Súbita Aversão
6 Intrusa no relacionamento, ou não né ...
Notas iniciais
Ele olhou para ela por um bom tempo com o rosto parado como uma estátua e olhos semicerrados e especulativos. Ela afastou os olhos, envergonhada pela confissão que jamais fizera a ninguém além de Kagome.
— Lamento ter deixado ir tão longe. Não suporto intimidades com um homem. Lembro muito bem a que isso leva.
Rin olhou para ele de rabo de olho.
— Se serve de consolo, já faz muito tempo desde a última vez que eu quis beijar alguém tanto assim.
Um canto da sensual boca dele se elevou.
— É recíproco... — murmurou ele.
Ela sorriu e baixou o olhar.
— Agora, entendo por que elas fazem fila para se aproximar de você. — Ela riu. Sesshoumaru esticou o braço.
— Fale-me o que aconteceu com você.
Ela balançou a cabeça.
— Dói muito — confessou ela. — Entrei de cabeça e saí chorando. Destruiu todas as ilusões que eu tinha sobre os prazeres na cama.
Ele suspirou.
— Eu era virgem. Não sabia nada além do que via em livros e do que ouvia as garotas dizerem. Acho que minha falta de conhecimento o irritou e tudo piorou.
— A maioria dos homens, ao menos, é gentil na primeira vez.
Rin riu com amargura.
— Não Kohaku. Tudo era minha culpa. Sempre minha culpa. — Ela se mexeu, desconfortável. — Podemos falar de outra coisa?
— Em um minuto. — Ele virou o rosto de forma que ela teve que olhar para ele. — Você alguma vez gostou de estar com ele?
Ela observou os olhos dele e sorriu de leve.
— Não — admitiu ela. — Foi doloroso no começo e, depois, incrivelmente desagradável. — Gosto de ficar com você — confessou, baixinho.
O braço dele se contraiu e ela sentiu a respiração dele nos cabelos.
Era como ser adolescente de novo; como se fosse o primeiro encontro com um rapaz especial. Encostou a bochecha nele com um suspiro.
Ele deu partida no carro e seguiu para a estrada. Foram de volta até a casa.
— Parece que todos foram para a cama — observou ela.
Ela olhou para ele.
Ele a observou por um longo tempo. O peito dele subia e descia pesadamente e os olhos dele se encheram de sombras. Pegou-a pelo braço e a puxou para um canto escuro ao lado da porta, e depois a apertou contra seu corpo.
— Avise se eu assustar você — falou ele, com voz rouca e inclinou o rosto para baixo.
Ele abriu os lábios ao tocar nos dela, estimulando que se abrissem também com o toque de sua língua. Ele sentiu o sabor dela no silêncio que fervia com novas sensações, novas emoções. Ela deslizou os braços com hesitação ao redor da cintura dele por baixo do casaco e saboreou o calor do corpo dele sob a fina camisa. Derreteu-se contra ele, adorando a sensação das pernas fortes, do calor dos braços protetores que a puxavam para mais perto. A língua dela tocou o lábio superior dele e sentiu a umidade com uma sensualidade nova para ela. Sesshoumaru se afastou com a respiração pesada.
— Não faça isso... — sussurrou ele, com voz rouca. — A não ser que queira se deitar em meus braços na minha cama...
Ela formigou dos pés à cabeça e a respiração ficou presa na garganta ao imaginar-se junto a ele: o corpo dele sobre a palidez dela na penumbra do quarto, ela com braços abertos, pronta para ele...
— Você está corando... — murmurou ele.
Rin baixou os olhos e se afastou. O que sentia era muito novo.
— Acho melhor pararmos por aqui, Taishou, antes que eu vá longe demais.
— Me chamou de Sesshoumaru há um minuto... — murmurou ele, ao destrancar a porta e abri-la.
Ela olhou para ele ao entrar.
— Você me faz sentir como uma espécie em extinção. — Rin riu.
— E eu mal comecei... Mudando de assunto, aluguei um barco para amanhã, venha comigo me ver pescar um marlin azul ou tentar pescar um.
— Você tentará pescar um marlin azul e eu observarei. Não tenho força o bastante para esse tipo de luta.
— Se preferir pescar no píer...
— Não — protestou ela, rapidamente. — Nunca pesquei em mar aberto.
Ela seguiu para o quarto para dormir, afinal teria que estar de pé às 04:00h da manhã. Quando o relógio tocou ela se arrumou rapidamente e encontrou com Sesshoumaru já pronto e impecável na sala.enquanto terminava de pentear os cabelos ouviu batidas em sua porta.
— Esta pronta?
— Quase ... como dormiu?
— Não dormi — confessou ele. — Nem um maldito minuto.
Rin olhou para ele por um bom tempo.
Sesshoumaru passou os dedos pelos cabelos soltos, levantando o rosto dela de modo a poder tocar os lábios dela com os seus. Foi como encostar uma chama em grama seca. Ela prendeu a respiração ao sentir os lábios e apertou os braços dele com tanta força que a pele ficou branca.
Ele fechou a porta com o pé e a ergueu, ainda com a boca sobre a dela, e a levou para a cama.
— Não — sussurrou Rin, implorando, quando Sesshoumaru a deitou na cama recém-arrumada.
— Não vou possuí-la — prometeu ele, deitando ao lado dela. — Delicioso... — falou ele sobre os lábios entreabertos dela. — Como fazer amor com uma virgem, sentir as primeiras reações trêmulas... Tem medo de mim, Rin?
— Mais do que nunca — confessou ela, sem fôlego, com olhos arregalados e repletos da novidade que era o desejo.
Tocou nas bochechas dele, desceu pelo pescoço, pela frente da camisa dele, e sentiu o calor e a força dele.
— Melhor parar ...
— Você começou ...
— Vamos o carro está ligado.
Foi o dia mais excitante da vida dela, ela ficou ao lado dele enquanto ele lutava para puxar até o barco um feroz marlin azul. O capitão e a tripulação observaram com expressões excitadas enquanto o homem na cadeira móvel se apoiava e lutava por vários minutos, e o belo marlin saltava e tentava se soltar.
Com olhos ardendo pelo desafio e o rosto vermelho pelo prazer da batalha, e Rin percebeu que estava vendo um pouco do gigante da empresa que apreciava as batalhas como ouvia falar. Quando finalmente puxou o enorme peixe exausto até o lado do barco.
Rin pulara e gritara como uma torcedora em jogo de futebol o tempo todo, mas, quando viu o enorme peixe saindo da água, ficou penalizada. Ele lutara tanto e perdera... E parecia uma pena matá-lo para fazer de troféu.
Ele a puxou para si e mandou o comandante soltar o peixe. Rin mal acreditou no que ouvia. Olhou para ele, confusa, enquanto o peixe era solto, e viu algo no rosto dele que não observara antes.
— Ele se esforçou bastante, não foi? — O comandante sorriu para Rin, e eles observaram o marlin se afastar rapidamente do barco.
— Por que o soltou?
— Porque eu o levaria?
— Achei que ... deixa ...
Kagome eInuyasha conversavam com Arina quando eles voltaram à casa de veraneio. Rin descobriu que odiava sequer pensar em outras pessoas.
.— Onde vocês dois estavam? — perguntou Arina com um olhar divertido.
— Pescando em mar aberto — respondeu Sesshoumaru.
— Pegou alguma coisa? — perguntou Inuyasha.
— Um marlin azul, mas joguei de volta. Era bebê.
— Pesava centenas de quilos... — falou Rin incrédula.
— Jamais entenderei. — Arina suspirou. — Por que pescá-los se não pretende ficar com eles?
— Pelo desafio, — respondeu Inuyasha pelo irmão. — É como escalar uma montanha ou correr de carro. Adrenalina, pura adrenalina, já não existem batalhas como antigamente, temos que liberar nosso estresse em alguma coisa que pareça ser um desafio.
Rin imaginou como manteria os olhos longe de Sesshoumaru naquela noite, de modo que a família não percebesse o interesse dela nele. Mas o destino resolveu o problema para ela. Sesshoumaru fora convidado para um Jantar naquela noite, o que ele parecia ter esquecido até que uma mulher com voz sexy ligou para lembrá-lo.
Rin atendera o telefone por estar mais perto e olhou para Sesshoumaru, enquanto ele falava. A expressão dele não era de prazer, mas a voz grave assumiu um tom diferente, um jeito que indicava conhecimento antigo. Assim que ele desligou, pediu licença e foi se vestir. Kagome e Inuyasha resolveram ir ao cinema e já tinham saído quando ele desceu. Arina estava envolvida com seu programa de TV favorito, e Rin, na falta de algo mais interessante, estava assistindo com ela, apesar de o prazo final do livro estar cada vez mais próximo.
— Não me espere. — Disse para a mãe
— Eu não ousaria. Quem é ela, ou será que não posso perguntar?
— Kagura Kaze.
— Rin, venha aqui fora comigo — disse ele.
Ela olhou para ele incerta, ignorando o olhar direto de Arina Ela se levantou, resmungou alguma coisa para Arina.
— Ao contrario do que possa pensar, não tenho interesse nenhum que não seja as terras.
Rin olhou para ele.
— Não tenho direito de exigir nada de você.
— Eu sei.
Rin olhou para ele com curiosidade.
— Ela é bonita?
— Até mais Rin.
Ele partiu deixando claro que independente da resposta que desse ela arrumaria um jeito de se chatear.
Arina olhou para Rin divertida, quando ela se sentou no sofá para assistir a TV.
— Ele não liga para Kagura — falou ela, gentilmente.
Rin sorriu.
— Eu arrancaria os olhos dela fora se ele ligasse — admitiu ela, com um sorriso envergonhado.
— Algumas humanas são mais territoriais que Youkais.
O programa estava quase acabado quando o telefone tocou, e Rin atendeu, surpresa por ouvir seu agente do outro lado da linha.
— Por que não está em casa? — resmungou ele. — Procurei em toda parte, até que consegui ouvir sua caixa postal. As linhas estavam com defeito. — O tom dele pareceu ficar mais alegre. — Tenho ótimas notícias. Lembra de Jun? Ele quer conversar sobre um contrato para filmar seu último livro, mas ele só vai estar na cidade até amanhã à noite. Ele quer você na negociação. Pode estar em meu escritório às 10h?
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