Ukitake estava paralisado com tudo oque tinha ouvido. A jovem shinigami a frente dele estava com a cabeça abaixada, esperando alguma reação do taichou.

“Oh Deus Kuchiki... por que você não me contou naquele dia?” ela levanta o olhar para fita-lo, ele estava chocado.

“Eu não podia contar a ninguém, agora eu não tenho alternativa... o senhor é meu taichou, eu preciso de autorização para trabalhar só com relatórios, por enquanto.” A jovem agarra as mangas de suas vestes, como distração.

“Claro! Quer dizer, você esta proibida de participar de lutas, treinos, incluindo o do seu bankai.” O homem de cabelos brancos pousa sua mão reconfortante, no ombro da garota. “você tem certeza que não vai contar para ele?” perguntou quando sentiu a menina endurecer.

“NÃO! O clã não permitiria que isso fosse adiante! Nii-sama sempre cumpre as leis”

“Acho que ele não te forçaria a nada...” Ukitake pelo que conhecia de Byakuya, sabia que ele não faria nada que Rukia não estivesse de acordo, principalmente quando ela não teve culpa, porém o clã era outra historia ”mas não posso garantir o clã...” concluiu triste.

“Taichou... quando eu não for mais uma Kuchiki, eu vou poder continuar no gotei 13?” perguntou cabisbaixa. Ukitake olhou pra ela surpreso.

“Que pergunta é essa Kuchiki? É obvio que você terá seu trabalho aqui! Eu só acho que você deveria pensar antes de sair do clã... buscar uma alternativa, mas se isso que você vai fazer... pode ficar em minha casa, enquanto não tiver outro lugar pra ficar” disse lhe dando um olhar amável “você sabe que é como uma filha pra mim pode ficar lá pra sempre até” disse sorrindo “eu ia adorar ver uma criaturinha correndo pela casa” ele abaixa a cabeça e diz triste “mas acho que quando não tiver mais perigo do clã se impor, Byakuya devera saber a verdade imediatamente. Pois ele tem responsabilidades também, você não deve carregar esse peso sozinha.”

Rukia se levanta ficando de costas para seu taichou, ‘ele faz parecer tão fácil’ infelizmente não era.

“Por favor, me prometa que não contara nada a ele nem a ninguém” suplicou. Ukitake tentou argumentar.

“Mas uma hora todos vão descobrir, ele vai também” Rukia toma uma respiração antes de continuar.

“Depois que eu não estiver mais na família Kuchiki, o senhor acha mesmo que ele ira se importar com isso?” Ukitake queria dizer sim com certeza, mas ele teve duvida.

“Isso só o tempo dirá” ele queria fazer alguma coisa para ajudar a menina a sua frente, porém não conseguia pensar em nada além de ter uma conversa seria com Byakuya, mas ele não podia. Rukia não o perdoaria se Byakuya a obrigasse a tirar a criança, por sua culpa. Era verdade, Ukitake não sabia o quanto seu ex-aluno podia ser influenciado pelas regras impostas pelo clã, para manter a honra do nome Kuchiki. “você terá sempre meu apoio”

“Arigato Ukitake taichou” disse se virando para olhar o homem, seus olhos violetas ainda estavam tristes.

“Você tem a semana para tentar organizar sua cabeça, talvez achemos uma solução.”

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A sereitei estava calma, Byakuya pode chegar a casa ainda cedo. Começou a praticar caligrafia, quando percebeu a reiatsu de Rukia surgir do nada e sumir. Ele estreitou os olhos ‘ela tem que melhorar sua técnica para tentar esconder sua reiatsu’ enfim a pressão espiritual se estabiliza, e ele pode a sentir passar pelo corredor, perto de seu escritório. Por impulso ele a chama.

“Rukia” a jovem congela do lado de fora da sala, ao ouvir a voz de seu irmão. E lentamente abre a porta.

“Nii-sama, você me chamou?” ele olha para ela, e sente seu reaitsu instável de novo e seguida voltando à normalidade. ‘Ela deve estar nervosa, por isso não consegue controlar sua pressão espiritual’, pensou.

“Sim vamos praticar um pouco de caligrafia, acalma a mente e ajuda na concentração. Vejo que esta tendo problemas em ocultar seu reaitsu” Rukia corou, ele percebeu sua reiatsu se descontrolando, ela tinha quase certeza que isso era mais um dos sintomas do seu estado atual.

“Hai” ela odiava caligrafia sempre foi péssima nisso, enquanto Byakuya parece que nasceu escrevendo perfeitamente.

Ele coloca papel e pincel ao lado dele na mesa, Rukia hesitante se senta e pega o pincel para começar sua tortura.

Ela Já estava com sono, sua pressão espiritual rebelde tinha acalmado de tedio, para não dormir vergonhosamente na presença de seu irmão ela tenta focar no seu trabalho, porém seu sono só aumentava. Ela olha para Byakuya concentrado em sua tarefa com muito êxito, ’como ele consegue?’ sua mão segurava firmemente o pincel, que deslizava sobre papel desenhando traços perfeitos, tão perfeitos quanto ele. Seus olhos frios e calmos pairavam sobre a folha, sua postura era impecável, digna do nobre que ele era. Ela voltou sua atenção para seu trabalho e franziu o cenho de desgosto ‘isto está horrível!’. Sua reiatsu se rebela de decepção.

Percebendo a pequena mudança na reiatsu da garota, Byakuya se vira para olha-la. Ele vê Rukia com cara de desgosto, olhando para o papel em que escrevia. Sua face estava levemente franzida como a de uma criança descontente, ele pode notar que ela estava mordendo seu lábio inferior... Seus lábios rosados, ele não pode deixar de notar o quão suculentos pareciam ser, eram estranhamente convidativos. Seu cabelo mais curto que antes lhe dava uma visão de seu pescoço alvo como o mais puro luar. O cheiro que ela exalava era embriagante. ‘O que está acontecendo comigo? Isso é errado!’ se trazendo de volta a realidade ele continua sua caligrafia, até que escuta um grunhido.

Rukia estava decepcionada com seu trabalho, pegando outra folha tentou escrever seu nome. Isso deveria parecer mais bem feito que as outras palavras, afinal era o seu próprio nome. Com firmeza segurou o pincel e começou, os primeiros traços pareciam ir bem, porém rapidamente seus traços ficaram tortos e tremidos, ela estreitou os olhos e grunhiu de irritação. Em seguida ela sentiu algo atrás dela, quando viu uma grande mão pousar sobre a sua.

“Você tem que segurar o pincel com firmeza. E ao mesmo tempo desliza-lo suavemente com delicadeza sobre o papel” ele disse movendo sua mão junto com a dela, fazendo traços perfeitos.

Ela sentiu seu hálito quente resvalar contra seu pescoço, e sua voz rouca e suave em sua orelha, ela se sentiu estremecer por dentro, ele estava tão perto, muito perto. Para alguém que era tão frio normalmente o toque de sua mão era realmente quente. Não que ela nunca tivesse sentido seus toques, mas no momento ela estava apavorada demais para perceber isso. Seu corpo exalava um calor aconchegante e um perfume capaz de hipnotiza-la. Ela olhou para o papel e viu a letra que ele tinha feito segurando em sua mão e sorriu boba para a imagem, estava perfeito.

Byakuya viu quando um sorriso brotou no rosto de Rukia, um sorriso doce e sincero capaz de derretê-lo por dentro. Ele sorriu internamente, ela era tão amável.

“Nii-sama você é ótimo!” disse alegre, e se esquecendo da presença atrás dela por um momento. Ele afrouxou o aperto de sua mão.

“Agora tente um pouco mais sozinha” ela pegou com firmeza e foi sendo levemente guiada por Byakuya.

Ela faz um movimento tremido, e ele fecha sua mão sob a dela de novo.

“Não precisa ter pressa, relaxe” ela sentiu sua pele se arrepiar ‘como você espera que eu relaxe, com você respirando no meu pescoço e falando no meu ouvido?’

“Hai” ela vai mais devagar, Byakuya só mantinha sua mão sob a dela interferindo somente, quando seus traços teimavam em querer tremer. Ela fez uma folha com a ajuda dele.

“Viu, já ficou bem melhor, um pouco mais de treino e ficara perfeito” ao escutar o elogio de Byakuya a menina sorri e vira para olha-lo. Percebendo que a jovem virou o rosto para seu lado, ele em um reflexo faz o mesmo.

Seus rostos estavam a poucos centímetros de distancia, os olhos de Byakuya mergulharam nos belos olhos violetas de Rukia, eles ficaram paralisados. Os olhos do taichou logo viajaram para os lábios rosados da pequena, seus olhos estavam se fechado, ele se sentia em transe.

Ela nunca imaginou que ele iria se virar também diminuindo tanto a distancia, olhou no seu rosto belo com traços delicados, mas muito masculino. Como ele pode ser assim? Parecia que foi esculpido de tão perfeito, sim ele era o homem mais bonito que ela já viu em sua vida. Seus frios olhos cinzentos pareciam duas piscinas, e ela se sentiu nadando neles, seus olhos ficaram semicerrados sua visão foi instintivamente para baixo nos seus lábios. Sua boca parecia tão apetitosa... seus lábios pareciam tão macios, ela nunca tinha provado lábios de ninguém na sua vida, o que chegava a ser irônico, mas os dele pareciam que tinham mel sobre, de tão atrativos que se encontravam. Ela entrou em transe já não sabia oque estava acontecendo.

Ele podia sentir seu hálito fresco cair sob sua boca, seus narizes se tocaram levemente. Byakuya sentiu seu corpo estremecer só com esse toque, seus olhos buscavam sua boca. O ar parecia estar faltando na sala. ’muito perto’ ele pensou. Sua boca já estava perigosamente entreaberta ‘pare!’ ele se ordenou. Uns 2, 3 centímetros a mais e ele quebraria a confiança e imagem que ela tinha dele pra sempre, mas sua boca era tão atrativa, ele queria prova-la nem que seja uma só vez. Com todas suas forcas ele tentava evitar tomar aqueles pequenos lábios, se ele o fizesse seria como se estivesse cometendo o mesmo crime de novo, só que dessa vez lucido. ‘o que eu estou pensando? Eu não posso, não devo, mas eu quero... ’

O canto de um pássaro o fez despertar um pouco, e reunindo todas as forcas que ele tinha para falar, ainda de olhos fechados.

“Outro dia treinaremos mais... já esta na hora do jantar” essas palavras fez com que Rukia despertasse de seu transe se virando pra frente olhando o papel, lutando para não corar.

“H-Hai” ele abre os olhos com a perda da presença de seu rosto tão próximo ao seu. ‘quase’ ele retira a sua mão da cima da pequena mão. E se levanta. “vá se preparar para o jantar, deve ser em breve” ele sai da sala indo em direção a seu quarto, para tomar um banho, de preferencia frio.

Rukia ainda estava paralisada na sala sem entender oque aconteceu com ela, ela estava deslumbrando seu irmão? Desejando seus lábios? ‘o que demônios você esta pensando Rukia? O que esta acontecendo com você?’ felizmente ele não deve ter percebido. Ela se levantou e foi para seu quarto tomar um banho e colocar seus pensamentos em ordem, seu coração ainda pulsava acelerado, uma onda de choque ainda corria pelo seu corpo.

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Byakuya estava terminado de se vestir. ‘oque eu ia fazer?’ ele sabia muito bem, o Kuchiki não era bobo, demorou par a ele entender o que estava se passando com ele, mas agora ele sabia... Ele estava fascinado por ela, talvez todo esse tempo esse sentimento ficou preso dentro de si, sem ser decifrado. Isso era o motivo de sua confusão, a preocupação constante, a vontade de estar perto, e o incomodo por saber que o ryoka estava sempre tão próximo. Seu coração estava gritando isso agora, seu corpo pedia pela presença dela. Somente o seu cheiro já o deixava feliz e calmo como nunca foi, sua tristeza quebrava seu coração, não era atração e desejo apenas.

Era amor, talvez o mais puro amor que já brotou em coração, o mais puro e o mais insano e proibido. Ele nunca poderia tê-la, ela o via como seu irmão mais velho protetor. Ele nunca poderia toca-la, ela nunca seria sua. Perante as leis ela era sua irmã, ele teria que conviver com isso pelo resto de sua vida sem nunca demonstrar.

E nem que eles não fossem irmãos... Ela nunca iria ama-lo, pois ele foi o monstro que a machucou para toda eternidade, o homem que a ignorou por décadas, que a desprezou... ele não merecia nunca estar com ela. Seu amor era impossível de ser correspondido e de ser aceito. O fato de ele a amar era vergonhoso e monstruoso, Hisana nunca o perdoaria, nem por feri-la e agora por ele se sentir assim por sua irmã caçula. Ele sentiu nojo de si por ter esses sentimentos por Rukia, mas ele só podia guardar isso dentro de si e esperar que esse sentimento morra um dia.

Ele tomou uma respiração profunda, ele ainda tinha que ser um bom irmão... Isso seria mais difícil agora. Ser irmão de alguém que você ama. Mas ele não poderia deixar que ninguém percebesse nunca. Ele sempre estaria ao lado dela.

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Rukia terminou de amarrar o obi de seu kimono e se sentou no futon. As sensações ainda eram frescas. O calor do seu corpo tão próximo ao dela, o toque de sua grande e calorosa mão sob a sua, a respiração fresca acariciando seu rosto, e o arrepio que percorreu todo seu corpo quando seus narizes se tocaram por um segundo.

Ela nunca se sentiu assim, era estranho, mas bom... ‘o que você está pensando Rukia? Ele é seu irmão!’ pelo menos seria por enquanto e depois nunca mais iria olha-la. Ela suspira agarrando a borda de seu kimono.

Impressionante como a vida de uma pessoa pode mudar de um dia para outro. “você tem coisas mais serias para pra se preocupar” disse pra si mesma. Fechou os olhos tentando pensar no seu futuro, mas as lembranças de minutos atrás invadem sua mente. A garota bufa em derrota, por que ele mexia tanto com ela? Isso era errado, ela se pegava lembrando-se de seus olhos cinzentos, cada traço de seu rosto... Sua boca ‘chega! Não é certo!’ pensou. Agir assim só vai me fazer sofrer mais pela saída dessa família.

Ela não sabia oque sentia, oque tinha mudado em seu coração... Oque tinha se despertado dentro dela.