SCORBUS - Amor no Espectro
11 Capítulo Nove
— Posso te beijar? — Pediu Albus que se aproximou calmamente do rosto de Scorpius. Queria encarar seus olhos, vê-los fixo nos seus, mas sabia que aquilo era pedir demais.
— Si-sim...
Fitou o rosto perfeito de Scorpius a centímetros do seu, mantendo seus olhos fechados e fazendo um leve bico que o deixava ainda mais fofo. Seus cílios, sua pele, até mesmo os hematomas em seu rosto devido crises antigas não tiravam seu ar angélico.
Assim que seus lábios se conectaram Scorpius sentiu uma sensação incômoda que ele não sabia dizer oque era, mas o deixou ansioso. Então empurrou Albus para trás e levou as mãos à boca, a limpando.
— Oque foi Scor? Oque eu fiz? — Pediu preocupado com a atitude dele para com o beijo.
— E-eu... Na-não estou co-confortável... — Scorpius sentou em sua cama e se afastou um pouco juntando seu urso que estava ali no lado de seu travesseiro. O colocando rente ao seu peitoral, como se aquilo fosse lhe proteger.
Albus sentiu a chama ardente que habitava em seu peito diminuir de intensidade com o banho de água fria levada por Scorpius. Era o momento que tanto sua alma ansiava, a conexão que tanto queria aprofundar com o namorado.
— Tudo bem... — Uma pequena decepção que não podia deixar tomar conta de sua mente, pois sabia que aquilo poderia acabar se intensificando e prejudicando ambos.
Scorpius por suas limitações em certas questões, não conseguia demonstrar, mas podia perceber oque Albus sentia. Ele olhou de forma esgueirada para o moreno e ali se manteve, em silêncio.
O jovem Potter sentia a necessidade em inúmeras ocasiões, de ter o poder de ler os pensamentos de Scorpius, na esperança que pudesse decifrá-lo. Mas os seres humanos eram criaturas complexas e acreditava que, mesmo assim não daria certo.
— Eu vou tomar café, você vem comigo? — Questionou assim que foi a frente do espelho terminar de alinhar sua gravata. Fitou seus cabelos desarrumados pelo recente banho e junto à primeira escova que achou ao redor da bagunça generalizada que o loiro havia feito na noite anterior. — Assim que voltarmos das aulas, você vai arrumar o dormitório Scorpius... Certo?
— Po-por que? — Pediu olhando ao redor como se procurasse o verdadeiro motivo do aviso. Apesar que os inúmeros motivos estavam espalhados pelo cômodo inteiro, até mesmo sob as luminárias do quarto.
— Olha a bagunça que você fez... Tem que deixar tudo arrumado... Não acha? — Questionou o encarando de certa forma mais rígido, para que ele entendesse a necessidade. — Vai ir comigo?
— Si-sim... — Scorpius levantou da cama e foi arrumar as cobertas para que as mesmas ficassem bem alinhadas. Deixando seu urso bem em frente ao seu travesseiro, como um verdadeiro guardião de coisas tão preciosa.
Foi ao banheiro onde tudo já estava pronto para sí. Toda a manhã, Albus já deixava a escova com a pasta colocada, suas roupas do dia em cima do vaso sanitário e sua toalha no box. Não que aquilo fosse necessário, pois ele já havia ensinado Scorpius a se virar de forma mais independente. Mas para que não se atrasassem mais do que o permitido. Já que ambos tinha esse privilégio devido às circunstâncias.
Ao passar de poucos minutos, Malfoy terminara de sair do banho vestido. Aguardando apenas para que Albus o namorado, colocasse a gravata que demandava de especial técnica para ser posta e a qual ele ainda não possuía capacidade.
— Pronto, amor? — Questionou pegando a gravata e a levando até a fronte do outro, onde, ajeitando sob a gola da camisa branca, pode perceber como a cada dia Scorpius se tornava mais bonito e atraente.
— A mo-mochila... — Ele correu até seu armário e a colocou sob um dos ombros, confirmando ao observar dentro dela, que tudo estava ali. Albus pegou a própria e segurando na mão de Scorpius de forma firme, desceu até a sala comunal.
— Não estamos atrasados... Vamos tomar café... — Avisou Albus assim que percebera alguns alunos ainda de pijamas e os cumprimentando. — Bom dia... Viram a Chapman?
— Sim, ja está no salão, tomando café. — Respondeu um de seus colegas que lia de maneira estranhamente empolgada o Profeta Diário. — Ela disse que tinha que terminar de estudar para a prova de poções.
— Hm... Obrigado, Elrond... — Respondeu Albus que tomou o rumo na direção das masmorras com Scorpius ao seu lado, bem agarrado em sua mão.
— E...Como foi? — Polly já estava bem integrada na evolução do relacionamento entre os garotos. E se considerava a madrinha dos pombinhos, mesmo que não tivesse feito nada de tão expressivo além de incentivar Albus em certos momentos, da necessidade de colocar ao loiro, oque sentia.
— Ele disse que não se sentia confortável... Então eu não insisti novamente, você sabe... Sem crises... — Albus pegou um copo com suco de abóbora e entregou a Scorpius que se deliciava com um ovo cozido e um punhado de ervilhas que fugiam a todo o momento da ponta de seu garfo.
— Não vai ajudar ele? — Pediu Polly observando a dificuldade que Scorpius tinha em conseguir pegar as bolinhas verdes.
— Não, isso faz com que ele treine sua paciência e a coordenação... E ao mesmo tempo faz com que ele seja incentivado a procurar outras maneiras de conseguir se alimentar... — Pegou uma colher e colocou ao lado do prato. — Tenta com essa aqui amor...
— O-obrigado...
— Não? E entrega a colher para ele? Não dá para entender assim Potter... — Polly sorriu, negando enquanto colocava um pedaço de bacon na boca.
— Eu apenas incentivei a tentar outra alternativa.... Nada demais.... — Respondeu dando uma piscada de olho e focou-se na sua refeição da manhã. — Hmm... Que delicia...
— Espero que um dia, eu conheça alguém tão apaixonado por mim como você pelo Scorpius, Potter... Isso tá raro no mercado atual... — Brincou deixando claro a admiração que tinha por todo aquela dedicação. — Na verdade, nunca vi em lugar algum..
— Meus pais dizem que isso provavelmente seja uma ligação de outra vida.... Eu acredito sabe? — Comentou, sentindo a mãozinha de Scorpius procurar a sua e a encontrá-la, logo a segurando. — Alma gêmea, eu nunca acreditei.... Mas almas afins sabe? Aquelas que se completam, apesar das diferenças? Isso sim, tenho certeza que é...
— Bom, eu acho que vocês são "almas afins", por que Hogwarts jamais viu algo parecido.... — Constatou Polly que retirou o prato da frente e juntou aos outros que ali estavam sujos e vazios. — Vamos para a aula? Preciso ainda terminar a lição de DCAT antes que a professora Overphary inicie....
— Vamos amor?
Naquela mesma noite, novamente Scorpius estava deitado com as costas contra o meio das pernas de Albus. Cada um com um livro na mão, estudando para as matérias que teriam amanhã. O moreno focado em transfiguração, enquanto Malfoy em feitiços.
— Mo-mor? — Pediu com o braço direito contra a perna de Albus, acariciando sua panturrilha por cima do pijama.
— Sim? Está com sono? — Sabia que já estava na hora de Scorpius dormir, então não insistiria. — Vamos para a cama?
— Si-sim.... Sim.... — Pediu coçando o olho, evidenciando e se levantou indo para a cama própria.
O moreno levantou e foi até Scorpius dar um beijo em sua testa e retirar seus óculos que ele ainda mantinha no rosto.
— O Antônio tá a onde?
— A-aqui.... — Colocou a cabeça do pelúcio de pelúcia para fora e deixou escapar um sorrisinho sonolento.
— Ótimo.... Boa noite, minha vida.... — Aproximou os lábios da testa de Scorpius e a beijou de forma carinhosa. — Eu te amo....
— Mo-mor.... — De forma doce, começou a chamá-lo com o dedinho para que se aproximasse.
— Oque foi? — Albus se aproximou e fora surpreendido com o selinho de Scorpius em sua boca, mesmo que por instantes.
Ele congelou por segundos e sentiu seu coração acelerar dentro do peito.
— E-eu te amo.... — Sussurrou fechando os olhos e se colocou bem enrolado nas cobertas verdes acinzentadas da Sonserina.
O maior, ainda abobalhado por tal demonstração de afeto. Sentou-se na cama e ali ficou, refletindo o quanto amava Malfoy e seu jeito único de demonstrar afeto.
FIM
Referências
1. Congresso Mágico dos Estados Unidos da América. Escrito por J.K. Rowling: "História da Magia na América do Norte: Do século XVII em diante"
2. Bebida alcoólica consumida por bruxos e bruxas maiores de idade. ROWLING, J.K. Harry Potter e a Câmara Secreta.3.ed. São Paulo: Rocco, 2000.
3. Níveis Ordinários de Magia, é um teste específico realizado na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts pelos alunos do quinto ano. ROWLING, J.K. Harry Potter e a Ordem da Fênix. Cap. 31.2.ed. São Paulo: Rocco, 2003.
4. Referente a quem faz parte da casa Grifinória. ROWLING, J.K. Harry Potter e a Pedra Filosofal. 2.ed. São Paulo: Rocco, 2000.
5. Campo de energia psíquica que envolve todos os seres humanos, onde os pensamentos e emoções influenciam e são influenciados por outros seres. PERALVA, Martins. O Pensamento de Emmanuel. 9.ed. Brasília: FEB, 2016.
[•••] RÉQUIEM [•••]
ǫᴜᴇʙʀᴀɴᴅᴏ ᴀ ǫᴜᴀʀᴛᴀ ᴘᴀʀᴇᴅᴇ
— Bom... É hora de nos despedirmos... — Ali estavam Albus e Scorpius, um ao lado do outro como sempre, de mãos dadas. — Obrigado a vocês que acompanharam a nossa história até aqui! Parece que passou tão rápido...
— O-obrigado, pe-pessoal! — Scorpius sorriu apoiando a cabeça no ombro do jovem Potter.
— Nosso autor agradece a cada um que chegou até o final dessa história! E pôde compreender um pouco mais sobre o autismo e a sua complexidade...
— E-e se-se ficou a-alguma du-duvida...
— Não deixei de procurar uma pessoa com o espectro que tenha a capacidade de se comunicar com você ou quem possua um familiar próximo com espectro para saber mais! — Lembrou Potter, dando um beijo nos cabelos louros de Scorpius. — Ou claro! Não podia esquecer! Procure através de livros sobre o assunto e sites confiáveis sobre autismo! O conhecimento é essencial para compreendermos o autismos e darmos uma vida melhor as pessoas no espectro!
— Na-não seja tro-trouxa!
— É... Isso aí amor... — Albus beijou a mão de Scorpius, concordando. — Tchau pessoal e não deixem de conferir nossas outras aventuras no perfil do autor!
FIM
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