S.C.M
6 |especial sabriel|
Notas iniciais
❝Your mind tricked you to feel the pain of someone close to you leaving the game of life
Sam Winchester, ao contrário de todos os enfermeiros – inclusive o seu irmão – tinha finalizado o tratamento de um paciente com tanto sucesso que o mesmo pudera ir para casa e regularmente ia ao psicólogo particular mais perto de casa.
Então, a diretora do hospital psiquiátrico onde Sam praticamente morava junto ao irmão mais velho decidiu que ceder às vontades do enfermeiro e trazer ao hospital um dos piores casos que talvez ele pudesse ver seria o certo a fazer.
Quando o seu paciente chegou, assustou completamente Sam. O enfermeiro saltou como um animal para longe de Dean e logo estava se informando sobre o paciente, pegando sua ficha de um dos paramédicos. Seu nome era Gabriel, ele tinha seis anos de diferença de sua idade atual – 30 -, tinha sido privado de sono durante quatro dias enquanto era torturado por sequestradores que o mantinham de refém por uma antiga dívida por drogas.
Sam sentiu a mesma sensação de quando ele tivera seus pesadelos quando criança. Então ele tomou as rédeas da situação, assinou os papéis que diriam que a responsabilidade pelo paciente seria dele e o levou de maca na companhia de dois paramédicos até o quarto. Suas mãos grandes, mas ágeis, tiraram o corpo da maca e o levou até a cama onde o mesmo dormiria.
Quando repousou o peso sobre o mesmo, seu ombro foi agarrado pela mão de Gabriel e os olhos do paciente se abriram assustados, revelando-se castanhos claros. Sam arrumou a coroa de flores sobre a cabeça e deu o seu melhor sorriso, desejando que Gabriel sorrisse de volta.
O que não aconteceu.
Ele se contorceu em um soluço engasgado e puxou as mangas da blusa branca até a altura dos pulsos, escondendo as marcas roxas causadas pelos vendedores de drogas. Então ele cobriu os olhos com os braços e ficou em posição fetal, tremendo.
– Gabe... posso te chamar assim? – dessa vez funcionou.
E muito bem, por sinal.
– Você vai querer o que agora, sweet? Que eu abra as minhas pernas e peça pra você me foder gostoso? Eu só quero dormir e não acordar com pesadelos – Sam arregalou os olhos e se reposicionou diante a resposta do paciente novo.
Ele estava ferido e com sono. Se Sam desse um remédio para dor, talvez desse sono nele e ele dormisse logo de uma vez.
– Mas não me dopa, não como os outros fizeram.
Depois daquele pedido quebrado e choroso, Sam fez carinho nas costas de Gabriel até que o mesmo dormisse – o que não demorou muito.
E se passaram meses, Sam acordando praticamente todas as noites e várias vezes para checar se Gabriel estava bem, Dean reclamando da luz que Sam deixava entrar no quarto, mas nunca reclamando do paciente.
Nunca.
Todavia, em uma noite, ouviram gritos. Dean e outros enfermeiros se levantaram para checar se algo estava acontecendo com seus pacientes – e Dean para checar se algo estava acontecendo com Ryan e Cass -, mas Sam, no fundo, que era o seu Gabriel quem estava berrando daquela forma descontrolada.
Do lado de fora da porta ele a destrancou e voltou a fechá-la, quase não suportando o som alto que se instalava no quarto pelos gritos e grunhidos de medo de Gabriel. Sem hesitar mais um segundo, ele se aproximou do corpo do paciente e o abraçou, pois o mesmo se debatia freneticamente e ele estava com medo que ele se machucasse.
Todavia, isso causou ainda mais gritos desesperados e logo ele sentiu algo molhado contra a sua roupa e pingando no chão. Sam agradeceu aos céus pelos colchões serem revestidos com plástico naquele momento. Muito mais fácil de limpar a urina.
Então o corpo parou de se mover subitamente:
– Sou eu quem estou molhado por você ou o Sammy aqui tem ejaculação precoce?
Sam deixou um riso escapar pelo nariz, mas logo desfazendo a careta animada por uma de confusão. Gabriel começou a chorar e se afastou dele, arrancando a calça do hospital.
– Você me dopou, seu filho de uma puta!
– Gabe, eu...
– Você o que? Estava cansado de vir me verificar? Foda-se então. Você poderia muito bem ter se encaixado no meu quarto e acordar quando eu tiver pesadelos, mas não me dopar do jeito que você fez. Eu devia saber... – Gabriel olhava para o chão molhado – Não era um suco de laranja qualquer. Da próxima vez, eu vou enfiar suco de laranja pra limpar esse seu rabo imundo! E espero que arda muito e muito.
Sam se levantou, avançando sobre Gabriel e falou baixinho: — Não era a minha intensão, está bem? Eu queria dizer que eles também não me tratavam muito bem por causa dos meus pesadelos e eu acabei fazendo o mesmo com você. Por que você não vai tomar um banho, troca a sua roupa e eu venho dormir com você?
Gabriel, que estava com pose de quem iria interromper a qualquer momento, suavizou a expressão e saiu animadamente com sua bunda molhada na direção dos chuveiros do hospital.
Aquela seria a primeira vez de várias vezes que dormiriam juntos.
***
– Sam?
– O que?
– Está acordado?
– Se você está, eu tenho que estar também, ué.
– Grosso.
– Gabe...
– Não, não é isso.
– Ah, meu Deus. Eu encostei em você sem querer? Desculpe-me...
– Se eu quisesse o seu pirulito eu pediria de outra forma, docinho. Mas não é isso!
– O que é então, Gabe?
– Você... não se irrita?
– De ter que acordar pra cuidar de você, de te dar remédios para você ficar com sono, às vezes limpar o xixi que você faz na cama, fazer carinho nas suas costas quando você tem pesadelos, jogar “Sorry” com você e o Cass, te dar vitaminas na boca, te levar pra tomar Sol, te distrair com flores pra você calar a boca...
– Hey!
–... de guardar todos os momentos que passamos juntos na minha cachola, de fazer coroas de flores pra você, de ter você como sombra onde quer que eu ande, fazer você se socializar com pessoas sempre que eu posso e te responder essa pergunta de formas diferentes todas as vezes, mas com o mesmo final, até você dormir?
Gabriel não respondeu, e Sam recebeu dele apenas um suspiro satisfeito de sono.
– Não Gabe, eu não me irrito.
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