Súbita Aversão

3 E que comecem as férias !


Notas iniciais
CAPÍTULO TRÊS Só esclarecendo as duvidas alheias - A Rin e a Kagome não são irmãs de sangue, elas são mencionadas com esse grau parentesco pelo sentimento fraterno e não por ligação sanguínea.

— Como se eu fosse querer beijá-lo... — murmurou Rin, enquanto subia a escada, ignorando o rosto divertido de Kagome logo atrás.

— Ele ofereceu? — quis saber Kagome.

Rin ignorou a pergunta.

— Ele é arrogante, autoritário e irritante. Só posso estar louca em concordar com a viagem.

— Você vai se divertir. E estará me fazendo o maior favor da sua vida.

Rin se acalmou e sorriu para a irmã ao chegar à porta quarto.

— Sou uma manteiga derretida, você sabe. — Ela riu. — Talvez eu encontre um modo de evitar aquele rolo compressor, se pensar direitinho. Colocarei a máquina de escrever na mala. Será um incentivo para que eu fique no quarto e trabalhe como louca para terminar dentro do prazo.

Kagome parecia culpada.

— Não se importa de manter seu pseudônimo infame em segredo, não é? — perguntou, incerta. — Eu não pediria sem ter um bom motivo, e você precisa lembrar que tenho muito orgulho de tudo que já conquistou. Você é talentosa, é famosa... Mas é que Sesshoumaru é muito conservador!

— Não me importo — respondeu Rin. — Será legal ser uma pessoa qualquer. Agora, sou capa de livro. Algumas pessoas não percebem que embaixo dos holofotes sou apenas uma pessoa comum com uma profissão que amo. Não tenho nada de especial.

— Tem sim — disse Kagome, abraçando-a. — Você é muito especial.

Rin deu uma risadinha.

— Mudando de assunto, Inuyasha é muito engraçado, e ele adora chamar a atenção. Até do Sesshoumaru.

— Ele é um doce. Ao contrario do irmão ele me da calafrios, está com medo dele, Rin? — murmurou Kagome, com um sorriso.

— Eu? — Rin se levantou como uma princesa — Saiba que tirei nota máxima na aula de afastar homens. Quando o assunto é defesa pessoal, eu quase não tenho adversários. Luto na terra, luto no mar, luto... Para onde vamos?

— Boa noite. — Kagome seguiu para seu quarto.

— Mas eu ainda nem cheguei na parte boa! — gritou Rin, de forma teatral.

— Escreva um livro, eu o lerei — prometeu Kagome, fechando a porta do quarto.

Rin entrou em seu quarto com um sorriso pretensioso e dormiu pesadamente. A Semana passou em velocidade máxima, a sexta feira chegou e elas estavam prontas.

Assim que terminaram de examinar o andar de cima e descerem a escada, um carro parou em frente à casa. O coração de Rin deu um salto. Ela afastou o cabelo do rosto com a mão quase trêmula de expectativa. É claro que não era Sesshoumaru, o motivo do nervosismo repentino!

— Eles chegaram! — falou Kagome, rindo, correndo para a porta.

Rin não se lembrava de nenhuma época da vida que a irmã de consideração estivesse tão cheia de vida. Qualquer sacrifício valia a pena para vê-la daquele jeito novamente, depois do relacionamento frustrado com Kouga ela entrou num estado de tristeza muito intenso, mas conheceu Inuyasha que estava fazendo muito bem a ela.

Kagome abriu a porta e lá estava Inuyasha. Ele beijou Kagome lentamente, antes de levantar a cabeça e cumprimentar Rin.

— Você está muito elegante — observou Inuyasha.

Ela fez uma pose.

— Chame a revista Vogue e diga que estou livre para ser a próxima capa, certo?

Kagome e Inuyasha riram, mas a aparição repentina de Sesshoumaru foi o suficiente para acabar com a alegria, Inuyasha e Kagome seguiram para o carro enquanto Rin pegava as chaves da casa. Levantou a cabeça vendo o Taishou mais velho, parecia aborrecido e sem nenhum humor, e não se moveu conforme ela esperara, Rin se chocou contra o corpo grande e sólido dele. Sesshoumaru a segurou pelos ombros, olhando para ela de um jeito que a fez corar.

— Pare de atuar — disse ele, baixinho. — Seja você mesma.

Ela não conseguiu recuperar o fôlego. Ele a fazia se sentir estranha e nervosa.

— Não estou atuando — falou, trêmula.

Os dedos dele se crisparam e ela ficou rígida involuntariamente.

— Porcelana. — murmurou ele.

— Anh?? ... o que disse?? — perguntou incrédula

— Bonita e delicada quanto porcelana, mas não quer que ninguém perceba.

Não teve reação e tudo que pode fazer foi evadir-se daquela conversa estranha.

— Kagome, pegou minha máquina de escrever? — gritou ela, interrompendo a conversa entre Kagome e Inuyasha e fugindo de Sesshoumaru.

— Claro que sim. Está no porta-malas com o resto da bagagem.

— Precisa da imagem de moça trabalhadora para impressionar as pessoas? — perguntou Sesshoumaru.

— Já falei, gosto de me adiantar nos artigos. — Rin olhou para Sesshoumaru quando ele abriu a porta para ela. — E veja quem fala sobre trabalhar duro. Você alguma hora diminui o ritmo?

— Na cama. — Admitiu ele.

Rin corou e olhou para o outro lado, ciente da pulsação acelerada.

— Que mente interessante você tem! Eu quis dizer quando durmo.

Mexeu-se, inquieta.

— Você não dorme.

— Como pode ter tanta certeza?

— Inuyasha disse que Youkais não dormem.

— Hanyous não dormem — corrigiu ele. — eles temem serem mortos.

O assunto se deu por encerrado e durante as longas horas de viagem todos permaneciam em silencio.

A casa de veraneio da família Taishou ficava a poucos quilômetros de Residência principal dos Taishou, era cercada de um muro de pedra alto e branco, atrás do qual havia um caminho sinuoso ladeado de palmeiras e hibiscos em flor. A casa também era de pedra, espaçosa e tradicional, com portas de mogno e uma escadaria curva com corrimão também de mogno. A mobília tinha motivos indígenas. O piso do saguão era de lajota. O resto da casa era elegantemente mobiliado e acarpetado, com cortinas certamente muitas coisas que haviam vindo de outras terras.

Arina Taishou se encaixava perfeitamente no local. Ela era como a mobília da casa de veraneio: elegante, respeitável e acima de tudo tinha uma expressão cínica. Parecia-se com o filho. Os olhos eram como os de Sesshoumaru, na verdade era idêntica a Sesshoumaru tinha um rosto de idade indefinida.

— Ouvi falar bastante de vocês, tanto por Sesshoumaru quanto por Inuyasha — disse Arina. — Versões diferentes, entendam — acrescentou ela, de forma maldosa. — Recebi poucas informações de Sesshoumaru até o começo desta semana, quando ele resolveu falar.

Kagome impulsivamente abraçou a outra mulher Youkai assim que Sesshoumaru fez as apresentações, e Arina correspondeu ao abraço com leve reserva. A atenção dela estava focada em Rin.

Rin sorriu com maldade.

— Apesar do que sei que ouviu falar de mim, não exerço a profissão mais antiga do mundo.*

N/A: Reza a lenda que a prostituição é o ramo “profissional” mais antigo do mundo.

Arina sorriu para ela.

— Eu ia perguntar se gosta do seu trabalho. — Ela riu. — O que é essa aversão entre vocês?

Rin respondeu, sem deixar de mencionar nada.

— Uma coisa levou a outra e, depois de nosso primeiro encontro, ele estava convencido de que eu era dona de bordel. Depois do segundo, ele queria me colocar em um sanatório. Agora, acho que ele talvez queira me moer para fazer linguiça — acrescentou ela, com um sorriso.

— Cuidado, minha garota — avisou Arina, com uma risada. — Ele nunca desgostou de alguém tão intensamente à primeira vista. Pode ser um sinal.

Rin arqueou as sobrancelhas.

— Isso é algum tipo de feitiçaria?

A Youkai estava começando a ficar interessada em Rin, afinal não entendia o por que dela estar ali.

— Sesshoumaru disse que você é viúva.

— Sou — Ela baixou o olhar

— Perdi meu marido há cinco anos. — Arina suspirou. — A perda foi arrasadora não só para mim, mas também para Sesshoumaru, porque ele herdou toda responsabilidade. Inuyasha ajuda, é claro, mas Sesshoumaru é a empresa e a família.

— Um homem sob pressão — comentou Rin.

— Sob muita pressão, e ele não se poupa. Ao longo do caminho, meu filho mais velho se esqueceu de viver. Ele perdeu o senso de humor.

— E você? — a Youkai perguntou Não foi um casamento feliz? —

Rin sacudiu a cabeça, e por um instante a máscara caiu. Nem entendeu como, mas aquela mulher Youkai conseguira puxar sua mascara com apenas uma pergunta.

Arina sorriu. Ela ia gostar da companhia daquela jovem. E tinha a estranha sensação de que Sesshoumaru passaria a compartilhar dessa opinião.

Os dias passaram preguiçosamente, com Sesshoumaru normalmente longe em reuniões. Kagome e Rin se acomodaram, aproveitaram a praia, conversaram com Arina, assistiram à TV e apreciaram as delícias do cozinheiro. Era o tipo de descanso do qual Rin precisava há muito tempo, e ela se viu relaxando, aproveitando os dias. Trabalhou no livro em um ritmo agradável, principalmente de manhã cedo para não atrapalhar a rotina da casa. Mas sempre ficava ciente do olhar especulativo de Sesshoumaru quando ele estava na casa. Ele a observava do mesmo modo que um lobo observa sua presa, com um olhar focado e sem piscar que a enervava.

Sesshoumaru observou as mãos dela apertarem o tecido da saia.

— Gostodo seu cabelo solto assim — comentou ele, deixando os olhos passearem pelo comprimento. — É sexy.

Rin corou e quase pulou para ficar de pé.

— Não devemos entrar?

Ele ficou de pé devagar, com ar perigoso, e se moveu em direçãoa ela como um lobo selvagem, com um movimento gracioso que era típico dele.

— Você tem medo de mim — disse ele, quando se aproximou — Por quê?

Ela se afastou com uma risada e deu de ombros.

— Não tenho medo, só sou desconfiada. Você me faz sentir numa armadilha ás vezes.

— Faço? — falou Sesshoumaru, observando-a. — Que reação interessante.

Encarou-o, furiosa.

— Pensei que tinha uma reunião esta noite.

— Tentando se livrar de mim, Rin? Sim, tenho uma reunião, mas só depois do Jantar.

— Os negócios parecem ocupar a maior parte do seu tempo — comentou ela.

— É o remédio universal, Rin. — Se bem que ...

Passando os dedos pela bochecha dela ele completou. — Não tem me acalmado ultimamente,

Rin deu um pulo para longe dele com as pupilas dilatadas e os lábios entreabertos.

— Não — falou ela.

Sesshoumaru ergueu o rosto e a observou.

— Não gosta de ser tocada, não é? O que só prova minha teoria.

Ela se sentiu sufocar.

— Teoria? ... !! Sexo não é tudo, Taishou — ela conseguiu dizer.

— Falou como uma freira.

Ela revidou.

— É só nisso que vocês homens pensam. Por que se importaria com as necessidades de uma mulher?

— O que sabe sobre as necessidades de uma mulher? —desafiou-a, examinando o corpo tenso. — Diga-me uma coisa, seu marido morreu mesmo assassinado ou congelou até a morte em sua cama?

Rin levantou a mão automaticamente numa resposta involuntária, um ato puramente passional. Mas ele foi rápido. Prendeu o pulso dela com vigor e parou a mão dela a centímetros das marcas da bochecha.

— Levante sua mão para mim novamente, Rin, e jogo você no chão e a ensino coisas sobre paixão que você jamais aprendeu — avisou ele, suavemente.

— O que você saberia sobre paixão, sua máquina ambulante de fazer negócios? — respondeu ela.

Estava descabelada por tentar se soltar e seu rosto estava cheio de vida e desesperadamente belo.

Esticou um braço para pegá-la e puxá-la contra seu corpo, segurando-a lá sem esforço algum. Ela olhou para ele assustada, lutando com mais intensidade, mostrando no rosto a apreensão que sentia.

— Maldito! — falou entre dentes, tentando chutar as canelas dele.

— Finalmente... — murmurou ele. — A verdadeira mulher por trás da fachada.

Ela empurrou o peito forte dele e as mãos dela entraram em contato com os músculos escondidos sob a camisa. Ficou paralisada. Sempre evitara tocar em Kohako. Mas as mãos dela gostaram da sensação do corpo de Sesshoumaru, e, por causa disso, ela afastou os dedos como se tivessem sido queimados. Ele pegou uma mecha do cabelo sedoso e segurou a cabeça dela na posição que queria. Os olhos dele se encheram de sombras enquanto ela lutava contra ele, e naquele instante os dois não sorriram. Olhou para os lábios macios dela e as narinas dele tremeram.

— Solte-me, Sesshoumaru — ela sussurrou, trêmula.

— Nós lutamos — respondeu ele, com voz rouca. — E você perdeu. Nunca ouviu falar sobre o vencedor ter direito a pilhar o vencido?

A cabeça dele já se movia para baixo, e ela teve medo dele, medo de ser forçada à submissão.

— Por favor, não! — gritou ela, empalidecendo ao se lembrar do rosto de Kohaku, insensível, tomado por necessidades sexuais... Foi ai que ele parou analisando o terror que ela apresentava, algo estava errado.

Sesshoumaru a levantou, e carregou até o sofá e ficou olhando-a de cima com um olhar intrigado e preocupado.

— O que você tem?

Ela sacudiu a cabeça, respirando rapidamente. Fechou os olhos na esperança de que ele fosse embora.

—Fui em sua direção e você se afastou. Toquei em você e você fez cara de que eu tinha arrancado sua pele. E agora... pensou que eu iria violentá-la?

Rin não conseguiu olhar para ele.

— Não gosto de ser segurada contra minha vontade. Não suporto.

— Eu percebi.

— Então, por que fez? — falou ela, com a voz falhando.

Ele respirou fundo.

— Você fere meu orgulho. Sua reação a mim é totalmente oposta a das mulheres que conheci até hoje.

Ela se sentou e suspirou.

— Não é você — disse Rin, num tom cansado. — Não é mesmo.

— Então, o que é? — perguntou ele.

Ela riu com amargura.

— Pode parar de tentar arrombar a porta, Não xereto sua vida, não é?

Ele franziu o cenho.

— Não. E isso também me irrita muito... — murmurou, ao se virar para observar a chegada dos outros, indiferentes à tensão no ar.

— Salva! — sussurrou, para irritá-lo.

— Só por enquanto... — prometeu ele.

Notas finais
Obrigada aos leitores que já estão acompanhando. Espero corresponder a expectativa de vocês. Beijo especial para Seriana e Lizzy.