Notas iniciais
Os dias foram correndo normalmente, pelo menos na medida do possível. Rukia já tinha feito às contas, e suas economias eram suficientes para comprar uma pequena propriedade, perto da sereitei. Não algo grandioso, mas com certeza aconchegante, ela já tinha olhado algumas das pequenas casas.
A pequena guardava seu salario de shinigami desde que entrou para o gotei 13, e quase nunca gastou nada. Não era uma fortuna, mas era o suficiente para comprar uma casa e estabelecer sua nova vida.
Para sua aflição ela sempre se esbarrava em Byakuya mais que o habitual ‘por que ele resolveu ser tão atencioso e preocupado, justo nessa semana?’ ironicamente eles ficaram mais próximos, isso estava tornando tudo mais difícil, mas no fundo era como uma despedida. Parecia que ele estava adivinhando, eles tinham todas as refeições juntos. Ele sempre ficava preocupado quando ela sentia algum mal estar.
Nos últimos dias esses sintomas aumentaram, mas felizmente ele não desconfiou de nada, mesmo quando ela recusou enojada sua sobremesa favorita. Doces... Ultimamente ela não podia ver doces, o cheiro e gosto lhe enjoava. Parecia que a aversão a coisas doces que Byakuya tem, passou pra ela. Esperava que isso passasse logo.
Nos últimos dias Ukitake ainda insistia em buscar uma solução menos radical, porém Rukia tinha descartado todas. Estava decidida hoje ela pediria sua expulsão do clã. Só de imaginar a distancia que eles teriam daqui pra frente, doía. Ela ainda tinha sentimentos que não entendia. Era tudo tão confuso.
Felizmente ela tinha seu nakama, Ichigo veio visita-la um dia atrás no fim de tarde, sempre preocupado e atencioso. Ele já estava sabendo que hoje ela pediria renuncia do clã e rapidamente, ofereceu sua casa para ela ficar até tudo estiver pronto.
“Como você se sente?” perguntou olhando o por do sol.
“Nervosa... mas não posso mais adiar, ele vai acabar descobrindo se demorar mais...” disse olhando para baixo.
“Entendo, se você quiser ir lá pra casa depois que você falar com ele. Sempre tem um lugar pra você lá” ela olha com um sorriso fraco pra ele.
“Eu comprei uma pequena propriedade aqui por perto... acho que em duas semanas tudo vai estar pronto, até lá posso ficar no esquadrão. Mas obrigada pela oferta”
“Que bom que você resolveu a questão de moradia pelo menos... bem se você precisar de se distrair, passar uns dias longe de tudo isso, vai pra minha casa” deu um sorriso amável para a shinigami “vocês são bem vindos” Rukia olha confusa pra ele, o rapaz ri e aponta para sua barriga, então ela entende olhando para onde Ichigo apontou.
“Oh! Eu ainda não me acostumei” diz sem graça.
“Eu também não.” Diz em voz baixa. Rukia olha para o jovem e desvia o olhar para a paisagem.
“Amanhã Kuchiki Rukia deixara de existir” seu olhar era triste. Ichigo olhou curioso.
“E como você vai se chamar depois?”
“Eu nunca soube meu sobrenome, e também nunca me lembrei de perguntar a Byakuya Nii-sama o sobrenome de solteira de Hisana Nee-sama.” Disse dando os ombros.
“Ham? Então você não tinha sobrenome nenhum antes?” o garoto estava com a expressão confusa.
“Quando Renji e eu fomos para a academia shinigami ambos não tínhamos sobrenome, então nos dois ganhamos o sobrenome Abarai.”
“Você vai se chamar Abarai Rukia? Isso soa estranho” Rukia ri da cara de desgosto do amigo.
“Bem Renji e eu fomos registrados praticamente como irmãos, afinal nos chegamos lá juntos e sem família.” A expressão do menino alivia ao ouvir a palavra irmãos. E logo fica pensativo.
“Ah... chega ser irônico, um Kuchiki de sangue ser registrado como Abarai” Rukia olha irritada para ele “oh desculpe... é só que é um pouco estranho” ela suspira.
“Confesso que também acho, eu não usei esse nome muito tempo, mas é o único que eu tenho agora.” Ichigo levanta e afaga a cabeça de Rukia bagunçando seu cabelo.
“Ei Seu...”
“boa sorte, e qualquer coisa pode contar comigo” disse serio e dando um abraço rápido, ela olha surpresa e sorri virando o rosto de lado.
“Hai” ele devolve o sorriso e se vira.
“Até mais Rukia!”
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Agora ela estava em frente ao escritório de Nii-sama, não de Kuchiki Byakuya. Era a hora, ela iria renunciar a família. Tomando uma respiração ela bate na porta.
Byakuya ouviu a batida na porta era Rukia. Sua expressão aliviou na hora que percebeu que era ela. Antes de manda-la entrar ele recompõe sua mascara.
“Entre” a pequena entra, o nervosismo estava evidente.
“Nii-sama eu posso falar com você?” pergunta cabisbaixa incapaz de olhar em seus olhos.
“O que houve Rukia?” pergunta em tom inexpressivo de costume, porém preocupado com a jovem nervosa a sua frente. Hesitante a garota começa a falar.
“Eu gostaria... de... eu quero...” ela engasga, achar palavras era mais difícil do que parecia.
“Rukia?” ele fala vendo que a shinigami paralisou. Ela junta coragem, ela não devia fazer rodeios.
“Eu quero ser tirada do clã Kuchiki!” diz tudo em um só folego, ainda com a cabeça abaixada.
Byakuya abriu os olhos em surpresa, seu corpo gelou, ela não podia estar falando serio. Sair do clã? Não fazer mais parte da família... Sair de perto dele. Só podia ser uma brincadeira.
“O que?” perguntou mais serio que o normal. Rukia engoliu seco.
“Eu estou pedindo para ser renegada da família Kuchiki.” Tomou um pouco de coragem e levantou a cabeça para olha-lo, e pode ver confusão nos olhos do homem.
“Por quê?” perguntou em um sussurro. “aconteceu algo? Nesses últimos dias os anciões... eu fiz algo errado?”
“Não, não aconteceu nada, eu só quero sair... eu não pertenço aqui”
“Claro que pertence, você é um Kuchiki e sempre será!” disse em seu tom normal, mas por dentro estava gritando em desespero.
“Eu sou grata a tudo que você e o clã fez pra mim, sempre serei grata, mas eu não posso continuar aqui” disse abaixando o olhar tristemente. O kuchiki se levanta indo em direção a ela.
“É por causa do que eu te fiz há um mês?” perguntou com dor, sua mascara estava se partindo “Tudo parecia estar tão bem agora... se o problema é esse eu me afasto, você nunca vai precisar me olhar ou falar comigo de novo” ele cerrou os punhos, sua voz tinha traços de tristeza.
O coração de Rukia se apertou, ele estava revivendo a culpa... Ele estava implorando para ela não sair do clã, achando que era culpa dele, de certa forma o incidente de um mês atrás era o motivo de sua renuncia, mas isso não era culpa dele. Nunca foi. Ela segura o braço de Byakuya fazendo-o olhar para ela.
“Não, eu não posso, eu não quero continuar aqui. Não se culpe... por favor.” Ele olha para os olhos violetas tentando reunir palavras “o problema sou eu, você não tem nada haver com isso”.
“Conte-me o porquê” suplicou “eu farei de tudo para resolver” os olhos de Rukia estavam cheios de lagrimas, ela não aguentaria levar essa conversa por mais tempo.
“Desculpe-me Nii-sama, só espero que respeite minha decisão” ela não conseguiu mais segurar, as lagrimas silenciosas escorreram pelo seu rosto, então se vira e sai correndo sem olhar pra trás.
Doeu vê-lo suplicar por um motivo, doeu saber que não a queria fora do clã. E oque mais doeu foi não poder falar a verdade e ter que deixar ele se sentir tão culpado e aflito.
Byakuya estava paralisado, ele ainda não acreditava no que aconteceu na frente de seus olhos. Ele viu Rukia correr chorando para longe dele. Tentou chama-la, mas sua voz não saiu. Tudo parecia que estava indo tão bem, será que ela descobriu seus sentimentos doentios? Não, depois do incidente na aula de caligrafia ele se controlou o máximo! Então era ocorrido há um mês? Mas ela parecia estar tão confortável perto dele nos últimos dias... Será que ela já não suportava sua presença? Sua cabeça estava a ponto de explodir, desnorteado voltou para sua mesa repleta de documentos e trabalhos a fazer, ele se sentou apoiando os cotovelos na mesa, segurando o rosto entre as mãos. Seu olhar ficou morto, seu coração frio e triste. Ele teria que conceder seu pedido... Mesmo contra sua vontade.
Nesse momento sua atenção foi chamada para algo.
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Rukia correu para a 13° divisão seu coração estava quebrado. ’por que ele simplesmente não agiu friamente como sempre?’ Chegando lá foi direto para seu quarto no alojamento, antes de abrir a porta uma voz a chama.
“Kuc... Rukia” era Ukitake se aproximando.
“Taichou” disse tentando mascarar a tristeza. Ukitake abriu a porta e a guiou para dentro do quarto “ele pediu pelo motivo e para que eu não saísse, eu não queria ver ele assim...” disse enquanto lagrimas teimavam em escorrer pelo seu rosto, o homem a abraça.
“Eu sabia que ele não ia ser indiferente a sua renuncia. E também sabia que isso iria te machucar” a menina o abraça mais forte. “você veio para ficar não é?” perguntou tentando distrai-la.
“Eu sai correndo, não peguei meus pertences ainda” Se sentou sobre o futon, Ukitake fez o mesmo.
“Amanhã você busca, não se preocupe com isso hoje. Descanse foi um dia difícil” passou a mão pelo rosto da pequena secando suas lagrimas, deitando-a com a cabeça em seu colo. “durma você não pode passar por tanto stress, não faz bem” em meio a angustia e tristeza a garota acaba dormindo sob o olhar protetor de seu taichou e quase pai.
O homem de cabelos brancos estava olhando para a sua fukutaichou, agora adormecida com a cabeça em seu colo. Desde a primeira que a viu sentiu um carinho paternal por ela, se tinha alguém que ele queria que ficasse em seu lugar, quando ele já não estive nas condições de exercer seu posto de capitão, era Rukia. Sim ele queria que ela fosse sua sucessora um dia. Ela era como a filha que ele não teve, por isso ele sempre quis guiar seus passos e faze-la mais forte.
Ver sua pequena aprendiz sofrendo, e passando por tantas coisas angustiantes o deixava triste. Ele só queria que algo milagroso acontecesse, e resolvesse toda essa confusão. Ele estende a mão afagando os cabelos da menina, com tristeza.
“Oh minha criança, como eu queria que você não tivesse que passar por isso.”
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Apesar da angustia Rukia conseguiu dormir durante a noite, graças ao apoio de seu taichou ’o que seria de mim sem meus nakamas?’. Ela tinha que buscar suas coisas para se instalar provisoriamente no seu esquadrão. Voltar para a mansão... Rukia resolveu ir buscar suas coisas na hora do expediente, não queria encontrar Byakuya. A ultima conversa já tinha sido suficientemente angustiante, ela não queria começar tudo de novo.
Caminhando rumo a casa ela sentiu nostalgia, seria a ultima vez que ela viria ali. Suspirou triste entrando no salão principal, e teve a visão de Byakuya de costas pra ela. Seus olhos se arregalaram ‘ era para ele estar na sua divisão... ’ pensou.
“Nii...”
“Você não ia me contar, não é mesmo?” ela olhou confusa, ele se virou para ela, seu rosto era uma mistura e angustia... e raiva?. Ele tirou um papel de dentro de seu shihakushou e entregou a ela. Ela pega sem entender. “esse é o motivo da sua renuncia!” diz serio.
“Oque?...” tentou dizer algo.
“Você esta gravida...” Diz angustiado “você ia sair do clã sem me contar...” ele estreita os olhos, puxando a respiração tentando se acalmar “que esta esperando um filho meu!” sua voz saiu dura quase em um grito de irritação. Rukia estava paralisada, ele sabia, ele descobriu seu segredo.
“E-eu não estou gravida! De onde tirou essa ideia?” tentou negar rapidamente, na esperança de conseguir contornar a situação. Ele olhou mais irritado que antes, e apontou para os papeis em sua mão.
“São seus exames, os que você fez semana passada” Rukia arregalou os olhos e viu os papeis. ‘O Deus! Eu me esqueci desses exames de sangue! Como pude ser tão estupida?’ ela estava atordoada, se ajoelhou, já não conseguia ficar em pé, ela estava em desespero, não tinha mais como negar.
“Por que você não me contou? Por que escondeu isso de mim?” Byakuya colocou a mão no rosto se virando de costas, ele estava falando tão asperamente que faria qualquer um fraquejar. Rukia começou a tremer, tentando controlar as lagrimas estavam saindo dos seus olhos silenciosamente, ela estava com medo.
“Eu não podia!” disse alto quase em um grito “Eu queria evitar isso” estava sentindo um nó na garganta. “deixe-me sair do clã, é tudo que eu peço... eu prometo que vou embora, e nunca mais você terá noticias minhas” suplicou tentando proteger a vida inocente. Ao ouvir isso Byakuya endurece, e então se vira para olha-la, seus olhos se estreitaram em pura ira.
“Sair do clã? Sumir?” ele se vira de costas de novo “Você não vai sair do clã, e nem vai a lugar nenhum, carregando um filho meu” seu tom estava gelado de ira, o mais frio que ela escutou.
Era verdade, ela sabia Byakuya não permitiria que essa criança nascesse. Mas doeu ouvir essa sentença, sair da boca dele. Ela não estava mais conseguido segurar as lagrimas, queria correr tentar fugir, procurar ajuda, mas seu corpo não respondia. ‘Desculpe’ ela sussurrou com a mão em seu ventre.
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