SEMPRE FOI VOCÊ (Lorcan Scamander/Roxanne Weasley)
6 Capítulo 6 - Sob a Sombra de Um Desafio
Enquanto Lorcan e Roxanne caminhavam pelos corredores escuros, imersos na intensidade e desejo que eles compartilhavam entre si no momento, mal notaram quando passaram perto de Lizzie Harper. Ela estava parada, com os olhos fixos neles, os lábios curvados em um sorriso que não chegava a ser amigável. Seus olhos brilhavam com um brilho frio e distante, um olhar que denotava mais desgosto do que simples curiosidade.
Lizzie sempre fora apaixonada por Lorcan, desde os primeiros anos em Hogwarts. Nunca fizera segredo disso. Sempre deixara claro, com palavras e olhares, que ele era o seu grande desejo. Ela, que sempre se achava mais inteligente, mais refinada, mais digna, nunca entendeu o que ele via em Roxanne. Ela não podia conceber que a insuportável e sempre animada Weasley tivesse conquistado o que, na sua visão, deveria ser seu por direito. Ver Lorcan tão feliz ao lado de Roxanne, saltitando pelo castelo com aquela energia que parecia ser só deles, preenchia Lizzie com uma fúria silenciosa.
Não era apenas um sentimento de inveja. Era algo mais profundo, mais escuro. Lizzie sentia uma raiva visceral, uma necessidade de corrigir aquilo, de restaurar o que ela achava que era o seu lugar ao lado de Lorcan. Ela nunca aceitaria perder para alguém como Roxanne. E enquanto o casal passava sem perceber sua presença, Lizzie fazia planos em sua mente, uma rede de possibilidades começando a se formar.
Ele vai ser meu — pensou com firmeza. Ela só precisava bolar uma estratégia. E não seria qualquer uma, mas algo astuto, engenhoso, digno de uma Corvinal. Afinal, Lizzie não era tola. Ela sabia que poderia conquistar Lorcan, mas para isso, precisaria de um plano perfeito. E, como sempre, ela usaria sua inteligência, embora de uma maneira que poucos entenderiam. O problema, claro, é que a esperteza de Lizzie nunca esteve do lado do bem. E ela estava determinada a provar isso mais uma vez.
Enquanto isso, Lorcan e Roxanne estavam completamente imersos no mundo deles, focados apenas em uma única coisa: a sala silenciosa à frente. O zelador passava frequentemente, mas não poderiam esperar muito mais para entrar. Quando a oportunidade finalmente surgiu e o corredor ficou vazio, ambos avançaram rapidamente, quase em silêncio, para dentro da Sala Precisa.
A porta se fechou com um leve estalo, e imediatamente, sem palavras, Roxanne agarrou a camisa de Lorcan e o puxou para um beijo feroz, sem qualquer cerimônia. Não havia tempo para mais nada. Só o desejo.
— Você jogou muito bem hoje — ela murmurou contra os lábios dele, a voz baixa, mas carregada de admiração.
— Foi tudo para te impressionar — ele respondeu, sua voz divertida, enquanto sorria contra o beijo.
Roxanne se afastou um pouco, com um brilho malicioso nos olhos.
— Missão cumprida, então, campeão — ela sussurrou em seu ouvido, e aquelas palavras causaram um arrepio imediato em Lorcan. Ele não resistiu. Sentiu a intensidade do momento percorrer seu corpo com um desejo avassalador.
Em um impulso, ele a puxou ainda mais para perto, seus corpos agora totalmente alinhados, e se inclinou, seus lábios se movendo para a curva de seu pescoço. Roxanne estremeceu com o toque, um arrepio percorrendo sua espinha ao sentir a suavidade dos lábios dele em sua pele.
O calor entre os dois era incontrolável, e o desejo que se acendia dentro deles os envolvia de uma maneira quase mágica. Eles estavam completamente entregues um ao outro, e o mundo lá fora parecia ter desaparecido.
Os dois já estavam muito ofegantes.
— E meu prêmio? — Lorcan perguntou também sussurrando no ouvido dela.
Ela sorriu de canto e deslizou as mãos para começar a desabotoar a blusa do garoto.
— Acho que já sabe como vai ser.
Lorcan riu baixo antes de voltar a beijá-la e deitá-la no sofá grande que estava na sala, o desejo se intensificando a cada segundo. E, como na primeira noite deles na Sala Precisa, se entregaram um ao outro, sem pressa, sem medo, como se fossem as únicas pessoas no mundo.
No dia seguinte, o sol ainda não havia nascido completamente quando Lorcan abriu os olhos. A primeira coisa que sentiu foi o cheiro doce dos cabelos de Roxanne, seu corpo quente ainda colado ao dele, respirando suavemente enquanto usava o peito dele como travesseiro.
Parecia que ele nunca iria se acostumar com isso.
Acordar com Roxanne nos braços era uma sensação tão profunda e inexplicável que ele quase não conseguia acreditar que fosse real. Durante tanto tempo, isso parecia um sonho distante, um desejo silencioso e escondido, que ele nunca imaginara ser possível. Agora, no entanto, ali estava ela, encolhida contra ele, sua pele macia como veludo sob seus dedos, o rosto tranquilo e sereno, refletindo um sono profundo e pacífico.
Ele se sentia ridiculamente sortudo.
Sortudo por poder chamá-la de sua. Sortudo por ela sentir o mesmo que ele. Sortudo por poder fazer parte da sua vida, por ser a pessoa com quem ela escolhera compartilhar seus dias. Não era só felicidade o que ele sentia; era uma mistura complexa de gratidão, e um afeto que parecia expandir seu peito a cada segundo.
Ele definitivamente amava Roxanne. E com uma clareza inusitada, ele percebeu que sempre a amara. Sempre amei, ele pensou, a certeza preenchendo sua mente como uma verdade que finalmente se revelava. Quando era mais jovem, ele não sabia como lidar com esses sentimentos, não entendia a imensidão do que sentia. Mas agora, mais maduro e consciente, ele sabia que Roxanne sempre foi a garota dos seus olhos, a pessoa que ele sempre procurou sem sequer perceber.
Ele nunca deixaria ela escapar.
Apenas o pensamento de perder Roxanne fazia seu coração apertar, e a ideia de que ela poderia um dia não estar ao seu lado o deixava sério e sem palavras. A noção de perder a garota que ele amava era absolutamente inconcebível para ele. Uma ideia tão distante da realidade, tão insustentável, que ele não conseguia sequer sustentá-la em sua mente por mais do que alguns segundos.
Lorcan teve uma intuição, mesmo que de forma vaga, que algo ou alguém poderia tentar interferir no delicado equilíbrio do relacionamento deles. Ele tentou ignorar, não sabia exatamente o que ou quem, mas a sensação estava lá, rondando sua mente como uma sombra que se aproximava, silenciosa e implacável.
Os dias começaram a passar com uma velocidade estranha, como se o tempo, de alguma forma, tivesse adquirido um ritmo próprio. Para Roxanne e Lorcan, o mundo ao redor parecia estar se moldando conforme o que acontecia entre eles. Desde a primeira vez que haviam passado a noite juntos, uma energia invisível e quase palpável os envolvia, algo como um magnetismo irresistível que crescia cada vez mais forte. Quando o sol se punha sobre Hogwarts e as sombras da noite começavam a se estender pelos corredores, parecia impossível ignorar o desejo que se acumulava entre eles, como se o tempo estivesse se comprimindo até que pudessem, finalmente, estar sozinhos.
Era como se as horas do dia fossem uma longa e angustiante espera pelo momento em que poderiam se encontrar de novo, sem pressa, sem olhares curiosos, apenas os dois, imersos em sua própria bolha de intimidade. Cada segundo longe um do outro parecia uma eternidade.
E todas as noites, como se fossem duas metades de um mesmo todo, eles tentavam encontrar um jeito de escapar, de se perder no outro. Cada encontro, uma oportunidade para se entregarem mais, e cada separação, uma promessa silenciosa de que o próximo momento juntos estaria mais perto.
Às vezes, era a Sala Precisa, que sempre lhes fornecia um refúgio perfeito—ora com um sofá macio e grande diante de uma lareira, ora com um enorme colchão cercado por velas flutuantes. Outras vezes, era alguma sala de aula abandonada com janelas que refletiam o luar.
Não importava o lugar.
Importava apenas que fossem eles dois.
Naquela noite, haviam conseguido escapar para a Torre da Astronomia. O vento frio da madrugada fazia Roxanne se encolher contra Lorcan, que a envolveu com seus braços, aquecendo-a com seu próprio corpo.
— Você tá com frio? — ele perguntou, beijando suavemente o topo de sua cabeça.
— Um pouco... — ela admitiu, apertando-se mais contra ele.
Lorcan sorriu e tirou seu próprio casaco, envolvendo-a com o tecido quente antes de puxá-la para seu colo.
— Melhor assim?
Ela sorriu.
— Muito melhor.
Ele a olhou por um longo momento, os olhos azuis brilhando à luz da lua.
— Eu quero ficar com você pra sempre, Roxy.
O coração de Roxanne acelerou mediante a declaração. Ela deslizou as mãos pelos cabelos dele antes de puxá-lo para um beijo. E, como sempre acontecia, um simples beijo nunca era suficiente. Cada toque parecia atiçar ainda mais o desejo entre eles, cada suspiro compartilhado aumentava a necessidade de se entregarem um ao outro outra vez.
E ali, sob a imensidão do céu estrelado, Roxanne se entregou a Lorcan mais uma vez, com a certeza de que nunca se cansaria de sentir aquele amor tão intenso.
Na manhã seguinte, Roxanne entrou no dormitório feminino da Grifinória, tentando ser o mais discreta possível. Ela sabia que tinha se atrasado mais uma vez, mas o que realmente queria era passar despercebida. No entanto, ao cruzar o limiar da porta, logo encontrou Dominique sentada na cama, concentrada em pentear os cabelos. Ela ergueu os olhos, e um sorriso travesso apareceu em seus lábios.
— Bom dia, sumida — Dominique disse com um brilho malicioso nos olhos.
Roxanne parou imediatamente no meio do caminho, estreitando os olhos, desconfiada.
— O que foi? — ela perguntou, tentando manter a compostura.
Dominique cruzou os braços e a observou com uma expressão de quem sabia exatamente o que estava acontecendo.
— Você acha que eu não percebi que faz dias que você não dorme aqui? — ela disse, o sorriso se alargando ainda mais.
Roxanne sentiu o rosto esquentar imediatamente, uma onda de cor subindo até suas bochechas. Tentando disfarçar, ela murchou os ombros e fez um gesto exagerado com as mãos.
— Exagerada. Eu só... tenho estudado até tarde — ela respondeu, forçando um tom casual, mas claramente desconfortável.
Dominique arqueou uma sobrancelha, claramente duvidando da explicação.
— Ah, claro. E os estudos envolvem Lorcan Scamander, por acaso? — ela perguntou, o tom cheio de insinuação, acompanhada de um olhar divertido.
Roxanne, sem pensar duas vezes, pegou o primeiro travesseiro que viu e jogou em Dominique, que se esquivou rapidamente, rindo alto.
— Cala a boca! — Roxanne disse, já quase sorrindo, mas tentando manter a seriedade.
Dominique riu com mais força e se acomodou melhor na cama, parecendo genuinamente feliz pela prima, mas também não podendo deixar de fazer uma observação.
— Relaxa, Rox. Eu acho lindo o que vocês dois têm. Mas vocês têm que tomar cuidado para ninguém pegar vocês. Seria uma detenção um pouco... cômica, não acha?
Roxanne revirou os olhos, mas, no fundo, não conseguiu evitar sorrir. Havia algo reconfortante na forma como Dominique a provocava, e, de algum modo, ela sabia que a prima estava apenas cuidando dela.
— Eu sei... Estamos tomando cuidado — Roxanne respondeu, ainda sorrindo de canto, mas com uma leve tensão nas palavras.
Dominique sorriu e, depois de alguns minutos, as duas seguiram juntas para a aula, conversando despreocupadas. A manhã estava calma, e tudo parecia se encaixar em sua rotina, até que o inesperado aconteceu.
Ao chegar à sala de Adivinhação, Roxanne percebeu que algo parecia diferente. Ela sentiu um calafrio na espinha e, quando entrou na sala, seus olhos encontraram Lizzie Harper sentada em uma das cadeiras da primeira fileira. Lizzie estava mais tranquila que o normal, e isso imediatamente chamou a atenção de Roxanne.
Durante a aula, Lizzie não desviava o olhar de Roxanne, e, por mais que tentasse se concentrar nos cálculos astrológicos e nos presságios que a professora Trelawney estava tentando ensinar, Roxanne não conseguia ignorar a presença do olhar de Lizzie. Ela parecia estar à espreita, como uma sombra, esperando o momento certo para se aproximar.
A aula terminou e os alunos começaram a sair da sala. Quando Roxanne se levantou, Lizzie a seguiu de perto, como se tivesse uma missão a cumprir. Roxanne sentiu uma pontada de desconforto e, antes que pudesse se afastar, Lizzie se aproximou dela, com aquele sorriso que, embora parecesse amigável, Roxanne sabia ser qualquer coisa menos genuíno.
— Roxanne, tem um minuto? — Lizzie chamou, com um tom doce demais para ser sincero.
Roxanne olhou para Dominique, que já estava indo em direção ao corredor, mas antes que pudesse se afastar, a prima olhou para ela, percebendo o que estava prestes a acontecer. Dominique, com um sorriso compreensivo, fez um gesto com a mão, como se dissesse: "Eu vou dar um tempo, vai lá."
Com um suspiro, Roxanne se virou para Lizzie, que agora estava a poucos passos dela, com os olhos brilhando de uma curiosidade que Roxanne não gostava.
— O que você quer, Lizzie? — Roxanne perguntou, tentando manter a calma, mas seu tom foi mais firme do que ela esperava.
Lizzie deu um passo à frente, sua expressão mudando de doce para algo mais calculista. Ela olhou de um lado para o outro, como se quisesse ter certeza de que ninguém estava por perto.
— Eu só queria saber... — Lizzie começou, sua voz suavizando à medida que falava. — Você tem certeza de que o Lorcan é tão perfeito quanto parece? Quero dizer, ele sempre foi tão gentil com todas as meninas, não é? Ele tem esse charme, sempre prestativo, sempre preocupado. Eu só fico pensando se você não está sendo um pouco... ingênua ao achar que ele é só seu.
Roxanne ficou em silêncio por um momento, o estômago revirando com as palavras de Lizzie, mas, em vez de ceder ao desconforto, ela se manteve firme. Ela conhecia Lorcan mais do que ninguém, sabia o que ele sentia por ela e o quanto ele a amava. Ele nunca a faria duvidar disso.
— Sinceramente? O que você tem a ver com isso, Harper? — Roxanne respondeu, sua voz agora tranquila, mas cheia de certeza. — Eu não vou deixar você se intrometer no meu relacionamento. Eu confio no Lorcan, e ele confia em mim. E se você pensa que vai conseguir estragar isso você está muito enganada.
Lizzie parecia um pouco surpresa, talvez não esperando tanta firmeza de Roxanne, mas não deixou transparecer.
— Ah, claro, você tem toda essa confiança... Eu só queria te alertar. Às vezes, os rapazes podem ser complicados. Sabe o que dizem né, homens são todos iguais… — Ela riu como se bancasse uma amiga compreensiva — Cuidado para não se machucar no fim. Foi apenas um alerta que talvez você não esteja conseguindo ver.
Roxanne, sem perder a compostura, deu um pequeno sorriso, que foi mais um desafio do que um gesto amigável.
— Não se preocupe, Lizzie. Eu sei o que estou fazendo — Roxanne respondeu, antes de se virar e seguir para a porta, deixando Lizzie para trás. Ela encontrou Dominique no corredor que estava visivelmente preocupada com qualquer coisa que Lizzie pudesse ter falado para ela.
— Você está bem? — Dominique perguntou, quebrando o silêncio.
Roxanne olhou para a prima e sorriu, embora não fosse um sorriso genuíno. Ela sabia o que Lizzie estava tentando fazer, e não permitiria que funcionasse. Mas, mesmo assim, uma pequena parte dela se questionava... não sobre Lorcan, mas sobre o que exatamente Lizzie queria alcançar.
— Eu estou bem — respondeu Roxanne, com firmeza. — Não vou deixar que essa garota me faça duvidar de nada. O Lorcan e eu estamos felizes, e nada vai mudar isso.
Dominique deu uma risada suave, tocando o ombro de Roxanne de maneira reconfortante.
— Você tem razão e não vale a pena perder tempo com alguém como Lizzie Harper. Não deixe ela entrar na sua cabeça. — disse Dominique e a morena assentiu,
No entanto, por mais que lutasse contra, o peso das palavras de Lizzie ainda pairava na mente de Roxanne. A confiança que ela tinha em Lorcan era inabalável, mas Lizzie tinha uma habilidade única de realmente conseguir entrar na mente das pessoas.
Dominique pareceu notar que a prima ainda estava distante, com os pensamentos ainda presos na situação que acabara de conhecer. Ela conhecia Roxanne muito bem, eram melhores amigas, e sabia que às vezes as inseguranças de Roxy poderiam falar mais alto que sua consciência. Ela suspirou tentando reconfortar a amiga novamente:
— Relaxe Rox, Lizzie vai ter que aprender a lidar com isso. Sabe qual é a verdadeira verdade por trás disso tudo? Ela está com ciúmes de você. Porque você está com Lorcan, e ela não.
Roxanne soltou uma risada baixa, embora fosse mais irônica do que divertida. A ideia de Lizzie com ciúmes dela era algo que ela nunca imaginaria, mas agora que Dominique havia dito, fazia sentido. Lizzie sempre teve uma espécie de obsessão por Lorcan, mesmo que isso nunca tivesse sido dito diretamente, todos do castelo sabiam um pouco.
Na hora do almoço, Roxanne seguiu com Dominique para o Salão Principal. Quando ela finalmente se aproximou de Lorcan, ele sorriu ao vê-la, mostrando que havia guardado um lugar para ela ao seu lado. Ela sentiu o calor que sempre a envolvia quando estava perto dele, e soube, sem sombra de dúvida, que o que ela tinha com Lorcan era forte o suficiente para enfrentar qualquer tempestade.
Ela sorriu de volta e se aproximou dele, dando-lhe um beijo suave na bochecha antes de se sentar ao seu lado.
— Como você está, linda? — Lorcan perguntou, com uma expressão carinhosa.
Roxanne sorriu, agora totalmente em paz.
— Melhor agora... — respondeu ela. — E você?
Ele sorriu, a ternura em seus olhos nunca deixando de ser a coisa mais verdadeira que ela já tinha conhecido.
— Sempre melhor quando estou com você. — ele respondeu, com a voz suave e a expressão de quem realmente acreditava nas próprias palavras. Ela sentiu um calorzinho no peito, como se aquelas palavras fossem um feitiço lançado diretamente sobre ela, protegendo-a.
No fundo, Roxanne sabia que Lizzie Harper não tinha a menor chance de destruir o que ela tinha com Lorcan. Não importava o que acontecesse, o que ela sentia era mais forte do que qualquer tentativa de separá-los.
Roxanne, enquanto pegava a comida, deixou um pequeno suspiro escapar e, com um sorriso brincalhão, começou a falar.
— Sabe, estava conversando com meus pais... — ela começou, distraída enquanto se servia de uma porção de arroz e legumes. — E eles perguntaram se você não quer passar esse Natal lá na Toca com a gente?
Lorcan parou por um momento, surpreso. O calor que ele sentiu no peito foi instantâneo, mas não pôde deixar de sentir uma pontada de nervosismo. O convite era mais do que um simples gesto de carinho; era um sinal de que ele estava prestes a entrar oficialmente para a família Weasley. O peso disso o fez sorrir, mas também se sentir levemente tenso. Natal na Toca... com os pais de Roxanne. Aquilo significava muito, mais do que ele gostaria de admitir.
Ele sorriu, sentindo que as palavras surgiam naturalmente em seus lábios.
— Eu vou adorar! — respondeu ele, a voz cheia de entusiasmo genuíno. A visão de Roxanne sorrindo ainda mais ao ouvir sua resposta fez seu coração bater mais rápido. Ela se inclinou, deu-lhe um beijo rápido nos lábios, como se agradecesse silenciosamente pela resposta positiva.
Lorcan observou-a, com um sorriso tímido, enquanto ela retornava ao seu prato. O pensamento de ser parte da família Weasley, de sentar-se à mesa da Toca, entre risadas e o calor familiar dos Weasley, o fez sentir-se mais em casa do que jamais imaginara ser possível. Ele estava, finalmente, se tornando oficialmente parte daquela história — da história de Roxanne.
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