SCORBUS - Amor no Espectro
9 Capítulo Sete
— Você está preparado para isso? — Gina terminava de passar a roupa de Albus enquanto o jovem rapaz, bem mais desenvolvido terminava de arrumar seus cabelos com muito gel.
— Estou nervoso... Tenho medo da reação do senhor Malfoy.... E um pouco da reação do Scorpius... Não quero que ele tenha alguma crise por minha causa... — Era um grande dia.
Albus após 5 anos de amizade com Scorpius aguardou o máximo de tempo que pode até aquele instante. Hoje seria o grande dia onde pediria o garoto em namoro para o pai.
Mal sabia ele que Draco já esperava por aquilo...
Albus foi alguém muito importante para Scorpius em todo o período post-mortem de Astória. Ele esteve ao seu lado durante todos os momentos de crise, principalmente onde Draco não podia estar, como na escola de Hogwarts.
Draco devia muito a Albus, muito mais que o moreno de olhos verdes poderia imaginar.
O jovem Potter perdeu muito das suas oportunidades de ser como um adolescente bruxo normal. Com amigos, paqueras, aventuras e tudo mais... Em nome de algo que nutria por Scorpius e com o tempo, Albus descobriu ser a sua maior força.
Mas nem tudo foram flores até ali.
Muitos dias de frustração por não poder tocá-lo, por não compreender a melhor forma de se comunicar de forma clara e até mesmo pela ignorância de não entender certas características marcantes em Scorpius e sua condição.
— Você não precisa se preocupar... Você vai se sair bem... Eu e seu pai estamos orgulhosos de você... Quero que traga o Scorpius para dormir aqui em casa no próximo final de semana... Avise o Draco. — Pediu Gina entregando a Albus a camisa favorita de Scorpius.
— Pode deixar mãe! Obrigado pelo apoio! — Ele apertou sua mãe em um abraço comovido e sorriu reconfortado com oque ela havia acabado de lhe falar.
Gina também devia muito a Scorpius.
Graças a ele, Albus havia se tornado um menino responsável ainda muito cedo ao se entregar de corpo e alma a amizade com o loiro. Sua família tinha Albus como um verdadeiro exemplo de resignação e amizade verdadeira.
Mal suspeitavam eles que a amizade havia se desenvolvido para algo ainda muito mais profundo e delicado.
— Olá, senhor Malfoy, Bronks... — Albus cumprimentou o anfitrião e sua elfo doméstica. Assim que lhe deram espaço para entrar na mansão.
— Boa noite Albus... Venha, Scorpius estava ansioso a sua espera... Ele está na biblioteca, em sua barraca...
— Senhor Malfoy... Antes de eu ir falar com o Scorpius eu... eu... — Albus sentia seu coração já sair pela boca.
Há poucos instantes antes de se dar de cara com o mais velho. Uma coragem havia se apoderado de sí mesmo e estava pronto para colocar as cartas na mesa. Mas encarar uma versão mais velha de Scorpius não havia ajudado.
Draco já imaginava do que se tratava então apenas cruzou os braços e aguardou oque o moreno tinha para falar:
— Eu... O Scorpius... Nós... — As palavras pareciam entaladas em sua garganta e com muita dificuldade para saírem.
— Vocês...
— Al-albus? — Scorpius apareceu na porta da biblioteca com seu urso preferido em mãos e correu até ele, abraçando sua cintura com força. — Você de-demorou...
Albus sorriu retribuindo o carinho com um beijo em sua testa e voltou a fitar o mais velho. Não podia perder o foco de sua intenção.
— Desculpa, eu estava me arrumando para vir ficar com você... Scorpius? — Chamou esperando que ele o fitasse. — Quer ser meu namorado?
Scorpius realçou seu olhar e logo aqueles olhos grandes e acinzentados brilharam de felicidade. — Sim... Quero... Sim...
Draco mantendo a mesma posição, apenas deu um sorriso calmo e assentiu satisfeito.
— Estou feliz que você aceitou. — Albus sorria de orelha a orelha tamanha felicidade que sentia ao saber que Scorpius o havia aceito.
— E eu também... — Concluiu Draco se aproximando do filho que olhou para seus próprios pés. — Scorpius você vai cuidar bem do Albus?
— Vou... Vou... Vou... — Respondeu puxando Albus em direção a biblioteca. — Vou...
— Eu não terminei de falar com o Albus, Scorpius...
O loiro ignorou o pai enquanto caminhava e mantinha seus dedos sempre percorrendo as paredes, como se o toque fosse lhe necessário para manter-se firme no próprio caminhar.
Entrou em sua barraca feita com alguns lençóis e em seu interior, almofadas e mais almofadas estavam espalhadas por todos os lados e livros bem organizados em uma prateleira. Além de alguns brinquedos antigos que Scorpius vez ou outra decidia brincar.
Tudo feito por Draco com muito amor e dedicação, que só pensava em uma coisa.
Fazer Scorpius feliz.
Abaixo do teto de lençóis algumas estrelas feitas de papel metálico flutuavam calmamente, um simples feitiço colocado pelo mais velho.
— Scor... Oque foi? — Pediu Albus vendo a ansiedade do outro para levá-lo para dentro da barraca.
— Deita, namorado... — Pediu Scorpius e logo Albus já se dará conta do que ele queria dizer. — Eu quero ficar com-com você.
— Scor... — Albus segurou sua mão e a beijou. — Me chama de amor.
— Tá... — Scorpius sentiu um arrepio percorrer seu corpo ao sentir o beijo em sua mão e o soltou como se tivesse levado um choque. Albus o fitou e logo o loiro fez sinal para ele deitar sobre as almofadas — Dei-deita... Deita...
— Tá bom, vem cá... — Albus deitou sobre as almofadas e logo Scorpius fez o mesmo sobre seu corpo. Muitas vezes ele havia dormido sobre o peito de Albus, pois seu batimento cardíaco o acalmava em suas crises.
Aninhou-se sobre ele e logo aproximou seu rosto, passando a ponta dos dedos nos lábios do outro, brincando com a flexibilidade da pele da região.
— Eu te amo... — Sussurrou para Scorpius que apenas piscou e ajeitou seu rosto no vão do pescoço de Albus. — Você me ama?
A resposta não veio, Albus sabia que ela poderia demorar. Não que Scorpius não sentisse o mesmo e ele já demonstrara mesmo que sutilmente o quanto amava Albus.
— A-amo... Amo-o... — Respondeu após, no mínimo, 15 minutos. Brincava com seus dedos empolgadamente, ainda deitado sobre o moreno, que agora acariciava os cabelos de Scorpius.
— Albus? — Draco entrou na biblioteca e fez sinal para que o menino viesse ao seu encontro.
— Espera aí, eu já volto. — Scorpius saiu de cima de Albus e caminhou até seus livros. — Sim, senhor Malfoy...
— Venha...Vamos terminar de conversar...
— Alb... Albus... — Scorpius fez sinal para que ele voltasse a se aproximar, não queria ficar longe.
— Filho, espere um pouco... Preciso falar com Albus... — Scorpius fez uma expressão de aflição e andou até Albus, pegando sua mão. Draco suspirou baixo e com os dois seguiu para a sala de estar: — Eu iria perguntar se você tinha certeza disto, mas acredito que eu não precise... Vocês são amigos a muitos anos então acredito que você o entenda, até melhor que eu mesmo...
Albus sorriu e assentiu, mesmo que aquilo não fosse verdade.
— Eu tenho senhor Malfoy, eu amo o Scorpius... Com a condição dele e tudo mais... Eu já estava pensando nisso a um bom tempo e nos últimos dias, depois que ele disse que gostava de mim só me deu mais certeza...
— Ele me contou do jogo e do pomo... — Lembrou Draco. — E acredito que desde o dia em que você falou para seu primo que amava ele, Scorpius também percebeu que lhe ama...
— Sim... Só quero fazê-lo feliz e sei que vou ser feliz com ele...
— Eu não tenho dúvida, mas lembre-se... Não é por que vocês estão juntos que Scorpius demonstrará mais oque sente por você...E até mesmo suas demonstrações de afeto, que, ao contrário, terão grande chances de acabarem se tornando um tanto obsessivas. — Draco precisava lembrar Albus de toda a parte agridoce da vida em convivência com um autista.
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