SEMPRE FOI VOCÊ (Lorcan Scamander/Roxanne Weasley)

3 Capítulo 3 - O Último Alarde de James Sirius Potter


Lorcan sabia que manter um relacionamento escondido em Hogwarts não seria fácil, mas a realidade superou suas expectativas. Nos primeiros dias após o beijo, ele se pegava roubando olhares de Roxanne no Salão Principal, apenas para perceber que James o observava com um olhar cada vez mais suspeito. No salão comunal, sentia um desejo crescente de se sentar ao lado dela no sofá, mas, ao ver Dominique e Rose por perto, recuava. Era um jogo constante de fingir que nada havia mudado, enquanto, na verdade, tudo estava transformado.

Roxanne, por outro lado, parecia estar se divertindo com a situação. Ela se aproximava dele nos corredores com uma naturalidade quase brincalhona, roçando sua mão de leve na dele, apenas para ver Lorcan se encolher. Passava por ele nas aulas de DCAT, sussurrando um "te vejo depois" que fazia seu estômago revirar. E, sempre que conseguiam um momento sozinhos, ela não podia deixar de rir ao ver a expressão nervosa dele.

— Você precisa relaxar, Lorc — dizia, com um sorriso travesso nos lábios.

— Relaxar? Você tem ideia de como é difícil esconder que eu gosto de você? — ele respondia, seu tom mais alto do que ele gostaria, a frustração evidente.

Ela sorria ainda mais, puxando-o para trás de uma tapeçaria no corredor do quarto andar.

— Se você quer tanto evitar suspeitas, deveria parar de agir como um culpado.

Ele suspirava, prestes a argumentar, mas antes que pudesse, Roxanne passou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou. E, assim como sempre acontecia, qualquer preocupação desapareceu. O mundo se reduzia àquele momento, à sensação de estarem ali, escondidos e distantes de tudo e todos.

Lorcan sabia que aquele jogo não poderia durar para sempre. Mas, por enquanto, estava viciado. Viciado na adrenalina dos encontros secretos, no prazer furtivo de se esconder nos corredores, no jeito como Roxanne sorria para ele em meio a conversas cotidianas, como se soubessem de algo que só eles compartilhavam.

O problema, claro, era Fred.

Sempre que ele e James iam até a Gemialidades Weasley, Lorcan sentia o peso da culpa. O que Fred pensaria se soubesse? Ele ficaria bravo? Decepcionado? Essas questões martelavam sua mente.

— Você está estranho — Fred comentou durante uma das visitas à loja.

Lorcan se engasgou com o suco de abóbora que estava bebendo. "Ótimo, só o que me faltava."

— O quê? Eu? Estranho? Não! — Ele forçou um sorriso, mas Fred não parecia convencido.

Fred estreitou os olhos, observando-o de perto.

— Você está nervoso. Alguma coisa aconteceu?

James, ao lado deles, olhou entre os dois e sorriu de canto, como se soubesse exatamente o que estava acontecendo.

— Ele está assim há dias. Aposto que tem algo a ver com uma garota.

Lorcan quase parou de respirar. Seu coração disparou.

— O quê? Não! Claro que não!

Fred cruzou os braços, agora com um olhar mais penetrante.

— Se for isso, pode falar, cara. Você nunca teve problema em me contar essas coisas antes.

"Porque nunca antes foi a sua irmã", Lorcan pensou, mas manteve a calma. Soltou uma risada nervosa.

— Sério, não tem nada. Só estou cansado.

Fred parecia considerar isso por um momento, antes de dar de ombros.

— Certo. Mas, se precisar falar sobre algo, você sabe que pode contar comigo, né?

A culpa apertou no peito de Lorcan, mas ele sorriu forçadamente.

— Sei, Fred. Sei sim.

James, no entanto, continuava olhando para Lorcan com um olhar suspeito, como se soubesse que ele estava escondendo algo.

Mais tarde, naquela noite, quando Lorcan e Roxanne estavam novamente sozinhos na sala comunal, em um canto afastado onde ninguém podia ouvir a conversa, ele murmurou:

— Fred tá começando a perceber que tem algo de errado.

Roxanne, que estava discretamente brincando com os dedos dele, sorriu, um sorriso que misturava diversão e desafio.

— Talvez ele tenha que perceber mesmo.

— O quê? — Lorcan perguntou, surpreso.

Ela suspirou, como se já soubesse a resposta, como se o peso daquela situação já fosse algo com o qual ela estivesse mais à vontade.

— Lorc, eu gosto do mistério e da diversão, mas você não acha que eventualmente vamos ter que contar?

Lorcan passou a mão pelos cabelos, claramente frustrado com a situação.

— Eu sei. Só... ainda não estou pronto.

Ela apertou a mão dele, oferecendo um pequeno conforto em meio à confusão de sentimentos.

— Tudo bem. Mas, quando você estiver, eu estarei aqui.

Ele a observou por um momento, e, sem pensar duas vezes, inclinou-se e a beijou rapidamente. Roxanne sorriu surpresa, seus olhos ainda cheios de curiosidade.

— O que foi isso? Aqui? — ela murmurou, lembrando-se de que alguém poderia ter visto.

Lorcan deu de ombros, aos poucos se cansando de esconder o que sentia.

— Obrigado por ser paciente comigo.

Ela sorriu novamente, seu olhar suave e cheio de compreensão.

— Alguém tem que ser, né?

Do outro lado da sala comunal, James Sirius observava tudo de longe. Ele não tinha visto o beijo. Estavam bem escondidos, mas ele sentia que algo estava diferente. E ele iria descobrir o que era.

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Lorcan sabia que estava brincando com fogo. Havia um limite para o quanto poderiam manter o relacionamento em segredo, e ele sentia que estavam se aproximando demais desse limite a cada dia. O problema era James. O amigo parecia mais desconfiado a cada momento que passava, e Lorcan podia sentir o olhar penetrante de James sobre ele, como se estivesse tentando arrancar a verdade de sua alma.

Apesar dos esforços para manter a discrição, ele e Roxanne não eram exatamente os melhores em agir naturalmente perto um do outro.

— Você está me olhando de novo — Roxanne sussurrou durante o almoço no Salão Principal, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e desafio.

Lorcan, assustado, desceu os olhos rapidamente para o prato, pegando a primeira coisa que encontrou – purê de batatas – e fingindo um interesse súbito nele.

— Eu não estava olhando. — Sua voz soou mais convincente do que ele realmente sentia.

Roxanne não acreditou, evidentemente. Ela sorriu com a certeza de quem sabia exatamente o que estava acontecendo.

— Estava, sim. E James acabou de perceber. — Ela disse com a mesma voz baixa, mas cheia de uma satisfação que deixou Lorcan gelado.

Ele se enrijeceu e, discretamente, lançou um olhar furtivo para o lado. James estava sentado mais à frente, seus olhos fixos em Lorcan com uma intensidade desconcertante. Os olhos de James pareciam brilhar com a certeza de que havia algo acontecendo, algo que ele não entendia, mas que estava prestes a descobrir.

Lorcan quase engasgou com o ar. James estreitou os olhos, um sorriso pequeno formando-se nos lábios, como se tivesse acabado de juntar as peças do quebra-cabeça.

"Droga", Lorcan pensou.

— Ele sabe de alguma coisa — Lorcan murmurou para Roxanne, a voz baixa, mas cheia de preocupação.

— Ou só acha que sabe — Roxanne rebateu, a confiança evidente em sua postura. — A menos que a gente dê motivos, ele não pode provar nada.

Lorcan assentiu, tentando se acalmar. Ele tentava se convencer de que James não sabia de fato. Afinal, ele estava em Hogwarts há tempo o suficiente para perceber que o Potter era um excelente observador. Mas, mesmo assim, Lorcan não estava pronto para essa conversa.

Antes de saírem para a sala de aula, Roxanne puxou Lorcan para dentro de um pequeno corredor escondido atrás de uma tapeçaria. O local era apertado e escuro, o tipo de lugar perfeito para se esconder de olhares curiosos.

— Você está muito tenso — ela murmurou, passando os braços ao redor do pescoço dele. A voz dela tinha uma suavidade que Lorcan não conseguia ignorar.

Lorcan suspirou, mas antes que pudesse continuar com seu discurso sobre "precisamos tomar mais cuidado", Roxanne o beijou.

E, mais uma vez, como sempre acontecia, ele esqueceu todas as preocupações. O mundo se reduziu a Roxanne, àquele beijo e à forma como ela fazia o tempo desaparecer ao seu redor. Seus lábios eram quentes e macios, e o toque dela estava cheio de urgência e diversão. Lorcan deslizou as mãos pela cintura dela, puxando-a para mais perto, completamente perdido no momento.

Então, o inevitável aconteceu.

— MAS QUE MERLIN?! — Uma voz chocada ecoou pelo corredor, fazendo os dois se afastarem num pulo, como se o tempo tivesse voltado ao normal.

James Potter estava parado na entrada do corredor escondido, olhos arregalados e boca aberta em choque absoluto. O silêncio foi absoluto, nenhum deles sabia o que dizer.

James apontou para os dois, como se não conseguisse acreditar no que estava vendo.

— Vocês dois...? EU SABIA! — Sua voz soou incrédula, um misto de raiva e surpresa.

Lorcan abriu a boca para negar — mas, sabendo que seria uma tentativa inútil, se limitou a fechar a boca. Nenhuma desculpa seria suficiente para aquela situação.

— Err... — foi o que ele conseguiu dizer.

Roxanne, por outro lado, apenas sorriu, ajeitando os cabelos com a calma de quem acabara de fazer algo trivial.

— Oi, James. — Ela parecia completamente descontraída, como se estar ali, naquele exato momento, fosse a coisa mais natural do mundo.

James ficou em choque por mais alguns segundos, olhando alternadamente para Roxanne e para Lorcan.

— OI? É só isso que você tem pra dizer?! — Ele parecia prestes a ter um colapso emocional, seu corpo tenso e os olhos arregalados de raiva. — Quanto tempo isso tá acontecendo?!

Roxanne não se perturbou. Ela apenas suspirou e revirou os olhos.

— Um tempinho. — Respondeu, como se fosse algo totalmente trivial.

— QUE TIPO DE RESPOSTA É ESSA?! — James estava em uma mistura de pânico e incredulidade. Ele olhou entre os dois novamente, como se tentasse entender o que acabara de descobrir.

Roxanne cruzou os braços, olhando para James com uma calma surpreendente.

— Você adora aparecer nesses momentos, não é James? — disse, claramente já exausta da inconveniência do primo.

James soltou uma risada incrédula, as mãos passando pelos cabelos em um gesto impaciente.

— Ah, ótimo, agora eu sou o errado aqui?

— Não é tão simples, James. — Roxanne estava imperturbável, apesar de toda a confusão ao seu redor.

— NÃO É SIMPLES? VOCÊ SABE QUEM NÃO VAI ACHAR ISSO SIMPLES, LORCAN? FRED! — James parecia prestes a explodir, mas foi interrompido pelo olhar de Lorcan.

Lorcan passou a mão no rosto, o peso da situação finalmente caindo sobre ele.

— Eu sei. — Ele respirou fundo, tentando controlar a pressão crescente em seu peito.

James bufou, as mãos nos cabelos novamente. Ele parecia perder a paciência, tentando decidir o que fazer com a informação.

— Vocês dois são inacreditáveis. — Sua voz estava cheia de incredulidade, mas também havia uma pitada de compreensão.

— Você vai contar para Fred? — Lorcan perguntou, a hesitação evidente na sua voz.

James ficou em silêncio por um momento, e os dois observaram ele refletir.

Então, finalmente, ele suspirou e cruzou os braços.

— Não. — Ele olhou para os dois com uma expressão que mesclava frustração e cansaço. — É claro que não.

Lorcan e Roxanne piscaram, surpresos.

— Você não vai? — Roxanne perguntou, um pouco incrédula.

James revirou os olhos, o rosto relaxando um pouco.

— Eu não sou um traidor. — Ele deu uma olhada neles antes de continuar: — Mas, pelo amor de Merlin, resolvam isso logo. Porque, se Fred descobrir por outra pessoa, vocês estão ferrados.

Lorcan exalou o ar que não sabia que estava segurando, aliviado, mas ao mesmo tempo com um pânico crescente.

— Obrigado, James. — Ele tentou parecer grato, embora soubesse que isso não resolveria o problema.

James estreitou os olhos.

— Não me agradece. Só me promete que, quando Fred te bater, você não vai arrastar meu nome para essa confusão.

Lorcan deu uma risada nervosa.

— Eu prometo... — Mas, no fundo, ele sabia que a tempestade ainda estava por vir. Fred Weasley acabaria descobrindo, e ele não tinha a menor ideia de como reagiria.