"Esse momento se passa apenas 2 anos após a amizade de Albus e Scorpius terem início... E como um verdadeiro teste de coragem para o jovem Potter, alguém inusitado bateria em sua porta naquela manhã quente de verão..."

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— Sim? — Pediu Harry assim que abriu a porta da mansão. Fitou o elfo cabisbaixo, que trazia nas mãos uma carta endereçada a Albus.

Em um primeiros momento não entendeu oque estaria acontecendo para tal criatura estar ali com uma carta. Mas sabia que no mundo mágico tudo podia acontecer. Então assim que tocou a mão no papel verde escuro o Elfo desapareceu.

— Estranho... Albus! — Chamou Harry assim que percebeu o menino surgir e entregou a ele a carta. — Para você, um elfo veio trazer...

— Para mim? — Albus abriu um sorriso antes mesmo de abrir a carta. Sabia que pela cor do papel se tratava de uma carta de Scorpius.

Mas para a sua surpresa o conteúdo não poderia ser pior.

A mãe de Scorpius havia falecido e como Draco precisava se ausentar, precisava de alguém que pudesse passar alguns instantes com o filho.

" Infelizmente a cuidadora não teve a capacidade de controlá-lo... Antes de partir para magia eu gostaria de tentar sua presença... Acredito que nesses dois anos de amizade, você é a pessoa que meu filho mais confia depois de mim... "

Dizia um pequeno trecho da carta que estava ainda mantendo em seu papel algumas manchas de lágrimas.

— Mãe!!! — Albus ignorou Harry completamente que ainda esperava para saber oque havia ali de tão importante.

— Eu estou aqui Albus... — Resmungou o mais velho indo tomar a carta do garoto. Que agilmente jogou para a direção da mãe que surgia no mesmo instante na sala.

— Oque foi filho? — Gina pegou a carta e rapidamente fez uma leitura. — Hm... Sim, pode se arrumar e ir.

— Espera aí! Oque está acontecendo? — Harry tomou a carta das mãos da ruiva. — Oque tem essa carta?

— Astória... Faleceu... — Avisou Gina voltando a tomar a carta da mão de Harry. — Vá Albus... Tome banho e não demore...

O moreno sem pensar duas vezes largou tudo oque estava fazendo e correu para o andar de cima. O pai ainda um tanto contrariado respirou fundo e negou com a cabeça.

— Não irei discutir com você Harry... Scorpius precisa do Albus e você sabe... — Gina de de costas costas seguiu para o andar de cima.

O clima entre o casal já não era mais o mesmo de 3 anos atrás. James, Albus e Lily não sabiam, mas provavelmente os pais se separariam em pouco tempo. Tanto Gina e Harry não falavam sobre as brigas frequentes para os filhos, mas algo no inconsciente das crianças já anunciavam tempos difíceis.

— Mãe... Por que você e o pai não se gostam mais? — Gina baixou seu olhar para os sapatos escuros de Albus e terminou de passar um pano para deixá-los brilhando.

— Não filho... Não é que eu e seu pai não gostamos um do outro, mas é que a momentos em que certas relações... Namoros e casamentos ficam desgastados por inúmeros fatores... Como seu pai e eu trabalhamos muito, isso acabou nos afastando um pouco...

— Mas vocês vão ficar juntos para sempre, não vão? — Pediu com seus olhos verdes brilhando de ansiedade pela resposta.

— Não de atenção para isso agora... Não esqueça que você tem agora uma missão... — Ponderou a ruiva entregando a Albus seu blazer escuro. — Vou só trocar de roupas e nós já saímos...

Já na mansão Malfoy tudo parecia extremamente pacífico, um vento fraco agitava as árvores de forma silenciosa. Enquanto um carro fúnebre se mantinha estacionado em frente ao jardim da entrada.

— Qualquer coisa nós podemos ir embora, ok? — Avisou Gina para que ele não se sentisse pressionado.

Era a primeira vez que Albus tinha contato com a "morte" então todos os rituais referentes ao assunto lhe eram estranhos. Gina não estava menos nervosa que o filho, pois sentia-se em um terreno "perigoso" mesmo que não houvesse mais perigo algum desde a morte de Lucius Malfoy.

Ao chegarem na porta de entrada, tocaram a campainha e em poucos segundos, Bronks a Elfo abriu a porta, dando espaço para que entrassem. Logo Dafne Greengrass, irmã de Astória surgiu, vindo da biblioteca com várias papéis nas mãos.

— Weasley... — Dafne sorriu de forma fraca e com evidentes olhos vermelhos devido ao choro, se aproximou dos dois os cumprimentando com um abraço apertado.

Gina não estranhou aquela demonstração de afeto. Naquele momento oque todos ali da família precisavam, era um pouco de carinho.

— Muito obrigado por virem... Scorpius está muito abalado... Draco também, mas ele tem se mantido forte para não complicar ainda mais a situação... — Explicou colocando os papéis sobre uma mesa que ali havia. — Assim que eles retirarem o corpo do quarto, vocês podem subir...

— Não há oque agradecer Dafne, eu fico agradecida por se lembrarem da gente neste momento... Apesar das diferenças entre Draco e Harry, conheci Astória e até mesmo você. Então sei o quanto vocês eram unidas e como isso deve estar sendo difícil. — Albus ainda se mantinha em completo e sepulcral silêncio. — Precisa de ajuda em algo?

— Não, já está tudo pronto... O problema mesmo é o Scorpius... Ele teve uma crise muito forte... — Dafne respirou fundo para não voltar a chorar, já enchendo seus olhos de lágrimas. — É triste uma mãe deixar um filho dessa forma... Eu não sei oque será do Scorpius sem ela...

— Vai dar tudo certo Dafne, vamos torcer que Draco vai ser um bom pai... E você é uma boa tia, vai ajudar no que pode. — Lembrou, tentando lhe dar um mínimo de ânimo.

O som da porta do quarto foi ouvida e logo o féretro era transportado em silêncio, flutuando a menos de 1,30cm de altura.

Sendo acompanhado por 4 homens vestidos de preto que mantinham semblantes pesarosos. Atrás, Draco vestia um sobre tudo negro, com sua face evidentemente inchada pelo choro copioso desde o expiar da mulher.

Albus fitou o caixão e se encolheu um pouco mais, segurando a mão de Gina. Como se o toque de sua mãe fizesse toda a diferença para se sentir protegido.

— Mãe... — Chamou o moreno ao ter Draco na frente de ambos.

— Então você é o famoso Albus Potter... Scorpius fala muito de você... — Draco estendeu a mão para que ele a apertasse. — Muito obrigado por se disporem a vir... Eu jamais vou saber agradecê-los... Depois de algumas horas finalmente ele está mais tranquilo...

Albus fitou a mãe antes de o fazer, como se pedisse sua permissão. Era estranho ver um homem como Draco Malfoy, parecer tão frágil naquela situação. Seu pai Harry e seu tio Ron haviam contado inúmeras histórias horripilantes daquele homem de pele branca e olhos cinzas e gélidos.

Ele apertou sua mão e sorriu constrangido, oque foi percebido pelo outro.

— Fique tranquilo Albus, você é amigo do Scorpius então é meu amigo também... Como vai Weasley? — Draco apertou a mão da ruiva e ouviu o chamar de um dos homens da funerária. — Um momento, por favor...

— Draco parece bem cansado... — Comentou Gina percebendo a expressão cansada de Draco.

— As últimas semanas foram as piores... Ela já não se alimentava e sentia muitas dores, apesar que em nenhum momento reclamava... Draco ficou a última semana inteira no quarto com ela, não saiu nem para tomar banho... Scorpius pediu muito para ficar com ela, mas sabíamos que poderia mais prejudicar os dois, do que ajudar.

— Pronto... Podem subir comigo? Scorpius está no quarto dele... — Pediu gentilmente apontando a escada, para que pudessem o seguir. — Albus... Scorpius, se machuca durante as crises, então peço que tenha cuidado para que ele não o machuque também... Acredito que sua presença irá acalmá-lo, mas pode ser que não seja o suficiente... Então se afaste caso ele comece a se bater...

Novamente o moreno não falou nada, seu silêncio estava estranhando até Gina, pois Albus sempre fora muito falador, característica vinda do seu lado Weasley.

Assim que Draco abriu a porta, Albus pode ver Scorpius agachado em cima de sua cama, ainda usando pijamas e se balançando de trás para frente de forma quase descontrolada.

Seu rosto vermelho e inchado pelos socos desferidos em sí mesmo, deixavam a cena deprimente. Ainda mais por ter em seus braços um pequeno retrato onde estava ele no colo de Astória, quanto este havia completado 10 anos de idade.

— Scorpius? — Chamou Albus, baixinho e de forma acoada. Como se não quisesse falar alto para que não se assustasse.

O chamado não surtiu efeito e ainda receoso começou caminhar a passos lentos até ele. Na esperança que ouvisse sua voz de forma mais clara.

— Scorpius? Sou eu... Albus... — Repetiu.

Os olhos de Scorpius estavam fixos em seus pés que balançavam. O moreno olhou para mãe que sorriu em forma de encorajamento para que ele continuasse.

— Você acha que ele consegue? — Gina não sabia oque falar naquela situação. Tudo era inusitado para ela, a situação, as pessoas, literalmente tudo.

— Sim, nunca vi Scorpius tão a vontade com alguém como com Albus... — Respondeu Draco fitando os dois garotos.

— Eu, eu, eu... Sinto muito pela sua mãe... — Continuou, conversando baixinho. — Eu vim para saber como você está... Para ficar com você...

— Ma-mamãe... Ma-mamãe... — Pegou o retrato e passou seus dedos sobre o rosto de Astória, olhando fixamente para ela. — Ma-mãe...

— É.. A sua mãe... — Concordou, tocando no retrato.

— Mamãe... MA-MÃE!!! MÃEEE!!! — Os chamados se potencializaram na esperança que Astória viesse até seu encontro. Mas Scorpius só ouvia o silêncio.

Nem mesmo a voz do pai pedindo calma, Albus ou quem quer que fosse.

Ele esperava uma resposta ao seu chamado, uma bem específica. Aquela acalentadora de corações, aquela que curava dores apenas em um toque e criava facilmente sorrisos...

— Obrigado Albus... Acho que infelizmente só o tempo irá ajudar o meu filho... — Avisou Draco fazendo sinal para para se afastasse e então se colocou na frente de Scorpius, segurando seus braços para que não voltasse a se machucar.

— Mas mãe, eu queria tentar de novo... — Respondeu com um pouco mais de coragem.

— Não filho, como o Draco disse... Só o tempo vai ajudar o Scorpius... E claro, nosso carinho por ele... Neste momento ele precisa mais do pai, como ele — referindo-se a Draco — também precisa do filho... É uma coisa necessária e que todos nós vamos passar um dia...

— Queria que as coisas fossem fáceis...

— Nada é fácil quando nos referimos a pessoas com Autismo... Haverão momentos em que você vai ganhar e momentos que você vai perder... Hoje pode não ter dado tão certo a sua visita, mas quem sabe na próxima ocasião que Scorpius precise de você, as coisas não se saiam diferentes? — Comentou Dafne reaparecendo atrás de mãe e filho.

— É... Vamos torcer que não precise... — Comentou Albus.

— Mas se precisar, você vai estar lá... Com ele, não?

Albus pensou por alguns instantes, qual a melhor forma de demonstrar o quanto Scorpius era importante para si, então em única palavra deixaria claro:

— Sempre...