Notas iniciais
Fala pessoal! Tudo certo? Minha primeira oneshot de Harry Potter espero que gostem!!! Cara estou adorando os memes e a maquininha na cabeça não conseguiu ficar sem escrever alguma coisa e olha que to com varias ideias de HP já no forno que ficaram pra outra ocasião. Ah! aqui usarei Draconia Malfoy, pelo que pesquisei o termo Malfoid pode ser interpretado errado e por isso evitarei de usar. Cara curto demais os livros e tudo o que é deriavado de HP, mas devo dizer que pqp se os livros fossem com a pega dos memes seria muito bom tambem kkkk. Enfim, irei trazer mais alguns oneshot do casal, se passando nesta mesma "Realidade" por isso espero que gostem e boa leitura!!!

Só Mais Cinco Minutos

Capítulo Único.

A primeira coisa que pode perceber ao acordar foi a sensação de que seu braço esquerdo havia morrido. Não metaforicamente. Tão pouco no sentido dramático que Hermione descreveria como exagerado. Apenas morto, completamente.

Harry abriu os olhos apenas o suficiente para encarar o teto desconhecido por alguns segundos, ainda preso naquele território nebuloso entre o sono e a consciência. Tentou mexer os dedos e nada, mais uma vez.

Apenas uma espécie de formigamento respondeu perto do pulso, seguido por uma dor surda que parecia subir até o ombro.

“Excelente.” Pensou, talvez ainda houvesse alguma esperança.

Ele respirou fundo e só então percebeu o motivo. Um peso irregular sobre o peito, baixou levemente os olhos que ainda encaravam o teto para ir de encontro com alguém deitado sobre ele. Naquele momento esqueceu o braço.

Draconia Malfoy dormia com a cabeça apoiada em seu peito. Por alguns segundos, apenas ficou olhando. Os cabelos loiros quase prateados estavam espalhados por toda parte sobre o peito dele, o braço condenado e metade do cobertor.

Uma mecha fina cruzava parte do rosto, hora tocando o nariz discretamente a cada respiração dele.

Ela havia prendido parte do cabelo com uma fita na noite anterior. A fita ainda estava lá, embora torta e muito menos elegante do que provavelmente receberia permissão para estar caso a dona estivesse consciente. O restante caía em ondas desalinhadas pelas costas e pelos ombros, era estranho vê-la assim.

Não era um estranho num mal sentido, ele tinha uma suspeita de que Malfoy fosse fisicamente incapaz de parecer desarrumada. Mas indefesa.

“Ah!”

Era isso, sem o meio sorriso irritante, sem o queixo erguido. Sem o olhar semicerrado dizendo que ela conhecia três maneiras diferentes de destruir a reputação de alguém antes do café da manhã.

Dormindo, ela parecia apenas uma garota. Uma garota que tinha uma das mãos fechada em sua camisa. Harry olhou para os dedos dela e depois para o que dava pra ver de seu rosto, voltando pra mão em seguida.

Os lábios começavam a se mover para formar um sorriso antes mesmo que pudesse perceber ou tentar impedir. Aquilo provavelmente seria usado contra ela durante anos. Se ele sobrevivesse ao instante em que ela acorda-se e descobrisse que ele tinha acordado primeiro.

Devagar, usando a mão que ainda respondia aos comandos do cérebro, Harry afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, recebendo um pequeno ruído em resposta.

Harry parou bruscamente, viu-a franzir o nariz se mexer um pouco.

E, para absoluto horror do braço esquerdo, acomodou-se ainda mais contra ele. Com isso, a respiração dela voltou ao ritmo tranquilo de antes, e Harry soltou o ar que prenderá.

A Sala Precisa estava quase silenciosa. Algumas brasas sobreviviam na lareira, lançando uma fraca luz sobre os móveis que haviam aparecido na noite anterior. Duas poltronas estavam empurradas para um canto. Livros abandonados ocupavam uma mesa baixa. Uma caneca vazia repousava perto de uma pilha de pergaminhos. E havia cobertores espalhados, cobertores demais.

Não se lembrava de ter pedido tantos, talvez a Sala tivesse decidido que duas pessoas incapazes de fazer escolhas sensatas precisavam de acolchoamento extra. Voltando os olhos para Malfoy, ainda parecia um absurdo ela dormindo contra seu corpo.

Se alguém tivesse contado aquilo a Harry dois anos antes, ele provavelmente teria recomendado uma visita imediata a Madame Pomfrey. Um ano antes talvez apenas perguntasse quantos feitiços estariam envolvidos. Agora...

Bom agora ele conhecia o peso exato da cabeça dela sobre seu peito. Sabia que ela fazia um barulho quase imperceptível quando começava a adormecer e tentava negar que estava cansada. Sabia que enrolava uma mecha de cabelo no dedo quando estava preocupada.

Sabia que odiava chá excessivamente doce, embora colocasse açúcar demais quando estava nervosa. Sabia que os pés dela eram sempre frios.

E, aparentemente, sabia também que Draconia Malfoy agarrava a camisa das pessoas enquanto dormia.

“Das Pessoas?” Harry conteve outro sorriso. “Certo! Espero que só a minha”.

Aquilo ainda soava como uma ideia estranha. Ele deixou os dedos passarem suavemente pelos cabelos dela. O movimento era quase automático. Não queria acordá-la.

Havia poucas ocasiões em que ela parecia realmente em paz, e aquela parecia ser uma destas ocasiões para ele ter que acorda-la.

Mesmo na Sala Precisa, onde eles não precisavam representar nada, ela costumava trazer alguma parte do mundo exterior consigo.

Lucius.

Umbridge.

As Casas.

O retorno daquela que muitos se recusavam dizer o nome, e que juravam que não tivera retornado.

As expectativas de uma família inteira penduradas no sobrenome dela.

Mas dormindo...

Nada daquilo parecia estar ali, passou os dedos por outra mecha. Como é que tinham chegado àquilo mesmo?

A resposta mais óbvia envolvia um baile, uma discussão e uma decisão extremamente questionáveis. Harry ainda lembrava da neve acumulada nos jardins de Hogwarts depois do Baile de Inverno do ano anterior.

Lembrava de como estava irritado, principalmente com o acompanhante dela. Não por que estivera com ciúmes, ele não estava e nem tinha motivos para tal. Esse era um ponto historicamente importante.

Mas de fato o outro era simplesmente um sujeito insuportável, até mesmo ao lado dela. Por motivos completamente imparciais, e talvez tivesse mencionado isso. Algumas vezes e ela percebera.

Por algum motivo ainda não compreendido por ele Draconia, sempre sabia como mexer com sua cabeça.

A discussão começara perto a uma janela num corredor vazio, longe da música e das últimas pessoas que ainda permaneciam no salão.

Ela mantinha os braços cruzados e o encarava com um cara de poucos amigos.

Harry dissera alguma coisa sobre ela ter passado a noite inteira olhando na direção dele como se quisesse dizer alguma coisa ou simplesmente ataca-lo, como costumava fazer.

Draconia respondera que Potter estava ficando convencido demais desde que fora escolhido pelo Cálice de Fogo.

Isso era comum entre eles, as provocações, os insultos. A necessidade quase infantil de sempre ter a última palavra. Mas naquela noite as palavras estavam mais ácidas. Carregadas por alguma coisa que nenhum dos dois sabia ainda como chamar.

Harry apoiava um ombro contra a pedra ao lado da janela.

— Eu só estou dizendo que você olhou bastante.

— E eu estou dizendo que você está delirando Potter — dizia ela com os olhos semicerrados pela irritação.

— Umas quinze vezes.

— Você contou? — ela soltou uma risada curta.

— N-não... — perceberá tarde demais que tinha caído numa armadilha.

— Acabou de dizer quinze — soltou inclinando a cabeça na direção dele.

— Apenas um numero qualquer — desviou o olhar para a janela.

O canto da boca dela subiu, e ele odiava quando aquele sorriso aparecia. Principalmente porque naquele momento estava tendo alguma dificuldade para continuar fingindo que não estava com vontade de olhar pra ele.

— E você? — perguntou ela.

— Eu o quê?

— Passou metade da noite me encarando pelo jeito — em sua voz tinha um tom irritante de vitória.

— Não passei.

— Potter.

— Eu estava olhando para seu acompanhante. — Harry percebeu que aquilo também não tinha ajudado.

— Meu acompanhante. — A sobrancelha dela subiu lentamente.

— Ele é irritante.

— Você conversou com ele por aproximadamente quarenta segundos em quatro anos.

— Foram quarenta segundos suficientes.

— Está com ciúmes? — Draconia descruzou os braços.

— O quê? — Harry quase engasgou.

— Foi uma pergunta bastante simples.

— De você?

— Não. Do professor Dumbledore — revirou os olhos.

— Eu não estou com ciúmes. — Fez uma careta só de se imaginar admitindo algo como aquilo.

— Então deve existir outra razão perfeitamente razoável para você ter acompanhado cada vez que ele colocou a mão na minha cintura.

Harry ficou em silêncio.

— Eu sabia. — Draconia sorriu.

Dessa vez sem esconder.

— Você não sabe de nada.

— Sei que sua cara ficou particularmente engraçada durante a terceira música.

— Sua cara está engraçada agora.

O sorriso desapareceu.

— O que isso deveria significar?

Harry observou melhor.

Talvez devesse ter ficado calado.

Definitivamente deveria.

— Você está vermelha.

A garota levou uma fração de segundo para reagir e mesmo assim reagiu tarde demais.

— Estou com frio.

Harry olhou pela janela e em seguida para ela com um sorriso debochado se formando no rosto constatando que a janela estava fechada.

— Claro.

— Potter — esbravejou ela ao entender o tom ele usara. — Você é insuportável.

— É o que o você vive dizendo, mas mesmo assim aqui estamos nós.

Ela deu um passo na direção dele, não estavam distantes.

— Preciso ficar te lembrando constantemente. — deu mais um passo na direção dele.

— Sei, assim como passar boa parte da noite me encarando de longe. — Harry não recuou.

— Você está começando a achar que tudo gira ao seu redor agora?

— Não — fez uma pausa — Só uma senhorita Malfoy, aparentemente.

A garota parou instantaneamente com os olhos arregalados de surpresa. A frase saiu antes que pudesse formulara completamente em sua cabeça, e o tom que a acompanhou fora provocador, porém não o tom convencional. Harry pode sentir que deveria estar tão envergonhando quanto ela se não mais.

Mas por um instante, nenhuma provocação veio, nenhuma resposta acida, nada.

Só ficaram se encarando ali parados naquele corredor particularmente vazio. O som da musica distante atravessando paredes de pedra. E alguma coisa estranha se acomodando entre eles. Draconia sentiu o próprio coração acelerar a cada segundo que passando assimilando aquela frase.

— Você é um idiota Potter — disse ela, mais baixo.

— É eu sei.

Ela deu o último passo que falta, agora estavam perto demais para que aquilo ainda pudesse ser considerado uma discussão.

— Por está tão perto Malfoy? — tentava manter uma expressão e tom de voz firme.

Os olhos dela desceram por um instante mirando algum ponto a baixo de seus olhos, algo que ele não conseguiu acompanhar. E tão rápido voltou a encara-lo.

— Provavelmente vou me arrepender disso — a voz dela saiu como um sussurro ignorando a pergunta dele.

E com um movimento ela agarrou a frente das vestes dele e o puxou para baixo para que ficasse na altura de seu rosto, em seguida tomo-lhe os lábios em um beijo. Harry surpreso, mal conseguiu fechar os próprios olhos para aproveitar. Por alguns segundos não existiu nada além do toque inesperado dos lábios sabor cereja dela.

O beijo não se aprofundou muito mais, logo Draconia se afastou recobrando a consciência, para desgosto de Harry que queria aproveitar mais aquela sensação.

Os olhos dela estavam ligeiramente arregalados agora, como se tivesse sido tão surpreendida pela própria decisão quanto ele.

— Malfoy...

— Cala a boca, Potter.

E tomada novamente pela impulsividade, voltou a tomar os lábios do garoto pela segunda vez.

Depois do “Incidente do Baile de Inverno,” como passaram a chamar. Haviam passado semanas fingindo que nada acontecera. Ou, mais especificamente, ela passara semanas fingindo. Harry tentou pelo menos três vezes conversar sobre o assunto.

Na primeira, ela perguntara se havia testemunhas para comprovar que aquilo teria acontecido.

Na segunda, ameaçará de joga-lhe uma maldição.

Na terceira, beijara-o novamente dentro de uma sala desocupada.

A partir daí, as coisas haviam perdido qualquer aparência de organização.

No começo tinham regras, Harry ainda conseguia lembrar de algumas. Não encarar um ao outro durante refeições. Não deixar bilhetes que pudessem ser encontrados. Não falar sobre aquilo com ninguém. Não demonstrar nada nos corredores, está era a que ela adorava quebrar já que Harry descobrirá o quanto Malfoy podia ser ciumenta quando quisesse, e por algum motivo tinha, o que nas palavras não era nada saudável desafeito por Hermione e Gina.

E, para fechar a regra que ela recitava todos os encontros, absolutamente nunca tratar aquilo como um namoro ou algo duradouro. Ele nunca entendeu exatamente por quê.

— Então somos o que? — perguntará um dia.

— Uma sucessão de erros. — ela respondeu enquanto ajeitava o uniforme desalinhado. — E sucessão de erros não vira romance, ainda mais na nossa situação, Potter.

Mais tarde, ela acrescentara outra regra já no meio do quinto ano.

Não dormir juntos na Sala Precisa.

Harry olhou ao redor e depois focou-se nela e um sorriso largo se formou. Aquela regra estava indo esplendidamente bem.

Na noite anterior, a intenção tinha sido apenas conversar.

Na verdade, a intenção original tinha sido Harry reclamar de Umbridge por aproximadamente meia hora enquanto Draconia fingia que não estava preocupada. Como de costume o plano fracassara quase imediatamente.

Ela havia chegado tarde, com a capa da invisibilidade nos braços, ainda usando o pequeno distintivo da Armada Inquisitorial preso discretamente às vestes. Harry odiava aquele objeto, e ela sabia. Talvez por isso o tivesse arrancado da roupa no instante em que percebeu que estava o usando ainda.

— Nem começa.

Harry, que estava prestes a falar algo, permaneceu quieto.

— Estou falando sério, Potter. — Ela apontara para ele.

— Mas eu nem disse nada ainda.

— Essa sua expressão de desgosto fala por si só ­— soltou ela tirando a veste da Sonserina. — Desgosto tanto como você.

E era um fato importante, Malfoy não entrar na Armada Inquisitorial por que queria. No inicio era apenas para agradar o pai que a queria próxima da Umbridge para manter um bom relacionamento com o Ministério. Mas depois que descobrirá sobre o que Harry e os amigos estavam aprontando, usava a pouca influencia que tinha para desviar as investidas dos alunos e da Inquisidora dos arredores da Sala Precisa e dos alunos que Potter estava ensinando. Esse meio que era o acordo dos dois.

E sempre que podiam se encontravam as escondidas ali, nos dias em que Harry dava aulas ele ficara na sala após todos saírem e ela vinha depois com a capa da invisibilidade que ele emprestará pra ela.

Ela reparou que na noite em questão ele enviou muito o contado de sua mão direita com e sempre que se aproximava ela fazia uma expressão de que sentia algo. Algo que chegou num ponto dela não aguentar mais e segurar sua mão.

As palavras deixadas pela pena de Umbridge marcadas novamente sobre a pele.

Não devo contar mentiras.

Ela não fizera nenhuma piada. Isso tinha assustado ele mais do que se tivesse começado a gritar como da primeira vez.

— Quantas vezes?

— Malfoy...

Ela apertara o pulso quando ele tentou afastar a mão, não forte só o suficiente para que ele entendesse que ela não deixar passar.

— Harry.

Ele não conseguia negar nada ela quando o chamava pelo nome. A partir daí tinham conversado sobre o que houve naquela tarde na sala da sapa velha. Sobre como estava as coisas na Armada Inquisitorial e na Armada de Dumbledore, sobre como era perigoso o jogo que ela estava fazendo e que ele gostaria que ela se protegesse mais. Algo que ao mesmo tempo que fez a garota se sentir especial pelo tom carinhoso e protetor dele, também a fizera achar que ele não confiava em suas habilidades.

O que virou uma pequena disputa de provocações que cominaram em vários beijos roubados entre elas. Nada particularmente extraordinário para os padrões que haviam desenvolvido desde o ano que passara.

Só dois adolescentes com uma quantidade excessiva de coisas que não sabiam dizer usando o pouco tempo que tinham longe de todos os olhares do mundo. Depois tinham acabado no chão perto da lareira, conversando, ela encostada nele. Harry brincando com uma mecha do cabelo dela. E em algum momento, apareceram os cobertores.

— Cinco minutos e voltamos — ela dissera.

Harry lembrava.

— Você disse isso há vinte.

— Potter, temos aula amanhã cedo, só mais cinco minutos — disse ela com o tom mais firme.

Era a última coisa de que ele lembrava. Harry sorriu, continuou com as caricias no cabelo dela.

O braço esquerdo pulsou, fez uma careta. Talvez fosse importante confirmar se ainda possuía circulação, tentou mover o cotovelo. Ela resmungou, fazendo parar imediatamente. Só então percebeu uma coisa, a luz, estava clara demais.

Harry virou lentamente a cabeça, e um relógio surgiu sobre uma pequena mesa ao lado das poltronas. Apertou os olhos, sem os óculos, os números eram apenas manchas. Esticou a mão livre procurando-os.

Os dedos encontraram alguma coisa metálica embaixo de um travesseiro. Ele puxou, por sorte eram seus óculos, colocou-os e voltou para o relógio.

08:17

Focou-se mais e piscou algumas vezes só pra ter a confirmação de que a primeira aula aquele dia começava às oito. Sentiu o estômago despencar.

— Merda.

A garota respirou fundo contra o peito dele.

— Hm...

— Meu amorzinho tá na hora de acordar — tentou acorda-la carinhosamente.

Os dedos dela apenas apertaram a camisa dele e ela se ajeitou mais.

— Malfoy.

Ela não respondeu.

Harry respirou fundo.

— MALFOY!!

Draconia acordou como se alguém tivesse disparado algum tipo de feitiço.

— O quê?! — Levantou a cabeça.

Harry apontou para o relógio, ela piscou confusa, o cabelo estava espetado de um dos lados. Ele tentou, realmente tentou não ri da situação dela, mas ao mesmo tempo que era fofo tinha o mesmo nível de engraçado.

— O que foi? — perguntou ela estreitando os olhos.

Harry apontou vagamente para o cabelo dela.

— Você...

A expressão dela mudou.

— Potter.

— Seu cabelo.

— O que tem meu cabelo?

— Nada.

— Potter.

Ele ainda ria.

— Está ótimo.

Ela levantou uma mão até a cabeça, e sentiu que estavam completamente bagunçados e desalinhados. Os olhos se arregalaram, nunca imaginou que ele iria vê-la naquela situação.

Harry teve que virar o rosto.

— Você vai morrer. — Apenas o viu concorda com a cabeça — Que horas são?

Harry apontou novamente, e ela olhou para ele. Ela se inclinou para frente e pegou o relógio aproximou do rosto.

— Não.

— Sim.

— Não.

— Infelizmente, o tempo parece bastante comprometido com essa versão.

— A aula começou há dezessete minutos — ela virou o rosto lentamente. — Por que você não me acordou?

— Eu acabei de acordar. — Harry piscou.

— Você estava acordado quando eu acordei.

— Por uns três minutos.

— Fazendo o quê? — Draconia estreitou os olhos.

Harry teve a inteligência de não responder imediatamente. Ela olhou para a própria posição. Depois para a camisa dele. Depois para a mão que ainda a segurava. Draconia soltou o tecido como se queimasse.

— Dormiu bem? — Harry sorriu.

— Não começa.

— Você parecia confortável.

— Potter. — Ela olhou.

— Meu braço não concorda.

Harry tentou erguer o braço esquerdo. Ele subiu aproximadamente dois centímetros antes de cair novamente sobre o cobertor. Draconia mordeu o lábio, o fazendo arregalar os olhos.

— Você está rindo?

— Não.

Os ombros dela tremeram.

— Malfoy!

Ela soltou uma risada, pequena, ainda rouca de sono. Os olhos dele pararam para comtemplar a expressão dela, não ouvia aquela risada com frequência, o que fazia aquele momento ser ainda mais especial para se guardar na memória. E valia a possível inutilização do braço esquerdo.

Então Draconia voltou a olhar para o relógio, e a risada morreu.

— Levanta.

— Meu braço morreu.

— Leve-o com você. — Ela empurrou os cobertores.

Tentou se levantar, mas o pé ficou preso.

Harry viu tudo acontecer. A dignidade. O movimento. O exato instante em que a dignidade percebeu que perdera a batalha.

Draconia caiu de volta, em cima dele. Harry soltou um som sufocado.

Os dois ficaram parados. O rosto dela estava a poucos centímetros do dele.

— Bom dia de novo. — Harry sorriu.

— Não diga uma palavra.

— Eu acabei de...

— Nenhuma. — Ela colocou a mão sobre a boca dele.

Harry falou alguma coisa contra a palma.

— Não entendi.

Ele repetiu.

— Continuo não entendendo.

Harry beijou discretamente a palma da mão dela.

Draconia puxou-a imediatamente.

O rosto ganhou cor.

— Potter!

Harry começou a rir.

Ela levantou.

Dessa vez conseguiu permanecer em pé.

— Temos aula.

— Eu percebi.

— McGonagall.

Harry parou de rir imediatamente, os dois se encararam novamente e a compreensão foi simultânea.

— Corre.

A Sala Precisa virou caos, ele procurava pelos sapatos achando um par perto da lareira.

— Viu o outro par?

Draconia estava diante de um espelho que surgira na parede no instante em que ela começara a tentar domar o cabelo.

— Como eu saberia?

— Você estava dormindo em cima de mim.

— Não em cima dos seus pés.

Harry olhou debaixo de uma poltrona e dos cobertores e nada.

— Será que a Sala se livrou dele para fazer alguma coisa aparecer?

— Claro, Potter. A sala que nos da tudo que precisamos vai fazer um par de sapato sumir.

Preferiu não responder ao sarcasmo dela logo, e continuou a buscar pelas almofadas, onde debaixo de um o encontrou.

— Achei.

— Fascinante.

— Agora precisamos achar minha gravata.

— Serve essa toda frouxa no seu pescoço. — dizia ela com uma expressão de quem estava do lado de um completo idiota.

Harry tocou e percebeu, quase entrou em um colapso. Voltou o olha pra ela que continuava arrumando o cabelo.

— Podemos ignorar isso.

— Por hora sim, estamos mais do que atrasados.

Draconia prendeu novamente parte do cabelo, puxando a fita com movimentos rápidos. Harry alinhou a grava do jeito que dava e vestiu os sapados. E procurou pelo próprio manto, achou o dela, mas nenhum sinal do seu.

— A Sala gosta mais de você.

— A Sala tem bom gosto.

— Ela criou uma penteadeira inteira.

— Porque percebeu que alguém aqui precisa chegar apresentável.

Harry encontrou o manto jogado num canto qualquer da sala. Colocou rapidamente chamando a atenção de Draconia para si.

— Não.

— O quê?

— Sua gravata. — Ela caminhou até ele.

— Tá aqui. — Harry olhou.

— Ah! — exclamou ela como se estive conversando com uma criança — Sinceramente Potter, já estamos no quinto ano, quando vai aprender a deixar certo.

— Mas estamos atrasados, tem muita coisa na frente da grava pra professora Minerva da bronca. — tentou argumentar.

— Exato, não precisamos acrescentar mais motivos. — Aproximou-se dele.

Draconia puxou o tecido da gravata o fazendo inclinar um pouco pra frente, por um instante estavam perto demais com tempo de menos, os dois perceberam e antes que pudesse dar voz a qualquer pensamento, ela começou a ajeitar o tecido.

Harry observava o rosto dela, os fios de cabelo que ainda escapavam da fita. O semblante concentrado dela. A pequena linha entre as sobrancelhas. Parando para pensar, era difícil acreditar que tivera levado quatro anos para ver a quão bela era ela, ou talvez já sabia. Mas as provocações e briguinhas sem sentido podiam ter afetado.

— Para — pediu ela.

— Já estou parado — brincou.

— Idiota, só para de me olhar assim.

— Assim como? — um sorriso maroto apareceu no canto dos lábios.

— Você sabe — ela apertou o nó um pouco mais do que precisava.

— Sei não.

Draconia ergueu os olhos, e pode ver que ficarem atrasados não seria o menor dos problemas daquela manhã, já que ao ver o brilho no olhar juntamente do sorriso dele, ela questionou mentalmente a possibilidade de não comparecer a nenhuma aula aquela manhã.

— Essa sua expressão é a responsável por metade dos nossos problemas.

— Sempre achei que fosse você, seu temperamento e sua boca incrivelmente atraentes. — Harry aproximou o rosto.

Draconia colocou dois dedos sobre os lábios dele.

— Nem pense, ou não sairemos daqui.

— Só mais cinco minutos? — falou entre os dedos dela.

— Nunca mais pronuncie essa frase perto de mim.

Harry sorriu ainda mais.

— Você disse ontem.

— E veja no que deu.

— Você dormiu muito bem.

— Não. — Draconia apontou um dedo.

— Minha camisa discorda.

— Potter.

— Você estava segurando.

— Eu estava inconsciente.

— Com bastante determinação.

— Vamos logo. — Ela pegou a bolsa.

Harry a acompanhou com uma expressão de derrotado, estavam quase na porta quando ela parou, fazendo-o parar ao seu lado. Os ombros ficaram mais retos, o queixo subiu alguns milímetros e o encarava. Pode sentir aquela velha irritação misturada a alguma coisa mais complicada de nomear.

Naquela sala, haviam sido apenas ele e ela. A conversa e as pequenas provocações que atravessaram parte da noite, o cabelo bagunçado da manhã, ela dormindo sobre ele, rindo do braço dormente. Lá fora voltariam a desempenhar o velho papel de cão e gato, ou nas palavras da escola Potter e Malfoy.

Harry pegara o mapa do maroto que no ultimo ano não saia de seu bolso e dera uma breve espiada para garantir que ninguém os visse saindo dali. Ela tocou a maçaneta quando ele assentiu.

— Você primeiro.

Era uma das regras, ele sempre devia sair primeiro. Abriu a porta e como sabia o corredor estava completamente vazio, saiu e esperou até que ela apareceu alguns segundos depois.

Assim ele começou a andar, mantendo a distancia de cinco metros, talvez seis. Era estranho como aquilo conseguia incomodá-lo depois de tanto tempo. Harry sabia por quê. Sabia que era necessário. Sabia que Lucius Malfoy transformaria a vida da filha num inferno se descobrisse. Sabia que seus amigos provavelmente teriam um ataque coletivo.

Ainda assim, havia alguma coisa profundamente absurda em não poder sequer caminhar ao lado de alguém que a menos de meia hora estava dormindo com ele. Olhou para trás, e a viu fazer uma expressão que claramente dizia: “Continue andando idiota!”

Alguns corredores depois ouviram vozes, alunos. Cumprimentou com um gesto de mão, ela diminuiu o passo para a distância aumentar ainda mais.

Quando chegaram próximos à sala de Transfiguração, já havia distância suficiente entre os dois para parecer coincidência, ou quase. Harry abriu a porta, e toda a sala o encarou de imediato. McGonagall parou no meio de uma explicação, sentiu imediatamente que preferiria enfrentar os três desafios do torneio ao mesmo tempo e ainda assim seria uma tarefa mais fácil.

— Sr. Potter decidiu se juntar a nós.

— Me desculpe Professora...

Atrás dele, a ponta ainda estava aberta, e Malfoy apareceu segundos depois. Ato que fez McGonagall encerar de um para o outro.

— Srta. Malfoy.

— Professora.

— Trinta e dois minutos — começou Minerva jantando as mãos diante do corpo.

Harry ia dizer algo, mas Draconia pisou em seu pé, fazendo ele fechar os olhos e tentar se manter firme sem chamar mais atenção.

— Imagino — continuou a professora — que exista uma explicação extremamente convincente para os dois alunos chegarem quase no final da minha aula.

Harry olhou para Draconia.

Draconia olhou para frente.

A expressão dela era uma obra-prima de inocência aristocrática.

— Não, professora.

Harry virou o rosto.

McGonagall também pareceu ligeiramente surpreendida.

— Não?

— Não creio que exista uma explicação que melhore a situação.

Harry teve que admitir.

Aquilo era impressionante.

McGonagall encarou-a por alguns segundos.

— Cinco pontos da Sonserina.

Draconia assentiu.

— Cinco pontos da Grifinória.

Harry engoliu em seco.

— Sim, professora.

— E ambos permanecerão depois da aula.

Ron fez um pequeno ruído. Harry não sabia se era tosse ou riso.

— Sentem-se.

Harry começou a caminhar, passando por ela.

— Valeu a pena. — murmurou muito baixo, quase que sem mover os lábios.

Ela não virou.

Mas ele viu o canto da boca dela ameaçar subir.

— Idiota.

Harry sentou-se ao lado de Ron.

Ron esperou exatamente três segundos.

— Onde você estava?

— Dormindo.

Harry percebeu o erro imediatamente.

— Dormindo? — Ron virou completamente.

Hermione fechou os olhos.

— Quero dizer, perdi a hora. — Harry pegou o livro.

— Você perdeu a hora por meia hora?

Ron olhou para Draconia, e depois para Harry.

Harry sentiu a alma tentando abandonar o corpo.

— Por que Malfoy...

Hermione chutou Ron por baixo da mesa.

— Ai!

McGonagall parou.

— Há algum problema, Sr. Weasley?

— Não, professora. — Ron ficou vermelho.

— Excelente. Então talvez queira acompanhar a aula.

Harry manteve os olhos no livro.

“Não olhe para ela.”

“Definitivamente não olhe.”

Recitava um mantra mentalmente, algo que aparentemente não funcionou já que alguns segundos depois ele olhou.

Ela estava duas fileiras adiante, escrevendo. Perfeitamente concentrada, como se nada tivesse acontecido esse era um dom do qual Harry tinha ao mesmo tempo inveja e orgulho.

Então ela ergueu os olhos, encontrou os dele. Por meio segundo, Malfoy desapareceu e Draconia estava ali. Só por um instante antes de voltar para o pergaminho.

Harry baixou o olhar para o próprio livro, e notou que tinha um pequeno pedaço de pergaminho dobrado entre as páginas. Franziu a testa antes de abrir, não se lembrava de ter anotado algo, então abriu o mais discretamente que podia. A letra inclinada era impossível de confundir e era apenas duas linhas.

Meia-noite.

E traga um despertador.

FIM!?


Notas finais
Eai o que acharam? Espero que tenham curtido! Bom como disse lá em cima irei trazer mais algumas para este UA, tentarei abordar alguns eventos importantes da obra apartir deste ponto de vista. To adorando escrever este casal! Talvez até tente escrever algo BL depois nunca escrevi e acho que vale apena ver no que dá. Dito isso até a proxima!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!