SAGA PAVANELLI LIVRO 2: O REENCONTRO
1 O Ritmo do Reencontro
O céu azul-claro do Rio de Janeiro recepcionou o voo vindo de Londres com o calor típico da Cidade Maravilhosa. Assim que o avião pousou, Elise Clark sentiu o estômago dar um nó familiar. Estar de volta ao Brasil depois de meia década parecia um sonho distorcido.
Ela se hospedou no icônico hotel Copacabana Palace. Após deixar as malas em sua suíte luxuosa com vista para o mar, Elise não resistiu: vestiu um biquíni discreto, colocou uma saída de praia leve e desceu para sentir a areia carioca sob os pés. O sol escaldante contrastava completamente com o clima cinzento de Londres ao qual havia se habituado.
Enquanto caminhava perto da água, observando o movimento das ondas, uma voz masculina e absurdamente familiar ecoou atrás dela:
— Eu não acredito no que os meus olhos estão vendo... Elise?!
Elise virou-se rapidamente e abriu um sorriso radiante ao reconhecer as feições atléticas e o eterno sorriso brincalhão.
— Enzo! Meu Deus, não brinca! — ela exclamou, sendo imediatamente erguida por um abraço apertado do amigo.
— Caramba, garota, você sumiu do mapa, virou estrela internacional na Europa e nem avisa que está no Rio? — Enzo reclamou, descendo-a e olhando-a de cima a baixo, impressionado com a elegância que os anos de balé haviam lhe dado.
— Eu cheguei hoje cedo, Enzo. É tudo por causa da turnê do teatro de Londres, vou me apresentar no Municipal nesta semana — explicou ela, limpando a areia dos braços. — Como vocês estão? E a galera da escola?
— Todo mundo com saudades! Cara, o tempo voa — Enzo disse, coçando a nuca. — Olha só, que coincidência perfeita. Eu vou dar uma festa na minha casa hoje à noite, um churrasco na piscina para juntar o pessoal da nossa antiga turma da escola. Você tem que ir. Sem desculpas de bailarina famosa, hein?
Elise hesitou por um segundo. Sabia o risco que corria de encontrar quem não devia, mas a saudade dos velhos tempos falou mais alto.
— Tudo bem, Enzo. Eu aceito. Me passa o endereço que eu vou sim.
O cair da noite trouxe uma brisa agradável. A casa de Enzo estava movimentada, com música tocando ao fundo e o cheiro de churrasco no ar. Assim que Elise cruzou o portão da área de lazer, vestindo um vestido leve de alças que realçava seus cabelos ruivos, uma silhueta esguia correu em sua direção.
— Elise! Minha nossa, que saudades! — Larissa, a antiga capitã das líderes de torcida, envolveu a amiga em um abraço caloroso. — Olha para você! Está ainda mais linda e com cara de riqueza europeia!
— Larissa! Que bom te ver — Elise riu, correspondendo ao abraço de forma animada.
As duas caminharam até a beira da piscina, sentando-se nas espreguiçadeiras para colocar a conversa em dia. Larissa falava gesticulando muito, contando sobre a faculdade e sobre como as coisas no Rio haviam mudado, enquanto Elise ouvia tudo encantada, sentindo-se acolhida.
De repente, o som da risada alta de Enzo na entrada da área da piscina chamou a atenção de todos. Elise olhou naquela direção, e seu coração simplesmente errou a batida.
Murilo vinha na frente, ajeitando os óculos de sempre, mas logo atrás dele... estava Lucian.
Elise sentiu a garganta secar. O menino rebelde e ranzinza da escola havia desaparecido, dando lugar a um homem de uma presença física avassaladora. Lucian estava incrivelmente lindo e sexy. Os cinco anos trabalhando como professor de educação física e treinando pesado haviam deixado seus músculos grandes e definidos, marcando sutilmente o tecido da camisa polo escura que ele vestia. Ele combinava a peça com uma bermuda jeans casual e um tênis simples, mas o que realmente mudou suas feições foi o rosto: a barba agora estava perfeitamente desenhada em um cavanhaque alinhado, acompanhado de um bigode espesso que emoldurava seus lábios de forma extremamente provocante e madura.
Lucian vinha conversando baixo com Murilo, com sua clássica postura séria, até que seus olhos azuis-intensos vagaram pela área da piscina e travaram diretamente na figura ruiva sentada à beira da água.
O tempo pareceu parar. O barulho da festa virou um zumbido distante.
Lucian travou os passos no meio do caminho. Seus olhos desceram pelo corpo de Elise, semicerrando-se com uma mistura de choque, desejo reprimido e aquela velha mágoa que ele cultivava há cinco anos. Ele não sabia que ela estaria ali.
Murilo percebeu o choque do amigo, olhou para Elise e deu um sorriso contido, cutucando o ombro de Lucian.
— Bom... parece que o destino não quis esperar a noite do Teatro Municipal, Pavanelli — murmurou Murilo em tom baixo.
Lucian engoliu em seco, sentindo o peito arder. Ele ajeitou a gola da camisa polo, manteve a expressão ranzinza e fria na face, mas seus olhos continuavam cravados nela, incapazes de desviar. Elise levantou-se lentamente da espreguiçadeira, com as mãos trêmulas, sustentando o olhar daquele homem que, apesar do tempo e da distância, ainda comandava o ritmo de seu coração.
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