Só podia ser Você
1 Shikon no Tama
Notas iniciais
Para quem for acompanhar estejam preparados para odiar o Inuyasha, querer matar a Kikyo, morder a Rin de tanta fofura, desejar ser a melhor amiga da Sango, enterrar o Miroku em vida e entrar no jogo mais difícil de todos: 'quem consegue fazer o Sesshoumaru rir?'
Boa leitura e desculpem os erros!
Capitulo Um
“Shikon no Tama”
Bem-vindo a Shikon no Tama, o colégio perfeito para os esnobes esnobarem. O mais conceituado em algum ranking que com certeza foi inventado pelo diretor, frequentado pelo maior número de filhinhos de papais, estúpidos ricos ou pobres bolsistas que acreditam que vão ter uma chance ao sol só por que estuda aqui.
Na Shikon no Tama você é bem aceito, dependendo é claro da sua conta bancaria ou se tem alguém na família famoso ou for bonito ou bonita de morrer. Na Shikon no Tama você é reconhecido pelo que faz, principalmente se tiver uma assessoria de imprensa a sua disposição. E não se preocupe com sua raça, crença ou cor, se tiver grana, nada disso vai importar aqui!
Encolhi os ombros não conseguindo evitar um simples sorriso que sempre brotava ao passar por aqueles enormes portões de bronze. Claro, a propaganda da televisão era exatamente o contrário, mas eu não conseguia colocar os olhos naquele colégio e pensar de outra forma.
Aqui, na Shikon no Tama, eu sou... Ninguém – Felizmente. Eu ando pelos corredores com meus livros nos braços apenas observando o quanto estupido esse lugar é, eu sei, sou o clichê em pessoa. Ah, mas não estou apenas sendo aquela garota amarga e rejeitada no canto da sala que sofre bullying gratuito por que não consegue fazer amigos, oh não, meu ódio por essa escola começou muito antes mesmo de eu entrar nela e se chama... Diretor Kouki.
Eu disse, eu pedi, eu que não sou de fazer isso praticamente implorei para minha mãe esquecer essa história de eu vir estudar nesse colégio maldito. Eis que ‘para o meu bem’ ela resolve não atender o meu pedido, graças a quem? Diretor Kouki.
A parte engraçada nessa história é que quando os dois fizeram os votos de casamento eu não lembro de dizer em momento algum que estava fazendo parte do acordo matrimonial deles. Mas enfim, isso já faz muito tempo e nem sei por que insisto em ter raiva disso.
Ainda assim, essa não é a única razão pela qual detesto esse lugar. Acontece que se eu começar a enumerar, não vou conseguir parar mais.
— Eu já disse que odeio esse colégio? — Sango, minha única e fiel amiga naquele colégio sorriu afirmando.
— Nunca deixa de mencionar pelo menos três vezes ao dia, o que quer dizer que ainda está faltando uma. — Segurei os lábios com os dentes para não rir ou levaríamos uma bronca do professor de educação física que dava instruções sobre... Sei lá, eu não estava prestando atenção.
— Vou guardar essa última para o final da aula. — Comentei. — É que é meio drástico eu odiar tanto um lugar e ser obrigada a ir para ele todos os dias. — Ela concordou cruzando os braços analisando os garotos no canto da quadra.
— Você também odeia sua casa, se for levar lógica vai precisar parar de frequentar tantos lugares. — Dei um leve cutucão no ombro dela ao notar exatamente para onde e quem estava olhando.
— Ouvi dizer que está namorando duas garotas ao mesmo tempo e elas concordaram, não sei se lembra, mas nós, os ‘humanos’, somos monogâmicos, alguns de nós pelo menos. — Deu um longo suspiro virando o rosto para o outro lado. — E eu não odeio minha casa, odeio ter que morar naquele bairro que... Não me convém. — Tentei continuar o antigo assunto, porém ficou obvio que ele já tinha se encerrado quando ela voltou os olhos zangada para mim.
— Como ele pode andar com essa gente? Pior, namorar essas duas que devem ter cérebro de minhoca para aceitar essa situação. — Não tinha entendido se foi uma pergunta ou se era só para eu ouvir.
— Primeiro, nós duas sabemos que esse namoro é um daqueles ‘empurrãozinhos’ sociais, ao que tudo parece que para elas é mais vantajoso serem conhecidas como vadias do que não ser conhecidas como nada. Segundo, o Miroku não vai jamais querer perder a pose de pegador por garota nenhuma, acho que a honra dele está incrustrada na crença tola dele de que quanto mais mulher ele tiver mais valoroso ele vai ser. — Ela tornou a suspirar tristonha. — Terceiro... Vira a página amiga.
— É que é difícil acreditar que...
— ‘o garoto que eu conheci na infância mudou tanto assim...’ É, eu sei, mas ou se conforma ou vai para a fila das desesperadas. — Apontei para não muito longe dali algumas garotas que acenavam e mandavam sorrisinhos sugestivos para ele. Ela se virou séria para mim.
— E você por acaso tem uma sugestão para ‘virar a página’? Até onde eu sei, nem namorado você já teve para me criticar. — Coloquei a mão no peito negando como se fosse uma ofensa. Namorado para valer?
— Namorado? Oh não, imagina que inferno seria leva-lo para jantar em casa? O diretor Kouki vindo com aquele papinho de padrasto protetor, Sota contando minhas inúmeras manias e mamãe querendo me explicar as funções fisiológicas do corpo feminino e proibindo de usar todas... Não, eu tenho uma visão. — Ela ficou parada me encarando.
— Que seria com quem? — Mexi os ombros.
— Com ninguém, é uma visão perfeita, não precisa de ninguém além de mim minha mãe, meu irmão e meu avô. — Sango fechou os olhos respirando fundo.
— Sua irmã não estaria inclusa? — Rosnei no mesmo instante. Ela estava debochando.
— Eu não tenho irmã, Kikyo não é minha irmã, achei que ela tivesse deixado claro isso para todo mundo. — Minha cara amiga deu uma risada maldosa.
— As pessoas precisariam saber da sua existência antes de questionar Kikyo sobre você, até onde eu sei, você não existe Kagome, outro dia Miroku veio me perguntar quem era a garota do intercâmbio com quem eu conversava, imagina minha surpresa ao perceber que ele falava de você. — Soltei uma risada deliciosa. Ouvir aquilo me dava muito prazer. Eu não quero ser conhecida por essas pessoas pelo motivo de que grande maioria não passa de riquinhos mimados que não se preocupam com nada.
— Perfeito. Quero sair daqui da mesma forma que entrei. — O professor acenou para Sango, era a vez dela na aula de ginastica e antes que ele pudesse me chamar eu já tinha desaparecido.
Andei até onde um grupo de garotas se encontravam perto da janela. Do outro lado estava o campo de esportes, só que diferente desse estava repleto de yokais. Yokais e humanos possuíam forças e habilidades distintas de modo que as aulas de educação física era a única aula que fazíamos separados.
As meninas soltaram um gritinho quando um daqueles metidos mirou no nosso rumo, eram os irmãos Taisho. Os famosos cabelos prateados da escola. Soltei um sorriso cheio de deboche saindo dali de perto – A fama deles era péssima, Sesshomaru odiava humanos assumidamente e tinha o senso de humor de uma pedra e Inuyasha o meio-yokai era um mimado descontrolado que vivia aparecendo em capas de revistas brigando com alguém ou dirigindo bêbado. Como é que elas conseguem admirar pessoas assim?
Percebi rapidamente que um par de olhos negros estavam fixos em mim com um cenho franzindo, os braços cruzados ignorando a conversa fiada das amigas do lado. Pisquei um pouco surpresa e logo girei os calcanhares começando a andar para fora da quadra.
Nesses momentos eu acho que entendo a Sango, era engraçado pensar que pouco depois nossos pais se casarem brincávamos de dizer a todos que éramos irmãs gêmeas e hoje nem se quer trocamos ‘bom dia’.
Ah sim, acho que esse era um dos maiores motivos pelo qual odiava tanto Shikon no tama, logo depois que entramos no colégio ela passou a me ignorar e pedir que não falasse com ela aqui dentro. Shikon no Tama corrompia até mesmo as melhores pessoas.
Fomos de irmãs gêmeas a completas desconhecidas.
E se para ser conhecida eu tenho que esquecer quem eu sou, então, acho que prefiro passar o resto dos meus dias nos cantos do colégio.
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