Lucas Foster

Mais uma vez acordei a noite, despertada pelos pesadelos que me atormentavam a tempo. O meu único remédio foi sair na madrugada de domingo.

Caminhei por um longo tempo, sem rumo, apenas observando os postes e sua luzes fracas que iluminava a rua deserta.

Andei até parar num beco e reconhecer um dos dois seres que estavam lá que conversavam na escuridão da noite. Lucas Foster pegou um pequeno embrulho e logo colocou no bolso da jaqueta de couro. Já o outro, que nunca havia visto, saiu do local e não olhou para trás.

─O que tá fazendo aqui, no meio da noite garota?─ Lucas perguntou com irritação.

─Eu podia perguntar o mesmo─ eu disse com indignação.

Lucas deu um longo suspiro e olhou para o chão. Suas expressões se tranquilizaram e assim voltou a me olhar. Seu rosto mostrava uma tristeza que nunca virá.

─Desculpa, eu estou sendo um idiota─ ele afirmou balançando a cabeça.

─Concordo─ cruzei meus braços e coloquei-os na altura do meu peito.─ E isso,─ indiquei para o bolço de sua jaqueta─ por acaso são drogas?

Fiquei um pouco desconfortável em perguntar, mas minha raiva pareceu tirar minha timidez.

─Talvez─ Lucas sorriu maroto.

─Você é ridículo- aquilo foi o cúmulo para minha irritação. Depois de dito, dei as costas e continuei meu caminho sem rumo.

Ei─ ele me repreendeu.─ Nós ainda não terminamos a conversa.

─Diga o que tem a dizer, pois eu não tenho nada a declarar─ eu não parei de andar enquanto falava e Lucas me acompanhou.

─Gostou do jogo de futebol? ─acho que foi a primeiro assunto que brotou em sua mente. Ele realmente queria dialogar comigo.

─Sim, especialmente encontrar o pessoal na lanchonete─ ainda conseguia sentir os lábios quentes de Leonardo nos meus.

─Deve ter sido bom o encontro com Leonardo─ Lucas comentou, fazendo-me ruborizar. A sorte era que estava escuro.

─Foi sim─ confirmei com a afirmação do garoto, sem me importar o que a resposta causaria nele.

Ficamos caminhando no silêncio da pequena cidade. Estava com a mente cheia e tentava pensar o menos o possível do dia em que minha vida mudou por completo.

─O que tanto passa em sua mente, que a deixa tão distraída?─ questionou Lucas.

─Nada de muito importante─ eu respondi tentando parecer o mais indiferente possível.─ Acho melhor eu voltar para casa─ disse me virando em direção posta a que seguíamos.

─É tarde, pode ser perigoso.

Antes de comentar, eu dei uma gargalhado gostosa: ─O que pode acontecer numa cidade com essas?

─Apenas deixe-me acompanha-la─ ele insistiu mais uma vez.

Não discordei novamente e voltamos pelo caminho, quietos. Pensei que não tínhamos nada a dizer, ou a situação era tão perturbador demais para Lucas, vergonhosa para mim e insana para o acaso, que palavras apenas iam complica-la mais do que já estava.

─Chegamos─ aleguei quase como um alívio.

Lucas observou a casa por alguns segundos e depois desviou para outro ponto. Talvez sentia aflição, nojo ou medo. Porém naqueles olhos azuis cristalinos conseguia se ver a tristeza profunda.

─Eu vou indo- falei, já que o garoto não se pronunciará.

─Vamos nos falara novamente?- ele perguntou e segurou meu pulso, me impedindo de virar e entrar na casa.

─Acredito que sim. Estudamos na mesmo escola, não é mesmo?─ questionei e não esperei a resposta.─ Boa noite Lucas- me soltei de seu aperto.

─Boa noite Sara.

Foi a primeira vez que escutei meu nome sair daqueles lábios.