como resolveria um problema de neurocirurgia?

A garota recostou na cadeira, afastando-se um pouco da mesa e olhando em volta. Nada parecia ter mudado no salão dois, ocupado pelo casulo de Sirius, uma série de computadores e um bip bem esporádico indicando que o homem continuava adormecido. Niko estava acostumada com o barulho de fundo a essa altura como parte do ambiente, e por conta disso acabou estranhando quando os bip começaram a tocar com menos distância um do outro.

Ela levantou o rosto, ansiosa, olhando para o monitor ao lado do casulo. As linhas correspondentes ao monitoramento das ondas de sono dele estavam mudando para um padrão mais próximo de uma pessoa acordada.

— Sem chance… — ela murmurou, chocada.

No instante seguinte, uma rachadura apareceu sobre o casulo de Sirius.