Só... Se Declarando.
1 Um quase desastre.
Só podia estar maluca, completamente e desesperadamente louca. O que eu diria? O que eu faria? Isso se eu conseguisse de fato chegar lá né... Sou um pouco... digamos... desastrada, tenho um certo dom em cair, sofrer acidentes, esbarrar em algo ou alguém, enfim... Mas eu precisava fazer isso ou morreria, sério. Eu já não conseguia me concentrar, pensar com clareza ou evitar ficar nervosa e com o coração aos pulos quando ficava perto dele. Era algo insuportável. Caramba, porque ele tem que fazer isso comigo? E porque eu tinha que me apaixonar justamente por ele? Meu chefe! Que mal liga pra mim e que é a pessoa mais emocionalmente distante da galáxia. Ah eu sou mesmo uma burra. E o que esperar do Grissom? Afinal, nós nunca tivemos nada além de uma relação chefe-subordinada e como eu chegaria pra ele e diria: “Hei Gil, estou completamente apaixonada por você!”. Nunca. Never. Eu não conseguiria, é completamente impossível. Fato. Mas, quem sabe se eu tentar uma abordagem mais indireta tipo: “Então Gil, se um coco cai na ladeira, rola ou não rola?” Ai não, péssimo! Ou quem sabe poderia chegar na maior pose, com a voz mais sensual possível e dizer: “Keep and calm e venha comigo!” Meu Deus, me ajudemmm! Isso nunca funcionaria com aquela calota polar, não na vida real. Tenho que parar de assistir esses filmes melosos. Preciso da minha mãe!
“Coragem Sara, coragem! Você consegue!” Eu ia repetindo isso pra mim no caminho para o laboratório. Eu estava de folga hoje, mas resolvi vir falar com ele. Eu precisava acabar logo com essa situação. Claro que antes eu me benzi, rezei um terço e até prometi a são longuinho que pularia 100 vezes se tudo desse certo. Sei que ele é o santo que ajuda a achar as coisas, mas qualquer coisa que me ajudasse tava valendo.
Pensei em ensaiar pra falar com ele, mas desisti. Do que vai adiantar? Quando eu for falar com ele – se eu for – vai ser como sempre é. Vou ficar nervosa, falar pelos cotovelos, esbarrar em um de seus potes e quebrar e sair de lá morrendo de vergonha. É sempre assim, essa semana eu já quebrei dois potes... Então, pra que ensaiar? Desastres improvisados são mais bonitos.
Estacionei o carro no estacionamento e...
- Não Sara, onde mais seria? – ótimo, era o que eu precisava. Clodovil from hell.
- Clo, não é a melhor hora pra você aparecer! – eu disse me desmanchando em nervosismo.
Ah! Já falei pra vocês que no meu subconsciente mora um gay-revoltado? Pois é, mora, Clodovil o nome dele. As vezes ele aparece pra me encher ou dar um pitaco na minha vida.
Encostei a cabeça no carro e comecei a dialogar com o nervoso... Disse á ele que estava cansada dele sempre estragar os meus momentos aparecendo e me fazendo agir feito uma idiota. Disse que ele era um inútil e desgraçado e que queria que ele fosse embora da minha vida e por alguns minutos ele foi, eu me senti super segura e confiante. Mas quando eu pisquei ele estava lá novamente me enchendo, me atazanando. Caramba nervoso, tu é muito chato.
*Suspiros* Me desculpem pelo parágrafo totalmente sem noção, função e importância. Sei que vocês devem estar se perguntando porque estão lendo isso, mas é uma maneira desesperada – ridícula, afinal tenho 35 anos – de se acalmar antes de fazer algo que me dê a primeira posição no Guiness Book como o momento mais embaraçoso da vida de alguém. Sorry, please!
Ok. Estou pronta. To confiante, segura de que vou super bem e conseguir falar tudo que desejo, sem gaguejar, titubear ou distorcer as palavras, não vou tremer nem quebrar nada e vou... Ah meu, o que eu to falando? Eu to mesmo prestes a encher a cara pra esquecer tudo que eu fizer essa noite!
Saí do carro e me dirigi á porta de entrada. Mas de repente, não sei da onde, acho que do além, surgiu um degrau na minha frente! E agora somem o resultado: Sara mais degrau igual a? Se você disse caminhada perfeita até alcançar o solo errou... Eu caí, sim eu caí. E esfolei o maldito do meu braço!
Noite 1 x Sara 0.
Vamos lá, comecei bem. Ainda vou descobrir quem foi o viado que colocou aquele degrau lá. É serio, não estava lá á cinco minutos atrás. Eu vi.
Só fico pensando em como vai terminar a noite... Talvez com pôneis cor-de-rosa, flocos de neve e toda aquela magia de contos de fadas. Ou como previa meu querido pai, eu ia terminar amarrada em uma camisa de força e uma estadia no manicômio mais próximo, com direito a cama de papel higiênico e ser assediada por um guardinha ninfomaníaco. Meu pai não é o máximo? Somo TÃO amigos sabe? Espero que um dia ele bata a cabeça numa pedra e esqueça que sou sua filha.
Entrei no laboratório e segui para a sala do meu adorável chefe e para minha surpresa ele não se encontrava lá. Olha que bom. Perguntei as pessoas que estavam próximas e ninguém sabia onde ele estava. Ótimo. Minha noite estava virando o suprassumo das “noites de bosta”. Será que o Grissom sabia que eu estava atrás dele e resolveu se esconder? Claro, só pode ser isso. É bem a cara dele brincar de pique-esconde com Sara, a sua subordinada desastrada. Notem o sarcasmo na voz.
Fui para a sala de descanso esperá-lo e encontrei a Cath por lá. Ela disse que depois iria sair com os meninos para beber e jogar conversa fora. Era impressão minha ou eu estava sendo excluída lenta e dolorosamente pelos meus amigos? Oh shit. Mas tudo bem, eu não queria mesmo. É assim que se chama agora “orgulho ferido”?
Conversamos sobre várias coisas, casos recentes, homens, saúde, dinheiro, homens, homens, família, homens, homens e... homens. Ok, falamos na verdade só de homens. E toda hora que alguém passava por lá eu olhava na esperança de ser o viado do Grissom. Cara eu tava ficando irritadinha.
Os minutos iam passando -junto com a minha determinação- não tinha visto aquele ser extraterrestre em lugar nenhum. E a minha paciência era menor que pinto de japonês.
- Sara?
- SARA! – Cath me deu um safadão na cabeça. Vadia! – dá pra você me escutar um pouco?
- Desculpa Cath... – disse, esfregando minha cabeça onde doía.
- Bom, já deu minha hora, os meninos estão me esperando. – ela dizia olhando pro celular. – não quer vir junto?
- Não, não! – respondi sorrindo. – Vou pra casa dormir um pouco, estou com uma dor de cabeça filha da puta.
- Ai Sara, para de falar palavrão! – ela me repreendeu sorrindo.
- Ta bom, ta bom. – falei com tédio. – irei me retirar à minha residência pois estou com uma exulceração na minha região cranial e preciso recompor-me. – há, ninguém podia duvidar da minha inteligência.
Cath me olhou meio pasma. Qual é? Acho que nunca dei a entender que era uma mulher desprovida de inteligência ou uma burra mesmo... acho, sei lá.
- Entendi. – ela disse, sorrindo estranho. – então, dicionário ambulante, vou indo, te vejo amanhã por aqui.
- Ok, senhorita “sarcasmo” – respondi tentando ser mais sarcástica que ela. – te vejo amanhã, juízo.
- Claro. Beijinhos.
Enfim só. Hora de procurar aquele homem. Cara, se ele estivesse ali ele devia ter engordado 20 quilos, raspado a cabeça e estar vestido feito um traveco – o que seria totalmente impossível pois estamos falando do Sr. Discreto. Por um minuto imaginei ele daquele jeito e Argh! A minha atração por ele foi pra -50 e morreu congelada (?).
Mas então eu lembrei porque estava completamente apaixonada por ele. Um: Ele é o homem mais lindo e charmoso que eu já vida na vida. Fato. Dois: Tem o cabelo mais macio e cheiroso que os meus – triste- dá até vontade de comer. Três: Tem uma boca que Meu Deus – vou evitar comentários pois dispenso concorrência. 1Beijo. E quarto e último: O olhar. Aquele lindo olhar. Que te deixar fascinada. Te desmancha ao te fitar. Aquelas piscinas azuis e brilhantes que te tiram o sono, a concentração, que tem prende, te conquista e te deixa sem saber quem é o ovo e quem é a galinha (?). Babei um pouco, desculpem.
Olhei pela nonagésima septuagésima vez para o relógio. 7:25, era esse o horário que ele marcava.
- Vai se declarar pra quem agora Sara? Pra foto do Johnny Depp na revista People? – ótimo, meu fracasso estava completo. Clodovil from hell AGAIN.
- Ah sai fora Clodovil! – respondi chateada. Quem mais era preciso pra me deixar na fossa? O Clodovil me deixaria na camada pré-sal. — e eu não estava me declarando, estava apenas... apenas...
- ... Se declarando! – ele riu da minha falta de palavras no momento. – mas hoje eu vou ser um subconsciente bem bonzinho e irei te ajudar.
- What?
- Ah você entendeu. Não se faça de besta e nem venha com ironias, sarcasmo e tiração de sarro pro meu lado porque eu sou sim um gay-revoltado, mas sou muito amigo e te ajudo muito. – ele gritou na minha cabeça como se tivesse falando para uma multidão de gente. – escute o que tem que fazer...
- Nossa! Você acordou de bom humor hoje né?! – perguntei ainda espantada por tanta ajuda sendo oferecida da parte dele.
- Vai continuar me tirando ou vai aceitar minha ajudar? Me reconheça uma vez na vida Sara!
- Ta bom Clodô! Vocêéumótimosubconscienteeeureconheço. – eu estava desesperada gente!
- Eu sei! – viado convencido. – mas o que você tem que fazer é encontrar o Grissom!
- LOL. Você, realmente, é ótimo, um gênio! – falei com todo o meu sarcasmo contido desde o inicio dessa conversa. – como não pensei nisso antes?
- Você não entendeu ô cabelo de cogumelo. – comparação ridícula – digo pra você não desistir de encontrar ele como está fazendo agora. Tem que ser hoje, se não você nunca vai conseguir falar pro gostosão que gosta dele.
- Mais respeito Clô! – e não é que ele disse algo que preste? Corri para a janela e cruzei os dedos olhando para o céu.
- Que foi mulher? Ta rezando pro Einstei-cover cair no seu colo? – perguntou ele sem entender.
- Não besta! To rezando pra mim conseguir falar com o Gil antes que o mundo acabe. – sorri- quer dizer, o fato de você ter me dado um bom conselho pode significa um apocalipse né?!
Ele assumiu uma expressão de puro desprezo e ódio.
- Vá Sara... antes que eu me revolte.
- Não precisa repetir! – sorri amarelo. – Hei Clô – antes de ele ir o chamei para uma ultima frase, frase esta que me faria sofrer depois. – obrigada por tudo.
Então saí andando por aquele laboratório. Olhei em cada sala daquele lugar. Perguntei para todas as pessoas que eu via. Perguntei pra Judy, pro All, para todas as faxineiras, para os corpos do necrotério (?), mas ninguém sabia me dizer onde estava o Grissom.
Estava cansada de tanto andar. Precisa descansar. Pelo menos 2 minutos, só para respirar. Quem mandou eu sair da academia? Quem mandou? Agora eu iria morrer gorda e flácida. Bem feito! Ai, acho que estou com uma hérnia. Não sei porque não coloquei um GPS na cueca do Grissom, seria tudo mais fácil.
O jeito era ir embora e chorar as pitangas. Passei na sala de descanso, peguei um café e fui em direção ao estacionamento.
Cheguei até o meu carro e noite o pneu furado. Boa! Porque Senhor?
Por sorte eu tinha os materiais necessário para trocar um pneu de carro e um step. Não devia ser tão difícil. Ergui o carro com o macaco e tirei o pneu furado. E em dois minutos estava com o pneu novo colocado. Mandei bem. Se por acaso eu precisasse arranjar outro emprego essa seria uma boa sugestão rere.
Mas como tudo pra não dá cem por cento certo, no momento em que fui abaixar o carro esqueci que eu segurava a chave de tirar as porcas embaixo do braço e deixei ela cair acertando diretamente o meu dedinho. Instintivamente abaixei para acariciar meu pequeno dedinho e quando levantei bati a cabeça no retrovisor derrubando o café fervendo na minha roupa.
- AHHHH – me debatia tentando inutilmente tirar aquele líquido quente do contado com o meu corpo. – SÓ FALTA CHOVER AGORA NÉ?! – gritei furiosa olhando pra cima com os olhos cerrado, rezando para isso não acontecer, mas com a sorte que eu estava ia chover granizo hoje. – MERDA! MERDA! MERDA! Merda de carro, merda de café, merda de roupa, merda de vida! – gritei me virando para ir ao banheiro me limpar.
- Mas o que...?
Era ele... Grissom, vivo e em cores, bem na minha frente. Sim, era a minha sorte gritando, mas gritando um “Se vira idiota, se ferrou!”.
Ele ficou me olhando assustado como se eu tivesse acabado de sair da minha própria cova.
- QUE FOI GRISSOM? – minha paciência já tinha ido pra fita essas horas.
- O que aconteceu?
- Ah! Muitas coisas. História longa, mas, como pode ver, preciso ir agora. – falei querendo ir pra casa chorar essa humilhação e comer chocolates até morrer.
- Eu insisto! – ele disse parando na minha frente. – Você está bem?
- Acha mesmo que estou bem? – sorri ironicamente com a uma mão a cabeça, doendo pela batida, e a outra afastando a roupa do meu corpo. – Eu poderia estar em casa comendo chocolate com sorvete ouvindo o Clodovil chorar pelo panda gordo, mas não resolvi vir pra cá e acho que levei uma multa por excesso de velocidade além de atropelar um cachorro e ao chegar caí me esfolei o que me rendeu este hematoma no braço, o que não é novidade vindo de mim. Aí derrubei uma droga de uma chave de cinco quilos que quase decepou o meu dedinho, mas sem estar satisfeita, bati a cabeça no retrovisor e derramei um copo de café fervendo em cima de mim me queimando e manchando a minha linda e vagabunda blusinha recém comprada. – pronto, eu ia contar tudo, não podia estar mais ferrada mesmo. – e tudo porque? Quer saber PORQUE?
Olhei pra ele e devia estar assustadoramente mal, porque ele me olhava com um misto de medo e preocupação em saber se ligava agora ou depois para uma clínica psiquiátrica. – Todas essas coisas terríveis aconteceram porque eu, este ser idiota, burro, retardado, irracional e irresponsável, decidi sair te procurar! E pra quê? Me pergunta pra quê? – acho que ele ia perguntar, mas eu nem deixei. – Porque esta encéfala, anta com problemas mentais queria dizer que te ama! Acredita? Queria dizer que desde o dia em que te viu pela primeira vez se apaixonou e por isso venho pra Vegas, porque não conseguia ficar longe. Justo por você a quem eu causo tantos problema e que é um iceberg em pessoa. Agora com licença, preciso ir pra minha casa pois meus seios queimados precisam de cuidados. A gente se vê Grissom!
Empurrei ele com força e corri chamar um taxi. Meu carro eu pegava amanhã. Só queria chegar em casa e esperar a droga do dia acabar.
Cheguei e arranquei minhas roupas sujas, prendi meu cabelo de qualquer jeito e me joguei no sofá chorando. Não conseguia parar. Eu fui uma idiota. Neste momento ele devia estar providenciando minha demissão e um mandado pra me manter no mínimo 50 metros afastada dele. Foi tudo tão ridículo. Me levantei pra tomar um banho, mas a campanhia tocou.
Com o mínimo de vontade fui atender a porta.
- Olha, não quero nada entã... – tenso. Era o Grissom. Caramba! O que eu faria? Fechava a porta e corria pro banheiro, chamava ele pra tomar um cerveja ou o matava agora que ele já sabia de tudo?
Ele ficou me olhando e eu sem reação alguma. De repente vi que ele começou a ficar incomodado.
- Não vai me chamar pra entrar? – ele perguntou.
- Sinceramente? Não! Estou de folga hoje, e sério, não vou abrir mão. Então tchau Grissom! – tentei fechar a porta, mas ele segurou com o pé.
- Mesmo assim eu vou entrar! – ele entrou.
- Por que perguntou então? – larguei ele na porta e fui em direção ao sofá.
- Pra ser educado? – ele perguntou ironicamente arqueando a sobrancelha.
Senhor! Eu poderia ter um derrame com isso.
- Olha, então desculpa a minha falta de educação, mas você pode cair fora daqui Grissom? – eu perguntei irritada.
- Não, não posso. – ele disse calmo.
- Não pode? – eu estava ficando nervosa.
- Não.
- Então tá.
Fui até a sacada do prédio e tentei pular para a morte, mas ele não deixou.
- Você é louca? – ele me chacoalhou enquanto me colocava sentada no sofá. – são quase 7 metros de altura. Você poderia morrer!
- Ótimo! Eu me pouparia de uma vida de muitos desastres e dor. – disse com lágrimas nos olhos.
- Não seja ridícula Sara! Não é só porque algo ruim acontece que você deve abrir mão da sua vida. – ele ainda segurava meus braços.
- Me solta. – eu só queria ficar sozinha. Chorar sozinha.
- Nós precisamos conversar. – ele disse calmo.
- Não to afim.
- Mas você não tem escolha. – ele sentou na mesa de centro na minha frente. – o que você disse aquela hora...
- Eu disse muitas coisas... – não queria ter aquela conversa.
- Sara, não foge do assunto. – ele continuou e eu não conseguia olhar pra ele.
- Do cachorro que eu atropelei? Ele está bem! – continuei chorando.
- Sara, por favor! – ele pegou meu queixo e me fez olhar para ele. – O que você disse... é verdade?
- Pra que quer saber? Vai me demitir pessoalmente? – olhei magoada.
- Não, não farei isso. Só quero saber a verdade.
- A verdade é a que você ouviu. Eu te amo, sempre te amei e acho que sempre vou te amar. – ele abaixei novamente a cabeça chorando mais forte.
Senti dois braços me cercando.
- Eu também. – ele disse no meu ouvido.
Levantei a cabeça atônita. E o encarei surpresa.
- O-oque? – perguntei gaguejando.
- Eu também te amo, sempre te amei e acho que sempre vou te amar. – ele sorriu com carinho enxugando minhas lágrimas que escorriam.
- Desde quando? – falei num fio de voz.
- Desde a primeira vez que te vi naquela palestra em San Francisco com aquele rabo de cavalo e aquele sorriso encantador. Exatamente naquele momento você me fisgou.
- Griss! – o abracei com força e voltei a chorar. Agora de felicidade. No fim das contas meu pai errou sua previsão. Há, veio maldito.
Soltei do seu abraço e ficamos nos encarando.
- E agora? – perguntei sorrindo.
- Hm, e agora? Quer saber o que acontece?
- Claro!
- Bom, o que acontece agora é previsto e impossível de se evitar.
Eu sentia sua respiração, seu hálito doce, seu cheiro. Estava embriagada.
— Os expectadores de uma novela sempre esperam pelo momento em que tudo parece valer a pena e que todos os momentos ruins são esquecidos, não é?
— É — respondi aérea. Cara, se ele perguntasse qualquer outra coisa, minha próxima resposta em mente seria FEIJÃO!
- E você sabe que momento é esse Sara?
- Feijão!
- O que? – ele se afastou me encarando.
- Ah me beijar logo Griss! – reclamei e puxei sua boca de encontro com a minha. Senti um arrepio percorrer meu corpo como uma corrente elétrica. Me sentia extasiada, não conseguia pensar em mais nada a não ser nele. Nos seus beijos, que eu tanto queria e suas carícias que tanto me deixavam inerte. Então ele desgrudou nossas bocas, chegou perto da minha orelha e sussurrou:
- Quer namorar comigo Sara? – senti um calafrio, aquela sensação boa, de que tudo daria certo.
Ele ficou agora, cara a cara comigo e meus olhos estavam fechados desde que ele parou o beijo. Eu os abri lentamente, o encarei e sorri sem jeito.
— Que pergunta estúpida! – sorri – macaco quer banana?
Ele sorriu comigo, e nós parecíamos duas crianças. Felizes.
Eu enrosquei seu pescoço e o beijei, já que para mim aquilo nunca iria deixar de ser tão maravilhoso.
- Peraí Sara... – ele parou de me beijar e me olhou curioso.
- Que foi? – perguntei querendo sua boca de volta na minha.
- Quando você estava histérica no estacionamento, gritando comigo você falou em um tal de Clodovil... Quem é Clodovil? – ele perguntou com a sobrancelha arqueada.
Voltei a beijá-lo. Depois inventava uma história qualquer. Bom, tinha que ser a história. Quer dizer, como ia dizer ao amor da minha vida que eu tinha um amigo imaginário gay e que ele me auxiliava nos momentos difíceis? Era meio complexo para ele entender né?! No mínimo ele me largaria. Mas penso nisso depois. Agora vou aproveitar o momento.
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