A Sala Precisa nunca decepcionava.

Roxanne olhou ao redor com os olhos brilhando, fascinada. O que havia à sua frente era completamente diferente do que ela pensava. Um sofá grande, acolhedor, estava posicionado de forma estratégica diante de uma lareira crepitante. Um tapete macio cobria o chão de madeira, e as luzes suaves das velas iluminavam o ambiente de maneira suave, criando uma atmosfera íntima e quase mágica. Havia um calor que não vinha apenas da lareira, mas de algo mais profundo e aconchegante. Ela sabia que Lorcan, de alguma forma, estava envolvido naquilo.

— Impressionante. — Roxanne sussurrou, a admiração na voz.

Lorcan sorriu, seus olhos brilhando com um toque de travessura, e a puxou suavemente para perto.

— Agora sim temos um pouco de privacidade.

Roxanne passou os braços ao redor do pescoço dele, os dedos tocando sua pele com a familiaridade que ela tanto apreciava.

— Você tava planejando isso o tempo todo, não estava? — perguntou, com um sorriso malicioso, mas também uma certa suavidade no olhar.

Ele a puxou para um beijo lento, deixando que a resposta viesse na forma de gestos.

— Talvez — admitiu, a voz baixa, mas cheia de desejo.

O beijo foi ganhando intensidade, uma troca de carícias e emoções que parecia não ter fim. Roxanne segurou o rosto dele entre as mãos, os dedos deslizando pelos contornos de sua pele. Lorcan, por sua vez, moveu as mãos para a cintura dela, puxando-a para ainda mais perto, como se não quisesse mais deixar espaço entre os dois. As mãos dele, discretas e gentis, deslizaram sob a blusa dela, tocando a pele quente, e o mundo ao redor de ambos parecia desaparecer.

Roxanne, com a testa encostada na dele, olhou em seus olhos, o brilho no olhar mais intenso do que qualquer feitiço.

— Lorc... — Ela sussurrou, a voz tremendo levemente.

Ele passou os dedos pelos cachos dela, sorrindo de forma suave, quase brincando.

— Só se você quiser.

Ela mordeu o lábio, uma pequena risada escapando dos seus lábios antes que ela sorrisse novamente, com mais certeza.

— Eu quero.

Lorcan sentiu o coração disparar. Naquele momento, nada mais existia. Era como se o mundo inteiro se reduzisse a eles dois, envoltos pelo calor da lareira e pelo amor silencioso que crescia a cada olhar trocado, cada toque, cada beijo. Não havia mais perguntas, nem dúvidas. Apenas um sentimento crescente, tão forte que parecia ser capaz de envolver todo o universo.

Ele queria lembrá-la, sempre, do quanto a amava. E naquela noite, entre sussurros e promessas, ele fez exatamente isso. Foi uma experiência indescritível, um momento que os dois sabiam que ficaria marcado para sempre. Não havia nada no mundo além deles dois. Só Roxanne e Lorcan, e o que eles estavam compartilhando.

Lorcan sentiu seu coração bater mais rápido, e, embora estivesse completamente imerso na sensação, ele sabia que nunca se sentira assim antes. Era uma emoção viciante. Ele estava viciado em Roxanne Weasley.

Na manhã seguinte, o calor suave da lareira ainda preenchia a Sala Precisa quando Lorcan abriu os olhos. O ambiente estava quieto, sereno. Por um momento, ele não reconheceu o lugar—o tapete macio sobre o qual estava deitado, o cheiro adocicado de canela misturado a algo singularmente Roxanne. O ar parecia mais leve, e o silêncio era acolhedor.

E então, a memória da noite anterior lhe bateu de cheio, trazendo um sorriso tranquilo aos seus lábios. Ele virou-se de lado e encontrou Roxanne ainda adormecida, com o rosto relaxado e os cachos espalhados sobre o travesseiro improvisado. Ela estava linda, mais linda do que ele imaginara poder ver alguém.

Lorcan sorriu, uma felicidade tranquila se espalhando por seu peito. A noite passada tinha sido... perfeita. Melhor do que ele poderia ter imaginado. E agora, com ela ao seu lado, ele sabia que não era apenas um momento. Era algo muito maior.

Ele deslizou os dedos suavemente pelo braço dela, traçando linhas invisíveis na pele quente. Roxanne suspirou baixinho, os olhos piscando lentamente antes de se abrirem completamente, ainda cheios de sono.

— Bom dia, meu bem — ela murmurou, com um sorriso preguiçoso.

Lorcan riu baixinho, a felicidade evidente em sua voz.

— Bom dia, linda.

Ela se espreguiçou levemente e virou-se para ele, os olhos castanhos brilhando com uma curiosidade que ele adorava, mesmo sob a luz suave da manhã.

— Tá me olhando assim por quê? — Ela perguntou, o sorriso aumentando enquanto se aproximava.

Ele ficou em silêncio por um momento, como se estivesse tentando organizar seus próprios pensamentos, sentindo a vulnerabilidade daquelas palavras.

— Porque eu ainda não acredito que isso aconteceu — ele admitiu, a voz mais suave do que pretendia.

O sorriso de Roxanne suavizou e ela deslizou os dedos pelo rosto dele, traçando sua mandíbula de leve, com a delicadeza de quem compreende o sentimento do outro.

— Você é tão bobinho.

— Não — ele negou, segurando a mão dela contra seu rosto, como se quisesse guardar aquele toque para sempre. — Eu tô falando sério. Eu passei anos achando que nunca teria coragem de te dizer o que sinto. Achando que você nunca me veria dessa forma.

Ela franziu a testa, como se não estivesse entendendo muito bem, mas ao mesmo tempo preocupada.

— Lorcan...

Ele fechou os olhos por um momento, o coração apertado, antes de continuar.

— Mas agora você tá aqui. Eu tô te segurando, te beijando, te amando. Eu tô com você. E eu simplesmente... — Ele fez uma pausa, passando a língua pelos lábios antes de deixar as palavras escaparem de uma vez: — Eu te amo, Roxy.

Roxanne congelou por um instante. Seu coração disparou de maneira que nunca tinha acontecido antes. Ela nunca tinha sentido algo assim em um relacionamento. Sentia uma certeza esmagadora de que Lorcan Scamander era o maior amor da sua vida. Mas, antes que ela pudesse responder, ele continuou, a voz quase ansiosa:

— Você quer, oficialmente, namorar comigo?

O sorriso que tomou conta do rosto de Roxanne foi puro e radiante, como se tudo o que ela queria finalmente tivesse acontecido.

Ela deslizou as mãos para o pescoço dele, puxando-o para um beijo demorado, cheio de promessas não ditas. Quando se separaram, ela encostou a testa na dele, os olhos fechados e a respiração ainda acelerada.

— Eu também te amo muito, Lorcan. É óbvio que eu quero namorar você! — Ela sorriu ainda mais, a felicidade transbordando em suas palavras. — Eu não quero nunca mais ficar longe de você...

Ela sussurrou, e, sem dizer mais nada, ele a beijou novamente. Desta vez, não havia pressa, nem insegurança, nem hesitação. Só havia eles dois, juntos, compartilhando algo que não precisavam mais esconder, algo que parecia eterno.

O tempo parecia ter parado.

Cada toque, cada beijo, cada olhar trocado era uma nova promessa silenciosa, um lembrete de que eles pertenciam um ao outro.

Lorcan traçou um caminho de beijos pelo pescoço dela, sorrindo ao ouvir o pequeno suspiro que escapou de seus lábios. Roxanne, com as unhas suavemente passando pelas costas dele, fez seu corpo estremecer de prazer, arrepiando sua pele.

— Eu quero lembrar disso pra sempre — ela sussurrou, a voz cheia de emoção.

Lorcan segurou o rosto dela entre as mãos, olhando profundamente em seus olhos, e respondeu, com uma suavidade que ela jamais esqueceria:

— Eu também.

E, em silêncio, eles se entregaram um ao outro novamente, sem pressa, sem dúvidas, sem mais palavras necessárias.

Dessa vez, não era apenas um momento.

Era o começo de algo muito maior.

O sol já brilhava alto quando Lorcan e Roxanne finalmente emergiram da Sala Precisa. O castelo de Hogwarts estava surpreendentemente silencioso naquela manhã de domingo. A usual movimentação dos corredores parecia ter sido trocada por uma calma preguiçosa; poucos alunos ainda circulavam, aproveitando o dia sem aulas para dormir até mais tarde ou simplesmente relaxar no salão comunal.

Roxanne apertou o sobretudo contra o corpo, sentindo o contraste gélido dos corredores de pedra em comparação com o calor acolhedor da sala. Ao seu lado, Lorcan parecia ainda perdido em seus próprios pensamentos, um sorriso suave brincando nos cantos de seus lábios, como se estivesse revivendo cada momento da noite passada. Ela o cutucou de leve na costela.

— Se você continuar com essa cara de bobo, todo mundo vai perceber — murmurou, com um sorriso travesso.

Ele piscou, saindo do devaneio, e olhou para ela, visivelmente divertido.

— E qual seria a minha cara "normal", então?

Roxanne estreitou os olhos, pensativa.

— Algo entre "sou um aluno exemplar da Grifinória" e "estou tramando alguma coisa com James Potter."

Lorcan soltou uma risada.

— Entendi. Então devo esconder o fato de que passei a melhor noite da minha vida ao lado da garota que eu amo?

O coração de Roxanne deu um salto involuntário. Ela tentou esconder a surpresa, mas sua voz saiu mais baixa do que queria.

— Eu não disse para esconder, só... para não deixar tão óbvio.

Lorcan sorriu de lado e, sem qualquer aviso, a puxou pela cintura, colando os lábios perto de seu ouvido.

— Tá bem, princesa. Mas quando estivermos sozinhos de novo, não vou esconder nada.

O toque de seus lábios fez um arrepio percorrer sua espinha. Antes que pudesse encontrar palavras, Lorcan já a soltava, voltando a caminhar com a descontração de sempre.

— Você adora me provocar, né? — Roxanne reclamou, apressando o passo para alcançá-lo.

— É claro — ele respondeu com um brilho de travessura nos olhos, piscando para ela.

Ao chegarem ao Salão Principal, o café da manhã ainda estava sendo servido. Alguns alunos ocupavam as mesas, mas a maioria parecia ter decidido dormir um pouco mais, como se o conforto de suas camas fosse mais atraente do que as delícias do bufê matinal. James, sentado à mesa da Grifinória, empilhava panquecas em seu prato com um ar sonolento. Quando viu Lorcan e Roxanne se aproximando, arqueou uma sobrancelha.

— Vocês sumiram ontem — comentou, mordendo uma fatia generosa.

Roxanne e Lorcan trocaram um olhar rápido antes de se sentarem.

— Fomos dormir cedo — Roxanne disse, pegando um croissant.

James estreitou os olhos, visivelmente desconfiado.

— Sei. E vocês sempre voltam do dormitório com essa cara de quem esconde um segredo?

Lorcan fingiu um bocejo exagerado.

— James, é muito cedo para sua mania de interrogatório.

James riu, mas parecia ter desistido do assunto.

— Certo, certo. Só não se esqueçam que sou um observador nato. Vou descobrir qualquer coisa suspeita.

Lorcan e Roxanne trocaram um sorriso cúmplice, compartilhando um segredo silencioso entre si.

Mais tarde, no pátio, Roxanne estava conversando com Rose quando um grupo de garotas próximas chamou sua atenção.

— Você viu o treino de Quadribol ontem? — uma delas perguntou.

— Vi?! Como não reparar no Lorcan Scamander voando por aí?

O estômago de Roxanne se revirou.

— Ele fica tão incrível no ar... — outra garota suspirou, os olhos brilhando. — O jeito que ele se move na vassoura... é tão... Merlin!

— E aqueles olhos? Azul perfeito! Eu poderia ficar olhando pra ele o dia inteiro.

Roxanne sentiu suas mãos apertarem o pergaminho que segurava. O que estava acontecendo com ela? Era só o Lorcan, mas por que essas palavras a incomodavam tanto?

— Se eu fosse ele, não perderia tempo com alguma garota aleatória de Hogwarts — uma delas disse, rindo. — Ele tem potencial pra namorar alguém realmente incrível.

Foi o suficiente para que Roxanne se levantasse de repente, sentindo a irritação se acumular em seu peito. Rose a olhou, preocupada.

— Rox? O que foi?

— Nada! — ela respondeu rápido demais. — Só preciso... resolver uma coisa.

Saindo apressada, sem nem se preocupar em disfarçar a irritação que sentia queimando por dentro, Roxanne atravessou o pátio com passos rápidos, seu coração batendo mais forte do que deveria. Ela sabia que estava sendo irracional — Lorcan nunca lhe dera motivos para duvidar dele. Mas ouvir aquelas garotas falando sobre ele, como ele poderia estar com alguém melhor... mexeu com ela de um jeito que não soubera como controlar.

Ela se apressou pelos corredores até chegar ao campo de Quadribol. Como previsto, Lorcan estava lá, ainda segurando sua vassoura enquanto discutia estratégias com James. Os dois pareciam completamente imersos na conversa sobre o jogo que aconteceria mais tarde.

Quando ele a viu se aproximar, um sorriso se formou em seus lábios.

— Rox! O que você tá fazendo aqui?

Ela ignorou a pergunta e cruzou os braços, encarando-o com olhos estreitos.

— Você tava no treino ontem?

Lorcan piscou, surpreso.

— Estava. Por quê?

Ela o fitou com mais intensidade.

— Eu não sabia que era um espetáculo tão incrível assim.

James, que observava a conversa com interesse, franziu a testa, trocando olhares rápidos entre os dois.

— Acho que vou... dar um jeito na minha vassoura. Tô sentindo que não sou bem-vindo aqui — ele disse, levantando-se e saindo de cena.

Lorcan abaixou a vassoura e olhou para Roxanne com um sorriso malicioso, o tipo de sorriso que fazia seu estômago dar voltas.

— Tá com ciúmes de mim, princesa?

Roxanne se apressou a responder, mas sua voz saiu mais alta do que pretendia.

— Não!

Lorcan ergueu as sobrancelhas, um brilho divertido em seus olhos.

— Então, me explica essa cara emburrada.

Ela bufou.

— Eu só não gostei de ouvir um bando de garotas babando por você e dizendo que você poderia namorar alguém "incrível".

Lorcan piscou, sorrindo suavemente. Ele deu um passo à frente e, sem aviso, segurou sua cintura, puxando-a para mais perto.

— Mas eu já estou namorando alguém incrível — ele disse, com um brilho nos olhos.

Ela tentou manter a expressão séria, mas a maneira como ele a olhava a deixava completamente desarmada.

— Você acha isso engraçado?

Lorcan inclinou a cabeça, como se ponderasse a resposta.

— Um pouco. Você fica linda quando tá brava.

— Lorcan!

Ele riu e segurou o rosto dela entre as mãos, seus olhos se suavizando.

— Rox, eu não me importo com o que qualquer outra garota diz. Eu só tenho olhos pra você.

Ela mordeu o lábio inferior, sentindo seu coração amolecer diante da sinceridade dele.

— Você tem certeza?

— Absoluta — ele afirmou, antes de puxá-la para um beijo calmo, sem pressa, como se ali, naquele momento, o mundo tivesse parado de girar.

Quando se separaram, ele sorriu com uma satisfação leve.

— Então, estou perdoado pelo crime de ser extremamente atraente? — ele disse com um tom brincalhão, uma sobrancelha erguida.

Roxanne deu um tapinha leve no ombro dele, sem conseguir esconder o sorriso.

— Você é insuportável.

Mas no fundo, ela não podia negar: ele tinha razão. A situação toda era, de fato, um pouco cômica.

Quando o céu de Hogwarts estava limpo e azul, as arquibancadas estavam lotadas para o maior jogo de Quadribol do ano: Grifinória contra Sonserina. O clima estava eletricamente carregado, como sempre acontecia quando essas duas casas se enfrentavam. No meio do campo, o time da Grifinória se preparava, e James Sirius Potter, o artilheiro da equipe, já fazia alguns alongamentos. Lorcan Scamander, o apanhador, girava sua vassoura entre as mãos, sentindo a ansiedade da partida começar a tomar conta dele.

Do outro lado do campo, Albus Potter, apanhador da Sonserina, ajustava suas luvas com uma expressão determinada, enquanto Scorpius Malfoy, que estava na arquibancada, pois não fazia parte do time, não perdia um segundo.

— Se você perder para o Lorcan, Al, nunca mais vou deixar você esquecer isso! — Scorpius gritou, sorrindo de lado.

Albus revirou os olhos.

— Cala a boca, Scorpius.

E assim, com o apito de Madame Hooch, o jogo começou.

O jogo começou de maneira feroz, com a Sonserina mostrando sua habitual agressividade. Os jogadores estavam ágeis, tentando intimidar a Grifinória com jogadas brutais e passes rápidos, mas James, sempre preparado para o desafio, estava em um dia inspirado. Ele desviava habilidosamente dos balaços e marcava gols com a precisão de um verdadeiro mestre.

A cada gol de James, a arquibancada da Grifinória se enchia de gritos de alegria, e Roxanne, sentada entre Dominique e Rose, não pôde deixar de notar algumas garotas cochichando entre si com visível entusiasmo.

— James tá jogando muito bem hoje — uma delas comentou, com os olhos fixos no campo.

— E ele fica tão lindo voando — outra suspirou, os olhos brilhando.

Roxanne revirou os olhos, mas, para sua surpresa, acabou rindo da cena. Ela não podia deixar de se sentir um pouco orgulhosa de James, mesmo que o exato motivo de sua diversão fosse um pouco mais complicado.

— Tá tendo déjà vu, Rox? — Dominique brincou, com um sorriso travesso.

— Um pouco — Roxanne admitiu, cruzando os braços e observando a cena. — Parece que todo mundo esqueceu que o apanhador da Grifinória também está fazendo um trabalho e tanto por aqui.

Ela olhou para o campo, onde Lorcan estava completamente concentrado, seus olhos fixos no brilho dourado do pomo de ouro. Ele e Albus estavam se observando, como dois predadores, tentando antecipar os movimentos um do outro.

Foi então que Lorcan o viu.

O pomo de ouro brilhava intensamente à distância, voando rápido perto das arquibancadas. O campo inteiro pareceu parar, como se o tempo tivesse desacelerado enquanto os dois apanhadores se preparavam para a batalha final.

Lorcan não hesitou. Com um impulso poderoso, ele se inclinou na vassoura e disparou para frente, sua determinação refletida na maneira como os músculos de seu corpo se contraíam. Albus, por instinto, seguiu imediatamente atrás dele, os dois agora em uma perseguição alucinante. O vento cortava seu rosto, e o mundo parecia desaparecer, deixando apenas o pomo como o único objetivo.

A multidão prendeu a respiração. No meio do caos, um grito ecoou claro, atravessando a adrenalina do momento.

— VAI, LORCAN! — James gritou, sua voz cheia de entusiasmo, enquanto desviava por um triz de um balaço. A bola explodiu no ar, e ele marcou mais um gol para a Grifinória.

O pomo de ouro fez um movimento rápido, tentando despistar os dois apanhadores, voando em um arco quase perfeito. Lorcan esticou a mão, sentindo a ponta dos dedos quase tocar o objeto dourado... Mas, no momento seguinte, Albus apareceu ao seu lado, a apenas um passo de pegar o pomo para si.

Era uma corrida de força e habilidade. Os dois estavam ombro a ombro, um tentando ultrapassar o outro a cada curva. Era o tipo de disputa que fazia o coração de qualquer espectador bater mais rápido.

Então, Lorcan fez algo inesperado.

Em vez de continuar perseguindo o pomo diretamente, ele fez uma manobra rápida e, de forma quase imperceptível, inclinou-se para o lado, como se estivesse desistindo da caça. Albus, confiando em sua estratégia, olhou para ele por um segundo, distraindo-se o suficiente para perder o foco no pomo.

Foi o que Lorcan precisava.

Com uma agilidade impressionante, ele mergulhou em direção ao pomo, sua mão se fechando ao redor dele com precisão absoluta. Um grito ensurdecedor ecoou pelo estádio.

— GRIFINÓRIA VENCE! — anunciou Madame Hooch, sua voz firme e autoritária, fazendo o encantamento do som reverberar no ar.

Lorcan levantou o braço, o pomo dourado firmemente entre os dedos, um sorriso vitorioso se espalhando pelo seu rosto suado e cansado.

Na arquibancada, Roxanne saltou de alegria, suas palmas batendo de forma ritmada, sem se importar com os olhares das outras garotas ao seu redor.

— Ele é o melhor! — ela exclamou, olhando para Dominique e Rose, uma energia vibrante tomando conta dela. Ela não precisava das palavras das outras garotas. Para ela, Lorcan era a única estrela no campo naquele momento.

No campo, James voou até Lorcan, dando um forte tapinha na mão dele, como se compartilhassem uma conexão silenciosa que dizia tudo.

— Cara, que jogada! Você enganou meu irmão direitinho! — James exclamou, ofegante, com um sorriso largo.

Lorcan riu, sua respiração ainda pesada pela corrida.

— Ele vai me odiar por isso — Lorcan brincou, olhando para onde Albus, já de volta ao solo, fazia uma expressão frustrada.

Do outro lado do campo, quando Albus finalmente aterrissou Scorpius caminhou até ele no campo, não perdia a chance de provocar o amigo.

— Você quase conseguiu, Al. Quase — Scorpius disse com um sorriso, dando um tapa amigável nas costas de Albus.

Albus revirou os olhos, claramente irritado, mas não pôde deixar de sorrir um pouco diante da situação.

Quase não conta no Quadribol. — ele resmungou, tentando disfarçar a decepção.

A celebração tomou conta do Salão Comunal da Grifinória, e a atmosfera estava eletricamente carregada de alegria e excitação. As chamas na lareira dançavam em tons dourados e vermelhos, refletindo a energia vibrante da vitória que parecia envolver todos os presentes. O cheiro reconfortante de torta de abóbora e a doce cerveja amanteigada, que ninguém conseguia explicar exatamente como haviam conseguido, flutuava pelo ar, misturando-se ao som das risadas e das conversas alegres que preenchiam o ambiente.

James Sirius, como sempre, estava no centro de tudo, encantando a todos com suas histórias. Ele gesticulava animadamente, segurando uma garrafa de cerveja amanteigada enquanto recontava a partida, os olhos brilhando com a satisfação de sua vitória e a emoção da competição.

— E então, bem na hora que eu marquei aquele último gol, eu ouvi a arquibancada enlouquecendo porque meu melhor amigomeu irmão de outra mãe—tinha acabado de capturar o pomo! — disse ele, com um sorriso travesso.

Lorcan, que estava escorado na parede próxima, rolou os olhos, mas não conseguiu evitar uma risada.

Seu último gol? Eu ouvi dizer que a vitória foi garantida pelo apanhador — respondeu ele, com a voz cheia de sarcasmo.

James apontou um dedo para ele, como se tivesse acabado de pegar Lorcan em uma falha evidente.

— Detalhes, Scamander. Detalhes.

A conversa seguiu entre risos e provocações, mas Lorcan começou a sentir um olhar ardente sobre ele. Era como se a temperatura no ambiente tivesse subido de repente. Quando seus olhos finalmente se encontraram com os de Roxanne, ela lhe deu um sorriso de canto — aquele sorriso que sempre deixava seu coração mais acelerado, e o jeito como ela o olhou fez um arrepio percorrer sua espinha.

Ela começou a se aproximar devagar, quase como se soubesse exatamente o efeito que causava nele. A tensão no ar aumentava com cada passo dela, e Lorcan já sabia que algo estava prestes a acontecer.

Ela se inclinou ligeiramente para ele, sussurrando suavemente perto de seu ouvido, mas com uma voz carregada de algo mais, algo que não precisava de palavras para ser entendido.

— Preciso falar com você — ela disse, e Lorcan não pôde evitar sorrir ao ouvi-la.

Ele a olhou de lado, um sorriso travesso surgindo em seus lábios.

— O que foi, princesa? — perguntou, já sentindo que esse apelido estava se tornando cada vez mais natural, algo que ele gostava de dizer a ela. E aparentemente, ela não se importava, o que o deixava ainda mais encantado.

Roxanne cruzou os braços, fingindo indiferença, mas seus olhos denunciavam tudo. Ela estava se divertindo com a situação, e ele sabia disso.

— Eu disse que o prêmio por ganhar o jogo viria mais tarde... — ela começou, com um olhar desafiador, mas uma leveza na voz.

Os olhos de Lorcan brilharam com um toque de excitação.

— Ah, é? — ele perguntou, dando um passo em direção a ela, a tensão entre os dois crescendo a cada segundo.

— Sim. Mas acho que não dá para esperar muito. — Roxanne não conseguiu esconder o sorriso em seus lábios, e sua expressão desafiadora estava cheia de uma diversão travessa.

Lorcan então segurou sua cintura, puxando-a para mais perto, sem pensar duas vezes, o desejo de estar mais perto dela superando qualquer outra coisa no momento.

— Quer sair daqui? — ele perguntou, sua voz baixa e cheia de um sorriso que apenas ela poderia ver.

Roxanne olhou para ele, com os olhos brilhando de algo que Lorcan não soubera exatamente identificar, mas que fazia seu coração bater mais rápido.

— Achei que nunca ia perguntar — ela respondeu, o sorriso crescendo enquanto ele a puxava ainda mais para si.

E com um toque de risos, olhares cúmplices e uma antecipação que se tornou palpável, eles saíram de mãos dadas, deixando para trás a festa que continuava a se desenrolar, mas que naquele momento, não era a coisa mais interessante.